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Ser mãe com segurança: quando a cirurgia ginecológica é realmente necessária

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Autor: Acir Novaczyk*

Receber o diagnóstico de uma doença ginecológica costuma trazer dúvidas, medo e insegurança, especialmente para mulheres que desejam engravidar ou preservar sua qualidade de vida. Em muitos casos, a primeira pergunta é inevitável: “Vou precisar operar?”

A resposta nem sempre é simples. A medicina moderna evoluiu justamente para evitar procedimentos desnecessários e indicar cirurgia apenas quando existem critérios técnicos claros, benefícios reais e segurança para a paciente. Hoje, um dos maiores avanços da ginecologia é compreender que nem toda alteração precisa de intervenção cirúrgica imediata.

O mais importante é individualizar cada caso.

Doenças como miomas, endometriose, cistos ovarianos, pólipos uterinos e adenomiose são relativamente comuns e podem se manifestar de formas muito diferentes. Algumas mulheres apresentam sintomas intensos, dificuldade para engravidar, sangramentos importantes ou dor incapacitante. Outras convivem com alterações semelhantes sem qualquer prejuízo significativo à saúde.

É justamente aí que entra a avaliação especializada.

A decisão pela cirurgia depende de critérios objetivos, como intensidade dos sintomas, impacto na fertilidade, tamanho e localização das lesões, resposta ao tratamento clínico e risco de progressão da doença. O exame físico, a ultrassonografia especializada, a ressonância magnética e a análise da história clínica ajudam a definir o melhor caminho.

Em muitos casos, o tratamento clínico é suficiente e altamente eficaz.

Hoje existem medicamentos hormonais, anti-inflamatórios, terapias para controle do sangramento e estratégias de acompanhamento que permitem controlar doenças ginecológicas sem necessidade de cirurgia. Essa abordagem conservadora pode ser especialmente importante para mulheres que desejam engravidar futuramente ou evitar procedimentos invasivos.

Por outro lado, também existem situações em que a cirurgia deixa de ser apenas uma opção e passa a ser necessária.

Sangramentos uterinos intensos, dores pélvicas persistentes, crescimento acelerado de miomas, suspeita de malignidade, comprometimento intestinal ou urinário pela endometriose e infertilidade associada a alterações ginecológicas são alguns exemplos em que a intervenção pode trazer melhora significativa da saúde e da qualidade de vida.

Mas mesmo quando a cirurgia é indicada, a forma de operar mudou profundamente nos últimos anos.

A ginecologia minimamente invasiva revolucionou o tratamento cirúrgico feminino. Técnicas como videolaparoscopia, histeroscopia e cirurgia robótica permitem procedimentos mais precisos, com menor trauma cirúrgico, menos dor no pós-operatório, recuperação mais rápida e menor tempo de internação.

Além da recuperação física, existe também um aspecto emocional importante. Muitas mulheres têm receio de perder o útero ou comprometer a fertilidade. Por isso, o planejamento cirúrgico moderno busca preservar estruturas sempre que possível e priorizar abordagens menos agressivas.

A decisão cirúrgica precisa ser construída com informação, segurança e diálogo.

Nenhuma paciente deve ser conduzida ao centro cirúrgico apenas pelo medo ou pela ansiedade gerada por um diagnóstico. Da mesma forma, adiar excessivamente um procedimento necessário também pode trazer consequências importantes.

O equilíbrio está justamente na medicina baseada em evidências, na experiência do especialista e no acompanhamento individualizado.

Ser mãe com segurança, preservar a saúde ginecológica e manter qualidade de vida não dependem apenas de operar ou não operar. Dependem de escolher o tratamento certo, no momento certo e para a paciente certa.

E essa talvez seja a principal evolução da ginecologia atual: oferecer cuidado cada vez mais preciso, humano e seguro para a mulher em todas as fases da vida.

*Dr. Acir Novaczyk é ginecologista e endoscopista ginecológico em Cuiabá (MT).

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Dia das Mães: cuidar da saúde da mulher é cuidar de toda a família

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Autora: Mariana Ramos*

O Dia das Mães costuma ser marcado por homenagens, encontros e demonstrações de carinho. Mas, em meio à rotina intensa de cuidar da família, administrar a casa, trabalhar e dar conta de tantas responsabilidades, muitas mulheres acabam deixando a própria saúde em segundo plano.

A verdade é que cuidar da saúde da mulher é também cuidar de toda a família. Quando uma mãe adoece, toda a dinâmica familiar sente os impactos — físicos, emocionais e até sociais. Por isso, o autocuidado precisa deixar de ser visto como um luxo e passar a ser encarado como uma necessidade.

Na endocrinologia, é muito comum atender mulheres que convivem por anos com sintomas silenciosos, acreditando que o cansaço constante, a irritabilidade, a dificuldade para emagrecer, a queda de cabelo, as alterações no sono ou a falta de energia são apenas consequências naturais da rotina. No entanto, esses sinais podem indicar desequilíbrios hormonais importantes.

Problemas na tireoide, resistência à insulina, diabetes, alterações hormonais relacionadas à menopausa, obesidade e deficiência de vitaminas estão entre as condições mais frequentes e que impactam diretamente a qualidade de vida feminina. Muitas dessas doenças evoluem de forma silenciosa e, quando não acompanhadas adequadamente, podem comprometer não apenas a saúde física, mas também o bem-estar emocional da mulher.

Outro ponto importante é que a sobrecarga feminina também se reflete no organismo. O estresse crônico, a privação de sono e a exaustão física influenciam o metabolismo e favorecem o ganho de peso e desequilíbrios hormonais.

Por isso, o acompanhamento médico regular é fundamental. A prevenção continua sendo uma das ferramentas mais eficazes para garantir qualidade de vida, longevidade e bem-estar. Realizar exames periódicos, investigar sintomas precocemente e manter hábitos saudáveis faz diferença em todas as fases da vida da mulher.

Neste Dia das Mães, além das homenagens, fica também um convite à reflexão: quem cuida de todos também precisa ser cuidado. Priorizar a própria saúde não é egoísmo — é um ato de responsabilidade consigo mesma e com aqueles que ama.

Porque uma mulher saudável vive com mais disposição, equilíbrio e qualidade de vida — e isso reflete diretamente em toda a família.

*Dra. Mariana Ramos é endocrinologista na Fetal Care, em Cuiabá-MT.

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