NUVENS NEGRAS NA FEDERAÇÃO
“O PT está cheio de estrelas, eles pensam que somos subordinado a eles”
O presidente estadual do Partido Verde e atual vice-prefeito de Cuiabá, José Roberto Stopa, desistiu de participar da reunião com o Partido dos Trabalhadores. Ele sugeriu que o presidente estadual do PT, deputado Valdir Barranco, possa até levar a questão para a cúpula nacional.
A reunião, que ocorreria na quinta-feira (11) para aparar um inicio de incêndio entre o Partido Verde (PV), e o Partido dos Trabalhadores (PT), foi motivada pela escolha do deputado estadual Lúdio Cabral como pré-candidato à prefeitura da capital pela Federação Brasil da Esperança. Além disso, seria discutida a escolha dos coordenadores de campanha, e que o vice-prefeito de Cuiabá, José Roberto Stopa, seria convidado para coordenar a campanha de Lúdio Cabral rumo ao Palácio Alencastro.
O motivo desta vez de não participar do encontro veio após o deputado estadual Valdir Barranco, presidente do Diretório Estadual da sigla, em entrevista à imprensa na Assembleia Legislativa Mato-grossense, não descartar recorrer à cúpula da Federação Nacional para assegurar o apoio do Partido Verde (PV) à pré-candidatura do Partido dos Trabalhadores (PT) em Cuiabá com nome de Ludio Cabral nesta eleição de 6 de outubro.
“Se for necessário pedir a Federação Nacional, eu estou pronto. Mas eles precisam abrir dialogo permanentemente porque tem compromissos que terão que ser cumpridos de ambas as partes e que esse acordo possa prevalecer. É que ainda não tem essa necessidade de recorrer a Federação Nacional. Por enquanto há uma decisão de apoio do PCdoB e do PV ao nome de Ludio Cabral, e aí a Federação Nacional vai apenas homologar essa decisão“.
Foi a gota d’água
Segundo José Roberto Stopa, algumas lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT) pensam que o Partido Verde (PV) é subordinado a eles.
“Nós não somos subordinados a eles. Precisam respeitar os outros. Não estamos vendo ação de quem está no palanque. Volto a dizer, quer procurar a nacional, pode ir. Semana que vem tenho reunião com os pré-candidatos a vereadores do PV, e vamos definir a liberação para apoiar a prefeitura quem eles quiserem. Todas as vezes que tentamos abrir diálogo com o PT, vem alguém e fala absurdos. O PT está cheio de estrelas. Não são todos, mas há alguns. Eles agem com falta de respeito com o PV. Nós seguramos a bandeira do Lula. Se o deputado quiser pode levar para a nacional”, disse Stopa.
O nome de quem seria o escolhido dentro Federação Brasil da Esperança para disputar a Prefeitura de Cuiabá estava sendo travada por Ludio Cabral e José Roberto Stopa por aproximadamente 1 ano. O deputado saiu na frente e, mesmo dizendo apoiar o petista.
O vice-prefeito da capital não participou do lançamento da campanha de Lúdio Cabral, demonstrando descontentamento com o tratamento que o seu partido vem recebendo de lideranças do PT.
Stopa ainda é Emanuel
Nesta sexta-feira (12) o deputado estadual Lúdio Cabral disse que a insatisfação de José Roberto Stopa, com ele e seu partido seria, justamente, por causa de seu envolvimento na gestão do Prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), que tem sido alvo de críticas do petista, mas que o relacionamento com Roberto Stopa é boa sim.
“Até onde eu saiba está tudo tranquilo na relação entre os partidos, agora, qualquer ruído que haja, as direções saberão tratar isso com serenidade e com tranquilidade, cabe a mim, na condição de pré-candidato, debater os problemas da cidade, ouvir a população, apresentar as nossas propostas”.
O pré-candidato Lúdio Cabral avaliou que toda essa situação que esta acontecendo pode estar relacionado com sua participação na atual gestão da Prefeitura de Cuiabá como vice-prefeito, já que o projeto de campanha do petista é de mudança e críticas ao emedebista Emanuel Pinheiro.
“Quando a Federação Brasil da Esperança tomou a decisão pela escolha do meu nome como pré-candidato, isso me honrou muito porque foi uma decisão dos 3 partidos, consensual e ficou claro que o projeto que nós vamos apresentar na disputa das eleições é um projeto de mudança. O Stopa é vice-prefeito de Cuiabá, voltou à secretaria que ele ocupava, então isso pode explicar, talvez, essa preocupação dele hoje. Agora, o projeto da Federação está definido, é um projeto de mudança pra melhor”.
O parlamentar ainda destacou que sua pré-campanha já conta com apoio de outros partidos, como o PSD do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Carlos Fávaro, do PSOL do procurador Mauro Cesar, e do partido Rede Sustentabilidade.
“Nós estamos construindo e liderando um movimento amplo, para apresentar um programa de mudança e superar os problemas estruturais que a nossa cidade tem, notadamente o principal problema que a população de Cuiabá vivência hoje é a saúde pública, o transporte coletivo, que é um balcão de negócios para algumas famílias que estão na política, a cidade abandonada, esburacada, então é para enfrentar estas questões que nós nos propusemos ao debate”, explicou Ludio Cabral.
Vereadores que buscam a reeleição já disseram que não apoiarão o deputado
O Partido Verde (PV), atualmente conta com os vereadores Mario Nadaf, Paulo Henrique e Marcus Brito Junior, todos são candidatos à reeleição nas eleições de 6 de outubro na Capital. O vereador Marcus Brito (PV), descartou a possibilidade de apoiar Lúdio Cabral, citando a falta de diálogo e interesse demonstrados pelo pré-candidato em relação aos vereadores e pré-candidatos do PV.
Os vereadores do Partido Verde (PV) adotaram uma posição neutra durante o processo eleitoral e, assim, optaram por não se envolver diretamente na disputa majoritária, a sigla hoje conta com 13 pré-candidatos a vereadores por Cuiabá.
Política
“Quando o ódio às mulheres deixa a internet, entra nas universidades”
“O que aconteceu dentro da Faculdade de Direito da UFMT não é apenas mais um episódio de misoginia universitária. É um retrato brutal de como a violência contra a mulher continua sendo banalizada até mesmo em ambientes que deveriam formar consciência, ética e civilidade“.
Disse à imprensa e em suas redes nesta quinta-feira (07),a diretora-executiva do União Mulher em Mato Grosso e presidente do União Brasil em Cuiabá, Gisela Simona, ao reagir com profunda indignação à divulgação de uma lista produzida por estudantes que classificava calouras do curso de Direito da UFMT como “estupráveis”.
Para Gisela, quando o ódio às mulheres chega às universidades, então a sociedade tem a obrigação de reagir antes que a violência simbólica se transforme em violência física e, pior, seja naturalizada.
“Causa profunda indignação este episódio envolvendo alunos do curso de Direito da UFMT que produziram uma lista classificando colegas calouras como estupráveis. Não existe qualquer espaço para banalizar um ato como esse. Isto não é brincadeira, não é humor universitário, nem sequer pode ser observado como exagero de interpretação. Esta lista é literalmente um ato de violência, porque pressupõe a aceitação do estupro. É a reprodução de uma cultura cruel que humilha mulheres, incentiva a misoginia e normaliza o medo dentro de um ambiente que deveria ser de acolhimento, respeito e formação cidadã”, afirmou.
A manifestação da dirigente ocorre em meio à forte repercussão do caso, que provocou revolta entre estudantes e levou centenas de universitários a protestarem no Campus da UFMT, em Cuiabá, com cartazes e manifestações públicas de repúdio. O conteúdo veio à tona após denúncia do Centro Acadêmico de Direito (CADI/UFMT), que divulgou nota cobrando providências institucionais e acompanhamento rigoroso das investigações.
Após a repercussão, a Faculdade de Direito instaurou procedimento administrativo para apurar as condutas atribuídas aos envolvidos. A reitoria da UFMT também determinou o afastamento dos estudantes investigados.
Para Gisela Simona, contudo, a gravidade do episódio ultrapassa os limites de uma infração disciplinar universitária, pois expõe um nível alarmante de naturalização da violência sexual contra mulheres jovens.
“O estupro é um dos crimes mais brutais que existem e deixa marcas permanentes em suas vítimas. Transformar isso em piada revela um nível assustador de desrespeito à dignidade humana e à segurança das mulheres. Nenhuma estudante entra numa universidade para ser exposta, constrangida ou tratada como objeto”, ainda declarou.
E ao cobrar rigor nas apurações e punição exemplar aos responsáveis, Gisela também fez um movimento que ampliou a dimensão humana do debate ao relacionar o caso da UFMT a uma tragédia que ocorreu esta semana na capital mato-grossense: a morte da cantora de rock, Vanessa Capelette.
A conexão entre as duas histórias não foi construída apenas pela coincidência temporal. Mas pelo elo invisível e devastador que une mulheres marcadas pela violência sexual e pelo abandono emocional que frequentemente vem depois dela.
Ao comentar o caso, Gisela citou a repercussão do relato feito nas redes sociais pela cantora e compositora cuiabana Meire Pinheiro, que lamentou publicamente a morte de Vanessa. Em publicação emocionante, Meire relembrou a participação de Vanessa no projeto audiovisual “Viver Cultura”, realizado por meio da Lei Paulo Gustavo, ocasião em que a artista revelou ter sido vítima de estupro cometido por um padre, posteriormente preso sob acusações de abusos contra centenas de crianças.
Segundo relatos de pessoas próximas, Vanessa jamais conseguiu se libertar completamente das marcas emocionais deixadas pela violência sofrida na infância. As cicatrizes atravessaram décadas, afetaram sua saúde mental e, silenciosamente, corroeram sua relação com a própria vida.
Para Gisela, faz-se necessário ampliar o debate sobre as graves sequelas que o estupro deixa na vida de uma pessoa. Sobretudo, quando se observa o crescimento dos movimentos extremistas conhecidos como Red Pill que têm dado sinais claros de infiltração também dentro de ambientes universitários de Mato Grosso.
“Estamos falando de um trauma psicológico que destrói sonhos, destrói a saúde mental e, muitas vezes, destrói inteiramente o projeto de vida de uma pessoa. O estupro não termina no ato. Ele continua vivendo dentro da vítima por anos, às vezes pela vida inteira. Por isso precisamos deslocar o debate do terreno superficial das redes sociais para uma discussão muito mais profunda e mostrar uma sociedade que ainda insiste em minimizar violências que podem acompanhar mulheres até o fim da vida, inclusive, fazê-las desistir dela“.
Para a parlamentar, episódios como o da UFMT demonstram que Mato Grosso precisa enfrentar de forma mais séria o avanço de discursos misóginos que se espalham pelas redes sociais e passam a influenciar comportamentos concretos no cotidiano.
“Quando o ódio às mulheres deixa a internet, entra nas universidades, e se alastra no tecido social, temos obrigação de reagir”.
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