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SONHO FUTURÍSTICO

Avenida Contorno Leste: “Uma obra que precisa ter ousadia para realizar”

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No corredor de acesso ao gabinete do prefeito Emanuel Pinheiro, um quadro pendurado na parede ganha destaque e, de imediato, chama a atenção daqueles que passam pelo espaço. Nele, uma pequena linha tracejada corta o mapa que retrata a imensidão do território cuiabano. Indo praticamente de uma ponta a outra da cidade, o traçado desenhado é a representação de um sonho de 17,3 quilômetros chamado Avenida Contorno Leste.

O Contorno Leste já começa a ganhar forma ao longo dos cerca de 50 bairros pelo qual passará. Neste momento, as primeiras intervenções de terraplanagem já foram executadas e a rede de drenagem de águas pluviais começa a ser edificada. Paralelo ao trabalho estrutural, também é cumprida a etapa de desapropriação de áreas e imóveis para a construção do novo corredor de mobilidade urbana.

O Senador do Partido Democrata (DEM), Jayme Veríssimo de Campos, visitou o canteiro da obra, juntamente com o vice-prefeito José Roberto Stopa e com o secretário municipal de Habitação e Regularização Fundiária, Leonardo Leão.

O Senador mato-grossense Jayme Campos destacou a coragem da gestão do prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) e vice-prefeito José Roberto Stopa de colocar em prática o projeto da Avenida Contorno Leste, que será a maior via já construída em Cuiabá.

Segundo Jayme Campos, a Capital está tendo o privilégio de ver uma obra dessa magnitude sendo executada, que irá beneficiar diretamente mais de 50 bairros. Ele lembrou que o Município está investindo mais de R$ 125 milhões na construção de mais de 17 quilômetros de avenida com pista dupla, ciclovia, calçada, iluminação de LED, além do levantamento de uma nova ponte de concreto sobre o Rio Coxipó.

Viemos fazer uma visita na construção do Contorno Leste, onde foi possível constatar com quanto essa é uma obra exuberante. Cumprimento o prefeito Emanuel Pinheiro e o vice-prefeito Stopa pela coragem. Essa é uma obra que precisa ter ousadia para realizar, não só pelo valor que está sendo investido, mas sobretudo pelos enfrentamentos que têm que ser feitos, como no caso das desapropriações”, disse.

Jayme Campos enfatizou ainda a qualidade dos serviços executados ao longo de todo o trecho do futuro corredor de mobilidade urbana.

Estamos vendo uma obra completa, com ponte, drenagem, e que marca qualquer administração. Somente ela já vale a gestão do prefeito Emanuel Pinheiro e do secretário Stopa. É uma obra que irá atender diversas regiões e que beneficia uma grande parcela da população cuiabana”, completou.

O vice-prefeito e secretário de Obras Públicas de Cuiabá, José Roberto Stopa, agradeceu a visita do Senador Jayme Campos e frisou que, neste momento, a obra conta com diversas frentes de trabalho, que têm permitido uma plena evolução. Além dos trabalhos de terraplanagem e edificação da rede de drenagem em diferentes trechos, também está em andamento a etapa de fundação da ponte sobre o Rio Coxipó.

A obra está dividida em dois percursos, sendo um de 11 quilômetros, entre o rio e a Rodovia Emanuel Pinheiro, e outro de cerca de seis quilômetros, entre a Avenida Fernando Corrêa e o rio. Isso soma-se com a construção da ponte. Cada um desses processos é executado por uma empresa diferente, sob a nossa incansável fiscalização. Os desafios são enormes, mas temos a certeza de que estamos entrando para a história, relatou Stopa.

O PROJETO

Idealizada para ser a maior obra de infraestrutura dos últimos 50 anos, a Avenida Contorno Leste contará, ao longo de sua extensão, com todos os componentes de uma grande estrutura de mobilidade urbana. Conforme o projeto, a via terá 17,3 quilômetros de pista dupla, cada uma delas constituídas por duas faixas de rolamento, de 3,60 metros, e acostamento. A avenida possuirá também ciclovia em todo o seu prolongamento, calçada e canteiro central.

Além disso, em pontos estratégicos, serão construídas ao menos 13 rotatórias e uma ponte sobre o Rio Coxipó. Na construção, será investido R$ 125 milhões, oriundos de uma operação de crédito formalizada com a Caixa Econômica Federal (CEF).

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Política

Teia de suspeitas do VLT e impasse do BRT tensionam relação entre “Governo” e “Oposição”

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A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) converteu-se no cenário de um intenso embate político que paralisou o debate sobre a infraestrutura local. O episódio ocorreu durante uma Audiência Pública de prestação de contas que acabou por desviar o foco técnico para antigas disputas eleitorais. A sessão, que deveria esclarecer o andamento das obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), transformou-se em uma arena de acusações recíprocas entre a base governista e a oposição. O impasse reflete a profunda polarização que historicamente caracteriza a gestão das grandes obras de mobilidade urbana na capital mato-grossense.

O debate centralizador das discussões ocorreu no Palácio Dante de Oliveira, sede do Poder Legislativo do Estado de Mato Grosso, localizada no Centro Político Administrativo de Cuiabá. A escolha do local conferiu caráter oficial e solene ao encontro, que reuniu parlamentares, gestores públicos e representantes da sociedade civil organizada. A capital, que convive há mais de uma década com os transtornos decorrentes de projetos de transporte inacabados, serviu como pano de fundo geográfico e social para o confronto. O ambiente do plenário, marcado por discursos inflamados e questionamentos incisivos, evidenciou a urgência das respostas demandadas pela população cuiabana.

A reunião deliberativa aconteceu nesta terça-feira, momento em que o cronograma físico e financeiro do BRT voltou a ser oficialmente questionado pela Comissão Parlamentar competente. O agendamento da Audiência Pública atendeu a um requerimento de urgência apresentado pela oposição, motivado pelas sucessivas dilações nos prazos de entrega das vias exclusivas de transporte. A temporalidade do evento revelou-se estratégica, ocorrendo em um período de crescente cobrança social pela retomada e finalização dos corredores estruturais de trânsito na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.

O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística do Estado de Mato Grosso (SINFRA/MT), Marcelo de Oliveira, conhecido politicamente como Marcelo “Padeiro”, figurou como o principal convocado para prestar os esclarecimentos técnicos necessários. O gestor, contudo, optou por retirar-se do recinto parlamentar antes da formulação das perguntas cruciais pelos deputados da oposição, gerando forte descontentamento no plenário.

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A conduta do secretário foi interpretada pela bancada oposicionista como uma deliberada esquiva diante das responsabilidades administrativas referentes aos contratos e aditivos vigentes.

A convocação oficial da autoridade governamental deu-se em razão da necessidade imperiosa de esclarecer os motivos das constantes paralisações e o encarecimento das obras do BRT. O projeto atual, que substituiu o antigo modelo de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), é alvo de investigações que apontam suposta falta de planejamento e excesso de contratações diretas sem licitação. Os deputados estaduais exigiam a apresentação detalhada de planilhas de custos e a justificativa para a escolha de consórcios específicos para a execução dos lotes remanescentes.

A controvérsia instalou-se em virtude do abandono da sessão pelo secretário e das posteriores declarações do governador Otaviano Pivetta, do partido Republicanos, que saiu em defesa de seu colaborador. O chefe do Executivo Estadual descaracterizou as cobranças técnicas da oposição ao sugerir que a campanha eleitoral de 2012 do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), fora financiada com desvios do extinto projeto do VLT.

Esse movimento retórico redirecionou a pauta de fiscalização orçamentária para o campo das suspeitas criminais pretéritas, inflamando o ambiente político estadual e deslocando o foco das atuais falhas de execução do BRT.

Os parlamentares estaduais utilizaram-se dos mecanismos constitucionais de fiscalização do Poder Executivo, amparados pelo regimento interno da Casa de Leis e pela prerrogativa de controle externo da administração pública. A inquirição dos secretários de Estado constitui um dever do parlamento e um direito do cidadão ao acesso à informação e à transparência pública. A utilização desse instrumento de controle democrático visa garantir que os recursos públicos sejam aplicados em conformidade com os princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa.

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A complexidade operacional e financeira que envolve a transição do modelo de VLT para o BRT justifica a intensa preocupação dos órgãos de controle e dos representantes do Legislativo. Um dos pontos de maior atrito consiste no expressivo aumento do valor de um lote licitado, cujo custo inicial saltou de R$ 68 milhões para expressivos R$ 120 milhões em apenas dois meses.

A dispensa de licitação concedida sistematicamente a uma única empresa construtora agravou as suspeitas de favorecimento, motivando pedidos de auditoria detalhada junto ao Tribunal de Contas do Estado.

O impacto imediato desse novo embate político consiste no severo travamento da interlocução institucional entre o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. As declarações de Otaviano Pivetta geraram forte reação do deputado petista Lúdio Cabral, que refutou veementemente as acusações de corrupção eleitoral e prometeu acionar os meios jurídicos cabíveis para restabelecer sua honra. A judicialização da disputa política tende a prolongar o clima de instabilidade, prejudicando a aprovação de matérias de interesse público e a própria fiscalização das obras de mobilidade urbana.

A sociedade mato-grossense permanece como a principal prejudicada pelo prolongamento indefinido dos canteiros de obras que obstruem o tráfego e deterioram o comércio de Cuiabá. Enquanto as lideranças políticas priorizam a disputa de narrativas sobre eventos ocorridos há mais de uma década, o cronograma do BRT segue sem uma definição concreta de entrega.

A expectativa coletiva por um sistema de transporte coletivo moderno e eficiente continua frustrada pela crônica incapacidade de planejamento e pela constante partidarização das soluções de infraestrutura pública.

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