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ARTIGO DE OPINIÃO

Turismo, qualificação e desenvolvimento

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Autor: Edson Dahmer*

Em um momento de crescimento do setor em Mato Grosso, investir na qualificação profissional e na valorização das potencialidades regionais tornou-se uma estratégia de desenvolvimento econômico

O turismo vive um momento de transformação e expansão em Mato Grosso. Dados recentes apontam crescimento no fluxo de visitantes, fortalecimento da presença internacional no estado e valorização de destinos ligados à natureza, cultura, gastronomia e experiências autênticas. Mais do que uma atividade econômica, o turismo consolida-se como um vetor de geração de renda, oportunidades e desenvolvimento regional.

Entre janeiro e abril de 2025, Mato Grosso registrou crescimento de 11% na movimentação turística em comparação ao mesmo período do ano anterior. No cenário nacional, o turismo movimentou mais de R$ 185 bilhões em 2025 e gerou mais de 106 mil empregos formais. São números que demonstram a força de um setor capaz de conectar territórios, impulsionar negócios e criar oportunidades para milhares de pessoas.

Mas nenhum destino se fortalece apenas por suas belezas naturais ou por seus atrativos culturais.

O que transforma potencial em desenvolvimento é a capacidade de oferecer experiências de qualidade. E essa qualidade depende, fundamentalmente, de pessoas preparadas.

É nesse ponto que a educação profissional assume papel estratégico.

O turismo contemporâneo exige profissionais capazes de compreender tendências, utilizar tecnologias, atender com excelência, valorizar a cultura local e transformar experiências em memórias positivas para quem visita nossos destinos. Quanto mais qualificada é a cadeia produtiva do turismo, maior é sua capacidade de gerar competitividade, atrair investimentos e ampliar seu impacto econômico e social.

No Senac Mato Grosso, acreditamos que desenvolver o turismo significa desenvolver pessoas.

Esse compromisso se traduz em ações concretas. Somente em 2025, mais de 500 pessoas foram capacitadas em cursos, oficinas e programas voltados ao setor turístico em diferentes regiões do estado. Foram 29 títulos ofertados em sete municípios, abrangendo áreas como hotelaria, recepção, gastronomia, eventos, atendimento ao cliente, ecoturismo e hospitalidade.

Também avançamos em projetos estruturantes que contribuem para fortalecer a identidade turística de Mato Grosso.

O projeto ‘Encantos da Gastronomia’, por exemplo, nasceu com a proposta de valorizar a culinária regional como patrimônio cultural e ferramenta de desenvolvimento econômico. Ao reconhecer pratos típicos e incentivar a formação de profissionais, a iniciativa ajuda a transformar a gastronomia em elemento de promoção turística dos municípios.

Da mesma forma, programas como o Qualifica Turismo, desenvolvido em parceria com a Prefeitura de Sinop, o curso de Condutor Ambiental Local, realizado em Barra do Garças, e o ProLíder Turismo, voltado à formação de lideranças estratégicas do setor, demonstram que a qualificação profissional precisa alcançar diferentes níveis da cadeia turística, da operação à gestão.

Essa visão também orienta nossa participação na FIT Pantanal 2026 que começará nesta quarta-feira (3), no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá.

Ao longo dos cinco dias da feira, o Senac-MT promoverá uma programação gratuita que conectará educação, inovação, gastronomia, tecnologia e experiências imersivas. Em espaços como a Arena do Conhecimento Senac, a Cozinha Encantos da Gastronomia e os ambientes de realidade virtual e minioficinas digitais, discutiremos temas que ajudarão a compreender o presente e construir o futuro do turismo.

Falaremos sobre inteligência artificial, hiperpersonalização de viagens, turismo de experiência, sustentabilidade, marketing de influência, observação de aves, turismo de fé e transformação digital dos pequenos negócios. Também valorizaremos a gastronomia regional por meio de chefs, instrutores e profissionais que representam a riqueza cultural do nosso estado.

Mais do que uma programação de evento, trata-se de uma demonstração prática de como o turismo pode integrar conhecimento, cultura, empreendedorismo e inovação.

O setor turístico passa por mudanças profundas. O viajante busca experiências mais autênticas, personalizadas e conectadas ao território. Ao mesmo tempo, novas tecnologias ampliam possibilidades de promoção, comercialização e relacionamento com os visitantes. Nesse contexto, qualificação profissional e inovação deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos para a competitividade dos destinos.

Mato Grosso possui atributos únicos. Reunimos Pantanal, Cerrado e Amazônia em um mesmo território, além de uma diversidade cultural, gastronômica e histórica que nos diferencia no cenário nacional. Transformar esse potencial em desenvolvimento sustentável exige planejamento, cooperação entre instituições e investimento permanente em pessoas.

O turismo do futuro será construído por quem souber combinar tecnologia e humanidade, inovação e identidade, crescimento econômico e valorização cultural. É essa visão que orienta a atuação do Senac em Mato Grosso.

Porque, no fim das contas, fortalecer o turismo é fortalecer pessoas, negócios e comunidades.

E não existe desenvolvimento duradouro sem conhecimento.

*Edson DahmerDiretor regional do Senac em Mato Grosso. Atua na articulação entre educação profissional, desenvolvimento econômico e inovação para o setor do comércio de bens, serviços e turismo.

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Artigos

Qual o sentido da vida?

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Autora: Soraya Medeiros*

Assisti recentemente a uma palestra que trouxe uma pergunta antiga, aparentemente simples, mas capaz de atravessar gerações, religiões e filosofias: afinal, qual é o sentido da vida?

Saí de lá pensando sobre as diferentes respostas que damos a essa pergunta. Para alguns, viver é conquistar uma casa bonita, um carro novo, viajar, ganhar dinheiro e ter conforto. Para outros, é alcançar sucesso profissional, reconhecimento e prestígio. Há quem encontre sentido na família, no amor, na fé, nos amigos ou no cuidado com o próximo. E há também quem ainda esteja tentando descobrir por que está aqui.

Talvez esse seja um dos grandes dilemas do nosso tempo. Somos ensinados desde cedo a conquistar, produzir, acumular e vencer, mas pouco estimulados a perguntar por que queremos tudo isso.

Vivemos em uma sociedade que frequentemente mede felicidade pelo que pode ser mostrado. O sucesso ganhou endereço, marca, preço e até número de seguidores. Parece que precisamos provar o tempo inteiro que estamos felizes, realizados e vivendo uma vida extraordinária.

Nada há de errado em desejar conforto, crescer profissionalmente ou realizar sonhos. O problema surge quando acreditamos que essas conquistas serão suficientes para preencher todos os nossos vazios.

O psiquiatra austríaco Viktor Frankl, criador da Logoterapia e autor de Em Busca de Sentido, dedicou parte de sua obra à necessidade humana de encontrar significado para a existência. Para ele, esse sentido não é uma fórmula pronta. Pode ser encontrado no trabalho, no amor, nas relações e até na maneira como enfrentamos situações que não podemos mudar.

E foi justamente aí que a palestra me provocou uma pergunta diferente: passamos tanto tempo pensando “o que eu quero ter?”, mas quantas vezes paramos para perguntar “que vida eu quero viver?”

Porque ter não significa ser.

Podemos conquistar dinheiro e continuar pobres de afeto. Podemos estar cercados de pessoas e nos sentir sozinhos. Podemos receber aplausos e, quando o silêncio chega, não reconhecer quem somos. Podemos acumular bens e descobrir que algumas das coisas mais importantes da vida simplesmente não podem ser compradas.

Talvez estejamos procurando longe demais aquilo que sempre esteve perto.

O sentido pode estar em sentar-se à mesa com quem amamos, abraçar nossos pais enquanto podemos, rir com os amigos, cuidar de um animal, ajudar alguém sem esperar reconhecimento, contemplar um pôr do sol ou simplesmente agradecer por mais um dia.

O problema é que frequentemente adiamos a vida. Quando eu tiver dinheiro.” “Quando conseguir aquele emprego.” “Quando comprar minha casa.” “Quando encontrar alguém.” “Quando puder viajar.” “Quando as coisas melhorarem.

E, de tanto esperar pelo momento ideal, corremos o risco de transformar a existência em uma grande sala de espera.

Mas a vida não espera.

Também acredito que não exista um único sentido para toda a nossa trajetória. Aquilo que parecia essencial aos 20 anos talvez já não seja aos 40 ou aos 60. Nós mudamos. Perdemos pessoas, encontramos outras, acertamos, erramos, amadurecemos e recomeçamos. E cada experiência reorganiza nossas prioridades.

Por isso, talvez a pergunta mais importante não seja apenas “qual é o sentido da vida?“, mas “qual sentido estou dando à vida que tenho hoje?

A vida não começa quando conquistarmos tudo aquilo que desejamos. Ela já está acontecendo enquanto trabalhamos, fazemos planos, amamos, choramos, sorrimos, perdoamos, perdemos e encontramos forças para começar novamente.

Talvez não seja necessário descobrir um propósito grandioso para justificar nossa existência. Talvez o verdadeiro sentido esteja nas pequenas coisas que fazemos, nos afetos que construímos e nas marcas que deixamos nas pessoas que passam pelo nosso caminho.

E, no final das contas, talvez baste poder olhar para a própria história e sentir que, apesar de tudo, valeu a pena estar aqui.

*Soraya Medeiros é jornalista.

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