A POPULAÇÃO DESCONHECE OS OUTSIDER?
“O perigo do “já ganhou” na eleição”
A política é um campo complexo, repleto de reviravoltas e surpresas que desafiam as previsões mais certeiras. Um exemplo vivo disso é o cenário político atual na Capital de todos os mato-grossenses onde o deputado estadual e candidato pelo União Brasil (UB), José Eduardo Botelho emerge como favorito, seguido por Abilio Brunini pelo Partido Liberal (PL), Ludi Cabral do Partido dos Trabalhadores (PT), e o empresario Domingos Kenidi do MDB.
No entanto, é crucial lembrar as lições das últimas eleições, onde a aparente certeza da vitória se dissipou diante da realidade das pesquisas, e isso começou a dar dor de cabeça na sua equipe de campanha.
A eleição de pessoas com pouca ou nenhuma experiência política e partidária, como Donald Trump, é conhecida como “outsiderism”. Nem sempre isso significa correr por fora da política. A eleição presidencial direta abriu caminho para a vitória de “outsider” usando as próprias engrenagens que questiona. Os sistemas multipartidários ou com regras mais frouxas para a criação de novos partidos podem encurtar as rotas para o “Poder”.
Novas lideranças certamente oxigenam a representação política e podem tornar as instituições políticas mais porosas às demandas dos eleitores.
Mas…, ser de fora do “sistema”, de fato ou por retórica, é suficiente para renovar a política, fortalecendo a democracia?

Essa é uma onda que ganhou força nos últimos anos e já tem lições a ensinar. Sobre suas vitórias e, também, os desafios e os riscos que eles trazem junto. Obviamente, um “outsider” pode se converter em alguém “de dentro”, como aqueles sobre cujos pescoços construíram os seus apelos.
Mas isso requer aquilo que lhes faltam: a prontidão e as habilidades para fazer política num ambiente de competição aberta. Assim, as vitórias de outsiders requerem atenção.
Três pontos nos ajudam a entender quais são essas tensões e riscos.
Primeiro, “outsiders” não discutem as plataformas políticas durante a campanha. Como seus discursos são, basicamente, de crítica e rechaço da ordem estabelecida, slogans bastam. Que para nós do Blog do Valdemir achamos errado essa maneira de trabalhar.
A sua tradução em diretrizes de governo tende a ser relegada. As soluções fáceis são mais atrativas quanto menos se preocupam em executá-las.
Nessa eleição, as promessas de isenções de imposto de renda, atingindo bilhões de reais, e o silêncio sobre a crise fiscal do Estado foram emblemáticas dessas equações mágicas. Sob essas incertezas, o embate eleitoral não molda as expectativas sobre os rumos do governo.
Deixando com isso espaço para que elas atinjam o ponto máximo enquanto esperam a posse do Prefeito de Cuiabá no dia 1º dia Janeiro de 2025.

Mas…, se frustradas, essas expectativas tornam-se corrosivas da lua de mel entre o eleito, o Legislativo Estadual, Municipal e seus eleitores. O risco de que isso ocorra é considerável, pois para compensar o vazio da sua plataforma eleitoral e marcar a digital de anti-establisment, o “outsider” tende a dar guinadas bruscas no status quo uma vez na administração.
O choque dos eleitores com o “confisco da poupança” feito por Collor, no primeiro dia de seu governo em 1990, ilustra o ponto. O risco de um voluntarismo errático é considerável e pode deteriorar rapidamente as condições de governabilidade em vez de construí-las. Ponto.
Segundo, o “outsider” chega ao “Poder” com gaps informacionais consideráveis sobre a gestão da máquina e das burocracias que deve liderar. Delegar responsabilidades e apoiar-se em assessores é algo trivial nos governos contemporâneos. Mas…, isso requer de quem delega a “sabedoria” de liderá-los, sem se tornar prisioneiro dos interesses que seus auxiliares podem encarnar.
Esse risco é maior para os “outsiders” que, desconfiados de partidos e burocracias, recorrem a assessores que julgam controlar. No melhor cenário, eles confiam em experts para tomarem decisões. No pior dos casos, nos amigos e familiares. Especialistas possam reduzir riscos acerca das políticas, mas são débeis em negociar acordos e concessões necessários para implementá-las.
Aos amigos e cronies, normalmente, falta a expertise, ainda que sobre lealdade. Essa politização do comando do governo requer do empossado a capacidade de monitorar os seus agentes. Mas, para lidar com essas engrenagens que desconhece, o “outsider” tende a manter a vigília sobre os opositores, baixando a guarda para os seus assessores. Além de alimentar as suspeições acerca do governo, isso abre espaço para oportunismos diversos. São consideráveis os riscos de o “outsider” se ver desconectado ou insulado no topo da máquina que deveria liderar.
Baixa coordenação das políticas e estreitamento das pontes com aqueles fora da sua administração são os resultados prováveis.
Terceiro, o “outsider” pode ser mais refratário à forma como governos operam numa democracia. Desacredita a negociação e a construção de consenso, reduzidas à mera troca de favores ou a práticas da velha ordem que prometeu evitar. Como nega os políticos, também tende a desvalorizar as instituições em que eles atuam. Mas, nas democracias, as leis são votadas e vetadas em parlamentos e o Judiciário supervisiona a sua execução.
Sob certas condições, a tentação é de desacreditar aqueles a quem se opõe, em vez de construir maiorias legislativas.
Não raramente, bloqueios Legislativos ou Judiciais têm levado “outsiders” a liderarem confrontos políticos, quanto não institucionais, com os parlamentos e judiciários. Ou reengenharia institucional, quando são politicamente fortes.
Mudanças soft das regras, seja para insular ou centralizar decisões, buscam dificultar ou contornar a responsabilização dos membros do governo. Em casos mais extremo, mudanças institucionais podem ser mais atrativas.
Nos anos 90, Alberto Fujimori fechou o Congresso e convocou uma constituinte. Mais tarde, o mesmo ocorreu na Venezuela, além de outros casos na América Latina.
Recentemente foi divulgado que dentre os 137 países avaliados no Índice de Competitividade Global pelo Fórum Econômico Mundial de Davos, o Brasil está em último lugar no quesito confiabilidade pública nos políticos. Não é para menos! Todos os políticos estão preocupados com suas reeleições ou eleição. Movimentam-se como se estivessem pisando em ovos. Reformas? Só as que não lhes tragam problemas… só as que lhes garantam a reeleição ou eleição, como a vergonhosa verba do tal Fundo Eleitoral de quase R$ 5 bilhão, que substituiu o dinheiro que as empresas jogavam nas eleições.
Os partidos políticos se desgastaram de tal forma que deixaram de ser instrumentos legítimos de representação social. Transformaram-se em empresas que visam a fatia polpuda do Fundo Partidário, além de negociar seus tempos no Rádio e na TV, quando na verdade não possuem militância política nenhuma. O povo não sabe as ideologias dos partidos.
Aliás, o povo não sabe o que é ideologia! E os espertos, se valem disso!
Política
Denúncias de aliciamento elevam a “Tensão” na disputa pelo Palácio Paiaguás
Uma grave acusação de interferência externa e oferecimento de vantagens ilícitas abalou as estruturas internas da federação partidária que decidirá os rumos da sucessão estadual. A denúncia aponta para a existência de um forte movimento de bastidores que visa desestabilizar os votos de delegados partidários, transformando a definição de candidaturas em um cenário de intensa disputa ética e jurídica.
O epicentro do embate envolve diretamente o deputado estadual Júlio Campos, que externou as suspeitas, e seu irmão, o senador Jayme Campos, cuja postulação ao governo estadual sofre forte oposição interna. No polo oposto dessa correlação de forças, posicionam-se o ex-governador e atual presidente partidário Mauro Mendes, aliado ao atual governador Otaviano Pivetta, este último filiado ao Republicanos e beneficiário direto de uma eventual composição ampla.
As articulações e os tensionamentos que culminaram na “denúncia pública” ganharam contornos de crise nesta semana, antecedendo o prazo final para as definições de chapas majoritárias. O cronograma converge para o dia 30 de julho, data em que ocorrerá a deliberação oficial e o consequente desfecho do processo de escolha interna que definirá as coligações.
Toda a movimentação política concentra-se no “GRANDIOSO” Estado de Mato Grosso, tendo como foco principal as articulações na capital, Cuiabá, onde se localizam as sedes partidárias e o Palácio Paiaguás. O cenário geográfico reflete a importância estratégica da região Centro-Oeste no panorama político e econômico nacional, o que eleva a relevância da disputa pelo controle do Executivo Estadual.
A definição do candidato ocorrerá por meio do voto secreto dos membros da convenção da Federação União Progressista, bloco composto pela associação entre o União Brasil e o Progressistas (PP). Esse método de votação secreta visa garantir a liberdade de escolha dos delegados, resguardando-os de pressões externas diretas, embora o sigilo do voto agora enfrente o desafio das suspeitas de assédio político prévio.

O motivo central da divergência reside no conflito de visões estratégicas para o futuro do estado, dividindo a agremiação entre a defesa de uma candidatura própria e a adesão a um projeto de continuidade governamental. Enquanto uma ala busca resgatar o protagonismo histórico da legenda tradicional, o grupo governista argumenta que a composição ampla fortalece a governabilidade e assegura a estabilidade das políticas públicas em andamento.
A finalidade desse embate interno é a conquista do controle do Palácio Paiaguás e a consolidação de hegemonia política na região pelas próximas temporadas administrativas. Os grupos em disputa buscam garantir espaço prioritário nas chapas proporcionais e majoritárias, o que viabilizará a sustentação legislativa e a influência sobre o orçamento e as diretrizes do desenvolvimento estadual.
O processo desenvolve-se sob condições de extrema desconfiança mútua, caracterizadas por Júlio Campos como um “clima de guerra” decorrente do envio de emissários com “propostas indecorosas”. Diante da gravidade dos relatos sobre tentativas de aliciamento de convencionais, os defensores da candidatura própria anunciam a intenção de formalizar representações junto ao Ministério Público Eleitoral (MPE) para assegurar a lisura do pleito.

Para alcançar a vitória interna, os apoiadores da candidatura própria estimam contar com uma base sólida de aproximadamente 35 votos entre os 48 convencionais aptos a votar, de um total de 50 membros colegiados. Esse expressivo contingente teórico de apoios é considerado suficiente para neutralizar a influência da ala governista e impor a candidatura do senador Jayme Campos à revelia da Executiva.
Como desdobramento imediato, as lideranças partidárias mantêm canais de diálogo abertos na tentativa de construir um consenso de última hora que evite uma fratura definitiva na base aliada. No entanto, diante da recusa de ambos os pré-candidatos em abdicar de suas pretensões ao Governo do Estado, novos encontros bilaterais deverão ocorrer nos próximos dias, sob a sombra de uma iminente judicialização do processo caso as denúncias de aliciamento sejam formalizadas.
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