"LULA" EM CAMPANHA
Esquerda vê com esperança eleições municipais e recebe “Lula” em Rondonópolis
Apesar de reconhecer a fragmentação nas eleições de 2018 como um fator de enfraquecimento do campo progressista, partidos ligados à esquerda enfrentam dificuldades para unir candidaturas nas eleições municipais. O desempenho em 2020 é considerado decisivo para traçar o caminho da disputa presidencial em 2022.
A menos de meses da disputa municipal, as cúpulas das legendas têm discutido as táticas eleitorais. Além de questões locais, a dificuldade de unificar candidaturas esbarra em interesses mais amplos de cada legenda. O ex-presidente Luiz Inácio “Lula” da Silva, defendeu, em entrevistas recentes, que o Partido dos Trabalhadores tenha um amplo número de candidatos para usar o tempo da propaganda eleitoral para se defender.
Os integrantes das cúpulas partidárias têm se dividido entre os interesses de cada sigla, uma busca em responder à crítica da fragmentação em 2018 e em fortalecer o campo para a corrida presidencial em 2022.
Na cidade de Rondonópolis, o Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores (PT) recebeu um comunicado de que o ex-presidente Luiz Inácio “Lula” da Silva virá no período de campanha das eleições municipais. A informação é do advogado Wendel Girotto, presidente do Partido dos Trabalhadores de Rondonópolis.
“Era para o Lula vir à cidade antes da pandemia do novo “Coronavírus”, mas agora recebemos um comunicado de que a visita será durante a campanha das eleições municipais que podem ocorrer em outubro, como está previsto, ou no mês de dezembro. Isso ainda não foi definido”.
Ele explica que a previsão é que Lula visitará, em Mato Grosso, primeiramente Cuiabá e Várzea Grande, depois Rondonópolis e Barra Garças.
“São cidades polos onde o PT terá candidatura a prefeito. Esta visita do Lula é para impulsionar estas candidaturas e também se fortalecer para as eleições de 2022”, explicou Wendel Girotto.
Está previsto que, paralelo às eleições municipais, ocorra no Estado a eleição suplementar para a vaga de Mato Grosso no Senado, após a cassação da ex-senadora Selma Rosane Santos Arruda, do Partido Podemos. A visita de Lula no Estado também é para fazer campanha para o candidato do PT, que deverá disputar o Senado da Republica.
Na cidade de Rondonópolis, o PT tem a pré-candidatura a prefeito do médico Kleber Júlio Amorim da Silva, 47 anos, clínico-geral. Na eleição suplementar para o Senado tem a pré-candidatura do deputado estadual Valdir Barranco.
Política
Câmara de Várzea Grande articula CPI para investigar sucateamento e irregularidades no Transporte Coletivo
O sistema de transporte coletivo de Várzea Grande enfrenta uma iminente investigação legislativa após a consolidação do número necessário de assinaturas para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal da Cidade Industrial. A iniciativa parlamentar visa apurar denúncias formais de descumprimento contratual e precarização dos serviços oferecidos à população.
A União Transporte, principal concessionária operadora do serviço no município, figura como o alvo central das investigações. A empresa, de propriedade do empresário Rômulo Botelho, irmão do deputado estadual José Eduardo Botelho (MDB), atua sob a gestão da Associação dos Transportadores Urbanos (MTU), entidade que congrega as cinco concessionárias do setor na Região Metropolitana.
A instauração do procedimento fiscalizatório ocorrerá formalmente na próxima terça-feira, dia 27 de maio, durante a Sessão Ordinária no Plenário da Casa de Leis. Nesta data, o requerimento será lido publicamente, ato que precede o sorteio técnico para a definição dos vereadores que assumirão as funções estratégicas de presidente e relator do bloco de inquérito.

O estopim para a mobilização do Poder Legislativo fundamenta-se em um robusto histórico de falhas operacionais graves, caracterizado pela circulação de uma frota visivelmente inferior à meta estipulada no contrato de concessão vigente.
Somam-se a isso relatórios técnicos que apontam para a obsolescência dos veículos, severas deficiências nos mecanismos de acessibilidade universal e descumprimento crônico dos itinerários estabelecidos.
A decisão de criar a comissão parlamentar foi chancelada por um grupo suprapartidário composto por dez vereadores: Adilsinho, Bruno Rios, Caio Cordeiro, Carlinhos Figueiredo, Charles da Educação, Cleyton Nassarden, Jânio Calistro, Joaquim Antunes, Lucas Chapéu do Sol e Rosy Prado.
A convergência desses parlamentares reflete o desgaste político e social gerado pela insatisfação generalizada da comunidade com a infraestrutura urbana local.
Os parlamentares recorreram à prerrogativa constitucional da CPI devido à insuficiência das medidas administrativas anteriores e à necessidade de detalhar o fluxo financeiro e operacional da concessão. A suspeita de favorecimento e a falta de transparência na fiscalização dos contratos anteriores motivaram os representantes a buscar instrumentos jurídicos de maior poder coercitivo e de auditoria profunda.
O cenário de degradação atinge de forma direta e severa a Cidade Industrial, o maior polo socioeconômico de Várzea Grande, e espalha-se pelas periferias conectadas à capital. Os usuários do sistema enfrentam rotineiramente veículos obsoletos desprovidos de climatização sob temperaturas extremas, infiltrações estruturais durante o período chuvoso e abrigos públicos depredados e desprotegidos contra as intempéries climáticas.

O agravamento da crise estrutural decorre, segundo analistas e lideranças comunitárias, do distanciamento geográfico e gerencial de parte dos grupos empresariais que controlam o setor, uma vez que diversas dessas organizações possuem matrizes fora do Estado de Mato Grosso.
Essa configuração societária dificulta o alinhamento das metas operacionais com as demandas reais e cotidianas da população várzea-grandense.
Os desdobramentos atuais conectam-se a fiscalizações prévias realizadas pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT) e pelo Ministério Público Estadual (MPE). O órgão ministerial, inclusive, interveio recentemente por meio de uma mesa técnica, estabelecendo um cronograma emergencial de obrigações estruturais para permitir a continuidade temporária e condicionada da prestação dos serviços pela empresa concessionária.
A expectativa da sociedade civil e dos movimentos sociais concentra-se na democratização das decisões regulatórias, com a exigência de audiências públicas frequentes e auditoria cidadã nos custos tarifários. Até que os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) produzam efeitos práticos na gestão municipal, a rotina dos trabalhadores locais permanecerá sob o estigma dos atrasos crônicos, do desconforto térmico e do improviso logístico.
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