Política
Poderes irão colaborar com a CPI da Renuncia e Sonegação Fiscal em Mato Grosso
Wilson Santos disse ao futuro procurador-geral que a criação da CPI deve estar pronta até a próxima sexta-feira (22)
Na primeira sessão do ano de 2019, O deputado estadual Wilson Pereira dos Santos (PSDB) aproveitou para propor a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Renuncia e Sonegação Fiscal em Mato Grosso. Que recebeu apoio de 9 parlamentares estaduais.
• Elizeu Nascimento (DC)
• Valdir Barranco (PT)
• Lúdio Cabral (PT)
• Janaina Riva (MDB)
• João José de Matos (MDB)
• Thiago Silva (MDB)
• Claudinei Lopes (PSL)
• João Batista (Pros)
• Wilson Santos (PSDB)
Segundo o parlamentar estadual, as medidas tomadas pelo governador Mauro Mendes Ferreira, do Partido Democrata (DEM), que foram aprovadas pela Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), não são suficientes para tirar o caixa do negativo. “Daqui a um ano, Mauro Mendes voltará a esta casa para pedir água”, apostou.
A última CPI da Renúncia e Sonegação Fiscal foi criada em 2015 e concluída em 2017. E o deputado Wilson Santos é um dos defensores da taxação do setor produtivo de Mato Grosso.
Os prejuízos para o Estado conforme o relatório, aponta que Mato Grosso tem aproximadamente cerca de R$ 2 bilhão entre Renúncia e Sonegação, o tucano pedia o fim de benefícios para várias empresas e ainda traz a sugestão de uma nova legislação de incentivos fiscais.
Wilson Santos disse que vai ouvir os órgãos de controle, como Ministério Público Federal (MPF), da Polícia Federal, Controladoria-Geral do Estado (CGE), Ministério Público do Estado (MPE), quais foram os resultados produzidos pelas CPIs de 2014 e 2016, que trataram do mesmo tema.
“Nós vamos mexer com gente poderosa, com gente grossa. Com gente que sonega, e que sonega grosso”.
Nesta terça-feira (19), o novo chefe do Ministério Público do Estado (MPE), promotor de Justiça José Antônio Borges, recebeu a vista do deputado estadual Wilson Pereira dos Santos (PSDB), e confirmou ao presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito da Sonegação e Renúncia Fiscal (CPI), que o Ministério Público vai colaborar com informações para auxiliar as investigações da CPI na Assembleia Legislativa.
O promotor toma posse como novo Procurador-geral de Justiça de Mato Grosso na próxima sexta-feira, dia 1 de março, e adiantou ao presidente da CPI o interesse em colaborar com que for possível na Comissão de Investigação.
“O que for de interesse público, nós vamos colaborar”, ressaltou Borges. O deputado disse ao futuro procurador-geral que a CPI deve estar pronta até a próxima sexta-feira (22). Até o momento, somente Wilson Santos se manifestou como presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito. Faltam nove nomes para completar a CPI, sendo mais quatro titulares e cinco suplentes.
Wilson Santos explicou a José Antônio Borges que não quer uma investigação restrita.
“Nós vamos ampliar mais essa investigação contra a sonegação no estado. Nosso objetivo é que não haja restrição de segmentos econômicos”.
Nesta ultima segunda-feira (18), Wilson Santos teve audiência com o presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJ/MT), desembargador Carlos Alberto Alves da Rocha. O chefe do Poder Judiciário disse que vai colaborar com informações que possam ajudar as investigações da CPI.
“A CPI é importante. No que o Poder Judiciário for solicitado vai colaborar. Temos clareza da necessidade de acabar com a sonegação no Estado de Mato Grosso“.
Política
Palanque de Wellington Fagundes “AVERMELHOU”
A articulação política com vistas ao pleito de 2026 no Estado de Mato Grosso deflagrou uma profunda reorganização nas bases partidárias locais, unindo lideranças historicamente opostas em um mesmo palanque. O movimento central orbita em torno da pré-candidatura do senador Wellington Fagundes (PL) ao Governo do Estado, cuja base de sustentação passou a abrigar, direta e indiretamente, figuras proeminentes do cenário político estadual e nacional. Entre os articulações de destaque, constam o apoio do senador Jayme Campos (UB) e a aproximação tática do senador Carlos Fávaro (PSD), e aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), consolidando um arranjo político caracterizado pela pluralidade ideológica.
O epicentro do rearranjo partidário consolidou-se após o senador Jayme Campos romper estrategicamente com o grupo político de Mauro Mendes (UB). A cisão ocorreu após o parlamentar ser preterido por sua própria agremiação na disputa pela indicação ao governo estadual. Diante do impasse interno, a liderança de Várzea Grande declarou apoio formal à postulação de Wellington Fagundes, assumindo o papel de ponte interlocutora para atrair o grupo político de Carlos Fávaro para a mesma esfera de convergência eleitoral, alterando o equilíbrio das forças políticas regionais.
A reaproximação entre os grupos políticos ocorreu no âmbito do território mato-grossense, desdobrando-se em reuniões partidárias, articulações de bastidores e atos públicos nos principais colégios eleitorais do estado, com especial relevância para Cuiabá e Várzea Grande. O alinhamento progressivo ganhou visibilidade pública a partir das movimentações conjuntas e das declarações de lideranças estratégicas durante encontros institucionais de correligionários, definindo a geografia eleitoral que delimita os palanques das próximas eleições estaduais.
As motivações subjacentes a essa engenharia política fundamentam-se na busca por hegemonia eleitoral e na neutralização de adversários comuns dentro do próprio espectro partidário. A preservação da candidatura de Carlos Fávaro à reeleição pelo Senado, ainda que realizada de forma discreta por setores da coligação, visa enfraquecer concorrentes diretos, como o deputado federal José Medeiros (PL) e o próprio Mauro Mendes (UB), candidato a uma das vagas ao Senado Federal.
Paralelamente, a deputada estadual Janaína Riva (MDB) também busca consolidar sua viabilidade ao Senado Federal construindo pontes transversais que transcendem as barreiras ideológicas tradicionais.
O desenrolar decisivo dessa convergência manifestou-se quando a deputada Janaína Riva declarou publicamente a intenção de compor uma chapa dobrada com o senador Carlos Fávaro rumo ao Congresso Nacional. A confirmação do alinhamento ocorreu durante uma reunião partidária promovida pelo deputado federal Emanuelzinho Pinheiro (PSD), vice-líder do governo federal na Câmara dos Deputados.
O respaldo público manifestado por Janaína Riva aos dois quadros do PSD formalizou a intersecção pragmática entre o MDB e setores alinhados à administração federal, expondo a complexidade das alianças regionais.
A reação do Prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), expôs as fraturas internas provocadas pela composição heterogênea do palanque oposicionista. Por meio de manifestações públicas e redes sociais, o gestor municipal criticou enfaticamente a aliança do Partido Liberal (PL) com o MDB, argumentando que a proximidade com nomes ligados ao governo federal descaracteriza o projeto político da direita conservadora no estado.
Brunini reiterou que a presença de quadros governistas e o apoio explícito a vice-líderes do Executivo Nacional configuram uma contradição ideológica perante o eleitorado conservador mato-grossense.
As engrenagens dessa complexa aliança eleitoral funcionam por meio de concessões mútuas e composições proporcionais que visam maximizar o tempo de propaganda rádio e televisiva, além de capilaridade regional. Enquanto a candidatura majoritária ao governo busca unificar o eleitorado sob uma bandeira de oposição à atual gestão estadual, as candidaturas ao Senado operam de forma autônoma para captar votos em nichos diversos. Essa dinâmica permite coexistir, no mesmo espaço político, projetos de poder que divergem substancialmente quanto às diretrizes econômicas e sociais no plano federal.
E aí está a ironia do roteiro.
Wellington Fagundes, o “Lanterna Verde”, o “Homem da Camisa Verde”, também identificado por setores da direita como “Senador Melancia”, “Verde por fora e vermelho por dentro“, terá que administrar um palanque no qual o “VERMELHO“ já não parece estar escondido debaixo do palanque.
As consequências imediatas do arranjo refletem-se no tensionamento das instâncias partidárias locais e no silêncio seletivo do comando estadual do PL diante das composições regionais.
Enquanto a presidente estadual do partido, Ananias Filho, direciona severas críticas aos prefeitos liberais que declararam apoio à pré-candidatura do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), constata-se a ausência de penalizações ou manifestações oficiais a respeito da presença de lideranças alinhadas ao governo federal na base de Wellington Fagundes, sinalizando uma tolerância tática em prol da viabilidade eleitoral.
O cenário consolidado projeta desafios complexos para a gestão da imagem pública de Wellington Fagundes junto à sua base eleitoral de origem. Historicamente associado ao centro pragmático, o parlamentar enfrenta questionamentos de setores ortodoxos da direita, que utilizam a presença de elementos progressistas na coligação para contestar sua coerência doutrinária.
A necessidade de administrar um palanque de composição ideológica mista exigirá do candidato um contínuo exercício de equilíbrio político para reter o eleitorado conservador sem repelir os apoios estratégicos vindos do centro e da centro-esquerda.
Por fim, o panorama atual evidencia que o pragmatismo político em Mato Grosso sobrepôs-se às polarizações nacionais, redefinindo os contornos da disputa de 2026. A aliança que reúne sob o mesmo teto político o PL, o MDB, o PSD e alas do União Brasil (UB) demonstra que a busca pelo “Poder Estadual” suplantou divisões partidárias rígidas.
O sucesso dessa empreitada dependerá da capacidade dos articuladores em convencer o eleitorado de que a heterogeneidade da coligação representa amplitude governamental, e não incoerência ideológica, na construção do futuro político do estado.
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