Política
Pedro Taques afirma: “Valtenir tem um histórico de traição”
O governador Pedro Taques (PSDB) que participou da reunião realizada pelos descontentes do Partido Socialista Brasileiro (PSB), na manhã desta segunda feira, disse que não está preocupado na possibilidade do deputado Valtenir Pereira, levar o partido à oposição de sua gestão. Segundo o chefe do Executivo, acima de qualquer questão partidária, estão a “lealdade” e “companheirismo” daqueles que ele tem como aliados.

Foto: Mario Okamura
"Antes de cumprimentar todos vocês, quero voltar no tempo, lá em 2010, quando nós formamos um grupo político pelo Estado de Mato Grosso e quem jogava contra era o deputado federal Valtenir Pereira. Dormíamos com um olho aberto e outro fechado, porque era traição todos os dias", afirmou o governador, aplaudido de pé pela cúpula do PSB.
Taques afirmou ainda que, o PSB é importante para o seu Governo e que, sem o partido, o Executivo não teria chegado ao lugar em que está hoje, "o PSB é muito importante, é um partido sério. Agora, mais importante que o PSB é a lealdade, é o companheirismo, é esse grupo estar junto. Isso é mais importante que o partido político. O PSB esteve junto conosco em 2010, estivemos juntos em 2012, 2014 e estamos juntos agora. Juntos, independente de partido político, do nome, da sigla, das letrinhas, aqui existe um grupo político”, disse o governador em seu discurso.
“Não vou perder minhas relações que tenho com Mauro Mendes, com Fabio Garcia, com Oscar Bezerra, com Mauro Savi, com Adilton Sachetti se eles forem para outro partido. Porque nossa relação é acima de partido político. Neste grupo que está aqui, eu confio. Onde este grupo tiver, se é no P não interessa o que, o Governo vai estar junto. Vocês têm sido leais comigo, companheiros, não só na hora da festa, mas na hora da tristeza, da dificuldade, vocês estão junto comigo”, disse Taques.
Provocando ainda mais a cizânia dentro do partido aliado a seu governo, Taques provocou o novo presidente do PSB, colocado no cargo pela executiva nacional. "Se o PSB quiser ir para a oposição, vou lembrar aqui a (cantora) Roberta Miranda e dizer: vá com Deus", garantiu Taques.
O governador não perdeu a oportunidade de cutucar mais ainda o parlamentar federal Valtenir, afirmando que o mesmo tem um histórico de traição a seus aliados e disse ter confiança no grupo político que até o último mês era liderado pelo deputado Fabio Garcia, e voltou a relembrar que: "em 2010 nós montamos um grupo político em Mato Grosso e quem jogava contra era o deputado Valtenir. Nós dormíamos de botina, dormíamos com um olho aberto e um fechado, porque era traição todo dia, toda noite”, finalizou o chefe do Executivo.
Pedro Taques se referiu à sua primeira candidatura a Senador, quando ainda era filiado ao PDT e na época formou a Coligação "Mato Grosso Muito Mais", que esteve junto ainda em 2012, na eleição de Mauro Mendes (PSB) a prefeito de Cuiabá, e 2014 quando foi eleito governador. O grupo só estremeceu em 2016, devido a divergências entre Mauro e o candidato a prefeito pelo grupo Wilson Santos (PSDB). No entanto, o PSB estava coligado.
Após disparar ataques ao deputado Valtenir Pereira, o governador Pedro Taques, que trabalha para ter os dissidentes ao seu lado, mesmo sabendo que para isso eles podem ser expulsos do PSB, caso debandem do partido, aproveitou para elogiar o grupo contra Valtenir e lembrar a lealdade de todos.
"Temos dois secretários do PSB, Max Russi (Trabalho e Assistência Social) e Suelme Evangelista (Agricultura Familiar), e eu não vou mudar o secretariado se eles estiverem em qualquer outro partido, porque têm sido leais não só na hora da festa, mas na hora da tristeza", afirmou Taques.
Valtenir adora um pula-pula, mas com interesse pessoal
No 3º mandato de federal e no 5º partido em 12 anos de vida pública, Valtenir Pereira tem a coragem de, ao reagir a críticas internas e fora do PSB, afirmar que nunca fez política focada em interesses pessoais.
Sustenta que sempre assumiu causas e lutas ao lado dos movimentos sociais. De fato, isso pode ter sido no começo da carreira política, quando ainda em campanha a vereador por Cuiabá, em 2004, aproveitando-se da condição de defensor público para propagar suas ações na Justiça para conseguir UTI aos pacientes em desespero por atendimento pelo SUS.
Depois, mudou o foco. Passou a agir pensando em se garantir em cargo eletivo. E, assim, de partido em partido, desembarcou do PT, correu para o PSB, depois para o Pros, para PMB e PMDB e agora voltou ao PSB, onde encontra resistência de praticamente todas as lideranças regionais, como Mauro Mendes, Mauro Savi, Oscar Bezerra, Eduardo Botelho, Fábio Garcia e Adilton Sachetti.
O oportunismo é tamanho que Valtenir, achando que já conseguiu "minar" dissidentes graúdos, pretende agora ser candidato a senador.
Política
Patrimônio de deputados de Mato Grosso revela forte alta em quatro anos e amplia debate sobre transparência eleitoral
A evolução patrimonial de políticos durante o exercício de mandatos voltou a ocupar espaço no debate público em Mato Grosso com a divulgação das declarações de bens apresentadas à Justiça Eleitoral. Embora os vencimentos de parlamentares e integrantes do Executivo sejam superiores à renda média da população, especialistas costumam observar que a remuneração oficial, isoladamente, não explica necessariamente a formação de grandes patrimônios. Nesse contexto, aumentos expressivos de bens despertam questionamentos quando não são acompanhados de explicações claras sobre sua origem.
A declaração patrimonial é uma exigência prevista na legislação eleitoral e constitui um dos mecanismos destinados a ampliar a transparência sobre a situação financeira dos candidatos. Com o início do processo eleitoral, os concorrentes são obrigados a informar à Justiça Eleitoral os bens que possuem, permitindo que o eleitor compare a evolução patrimonial entre diferentes pleitos. A medida, contudo, também expõe variações significativas que podem alimentar discussões sobre as razões econômicas que levam determinadas pessoas a ingressar ou permanecer na vida pública.
O crescimento do patrimônio, por si só, não representa irregularidade. Bens podem ser incorporados por meio de atividades profissionais, investimentos, negócios particulares, heranças ou doações legalmente realizadas. Da mesma forma, uma eventual redução ou estabilidade patrimonial não constitui, isoladamente, prova de ausência de ganhos. A análise responsável exige a consideração de documentos, fontes de renda, movimentações financeiras e demais elementos capazes de explicar as alterações registradas oficialmente.
Segundo dados divulgados pelo DivulgaCand, da Justiça Eleitoral, 22 dos 24 deputados estaduais de Mato Grosso declararam aumento patrimonial em relação à eleição de 2022. O maior crescimento percentual entre os parlamentares da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) foi registrado por Lúdio Cabral (PT), cujo patrimônio declarado passou de R$ 244,7 mil para aproximadamente R$ 1,6 milhão. A variação representa crescimento de cerca de 560% no período, segundo os valores informados à Justiça Eleitoral.
A declaração de Lúdio Cabral inclui apartamento, depósitos bancários, aplicações financeiras e investimentos. Em valores absolutos, a diferença entre as duas declarações representa uma ampliação superior a R$ 1,3 milhão. O dado coloca o deputado na liderança do ranking de crescimento percentual entre os parlamentares estaduais, mas não significa que ele seja o detentor do maior patrimônio da Assembleia Legislativa Mato-grossense.
A evolução patrimonial, nesse caso, precisa ser analisada separadamente do volume total de bens acumulados.
Na sequência dos maiores aumentos percentuais aparecem Paulo Araújo (Republicanos), que declarou patrimônio de aproximadamente R$ 4 milhões, representando crescimento de 279% desde 2022, e Diego Guimarães (Republicanos), com acréscimo de 206%. Entre os bens declarados estão terrenos e outros ativos. As informações apresentadas pelos candidatos permitem ao eleitor identificar as variações registradas oficialmente, mas não determinam, por si mesmas, a existência de qualquer irregularidade.
Na direção oposta, Ondanir Bortoline, o Nininho (Republicanos) e Wilson Santos (PSD) foram os únicos deputados estaduais mencionados nos dados com redução patrimonial em relação à declaração anterior. Wilson Santos apresentou queda de aproximadamente 42%, passando de R$ 450,6 mil em 2022 para R$ 262,1 mil. Nininho, apesar de permanecer entre os parlamentares milionários, registrou redução de cerca de 13%, equivalente a quase R$ 1 milhão em relação ao patrimônio anteriormente declarado.
A liderança em patrimônio total, entretanto, pertence a Carlos Avallone (PSDB), que declarou aproximadamente R$ 33 milhões em bens. O conjunto informado inclui imóveis, terras, embarcação, animais e aplicações financeiras. Na sequência aparecem Júlio Campos (UB), com cerca de R$ 31,5 milhões, e Dilmar Dal Bosco (UB), com aproximadamente R$ 26 milhões.
Os números demonstram que crescimento percentual e riqueza acumulada são indicadores distintos e não devem ser confundidos na avaliação das declarações.
Na bancada federal de Mato Grosso, também foram registradas oscilações relevantes. Coronel Fernanda (PL), que havia declarado aproximadamente R$ 1,7 milhão em 2022, informou agora patrimônio de cerca de R$ 384 mil, redução de 78%. Nelson Barbudo (PL) apresentou queda de 55%, enquanto Juarez Costa (Republicanos) e Emanuelzinho Pinheiro (PSD) também registraram diminuição. José Medeiros (PL), que disputa uma vaga ao Senado e não concorre à reeleição para a Câmara Federal, apresentou crescimento patrimonial de 40%, alcançando aproximadamente R$ 356 mil.
Entre os deputados federais, Fábio Garcia (UB) aparece como o mais rico, com patrimônio declarado de aproximadamente R$ 4,1 milhões, mantendo nível semelhante ao registrado anteriormente. Rodrigo da Zaeli (PL) e Juarez Costa (Republicanos) também figuram entre os parlamentares milionários, com cerca de R$ 1,7 milhão e R$ 1,9 milhão, respectivamente.
As declarações patrimoniais, portanto, oferecem ao eleitor uma fotografia financeira dos candidatos, mas a interpretação dos dados exige cautela: aumentos ou reduções de bens não comprovam, isoladamente, irregularidades e devem ser confrontados com as respectivas fontes de renda e documentos disponíveis.
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