PROCURA-SE UM VEREADOR
Ex-vereador some para não ser intimado pela Justiça
“Certifico que realizei diligências ao endereço descrito no mandado, qual seja, Avenida Arquimedes Pereira Lima, no bairro Jardim Leblon em Cuiabá, sendo a última no dia 15/01/2025. Na portaria fui atendido por Marcelo, que tentou contato com o referido apto, porém não havia ninguém em casa. Solicitei acesso e dirigi-me até o referido apto acompanhado pelo segurança do prédio, porém não havia ninguém no imóvel. Indagado, o segurança informou que há vários dias não observa movimentação no local. Tentei contato através do telefone indicado no mandado porém pelo app WhatsApp não obtive resposta, por ligação de voz o número estava desligado. Diante do exposto, devolvo o respeitável mandado para as providências cabíveis”.
Foi o relatório do oficial de Justiça quando de inúmeras tentativas de intimar o ex-vereador Paulo Henrique Figueiredo (MDB) que está desaparecido. O parlamentar é acusado de participação com o crime organizado nas eleições municipais. O oficial de justiça responsável pelo cumprimento do mandado tentou diversas vezes encontrá-lo no endereço registrado, na Avenida Arquimedes Pereira Lima, em Cuiabá, mas não obteve sucesso.
O ex-vereador Paulo Henrique de Figueiredo (MDB) foi preso durante operação da Polícia Federal (PF) em ação que investiga a lavagem de dinheiro do tráfico de drogas em casas noturnas da cidade em 2024. As investigações apontam que o grupo também contava com servidores que facilitavam as licenças para funcionamento do local, e promovia shows de MCs famosos.
A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Mato Grosso (Ficco/MT) mobilizou 70 policiais para cumprir 15 medidas cautelares, expedidas pelo Núcleo de Inquéritos Policiais de Cuiabá (Nipo). Entre eles, um mandado de prisão preventiva, sete de busca e apreensão, o sequestro de seis veículos e um imóvel e o bloqueio de contas bancárias, a ação foi batizada de “Operação Pubblicare“.
A “Operação Pubblicare“ decorre do desmembramento da “Operação Ragnatela“, deflagrada em junho deste, quando a Ficco desarticulou um grupo criminoso que teriam adquirido uma casa noturna em Cuiabá pelo valor de R$ 800 mil. A compra foi paga em espécie, com o lucro auferido de atividades ilícitas. A partir de então, os suspeitos passaram a realizar shows de MCs nacionalmente conhecidos, custeados pela facção criminosa carioca Comando Vermelho (CV) e promoters.
Intimação sem sucesso
O mandado de intimação contra o ex-parlamentar Paulo Henrique de Figueiredo (MDB), foi expedido em 12 de novembro de 2024, e consta no documento judicial que o porteiro do prédio informou que: “há vários dias não observa movimentação no local”.
Além disso, o oficial tentou contato com o vereador por telefone e WhatsApp, mas também sem sucesso. A última tentativa do oficial ocorreu em 15 de janeiro deste ano.
“Pelo app WhatsApp não obtive resposta, por ligação de voz o número estava desligado”, registrou na certidão de devolução do mandado.
Em razão da falta de sucesso nas tentativas de localização, a Justiça determinou novas providências. E consta no despacho judicial que:
“Por determinação do MM. Juiz de Direito, Jean Garcia de Freitas Bezerra, solicito à Central de Mandados de Cuiabá o cumprimento de mandado de citação expedido em face de Paulo Henrique Figueiredo. O mandado fora distribuído ao Oficial de Justiça (à), assim, em razão do decurso do tempo, pedimos que sejam tomadas as providências necessárias e o devido cumprimento”.
Política
Articulação de Mauro Carvalho consolida “Aliança Ampla” e isola adversários políticos
O secretário-chefe da Casa Civil de Mato Grosso, Mauro Carvalho, cravou de forma categórica a inclusão do Podemos no arco oficial de alianças que sustentará o projeto de reeleição do governador Otaviano Pivetta do partido Republicanos. A declaração, proferida em Cuiabá durante a inauguração da nova sede do partido governista, reorganiza o tabuleiro político local ao formalizar o apoio de uma das legendas mais cobiçadas do estado. O anúncio oficial impacta diretamente as estratégias de oposição e solidifica a base aliada em torno do atual chefe do Executivo estadual.
A manifestação pública ocorreu durante a solenidade de inauguração da nova sede do Republicanos na capital mato-grossense, um evento que reuniu as principais lideranças da direita e do centro no estado. O momento escolhido para a declaração não foi casual, aproveitando a forte presença da imprensa e de correligionários para demonstrar força institucional. O anúncio serviu como uma demonstração de unidade política em um período crucial de definições partidárias, transformando o ato inaugural em um palanque de consolidação de poder.
A confirmação da aliança pelo chefe da Casa Civil visa neutralizar potenciais fraturas internas e consolidar a pré-candidatura de Otaviano Pivetta ao Palácio Paiaguás, reduzindo o espaço de manobra de candidaturas concorrentes. Ao antecipar a composição partidária. Mauro Carvalho busca transmitir uma imagem de estabilidade e governabilidade, atraindo novas legendas para o consórcio governista. A estratégia também atua como um desincentivo para que partidos aliados ensaiem voos solos ou migrem para blocos de oposição.
O movimento estratégico envolve diretamente o deputado estadual Max Russi, presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), e comandante do Podemos no estado, cujo nome figurava entre os cotados para a disputa majoritária.
A inclusão formal da legenda de Max Russi no bloco governista neutraliza um concorrente de peso e vincula o Legislativo ao projeto de reeleição. Além do Podemos, o arco de forças conta com o PSDB, o União Brasil e o Partido Progressistas (PP), este último mantido no grupo mesmo após recentes divergências internas em sua convenção.

O processo de aglutinação partidária estruturou-se por meio de reuniões políticas semanais coordenadas por Mauro Carvalho, nas quais foram traçadas as diretrizes programáticas e as táticas eleitorais do grupo governista. Essas articulações de bastidores foram aceleradas pela recente migração de prefeitos e lideranças municipais para o Republicanos, fortalecendo a capilaridade da sigla no interior. A construção da aliança baseou-se na oferta de participação ativa na futura gestão e no alinhamento de projetos de desenvolvimento regional.
A consolidação desse bloco político explica-se pela necessidade de conferir densidade eleitoral e capilaridade geográfica à candidatura de Otaviano Pivetta, unindo partidos de forte expressão municipalista. Em um estado com as dimensões de Mato Grosso, o apoio de prefeitos e de presidentes partidários influentes é considerado indispensável para garantir a vitória nas urnas.
O pacto busca também blindar a gestão estadual de desgastes políticos, assegurando uma base parlamentar sólida na Assembleia Legislativa Mato-grossense.
Embora Mauro Carvalho tenha dado como certa a aliança, o presidente do Podemos, Max Russi, adotou um tom diplomático e desconversou ao ser questionado pela imprensa sobre o apoio formal e imediato a Pivetta. Russi negou publicamente que sua legenda imponha condições, como a indicação da vaga de vice-governador, para integrar a chapa majoritária nas próximas eleições. O parlamentar ponderou que a escolha do vice compete exclusivamente ao candidato ao governo, embora tenha ressaltado que o Podemos possui quadros preparados.
A reviravolta no cenário partidário ganhou contornos de disputa pessoal após a destituição repentina de Mauro Carvalho da presidência do Partido da Renovação Democrática (PRD), ocorrida em março passado. A mudança no comando da sigla foi articulada pela deputada estadual Janaína Riva (MDB), que emplacou o ex-vereador Aluízio Lima Pereira na presidência.

Em resposta ao que chamou de “negociata”, Carvalho coordenou a debandada imediata de quatro prefeitos do PRD para o Republicanos, esvaziando a legenda adversária.
A migração dos prefeitos Rodrigo Luiz Benassi (Colíder), Gilmar Wentz (Querência), Sidnei Marques (Indiavaí) e Nei da Farmácia (Juara) alterou o equilíbrio de forças nos principais polos agrícolas do estado. Mauro Carvalho classificou a filiação em massa dos gestores municipais como um “banho na alma” e uma resposta política legítima à rasteira partidária sofrida. O secretário afirmou que a estratégia dos adversários “saiu pela culatra”, prevendo o isolamento total do PRD após o fechamento da “Janela Partidária”.
O desfecho dessa intensa movimentação de bastidores redefine as forças políticas em Mato Grosso, consolidando o grupo de Otaviano Pivetta como a força majoritária a ser batida. A capacidade de reação do chefe da Casa Civil transformou um revés partidário em uma demonstração de força que atraiu o Podemos e esvaziou legendas rivais.
O cenário atual projeta uma campanha polarizada, na qual a densidade do arco de alianças governistas testará a capacidade de articulação da oposição até a abertura oficial das urnas.
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