GOVERNANÇA SOCIOAMBIENTAL NA AMAZÔNIA LEGAL
Monitoramento do MPF confirma conformidade de 92,9% dos frigoríficos mato-grossenses ao TAC da Carne e aponta expansão da rastreabilidade na cadeia pecuária
O avanço da conformidade socioambiental na pecuária do Centro-Oeste atingiu marca histórica. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), 92,9% dos frigoríficos auditados em Mato Grosso cumpriram as metas do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) da Carne na Amazônia Legal, demonstrando elevada adesão do setor aos parâmetros ecológicos vigentes.
A fiscalização envolveu o Ministério Público Federal (MPF), o Instituto Mato-grossense da Carne (Imac) e produtores rurais. Lideranças como o procurador da República, Erich Masson e o presidente do Imac, Caio Penido, destacaram a cooperação institucional contínua entre o poder público e a iniciativa privada.
“Nós mostramos que há uma parceria muito grande entre o trabalho que o Ministério Público Federal desenvolve no âmbito do Carne Legal com os produtores, que são realmente nossos parceiros, e também com os frigoríficos que têm acordos diretos conosco. E vale dizer que as irregularidades são pequenas. A maioria dos frigoríficos cumpre a legislação brasileira no âmbito da legislação ambiental“, enfatiza o procurador da República, Erich Masson.
“A gente vê que a maioria dos produtores está regular ou em condições de se regularizar. Então, a gente não pode travar esse processo de regularização, temos que incluir esses produtores dentro do processo, trazer eles para dentro e criar mecanismos para que eles possam vender legalmente enquanto estão buscando a regularização“, explicou Penido.
O escopo das auditorias concentrou-se em Mato Grosso, polo estratégico do agronegócio nacional, estendendo-se a outros estados da Amazônia Legal, como Pará, Rondônia, Tocantins, Amazonas e Acre. A abrangência garantiu um diagnóstico territorial amplo sobre a cadeia produtiva da carne bovina no bioma.
Os resultados foram apresentados em Cuiabá, sintetizando as análises operacionais referentes ao período de janeiro de 2023 a dezembro de 2024. O balanço integra o 3º Ciclo Unificado de Auditorias do TAC da Carne, consolidando o histórico recente de transações no setor pecuário regional.
A operacionalização do processo ocorreu por meio da verificação detalhada das compras de gado efetuadas pelos frigoríficos. As auditorias examinaram se a aquisição dos lotes atendeu integralmente às diretrizes socioambientais acordadas, assegurando transparência nas negociações comerciais.
O objetivo central da iniciativa reside na eliminação do desmatamento ilegal e na regularização das propriedades rurais fornecedoras. A ação visa garantir que a carne produzida provenha de áreas adequadas, prevenindo infrações e promovendo a sustentabilidade da pecuária nacional.
O impacto econômico do acompanhamento é expressivo: os frigoríficos regularizados respondem por 82% de todos os animais comercializados para abate ou exportação no estado no período. Dos 14 estabelecimentos convocados pelo Ministério Público Federal (MPF) em Mato Grosso, 13 concluíram o processo.

Sob a ótica do setor produtivo, enfatiza-se a importância de mecanismos de inclusão, como o Programa de Reinserção e Monitoramento (Prem). Lideranças setoriais e produtores defenderam soluções que permitam a adequação dos pecuaristas sem inviabilizar a atividade econômica.
A metodologia do Ministério Público Federal (MPF) baseou-se no cruzamento automatizado de dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e da Guia de Trânsito Animal (GTA). O sistema aferiu sobreposições entre os imóveis rurais e as áreas de desmatamento mapeadas pelo programa Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Para as próximas etapas, o Ministério Público Federal (MPF) pretende expandir o monitoramento aos fornecedores indiretos de gado, rastreando as fases anteriores da cadeia produtiva. Além disso, o órgão prevê iniciar análises de conformidade no setor varejista na Amazônia Legal, cobrindo o ciclo até o consumidor.
ECONOMIA
Decretado falência definitiva do Grupo Oi pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro
A Primeira Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decretou a falência da operadora Oi, após a administração judicial da companhia reportar ao magistrado a absoluta incapacidade financeira para manter as atividades essenciais do grupo. A decisão judicial derrubou os recursos interpostos pelas instituições bancárias credoras que buscavam a manutenção do processo de recuperação judicial e a consequente renegociação do passivo acumulado.
Diante da comprovação inequívoca do esgotamento total das reservas de caixa previsto para o término de agosto de 2026, a Corte Fluminense determinou a conversão imediata do procedimento recuperacional em falência, visando interromper o sangramento patrimonial da corporação.
O colapso financeiro da gigante de telecomunicações reflete-se com severidade nos balanços contábeis mais recentes apresentados ao Poder Judiciário. Com base em dados consolidados de março de 2026, o patrimônio líquido negativo da corporação ultrapassa a marca expressiva de R$ 22,6 bilhões, demonstrando a profunda assimetria entre os ativos disponíveis e o montante global de dívidas acumuladas.
As projeções de caixa, que indicavam uma disponibilidade de R$ 88,1 milhões no final de julho de 2026, sofreram uma corrosão acelerada desde abril do mesmo ano, quando os valores mantidos em conta corrente haviam despencado para escassos R$ 19,6 milhões.
A atual deliberação colegiada põe fim ao impasse jurídico iniciado em novembro do ano passado, ocasião em que a falência da operadora sediada no Rio de Janeiro fora decretada preliminarmente pelo juízo de primeiro grau. Naquela oportunidade, contudo, os maiores bancos credores do grupo notadamente o Itaú Unibanco e o Bradesco, obtiveram um efeito suspensivo mediante concessão de liminar, o que permitiu o retorno temporário da empresa à recuperação judicial.
Os estabelecimentos bancários alegavam que a liquidação judicial não representaria o meio mais eficaz para satisfazer as obrigações creditícias e defenderam a nomeação de um novo gestor para intermediar os acordos com os órgãos reguladores.
Como ato contínuo à decretação da falência, o Tribunal de Justiça nomeou o especialista Bruno Rezende para exercer as funções de administrador judicial no processo. Caberá ao profissional designado a responsabilidade legal de auxiliar o juízo nas diligências necessárias para arrecadar, avaliar e lacrar o patrimônio remanescente da companhia, além de elaborar a lista definitiva de credores.

O administrador atuará diretamente na liquidação ordenada dos bens arrecadados para o pagamento dos passivos e promoverá a extinção formal das atividades empresariais das sociedades integrantes do grupo, estrita e rigorosamente dentro das exigências da lei vigente.
A tentativa derradeira de reestruturação empresarial buscava repactuar uma dívida consolidada da ordem de R$ 44 bilhões, cuja execução dependia da entrada de novos aportes operacionais. O plano aprovado na assembleia geral previa a captação de um financiamento internacional no valor de até US$ 655 milhões, dos quais US$ 505 milhões seriam injetados diretamente pelos credores financeiros.
Complementarmente, a empresa de infraestrutura V.tal, sob controle do BTG Pactual, aportaria entre US$ 100 milhões e US$ 150 milhões no capital do grupo, plano este que restou inviabilizado diante do agravamento vertiginoso da insolvência operacional.
Antes do desfecho judicial, a severa escassez de recursos financeiros provocou o desabastecimento de serviços básicos e o descumprimento sistemático de obrigações contratuais com prestadores de serviços. No mês de julho de 2026, a fornecedora Sitelbra interrompeu a conectividade de redes estratégicas, tais como o sistema de lotéricas da Caixa Econômica Federal, o videomonitoramento estadual na Bahia e em Goiás e os canais de atendimento da concessionária Enel no Ceará.
Empresas como Nava Software, Nava Serviços e Hughes também paralisaram as suas atividades operacionais, exigindo a intervenção expressa do Judiciário para impor a restauração das linhas e fixar multa diária pelo descumprimento.
Para minorar o impacto da paralisação de serviços essenciais à população brasileira, a Justiça autorizou a alienação em leilão de ativos estruturais da operadora para outras empresas do setor. Em abril de 2026, a divisão de telefonia fixa residencial foi arrematada pela Método Telecomunicações, transação que incluiu a responsabilidade pela manutenção e operação das linhas destinadas aos atendimentos de emergência nacional, como os canais 190 (Polícia Militar), 192 (Samu) e 193 (Corpo de Bombeiros). O processo de transição visa garantir a integridade das comunicações públicas sem que haja a descontinuidade do suporte de emergência aos cidadãos.

Contudo, entraves operacionais e a ausência de interessados impediram a conclusão do plano de desinvestimento de outras unidades de negócios cruciais do grupo falido. O leilão da Oi Soluções, segmento focado na prestação de serviços de tecnologia a corporações privadas e órgãos públicos com lance mínimo de R$ 1,4 bilhão, encerrou-se em 17 de junho de 2026 sem a apresentação de nenhuma proposta formal.
Ademais, a alienação da fatia de 27,2% detida pela Oi na V.tal, avaliada em R$ 4,5 bilhões e destinada a fundos geridos pelo BTG Pactual, encontra-se judicialmente suspensa devido a recursos apresentados por credores e investidores minoritários.
Mesmo nos processos em que a liquidação dos bens obteve aprovação das instâncias competentes, o fluxo de caixa da tele permaneceu desprovido das receitas estimadas para honrar seus compromissos imediatos. A companhia ainda não recebeu o montante de R$ 60,1 milhões decorrente da alienação da Unidade Produtiva Isolada (UPI) Serviços Telefônicos à Método Telecomunicações, leiloada em abril de 2026. A transferência efetiva desses recursos e a conclusão definitiva do contrato dependem do preenchimento rigoroso de certas condições regulatórias e homologatórias impostas pela Agência Nacional de Telecomunicações e por instâncias concorrenciais.
O desfecho dramático encerra uma longa jornada de crises e reestruturações que se arrastava há uma década nos tribunais brasileiros. Em junho de 2016, a Oi ingressara em seu primeiro processo de recuperação judicial para renegociar R$ 65 bilhões em obrigações, procedimento que perdurou por seis anos até o seu encerramento em dezembro de 2022.
Apenas três meses após aquela homologação, em março de 2023, a empresa formalizou o segundo pedido de recuperação reportando novos R$ 43,7 bilhões em dívidas, culminando no atual decreto de falência após restar comprovada a impossibilidade prática de preservação da continuidade empresarial.
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