Política
Moares deixa cadeia apos 135 dias de prisão
Sendo esperado por um verdadeiro batalhão de pessoas, entre jornalistas e familiares, e preso a exatos 135 dias, o ex-secretário de fazenda do Estado de Mato Grosso na gestão do governo Blairo Maggi (PR) e Silval Barbosa (PMDB), Eder Moraes aparentando estar bem mais magro, deixou o Centro de Custodia de Cuiabá (CCC) nesta sexta feira usando tornozeleira eletrônica determinadas pelo juiz Jeferson Schneider que é titular da 5ª Vara Federal é também responsável pelos processos que tramita contra o ex-secretário de fazenda, e responde a sete ações penais já justiça por lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro de Cuiabá.
O Habeas Corpus de Eder concedido pelo ministro Dias Toffoli do Supremo Tribunal Federal (STF) ao homem considerado por muitos como o “Homem Bomba”, e ele é apontado também pelo Ministério Publico Federal (MPF) como um dos que arquitetou os esquemas de fraudes descobertos pela investigação da “Operação Ararath” deflaglada pela Policia Federal em 2013 e que teria sido fraudado cerca de R$ 500 milhões de reais aos cofres públicos.
O ex-secretário chegou a ser preso em 2014 e ficou detido por cerca de 81 dias pela primeira vez quando da 5ª fase operação da Policia Federal, logo depois em abril deste mesmo ano, Eder foi novamente preso sendo acusado de fazer transferências de seus bens e imóveis para terceiros, e também para um de seus filhos menor de idade evitando assim o sequestro judicial para posterior ressarcimento dos danos causados aos cofres públicos.
Na saída do Centro de Custodia de Cuiabá, o ex-secretário Eder Moraes disse ser inocente, “eu sempre fez todas as suas declarações de seus bens e imóveis no imposto de renda, e a prisão contra ele foi absurda, nunca quis burlar a lei, estava passando em nome de meu filho, e não existia nada que pudesse impedir eu de fazer a transferência”.Disse
“Hoje graças a Deus eu consegui a liberdade sob algumas medidas cautelares. E eu não vou fazer nenhum tipo de julgamento a ninguém. A tornozeleira que me foi colocada é uma das medidas adotada pela justiça, mas os meus advogados vão tentar revogar essa decisão do Juiz em usar a tornozeleira. O que eu vou fazer no momento é obedecer a determinação da Justiça, quero apenas descansar com meus familiares na minha casa”, disse Eder.
Eder chegou a ser questionado pelos jornalistas de plantão na porta do Centro de Custodia de Cuiabá (CCC), se ele chegou a passar fome no sistema penitenciário de Mato Grosso, como foi o fato que aconteceu em Brasília no Complexo da Papuda por cerca de 90 dias em que ficou preso, o ex-secretário respondeu que “o sistema penitenciário de Mato Grosso estava de parabéns está de parabéns, eu fui muito bem cuidado”. Finalizou.
Política
Teia de suspeitas do VLT e impasse do BRT tensionam relação entre “Governo” e “Oposição”
A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) converteu-se no cenário de um intenso embate político que paralisou o debate sobre a infraestrutura local. O episódio ocorreu durante uma Audiência Pública de prestação de contas que acabou por desviar o foco técnico para antigas disputas eleitorais. A sessão, que deveria esclarecer o andamento das obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), transformou-se em uma arena de acusações recíprocas entre a base governista e a oposição. O impasse reflete a profunda polarização que historicamente caracteriza a gestão das grandes obras de mobilidade urbana na capital mato-grossense.
O debate centralizador das discussões ocorreu no Palácio Dante de Oliveira, sede do Poder Legislativo do Estado de Mato Grosso, localizada no Centro Político Administrativo de Cuiabá. A escolha do local conferiu caráter oficial e solene ao encontro, que reuniu parlamentares, gestores públicos e representantes da sociedade civil organizada. A capital, que convive há mais de uma década com os transtornos decorrentes de projetos de transporte inacabados, serviu como pano de fundo geográfico e social para o confronto. O ambiente do plenário, marcado por discursos inflamados e questionamentos incisivos, evidenciou a urgência das respostas demandadas pela população cuiabana.
A reunião deliberativa aconteceu nesta terça-feira, momento em que o cronograma físico e financeiro do BRT voltou a ser oficialmente questionado pela Comissão Parlamentar competente. O agendamento da Audiência Pública atendeu a um requerimento de urgência apresentado pela oposição, motivado pelas sucessivas dilações nos prazos de entrega das vias exclusivas de transporte. A temporalidade do evento revelou-se estratégica, ocorrendo em um período de crescente cobrança social pela retomada e finalização dos corredores estruturais de trânsito na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.
O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística do Estado de Mato Grosso (SINFRA/MT), Marcelo de Oliveira, conhecido politicamente como Marcelo “Padeiro”, figurou como o principal convocado para prestar os esclarecimentos técnicos necessários. O gestor, contudo, optou por retirar-se do recinto parlamentar antes da formulação das perguntas cruciais pelos deputados da oposição, gerando forte descontentamento no plenário.
A conduta do secretário foi interpretada pela bancada oposicionista como uma deliberada esquiva diante das responsabilidades administrativas referentes aos contratos e aditivos vigentes.
A convocação oficial da autoridade governamental deu-se em razão da necessidade imperiosa de esclarecer os motivos das constantes paralisações e o encarecimento das obras do BRT. O projeto atual, que substituiu o antigo modelo de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), é alvo de investigações que apontam suposta falta de planejamento e excesso de contratações diretas sem licitação. Os deputados estaduais exigiam a apresentação detalhada de planilhas de custos e a justificativa para a escolha de consórcios específicos para a execução dos lotes remanescentes.
A controvérsia instalou-se em virtude do abandono da sessão pelo secretário e das posteriores declarações do governador Otaviano Pivetta, do partido Republicanos, que saiu em defesa de seu colaborador. O chefe do Executivo Estadual descaracterizou as cobranças técnicas da oposição ao sugerir que a campanha eleitoral de 2012 do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), fora financiada com desvios do extinto projeto do VLT.
Esse movimento retórico redirecionou a pauta de fiscalização orçamentária para o campo das suspeitas criminais pretéritas, inflamando o ambiente político estadual e deslocando o foco das atuais falhas de execução do BRT.
Os parlamentares estaduais utilizaram-se dos mecanismos constitucionais de fiscalização do Poder Executivo, amparados pelo regimento interno da Casa de Leis e pela prerrogativa de controle externo da administração pública. A inquirição dos secretários de Estado constitui um dever do parlamento e um direito do cidadão ao acesso à informação e à transparência pública. A utilização desse instrumento de controle democrático visa garantir que os recursos públicos sejam aplicados em conformidade com os princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa.
A complexidade operacional e financeira que envolve a transição do modelo de VLT para o BRT justifica a intensa preocupação dos órgãos de controle e dos representantes do Legislativo. Um dos pontos de maior atrito consiste no expressivo aumento do valor de um lote licitado, cujo custo inicial saltou de R$ 68 milhões para expressivos R$ 120 milhões em apenas dois meses.
A dispensa de licitação concedida sistematicamente a uma única empresa construtora agravou as suspeitas de favorecimento, motivando pedidos de auditoria detalhada junto ao Tribunal de Contas do Estado.
O impacto imediato desse novo embate político consiste no severo travamento da interlocução institucional entre o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. As declarações de Otaviano Pivetta geraram forte reação do deputado petista Lúdio Cabral, que refutou veementemente as acusações de corrupção eleitoral e prometeu acionar os meios jurídicos cabíveis para restabelecer sua honra. A judicialização da disputa política tende a prolongar o clima de instabilidade, prejudicando a aprovação de matérias de interesse público e a própria fiscalização das obras de mobilidade urbana.
A sociedade mato-grossense permanece como a principal prejudicada pelo prolongamento indefinido dos canteiros de obras que obstruem o tráfego e deterioram o comércio de Cuiabá. Enquanto as lideranças políticas priorizam a disputa de narrativas sobre eventos ocorridos há mais de uma década, o cronograma do BRT segue sem uma definição concreta de entrega.
A expectativa coletiva por um sistema de transporte coletivo moderno e eficiente continua frustrada pela crônica incapacidade de planejamento e pela constante partidarização das soluções de infraestrutura pública.
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