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VOTAÇÃO DA CONFUSÃO

Clima tenso na Câmara de Cuiabá por pedido de remanejamento de Emanuel Pinheiro

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Tudo indica que o Prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), não terá mesmo dias fáceis na Câmara Municipal de Cuiabá com o grupo de vereadores de oposição. O pedido de crédito de R$ 6 milhões do Fundo Municipal de Saúde, terminou em discussão na Câmara, é para concluir obras, como a Policlínica do Coxipó.

A confusão começou com o voto do vereador Rodrigo Arruda e Sá (PSDB), que presidia a sessão e, de acordo com o regimento interno, só deveria votar em caso de empate. Com isso, os vereadores se desentenderam após o voto incorreto do primeiro vice-presidente, Rodrigo Arruda e Sá (PSDB), implicar na mudança do resultado, favorecendo o Prefeito da Capital, Emanuel Pinheiro (MDB).

A situação resultou em bate-boca e a votação foi anulada duas vezes. Após revisar o regimento interno, Arruda e Sá reconheceu o erro e decidiu adiar a votação para a próxima semana. A discussão se acirrou, com o vereador Felipe Corrêa (PL) perguntando “quanto custou?” e a vereadora Maysa Leão (Republicanos) chamando a situação de “cena patética” e afirmando que a sensação era de “podridão”.

Trata-se de um pedido de autorização para remanejamento orçamentário, visando o investimento e a conclusão de obras; São valores já previstos no orçamento, que serão destinados à finalização das unidades de saúde, como, por exemplo, as UBS Jardim Passaredo, Dr. Fábio, São João Del Rey, além da conclusão da Policlínica do Coxipó, cita o documento.

A assessoria destacou que o crédito não onera mais gastos à Pasta, apenas remaneja uma parte do fundo à Secretaria Municipal da Saúde. Validando a medida, a Câmara de Cuiabá admite que os novos valores sejam incluídos à Lei Orçamentária de 2024, aprovada em dezembro de 2023.

A finalidade primordial é a inclusão, na Lei Orçamentária de 2024, de dotações orçamentárias para a realização de despesas de capital com recursos vinculados não previstos no orçamento do Fundo Municipal de Saúde quando de sua elaboração, ainda sob a gestão do Gabinete de Intervenção, esclareceu.

A Policlínica do Coxipó está fechada para reforma desde julho de 2023. A decisão de encerrar o atendimento foi assumida à época da Intervenção na Saúde.

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LEIA NOTA NA ÍNTEGRA da Prefeitura de Cuiabá

Por meio de nota, a Prefeitura de Cuiabá explicou que:

“Quanto ao Projeto de Lei que autoriza a abertura de crédito adicional especial no orçamento do Fundo Municipal de Saúde, a Prefeitura de Cuiabá esclarece:

Trata-se de um pedido de autorização para remanejamento orçamentário, visando o investimento e a conclusão de obras;

São valores já previstos no orçamento, que serão destinados à finalização das unidades de saúde, como, por exemplo, as UBS Jardim Passaredo, Dr. Fábio, São João Del Rey, além da conclusão da Policlínica do Coxipó;

A finalidade primordial é a inclusão, na Lei Orçamentária de 2024, de dotações orçamentárias para a realização de despesas de capital com recursos vinculados não previstos no orçamento do Fundo Municipal de Saúde quando de sua elaboração, ainda sob a gestão do Gabinete de Intervenção;

É válido reforçar que o crédito adicional em questão não implica em acréscimo no orçamento, mas apenas na transferência de uma categoria de despesa para outra, visando à aquisição de mobiliário e equipamentos médicos para equipar as unidades de saúde”.

Clima tenso na “Casa dos Horrores”

Com direito a gritos, xingamentos, acusações e até ameaças, os vereadores de Cuiabá protagonizaram uma cena digna da alcunha de “Casa dos Horrores”.

O regime de urgência acelera o rito para votações e impede que os vereadores peçam “vistas”.

Dilemario Alencar (UB) questiona Rodrigo

O senhor está muito equivocado. É uma questão de lógica simples: se o regulamento só permite o voto do presidente em caso de empate, essa matéria não empatou, ao contrário disso, ela recebeu 11 votos contrários e 10 favoráveis uma vez que o voto de vossa excelência só é dado em caso de empate que não aconteceu hoje.

As vereadoras Maysa Leão (Republicanos), Michelly Alencar (UB), os vereadores Dr Luis Fernando (UB), Demilson Nogueira (PP) e Cezinha Nascimento (UB), além de Dilemario Alencar, protestaram aos gritos contra os membros da Mesa Diretora que após a trapalhada pediram “recontagem” dos votos.

Se os senhores não estão contentes com o rito, que judicializem a questão, ou deixem de votar. Vamos realizar uma nova votação, disse Arruda e Sá.

“Questão de Ordem” e “Questão de Esclarecimento” negados

Desta vez, com um novo quórum os vereadores da base de Emanuel Pinheiro (MDB) venceram a disputa por 13 votos contra 8.

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Mesmo com microfones desligados, sem direito a fala e com os pedidos de “questão de ordem” e “questão de esclarecimento” negados, os parlamentares iniciaram os gritos e protestos.

Após alguns minutos, o vereador Rodrigo Arruda e Sá (PSDB), que presidia a sessão retomou a fala.

Vou anular a primeira e a segunda votações e colocaremos o pedido de urgência em outra sessão. Eu consultei advogados e reconheço que errei ao votar como presidente, disse o vereador que também é da área do direito.

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Política

Teia de suspeitas do VLT e impasse do BRT tensionam relação entre “Governo” e “Oposição”

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A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) converteu-se no cenário de um intenso embate político que paralisou o debate sobre a infraestrutura local. O episódio ocorreu durante uma Audiência Pública de prestação de contas que acabou por desviar o foco técnico para antigas disputas eleitorais. A sessão, que deveria esclarecer o andamento das obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), transformou-se em uma arena de acusações recíprocas entre a base governista e a oposição. O impasse reflete a profunda polarização que historicamente caracteriza a gestão das grandes obras de mobilidade urbana na capital mato-grossense.

O debate centralizador das discussões ocorreu no Palácio Dante de Oliveira, sede do Poder Legislativo do Estado de Mato Grosso, localizada no Centro Político Administrativo de Cuiabá. A escolha do local conferiu caráter oficial e solene ao encontro, que reuniu parlamentares, gestores públicos e representantes da sociedade civil organizada. A capital, que convive há mais de uma década com os transtornos decorrentes de projetos de transporte inacabados, serviu como pano de fundo geográfico e social para o confronto. O ambiente do plenário, marcado por discursos inflamados e questionamentos incisivos, evidenciou a urgência das respostas demandadas pela população cuiabana.

A reunião deliberativa aconteceu nesta terça-feira, momento em que o cronograma físico e financeiro do BRT voltou a ser oficialmente questionado pela Comissão Parlamentar competente. O agendamento da Audiência Pública atendeu a um requerimento de urgência apresentado pela oposição, motivado pelas sucessivas dilações nos prazos de entrega das vias exclusivas de transporte. A temporalidade do evento revelou-se estratégica, ocorrendo em um período de crescente cobrança social pela retomada e finalização dos corredores estruturais de trânsito na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.

O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística do Estado de Mato Grosso (SINFRA/MT), Marcelo de Oliveira, conhecido politicamente como Marcelo “Padeiro”, figurou como o principal convocado para prestar os esclarecimentos técnicos necessários. O gestor, contudo, optou por retirar-se do recinto parlamentar antes da formulação das perguntas cruciais pelos deputados da oposição, gerando forte descontentamento no plenário.

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A conduta do secretário foi interpretada pela bancada oposicionista como uma deliberada esquiva diante das responsabilidades administrativas referentes aos contratos e aditivos vigentes.

A convocação oficial da autoridade governamental deu-se em razão da necessidade imperiosa de esclarecer os motivos das constantes paralisações e o encarecimento das obras do BRT. O projeto atual, que substituiu o antigo modelo de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), é alvo de investigações que apontam suposta falta de planejamento e excesso de contratações diretas sem licitação. Os deputados estaduais exigiam a apresentação detalhada de planilhas de custos e a justificativa para a escolha de consórcios específicos para a execução dos lotes remanescentes.

A controvérsia instalou-se em virtude do abandono da sessão pelo secretário e das posteriores declarações do governador Otaviano Pivetta, do partido Republicanos, que saiu em defesa de seu colaborador. O chefe do Executivo Estadual descaracterizou as cobranças técnicas da oposição ao sugerir que a campanha eleitoral de 2012 do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), fora financiada com desvios do extinto projeto do VLT.

Esse movimento retórico redirecionou a pauta de fiscalização orçamentária para o campo das suspeitas criminais pretéritas, inflamando o ambiente político estadual e deslocando o foco das atuais falhas de execução do BRT.

Os parlamentares estaduais utilizaram-se dos mecanismos constitucionais de fiscalização do Poder Executivo, amparados pelo regimento interno da Casa de Leis e pela prerrogativa de controle externo da administração pública. A inquirição dos secretários de Estado constitui um dever do parlamento e um direito do cidadão ao acesso à informação e à transparência pública. A utilização desse instrumento de controle democrático visa garantir que os recursos públicos sejam aplicados em conformidade com os princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa.

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A complexidade operacional e financeira que envolve a transição do modelo de VLT para o BRT justifica a intensa preocupação dos órgãos de controle e dos representantes do Legislativo. Um dos pontos de maior atrito consiste no expressivo aumento do valor de um lote licitado, cujo custo inicial saltou de R$ 68 milhões para expressivos R$ 120 milhões em apenas dois meses.

A dispensa de licitação concedida sistematicamente a uma única empresa construtora agravou as suspeitas de favorecimento, motivando pedidos de auditoria detalhada junto ao Tribunal de Contas do Estado.

O impacto imediato desse novo embate político consiste no severo travamento da interlocução institucional entre o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. As declarações de Otaviano Pivetta geraram forte reação do deputado petista Lúdio Cabral, que refutou veementemente as acusações de corrupção eleitoral e prometeu acionar os meios jurídicos cabíveis para restabelecer sua honra. A judicialização da disputa política tende a prolongar o clima de instabilidade, prejudicando a aprovação de matérias de interesse público e a própria fiscalização das obras de mobilidade urbana.

A sociedade mato-grossense permanece como a principal prejudicada pelo prolongamento indefinido dos canteiros de obras que obstruem o tráfego e deterioram o comércio de Cuiabá. Enquanto as lideranças políticas priorizam a disputa de narrativas sobre eventos ocorridos há mais de uma década, o cronograma do BRT segue sem uma definição concreta de entrega.

A expectativa coletiva por um sistema de transporte coletivo moderno e eficiente continua frustrada pela crônica incapacidade de planejamento e pela constante partidarização das soluções de infraestrutura pública.

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