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O XADREZ DO PODER EM MT

Crise nas Federações e o colapso do PRD redesenham o cenário eleitoral em MT

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A política mato-grossense atravessa um período de instabilidade aguda com o encerramento da janela partidária, culminando em uma crise de proporções inéditas dentro da Federação PSDB/Cidadania e nos alinhamentos entre União Brasil e Progressistas. O epicentro do conflito reside na rebelião de um bloco composto por 19 pré-candidatos que, em um movimento de pressão coordenada, passaram a exigir a exclusão do deputado estadual Sebastião Rezende (UB) dos planos proporcionais do grupo.

A ameaça de uma debandada coletiva, caso o parlamentar permaneça na disputa pela legenda, coloca as lideranças partidárias em um estado de alerta máximo, dado o risco real de esvaziamento das chapas às vésperas do prazo fatal para o registro de candidaturas.

O imbróglio ganhou contornos dramáticos no último final de semana, quando o ultimato foi formalizado junto à cúpula das legendas envolvidas. O grupo dissidente fundamenta sua resistência na alegação de que a presença de um “puxador de votos” com o histórico de Rezende, oitavo mais votado no pleito de 2022, inviabiliza as chances de renovação e o êxito de lideranças emergentes.

No entanto, o descontentamento transcende a aritmética eleitoral; há uma crítica severa à postura interna do deputado, descrita por seus pares como pouco colaborativa e centralizadora, o que teria exaurido o capital político e a paciência dos demais integrantes da coalizão progressista.

A mediação da crise foi levada diretamente ao governador Mauro Mendes, figura central na articulação das forças governistas no estado. Interlocutores relatam que a mensagem transmitida foi inequívoca: a permanência de Sebastião Rezende resultará na renúncia em bloco dos 19 postulantes, um gesto que destruiria a viabilidade da federação em Mato Grosso.

Mendes, agindo como fiel da balança, agora precisa equacionar o peso eleitoral individual de um deputado experiente contra a manutenção de uma base ampla e diversificada, composta por vereadores, ex-deputados e lideranças regionais do Araguaia, Norte e Oeste.

Este isolamento político de Rezende não é um fato isolado, mas o ápice de uma série de rejeições consecutivas na mesma semana. Anteriormente, o parlamentar tentou viabilizar sua migração para o Republicanos, porém encontrou as portas fechadas devido à resistência interna liderada pelo deputado estadual Diego Guimarães. Esse movimento defensivo das siglas visa proteger o quociente eleitoral e garantir que a distribuição de cadeiras não seja monopolizada por figuras de mandatos consolidados, evidenciando uma mudança de paradigma nas estratégias de sobrevivência partidária para as próximas eleições.

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A gravidade do cenário é acentuada por projeções estatísticas que indicam um afunilamento perigoso: com a atual configuração de forças, a federação projeta a eleição segura de apenas dois deputados estaduais, com uma remota possibilidade de disputa por uma terceira vaga via sobra.

Para candidatos sem o controle da máquina pública ou grandes bases eleitorais, este “afunilamento” representa um risco de morte política prematura. A insatisfação, portanto, é um mecanismo de defesa coletivo contra o que o grupo classifica como uma hegemonia que impede o surgimento de novos quadros no legislativo estadual.

Paralelamente ao drama da Federação, o desmanche do Partido Renovação Democrática (PRD) em Mato Grosso adicionou uma camada extra de incerteza ao tabuleiro. A extinção da estrutura partidária no estado desarticulou estratégias que vinham sendo montadas há meses, deixando parlamentares de peso em uma espécie de limbo político. O caso mais emblemático é o do deputado estadual Paulo Araújo (PP), que planejava utilizar a nova legenda como trampolim para sua reeleição, buscando um ambiente com maior autonomia e menos concorrência interna direta.

Com a derrocada do projeto do PRD, Paulo Araújo viu-se obrigado a reiniciar suas articulações praticamente do zero, em um momento em que a maioria das siglas já apresenta chapas densas e quase imutáveis.

O cenário tornou-se indefinido“.

Admitiu o parlamentar, que agora corre contra o relógio para garantir uma legenda que ofereça viabilidade eleitoral sem comprometer suas alianças históricas. A busca por um novo porto seguro partidário transformou-se em uma operação de guerra, onde cada hora de negociação é vital para evitar o risco de perda de mandato por infidelidade partidária ou isolamento político.

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A cautela tem sido a tônica das declarações de Araújo, que evita antecipar decisões antes de exaurir todas as possibilidades de diálogo com o Palácio Paiaguás e com as presidências das legendas aliadas. A expectativa é que o desfecho dessa trajetória ocorra nos minutos finais do prazo legal, refletindo o clima de tensão que domina os bastidores da Assembleia Legislativa Mato-grossense (AL/MT). A situação do parlamentar ilustra perfeitamente como a engenharia política brasileira, baseada em coligações e janelas temporais, pode ser traiçoeira até mesmo para os atores mais experientes do processo democrático.

A crise atual expõe, de forma nua e crua, as fragilidades das federações partidárias em nível regional. O que deveria ser um instrumento de estabilidade ideológica e programática transformou-se, na prática, em um campo de batalha por sobrevivência individual. O risco de um efeito dominó, onde a saída de um grupo leva ao colapso de toda a chapa paira sobre as lideranças de Mato Grosso como uma “Espada de Dâmocles”, ameaçando redesenhar o mapa eleitoral de forma drástica antes mesmo do início oficial da campanha.

Em última análise, o rearranjo político observado em Cuiabá e Várzea Grande serve como um prelúdio para as eleições de 2026. A forma como o governador Mauro Mendes e os presidentes de partido resolverem estes impasses determinará não apenas quem ocupará as cadeiras na próxima Legislatura, mas também qual será o peso das alianças regionais no futuro governo. Enquanto os acordos não são selados, o estado assiste a uma demonstração de força e pragmatismo, onde a lealdade é testada pelo rigor dos números e pela implacável lógica do quociente eleitoral.

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Política

Patrimônio de deputados de Mato Grosso revela forte alta em quatro anos e amplia debate sobre transparência eleitoral

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A evolução patrimonial de políticos durante o exercício de mandatos voltou a ocupar espaço no debate público em Mato Grosso com a divulgação das declarações de bens apresentadas à Justiça Eleitoral. Embora os vencimentos de parlamentares e integrantes do Executivo sejam superiores à renda média da população, especialistas costumam observar que a remuneração oficial, isoladamente, não explica necessariamente a formação de grandes patrimônios. Nesse contexto, aumentos expressivos de bens despertam questionamentos quando não são acompanhados de explicações claras sobre sua origem.

A declaração patrimonial é uma exigência prevista na legislação eleitoral e constitui um dos mecanismos destinados a ampliar a transparência sobre a situação financeira dos candidatos. Com o início do processo eleitoral, os concorrentes são obrigados a informar à Justiça Eleitoral os bens que possuem, permitindo que o eleitor compare a evolução patrimonial entre diferentes pleitos. A medida, contudo, também expõe variações significativas que podem alimentar discussões sobre as razões econômicas que levam determinadas pessoas a ingressar ou permanecer na vida pública.

O crescimento do patrimônio, por si só, não representa irregularidade. Bens podem ser incorporados por meio de atividades profissionais, investimentos, negócios particulares, heranças ou doações legalmente realizadas. Da mesma forma, uma eventual redução ou estabilidade patrimonial não constitui, isoladamente, prova de ausência de ganhos. A análise responsável exige a consideração de documentos, fontes de renda, movimentações financeiras e demais elementos capazes de explicar as alterações registradas oficialmente.

Segundo dados divulgados pelo DivulgaCand, da Justiça Eleitoral, 22 dos 24 deputados estaduais de Mato Grosso declararam aumento patrimonial em relação à eleição de 2022. O maior crescimento percentual entre os parlamentares da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) foi registrado por Lúdio Cabral (PT), cujo patrimônio declarado passou de R$ 244,7 mil para aproximadamente R$ 1,6 milhão. A variação representa crescimento de cerca de 560% no período, segundo os valores informados à Justiça Eleitoral.

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A declaração de Lúdio Cabral inclui apartamento, depósitos bancários, aplicações financeiras e investimentos. Em valores absolutos, a diferença entre as duas declarações representa uma ampliação superior a R$ 1,3 milhão. O dado coloca o deputado na liderança do ranking de crescimento percentual entre os parlamentares estaduais, mas não significa que ele seja o detentor do maior patrimônio da Assembleia Legislativa Mato-grossense.

A evolução patrimonial, nesse caso, precisa ser analisada separadamente do volume total de bens acumulados.

Na sequência dos maiores aumentos percentuais aparecem Paulo Araújo (Republicanos), que declarou patrimônio de aproximadamente R$ 4 milhões, representando crescimento de 279% desde 2022, e Diego Guimarães (Republicanos), com acréscimo de 206%. Entre os bens declarados estão terrenos e outros ativos. As informações apresentadas pelos candidatos permitem ao eleitor identificar as variações registradas oficialmente, mas não determinam, por si mesmas, a existência de qualquer irregularidade.

Na direção oposta, Ondanir Bortoline, o Nininho (Republicanos) e Wilson Santos (PSD) foram os únicos deputados estaduais mencionados nos dados com redução patrimonial em relação à declaração anterior. Wilson Santos apresentou queda de aproximadamente 42%, passando de R$ 450,6 mil em 2022 para R$ 262,1 mil. Nininho, apesar de permanecer entre os parlamentares milionários, registrou redução de cerca de 13%, equivalente a quase R$ 1 milhão em relação ao patrimônio anteriormente declarado.

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A liderança em patrimônio total, entretanto, pertence a Carlos Avallone (PSDB), que declarou aproximadamente R$ 33 milhões em bens. O conjunto informado inclui imóveis, terras, embarcação, animais e aplicações financeiras. Na sequência aparecem Júlio Campos (UB), com cerca de R$ 31,5 milhões, e Dilmar Dal Bosco (UB), com aproximadamente R$ 26 milhões.

Os números demonstram que crescimento percentual e riqueza acumulada são indicadores distintos e não devem ser confundidos na avaliação das declarações.

Na bancada federal de Mato Grosso, também foram registradas oscilações relevantes. Coronel Fernanda (PL), que havia declarado aproximadamente R$ 1,7 milhão em 2022, informou agora patrimônio de cerca de R$ 384 mil, redução de 78%. Nelson Barbudo (PL) apresentou queda de 55%, enquanto Juarez Costa (Republicanos) e Emanuelzinho Pinheiro (PSD) também registraram diminuição. José Medeiros (PL), que disputa uma vaga ao Senado e não concorre à reeleição para a Câmara Federal, apresentou crescimento patrimonial de 40%, alcançando aproximadamente R$ 356 mil.

Entre os deputados federais, Fábio Garcia (UB) aparece como o mais rico, com patrimônio declarado de aproximadamente R$ 4,1 milhões, mantendo nível semelhante ao registrado anteriormente. Rodrigo da Zaeli (PL) e Juarez Costa (Republicanos) também figuram entre os parlamentares milionários, com cerca de R$ 1,7 milhão e R$ 1,9 milhão, respectivamente.

As declarações patrimoniais, portanto, oferecem ao eleitor uma fotografia financeira dos candidatos, mas a interpretação dos dados exige cautela: aumentos ou reduções de bens não comprovam, isoladamente, irregularidades e devem ser confrontados com as respectivas fontes de renda e documentos disponíveis.

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