Política
Mendes sugere que consumidor compre pela internet e FCDL/MT repudia às declarações
As mudanças de alíquotas foram implantadas em uma reforma tributária, sancionada em julho do ano passado acabaram não sendo aceita em alguns setores do comercio do Estado de Mato Grosso como: combustíveis, farmácias e supermercados, em aumentar o preço final de alguns produtos por conta das “novas cargas tributárias” que se iniciaram em janeiro deste ano.
O governador Democrata (DEM), Mauro Mendes Ferreira chegou de fazer nesta semana, duras criticas a setores do comércio no Estado, e disse que os consumidores mato-grossenses não vão cair em “joguinhos” de alguns empresários.
O governador Mauro Mendes chegou ate mesmo de fazer um alerta aos comerciantes dizendo que os consumidores podem comprar via internet, onde os preços costumam sair mais em conta.
“Existe sempre uma forma das pessoas ficarem fazendo seus questionamentos, espernearem. Mas o mercado se autorregula. O Governo tem seus órgãos de controle. Qualquer abuso, o Procon e órgãos de controle poderão ser acionados quando for preciso”.
“Hoje esta muito fácil fazer uma pesquisa de preço, tanto no Estado como fora dele. As pessoas podem fazer suas compras pela internet, podem fazer suas compras fora de Mato Grosso. Hoje, o consumidor é muito sabido. Então, quem quiser fazer esse joguinho de aumento de preço pode dar com burros n’água, porque o consumidor está muito esperto. Então é bom as pessoas não fazerem joguinho”.
FCDL/MT repudia às declarações do governador Mauro Mendes
A Federação das CDL´s de Mato Grosso (FCDL/MT), entidade do sistema CNDL atuante há quase 37 anos com o objetivo de defender os interesses da classe empresarial, estimular o desenvolvimento e articular políticas de incentivo as 58 CDLs espalhadas pelo Estado e seus associados, manifesta repúdio à declaração proferida recentemente pelo Governador Mauro Mendes, na qual incentiva os consumidores locais a comprarem pela internet e em outros Estados, a partir do aumento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) com a regulamentação da Lei Complementar nº 631/209, e por consequência o aumento dos produtos.
Com essa afirmação, o governador afrontou não só os empresários da região que são os grandes responsáveis por gerar emprego e renda no Estado como os trabalhadores e suas famílias que dependem e precisam estar inseridos no mercado para sobreviver.
A FCDL/MT lamenta esta atitude de desestímulo e desconsideração do atual governo pois equivocada e incoerente com as promessas feitas durante sua campanha. Essa afirmação do ilustre governador também anula a promessa de redução de imposto e enxugamento da máquina pública.
A Federação pede respeito aos empresários que lutam dia a dia contra a situação de penúria a qual se encontra a economia do país e incentivam o fortalecimento do comércio local.
O atual governo está indo justamente na contramão e pode inviabilizar o Estado incentivando compras em outros estados que não tem a mesma carga tributária absurda que ele está impondo ao contribuinte de MT.
Ao proferir essa declaração, o Chefe do Poder Executivo coloca em risco todo o setor produtivo e a vida de milhares de trabalhadores e famílias que vivem aqui e abre ainda mais a concorrência de estados vizinhos e do comércio eletrônico. É um retrocesso para todo o setor produtivo estadual.
Federação das CDLs de Mato Grosso (FCDL/MT)
Política
Teia de suspeitas do VLT e impasse do BRT tensionam relação entre “Governo” e “Oposição”
A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) converteu-se no cenário de um intenso embate político que paralisou o debate sobre a infraestrutura local. O episódio ocorreu durante uma Audiência Pública de prestação de contas que acabou por desviar o foco técnico para antigas disputas eleitorais. A sessão, que deveria esclarecer o andamento das obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), transformou-se em uma arena de acusações recíprocas entre a base governista e a oposição. O impasse reflete a profunda polarização que historicamente caracteriza a gestão das grandes obras de mobilidade urbana na capital mato-grossense.
O debate centralizador das discussões ocorreu no Palácio Dante de Oliveira, sede do Poder Legislativo do Estado de Mato Grosso, localizada no Centro Político Administrativo de Cuiabá. A escolha do local conferiu caráter oficial e solene ao encontro, que reuniu parlamentares, gestores públicos e representantes da sociedade civil organizada. A capital, que convive há mais de uma década com os transtornos decorrentes de projetos de transporte inacabados, serviu como pano de fundo geográfico e social para o confronto. O ambiente do plenário, marcado por discursos inflamados e questionamentos incisivos, evidenciou a urgência das respostas demandadas pela população cuiabana.
A reunião deliberativa aconteceu nesta terça-feira, momento em que o cronograma físico e financeiro do BRT voltou a ser oficialmente questionado pela Comissão Parlamentar competente. O agendamento da Audiência Pública atendeu a um requerimento de urgência apresentado pela oposição, motivado pelas sucessivas dilações nos prazos de entrega das vias exclusivas de transporte. A temporalidade do evento revelou-se estratégica, ocorrendo em um período de crescente cobrança social pela retomada e finalização dos corredores estruturais de trânsito na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.
O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística do Estado de Mato Grosso (SINFRA/MT), Marcelo de Oliveira, conhecido politicamente como Marcelo “Padeiro”, figurou como o principal convocado para prestar os esclarecimentos técnicos necessários. O gestor, contudo, optou por retirar-se do recinto parlamentar antes da formulação das perguntas cruciais pelos deputados da oposição, gerando forte descontentamento no plenário.
A conduta do secretário foi interpretada pela bancada oposicionista como uma deliberada esquiva diante das responsabilidades administrativas referentes aos contratos e aditivos vigentes.
A convocação oficial da autoridade governamental deu-se em razão da necessidade imperiosa de esclarecer os motivos das constantes paralisações e o encarecimento das obras do BRT. O projeto atual, que substituiu o antigo modelo de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), é alvo de investigações que apontam suposta falta de planejamento e excesso de contratações diretas sem licitação. Os deputados estaduais exigiam a apresentação detalhada de planilhas de custos e a justificativa para a escolha de consórcios específicos para a execução dos lotes remanescentes.
A controvérsia instalou-se em virtude do abandono da sessão pelo secretário e das posteriores declarações do governador Otaviano Pivetta, do partido Republicanos, que saiu em defesa de seu colaborador. O chefe do Executivo Estadual descaracterizou as cobranças técnicas da oposição ao sugerir que a campanha eleitoral de 2012 do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), fora financiada com desvios do extinto projeto do VLT.
Esse movimento retórico redirecionou a pauta de fiscalização orçamentária para o campo das suspeitas criminais pretéritas, inflamando o ambiente político estadual e deslocando o foco das atuais falhas de execução do BRT.
Os parlamentares estaduais utilizaram-se dos mecanismos constitucionais de fiscalização do Poder Executivo, amparados pelo regimento interno da Casa de Leis e pela prerrogativa de controle externo da administração pública. A inquirição dos secretários de Estado constitui um dever do parlamento e um direito do cidadão ao acesso à informação e à transparência pública. A utilização desse instrumento de controle democrático visa garantir que os recursos públicos sejam aplicados em conformidade com os princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa.
A complexidade operacional e financeira que envolve a transição do modelo de VLT para o BRT justifica a intensa preocupação dos órgãos de controle e dos representantes do Legislativo. Um dos pontos de maior atrito consiste no expressivo aumento do valor de um lote licitado, cujo custo inicial saltou de R$ 68 milhões para expressivos R$ 120 milhões em apenas dois meses.
A dispensa de licitação concedida sistematicamente a uma única empresa construtora agravou as suspeitas de favorecimento, motivando pedidos de auditoria detalhada junto ao Tribunal de Contas do Estado.
O impacto imediato desse novo embate político consiste no severo travamento da interlocução institucional entre o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. As declarações de Otaviano Pivetta geraram forte reação do deputado petista Lúdio Cabral, que refutou veementemente as acusações de corrupção eleitoral e prometeu acionar os meios jurídicos cabíveis para restabelecer sua honra. A judicialização da disputa política tende a prolongar o clima de instabilidade, prejudicando a aprovação de matérias de interesse público e a própria fiscalização das obras de mobilidade urbana.
A sociedade mato-grossense permanece como a principal prejudicada pelo prolongamento indefinido dos canteiros de obras que obstruem o tráfego e deterioram o comércio de Cuiabá. Enquanto as lideranças políticas priorizam a disputa de narrativas sobre eventos ocorridos há mais de uma década, o cronograma do BRT segue sem uma definição concreta de entrega.
A expectativa coletiva por um sistema de transporte coletivo moderno e eficiente continua frustrada pela crônica incapacidade de planejamento e pela constante partidarização das soluções de infraestrutura pública.
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