ARTICULAÇÃO FORTE NOS BASTIDORES
Partidos e Políticos se articulam para manter força política na Câmara de Cuiabá
A Já foi dada a largada para as Eleições Municipais de 2024 de 6 de outubro (1º turno), e 27 de outubro (eventual 2º turno), e a “Janela Partidária” termina nesta sexta-feira (5), período em que vereadores e vereadoras podem trocar de partido sem prejuízo do mandato.
Até o dia 5 de abril é possível a desfiliação partidária para mudança de legenda por vereadoras e vereadores que queiram continuar no cargo ou pretendam concorrer ao cargo de prefeito. Já a filiação partidária para se candidatar em 2024 deve ser feita até 6 de abril, ou seja, seis meses antes da eleição.
A “Janela Partidária” está prevista na Lei dos Partidos Políticos (artigo 22-A da Lei nº 9.096/1995) e na Resolução TSE nº 23.738/2024 (calendário eleitoral).
Em Cuiabá, a articulação das eleições de outubro é forte nos bastidores. Em geral, os parlamentares negociam ao mesmo tempo com mais de um partido em busca de espaço em que terão maior chance de serem reeleitos.
Esse período de troca de partidos é decisivo para a montagem de chapas, com o foco em atrair para as legendas nomes competitivos. A força individual de cada partido ganha peso maior.

Importante ressaltar que, neste ano, a redução no número de candidatos, também vem refletindo nas negociações partidárias.
Se na última eleição em 2020, os partidos políticos de Cuiabá, podiam apresentar até 38 candidaturas, a regra que vale desde 2022 define que cada sigla poderá ter apenas 28 candidatos a vereador (ou seja, 100% das cadeiras da Câmara Municipal de Cuiabá mais um). A cota de 30% para candidatas mulheres seguem a mesma.
Para entender as movimentações e negociações que acontecem nos bastidores, o Boteco da Alameda conversará com as lideranças dos partidos que possuem representação na Câmara de Cuiabá nos próximos dias.
Entretanto, contudo, todavia, as conversações já estão em curso e as mudanças com poucas exceções, já definidos.
Há os que já abriram o jogo e os que ainda mantêm reservas ante a possibilidade de novos acordos. O que pouco se fala é o reflexo desse fluxo na disputa a Prefeitura Municipal de Cuiabá.
O que se percebe é que há uma mútua dependência: os candidatos a vereador se sentem mais confortáveis quando há uma cabeça de chapa e os postulantes à Prefeitura de Cuiabá se articulam com partidos com representatividade, inclusive na indicação do candidato a vice.
Trata-se de um posto que não passa, necessariamente pela identificação ideológica e sim pelas conveniências políticas. No caso específico de Cuiabá, os olhares se voltam para o pré-candidato Ludio Cabral, escolhido pelo Partido dos Trabalhadores (PT), que tem hoje o apoio do PSD do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Carlos Henrique Baqueta Fávaro, um exemplo emblemático essa aliança.

Personagens do tabuleiro eleitoral
A partir do dia 6 de abril, com todos os personagens do tabuleiro eleitoral nas siglas com as quais pretendem concorrer às eleições de 2024, o momento é crucial para os partidos formalizarem aliança a fim de lançar os candidatos.
A seis meses do pleito, as legendas correm contra o tempo para definir os nomes com mais chances de garantir vitória.
Muitos personagens classificam-se como pré-candidatos, mas as vagas são limitadas para o Legislativo. De acordo com a Resolução n° 23.548 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cada sigla ou coligação pode ter 28 pré-candidatos.
Saindo na frente
No primeiro levantamento realizado pelo grupo político do núcleo duro do Boteco da Alameda, o Partido Progressista, sob a influência (bota influência nisso) de Blairo Borges Maggi, Cidinho Santos, Paulo Araújo e Euzébio Diniz, a sigla vem demonstrado notável habilidade em reunir candidatos de diversos segmentos da sociedade.
A chapa progressista, destaca pela presença de ter somente um vereador com mandato e buscando reeleição. A chapa da sigla conta com 18 homens e 10 mulheres.
Se liga no tabuleiro político
Em 6 de outubro, os cuiabanos vão às urnas para escolher os nossos representantes na Câmara Municipal de Cuiabá de 2025 a 2028. Os 400 mil eleitores aptos a participar do processo eleitoral elegem 27 vereadores, além do prefeito e seu vice.
Mesmo que pareça que outubro está distante, o trabalho nos bastidores dos partidos já se iniciou, já estão a muito tempo em andamentos, em alguns casos, desde 2023.
Segundo os cabeças pensantes do Boteco da Alameda, as negociações partidárias municipais neste pleito contam com grandes interferências das executivas estaduais, ou melhor, dos Manda-Chuva do partido, dos grandes caciques com mãos de ferro.
Essa é mais uma demonstração de que definitivamente as eleições de 2024 servirão de prévia para 2026. Além disso, o aval dos caciques partidários é fundamental para garantir fatias maiores na divisão do bolo do Fundo Eleitoral. O Fundo Eleitoral de 2024 deve ser recorde e chegar a R$ 5 bilhões para as eleições municipais.
Política
Crise eleitoral retira Fábio Garcia da chapa de Otaviano Pivetta
O Quê: A Desistência de Fábio Garcia
O deputado federal Fábio Paulino Garcia (UB) selou oficialmente a sua desistência de disputar o cargo de vice-governador na chapa majoritária chefiada pelo atual governador de Mato Grosso e candidato à reeleição, Otaviano Olavo Pivetta (Republicanos).
O recuo estratégico levou o parlamentar a retrincheirar a sua atuação política na busca pela manutenção de seu mandato na Câmara dos Deputados. Como desdobramento imediato da repactuação, foi formalizada a exoneração de Mauro Carvalho do comando da Casa Civil estadual.
Quem: Os Protagonistas da Crise Political
A reviravolta envolve diretamente o governador Otaviano Pivetta e o ex-governador Mauro Mendes (UB), liderança de forte projeção no estado. O anúncio atinge também figuras proeminentes cotadas para recompor a vice-governança, como a deputada federal Gisela Simona (UB), a primeira-dama de Rondonópolis, Alessandra Ferreira (Podemos), também conhecida nos bastidores como Alessandra Croco, além do ex-secretário estadual de Fazenda, Rogério Gallo, e do presidente da Assembleia Legislativa Mato-grossense (AL/MT), Max Joel Russi do Podemos.
Quando: A Cronologia dos Acontecimentos
O desfecho da crise culminou nesta terça-feira (11), após um ápice de tensão registrado no início da semana. A articulação final decorreu de uma reunião de emergência realizada na segunda-feira (10), momento em que o impasse atingiu seu ponto mais crítico no Palácio Paiaguás. O agravamento dos fatos provocou o cancelamento de uma coletiva de imprensa oficial e acelerou a redefinição das candidaturas majoritárias a poucas semanas das convenções e registros definitivos.

Onde: O Epicentro das Articulações
A crise institucional e eleitoral teve como palco central o Palácio Paiaguás, sede do Poder Executivo do Estado de Mato Grosso. O epicentro da controvérsia estendeu-se até Brasília, onde a deflagração de medidas cautelares pelo Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu a cúpula do governo mato-grossense, ecoando forte influência também no município de Rondonópolis, considerado o segundo maior colégio eleitoral do estado e peça-chave no xadrez político regional.
Como: O Mecanismo da Ruptura
O racha na aliança histórica consumou-se mediante uma reunião a portas fechadas na qual se pactuou que Otaviano Pivetta terá “mãos livres” para indicar o novo vice, sem a ingerência direta de Mauro Mendes. A decisão seguiu-se à forte pressão exercida por Pivetta, que alegava desgaste reputacional irreversível decorrente de desdobramentos judiciais. A escalada de tensão quase resultou na desistência da própria candidatura do governador, após ameaças de retirada de apoio formal por parte da Federação União Progressista.
Por Quê: A Operação Heritage
O estopim para a ruína da aliança foi a deflagração da Operação Heritage pela Polícia Federal, que apura um suposto esquema de desvio de R$ 308 milhões em um acordo judicial e administrativo firmado entre o governo estadual e a empresa de telefonia Oi. As suspeitas que recaíram sobre alvos centrais do grupo governista minaram a estabilidade do acordo eleitoral original, inviabilizando a manutenção da composição que havia sido desenhada, em primeiro momento, a contragosto de Pivetta.
Qual a Medida Restritiva: O Cerco do STF
O fator determinante para a paralisia da coordenação política foi a imposição de severas medidas cautelares assinadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre as determinações jurídicas, estabeleceu-se a proibição expressa de qualquer comunicação entre Fábio Garcia, Mauro Mendes e Mauro Carvalho. A impossibilidade legal de contato direto interpelou a continuidade do planejamento de campanha, tornando insustentável a permanência de Garcia na vaga executiva e forçando o seu recuo imediato.
As Alternativas: O Novo Desenho do Podemos
Diante da vaga em aberto, a opção por Alessandra Ferreira devolve força ao Podemos na chapa majoritária. Casada com o Prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), Alessandra contaria com o respaldo do presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), Max Russi. A escolha dela adicionaria densidade eleitoral ao palanque de Pivetta na região Sul de Mato Grosso, reduto político do senador Wellington Fagundes (PL), que desponta como adversário direto na corrida ao Palácio Paiaguás.
O Ponderável: A Cartada do União Brasil
Como alternativa direta a Alessandra, desponta o nome da deputada federal Gisela Simona. Caso a escolha recaia sobre Gisela, o União Brasil preservará o espaço de prestígio na composição majoritária ao lado de Pivetta. Se a opção for por Alessandra Ferreira, o Podemos expandirá consideravelmente a sua participação institucional no grupo governista, mantendo o equilíbrio de forças dentro do arco de alianças da base aliada.
As Consequências: O Futuro da Coligação
A definição final da chapa permanece dependente dos diálogos de última hora travados entre Pivetta e os partidos aliados. O rearranjo traz implicações profundas ao cenário eleitoral mato-grossense: ao mesmo tempo em que tenta estancar o desgaste provocado pelas investigações federais, a base aliada enfrenta o desafio de pacificar feridas expostas e reorganizar suas forças regionais para garantir a competitividade na disputa pelo governo do Estado.
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