Política
Os “RIQUINHOS” da politica
O empresário e candidato ao Governo do Estado de Mato Grosso, Mauro Mendes Ferreira, do Partido Democrata (DEM) declarou nesta segunda-feira (13) no Tribunal Regional Eleitoral do Estado de Mato Grosso (TRE/MT), patrimônio de R$ 113,4 milhões.
Em comparação a 2012 quando disputou e venceu a eleição para Prefeito de Cuiabá, o Democrata teve uma redução de R$ 3,4 milhões.
Em 2010, quando foi derrotado pelo ex-governador Silval Barbosa, Mauro Mendes teria feito uma declaração de R$ 57,1 milhões de reais.
Entre os bens declarados estão R$ 105 milhões em ações de empresas e duas casas, uma no valor de R$ 2,8 milhões e outra de R$ 1 milhão, e um prédio comercial de R$ 378,1 mil.
Já o candidato a vice-governador em sua chapa, o ex-prefeito de Lucas do Rio Verde, Otaviano Olavo Pivetta do Partido Democrático Trabalhista (PDT), declarou possuir um patrimônio de R$ 379,4 milhões em bens.
Valor menor do que quando disputou o Governo do Estado como vice do próprio Mauro Mendes, quando possuía bens que somavam R$ 415,7 milhões.
Já o candidato da Coligação “Pra Mudar Mato Grosso” composta pelo DEM, PDT, PSD, MDB, PSC, PMB e PHS, ao Senado da Republica pelo Democrata, o ex-governador Jayme Veríssimo de Campos, é o candidato com o maior patrimônio entre os postulantes pelas duas vagas ao Senado.
Jayme Campos hoje com 66 anos de idade, pretende voltar ao Senado da Republica, onde já exerceu mandato entre 2007 e 2015, declarou na Justiça Eleitoral que possui um patrimônio de R$ 35,2 milhões.
Fazem parte dos bens do candidato uma aeronave modelo Beechcraft “Beechjet 400XP”, com capacidade entre 7 e 8 passageiros, estimada em R$ 6.264.020 e cinco casas: uma no valor de R$ 11.333,87, uma de R$ 9.067,10, uma estimada em R$ 7.933,71, uma de R$ 4.892,34 e uma de R$ 2.436,86.
Em comparação com 2014, quando desistiu de disputar a reeleição, o patrimônio de Jayme Campos ficou mais modesto. Na época ele declarou bens que somavam R$ 67,8 milhões, sendo que, desse total, R$ 28 milhões em gado bovino e bufalino.
Já o seu 1º suplente, o deputado federal Fábio Paulino Garcia e presidente do Partido Democrata (DEM) em Mato Grasso, declarou possuir bens que somam R$ 3 milhões. A 2º suplente Cândida Farias do MDB, é a mais rica da chapa, com patrimônio declarado de R$ 58,3 milhões. Ela é viúva do ex-governador Wilmar Peres e mãe do prefeito de Barra do Garças, Roberto Farias.
O outro candidato ao Senado da Republica pela Coligação “Pra Mudar Mato Grosso”, o ex-vice-governador Carlos Henrique Baqueta Fávaro, presidente estadual do Partido da Social Democracia Brasileira (PSD) em Mato Grosso, declarou ter R$ 947 mil em patrimônio, uma redução de mais de R$ 700 mil em relação a eleição de 2014.
O seu 1º suplente, o Grão-mestre da Maçonaria Geraldo Macedo declarou bens que somam R$ 3,3 milhões. Já o seu 2º suplente, o ex-secretário José Lacerda (MDB), declarou ter pouco mais de R$ 4 milhões em patrimônio.
Aos 43 anos, esta será a 7ª eleição do servidor público da Fazenda. Desde 2006, tentou ser prefeito (2008, 2012 e 2016), governador (2006), senador (2010) e deputado federal (2014).
O candidato ao Senado da Republica pelo Psol, procurador Mauro Cesar Lara Barros, declara ter bens avaliados em R$ 221 mil. O mesmo valor apresentado à Justiça Eleitoral na eleição de 2016, quando concorreu à Prefeitura de Cuiabá.
De acordo com o candidato, seus bens são dois veículos e uma casa avaliada em R$ 150 mil. Os automóveis somam R$ 71 mil, sendo um de R$ 34 mil e outro de R$ 37 mil. No registro de candidatura, o postulante ao Senado também estipula o limite legal de gasto em R$ 3 milhões.
José Roberto e Manoel Parrião, respectivamente 1º e 2º suplentes também fizeram a declaração de bens. José Roberto possuí R$ 105 mil, sendo R$ 80 mil em uma casa e R$ 25 mil em automóvel. Já Manoel não tem bens declarados.
Wellington Antonio Fagundes, do Partido da Republica (PR) foi o primeiro a registrar sua candidatura junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE/MT) no último domingo. Na documentação entregue, o republicano declarou possuir um patrimônio estimado em R$ 8.984.864,52. Fagundes tem como colegas de chapa o deputado federal Adilton Sachetti (PRB) e a ex-reitora da Universidade Federal de Mato Grosso, Maria Lucia Neder (PCdoB) disputando o Senado com R$ 1,3 milhão.
Adilton Sachetti (PRB) declarou R$ 5,8 milhões em bens à Justiça Eleitoral. Ele protocolou seu pedido de registro de candidatura neste domingo (12). O patrimônio cresceu R$ 180 mil desde 2014, quando se elegeu para o atual cargo, de deputado federal. A diferença maior, no entanto, é em relação ao pleito de 2008, quando perdeu a reeleição à Prefeitura de Rondonópolis. À época, declarou R$ 13 milhões em bens.
Sachetti tem como candidato a 1º suplente Chico Galindo (PTB), que declarou R$ 2,5 milhões, e Alessandra Nicolli (PRB) como 2º suplente, que declarou R$ 1,9 milhão. Fazem parte da Coligação “Força da União” o PR, PV, PT, PP, PTB, PCdoB, PRB, PROS, PMN e Podemos, liderada pelo candidato a governador, senador Wellington Fagundes (PR).
Em sua declaração de bens apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE/MT) neste ano, Taques listou apenas um apartamento avaliado em R$ 359,4 mil. Na eleição passada, o tucano declarou ter R$ 1 milhão em bens. À época, Taques relacionou um apartamento no Edifício Riviera Santa Rosa, avaliado em R$ 800 mil.
Já o produtor rural Rui Prado (PSDB) declarou R$ 11,3 milhões em bens. O montante é 944% superior ao declaro na campanha passada, quando ele concorreu, sem sucesso, a uma vaga ao Senado. Naquele pleito eleitoral, ele declarou um patrimônio de pouco mais de R$ 1 milhão.
Política
Teia de suspeitas do VLT e impasse do BRT tensionam relação entre “Governo” e “Oposição”
A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) converteu-se no cenário de um intenso embate político que paralisou o debate sobre a infraestrutura local. O episódio ocorreu durante uma Audiência Pública de prestação de contas que acabou por desviar o foco técnico para antigas disputas eleitorais. A sessão, que deveria esclarecer o andamento das obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), transformou-se em uma arena de acusações recíprocas entre a base governista e a oposição. O impasse reflete a profunda polarização que historicamente caracteriza a gestão das grandes obras de mobilidade urbana na capital mato-grossense.
O debate centralizador das discussões ocorreu no Palácio Dante de Oliveira, sede do Poder Legislativo do Estado de Mato Grosso, localizada no Centro Político Administrativo de Cuiabá. A escolha do local conferiu caráter oficial e solene ao encontro, que reuniu parlamentares, gestores públicos e representantes da sociedade civil organizada. A capital, que convive há mais de uma década com os transtornos decorrentes de projetos de transporte inacabados, serviu como pano de fundo geográfico e social para o confronto. O ambiente do plenário, marcado por discursos inflamados e questionamentos incisivos, evidenciou a urgência das respostas demandadas pela população cuiabana.
A reunião deliberativa aconteceu nesta terça-feira, momento em que o cronograma físico e financeiro do BRT voltou a ser oficialmente questionado pela Comissão Parlamentar competente. O agendamento da Audiência Pública atendeu a um requerimento de urgência apresentado pela oposição, motivado pelas sucessivas dilações nos prazos de entrega das vias exclusivas de transporte. A temporalidade do evento revelou-se estratégica, ocorrendo em um período de crescente cobrança social pela retomada e finalização dos corredores estruturais de trânsito na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.
O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística do Estado de Mato Grosso (SINFRA/MT), Marcelo de Oliveira, conhecido politicamente como Marcelo “Padeiro”, figurou como o principal convocado para prestar os esclarecimentos técnicos necessários. O gestor, contudo, optou por retirar-se do recinto parlamentar antes da formulação das perguntas cruciais pelos deputados da oposição, gerando forte descontentamento no plenário.
A conduta do secretário foi interpretada pela bancada oposicionista como uma deliberada esquiva diante das responsabilidades administrativas referentes aos contratos e aditivos vigentes.
A convocação oficial da autoridade governamental deu-se em razão da necessidade imperiosa de esclarecer os motivos das constantes paralisações e o encarecimento das obras do BRT. O projeto atual, que substituiu o antigo modelo de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), é alvo de investigações que apontam suposta falta de planejamento e excesso de contratações diretas sem licitação. Os deputados estaduais exigiam a apresentação detalhada de planilhas de custos e a justificativa para a escolha de consórcios específicos para a execução dos lotes remanescentes.
A controvérsia instalou-se em virtude do abandono da sessão pelo secretário e das posteriores declarações do governador Otaviano Pivetta, do partido Republicanos, que saiu em defesa de seu colaborador. O chefe do Executivo Estadual descaracterizou as cobranças técnicas da oposição ao sugerir que a campanha eleitoral de 2012 do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), fora financiada com desvios do extinto projeto do VLT.
Esse movimento retórico redirecionou a pauta de fiscalização orçamentária para o campo das suspeitas criminais pretéritas, inflamando o ambiente político estadual e deslocando o foco das atuais falhas de execução do BRT.
Os parlamentares estaduais utilizaram-se dos mecanismos constitucionais de fiscalização do Poder Executivo, amparados pelo regimento interno da Casa de Leis e pela prerrogativa de controle externo da administração pública. A inquirição dos secretários de Estado constitui um dever do parlamento e um direito do cidadão ao acesso à informação e à transparência pública. A utilização desse instrumento de controle democrático visa garantir que os recursos públicos sejam aplicados em conformidade com os princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa.
A complexidade operacional e financeira que envolve a transição do modelo de VLT para o BRT justifica a intensa preocupação dos órgãos de controle e dos representantes do Legislativo. Um dos pontos de maior atrito consiste no expressivo aumento do valor de um lote licitado, cujo custo inicial saltou de R$ 68 milhões para expressivos R$ 120 milhões em apenas dois meses.
A dispensa de licitação concedida sistematicamente a uma única empresa construtora agravou as suspeitas de favorecimento, motivando pedidos de auditoria detalhada junto ao Tribunal de Contas do Estado.
O impacto imediato desse novo embate político consiste no severo travamento da interlocução institucional entre o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. As declarações de Otaviano Pivetta geraram forte reação do deputado petista Lúdio Cabral, que refutou veementemente as acusações de corrupção eleitoral e prometeu acionar os meios jurídicos cabíveis para restabelecer sua honra. A judicialização da disputa política tende a prolongar o clima de instabilidade, prejudicando a aprovação de matérias de interesse público e a própria fiscalização das obras de mobilidade urbana.
A sociedade mato-grossense permanece como a principal prejudicada pelo prolongamento indefinido dos canteiros de obras que obstruem o tráfego e deterioram o comércio de Cuiabá. Enquanto as lideranças políticas priorizam a disputa de narrativas sobre eventos ocorridos há mais de uma década, o cronograma do BRT segue sem uma definição concreta de entrega.
A expectativa coletiva por um sistema de transporte coletivo moderno e eficiente continua frustrada pela crônica incapacidade de planejamento e pela constante partidarização das soluções de infraestrutura pública.
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