BUSCANDO APOIO NA CASA DE LEIS
Emanuel Pinheiro faz corpo a corpo na Câmara buscando maioria dos votos para aprovação de suas contas
O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT) apresentou parecer prévio contrário à aprovação das contas anuais da Prefeitura Municipal de Cuiabá, referente ao ano de 2022.
Mesmo a Prefeitura Municipal de Cuiabá tendo cumprido com os percentuais constitucionais e legais relacionados à Educação, Saúde e Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), além de repasses ao Poder Legislativo e gastos com o Poder Executivo, foi constatado um déficit orçamentário de R$ 191 milhões, aliado a uma indisponibilidade financeira global de R$ 306 milhões, e, por fontes, de R$ 375 milhões.
O relator Antônio Joaquim, Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT), classificou a situação financeira da gestão como “preocupante” e afirmou que compromete de sobremaneira o equilíbrio das contas públicas.
O resultado, segundo o Conselheiro, reflete o descontrole da gestão com o orçamento público desde 2017, e evidenciou aumento da dívida consolidada líquida, que passou de R$ 353 milhões em 2017, início da gestão, para mais de R$ 1,2 bilhão no exercício de 2022.
O Conselheiro ainda disse que a atual gestão não deixou recursos para honrar os compromissos inscritos em restos a pagar, tanto de forma global como por fontes de recursos, de forma que a gestão arrasta um histórico de indisponibilidade, inclusive nas mesmas fontes, sem qualquer menção de melhora.
A Prefeitura de Cuiabá afirmou que mais de 70% do volume da dívida consolidada é resultado de administrações anteriores. Além disso, a atual Dívida Consolidada Líquida (DCL) do município está abaixo do limite legal de comprometimento em relação à Receita Corrente Líquida (RCL).
Decisão do relator
Após as votações dos Conselheiros, Antônio Joaquim determinou à gestão da Prefeitura de Cuiabá:
– Adoção de mecanismos de ajuste fiscal
– Observância de normas de elaboração das demonstrações contábeis
– Adoção urgente de providências para a manutenção de equilíbrio financeiro
-Instauração de processo de tomada de contas especial para a apuração da ocorrência dos danos ao erário pelos pagamentos de juros e multas incidentes sobre o recolhimento em atraso das contribuições previdenciárias do exercício de 2022.
A decisão do relator em emitir um parecer prévio contrário à aprovação, se dá após irregularidades, classificadas por ele como: “gravíssima e graves, que comprometem o equilíbrio das contas públicas e evidenciam uma atuação ilegítima, ineficiente e ineficaz da gestão“.
Relatório do TCE ainda será submetido à análise das comissões da Casa de Leis
As contas do Prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), relacionadas ao ano de 2022, cujo relatório o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT) recomenda a reprovação por conta de um déficit de R$ 1,2 bilhão, começou a ser votado nesta sexta-feira (2) na Câmara Municipal de Cuiabá.
Agora, o relatório será encaminhado à Comissão de Execução Orçamentária e, posteriormente, à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Em seguida, é remetida ao plenário para votação.
O vereador Francisco Carlos Amorim, o Chico 2000 (PL), presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, informou que a votação final deverá ocorrer no prazo de 60 dias.
“Após as devidas formalidades, acredito que será dentro deste prazo. Será o suficiente“,explicou.
Penalidades ao gestor
Conforme a Lei Complementar 135/2010, a popular “Lei da Ficha Limpa”, se houver a reprovação das contas pelo plenário da Câmara Municipal de Cuiabá, o Prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro se torna inelegível pelos próximos anos, o que proíbe a candidatura dos condenados em órgãos colegiados.
Para a reprovação das contas de Emanuel Pinheiro, se concretizar, serão necessários 17 votos. Hoje, o Chefe do Executivo Municipal, ainda tem a maioria dos parlamentares em sua base aliada.
O presidente da Comissão de Fiscalização e Acompanhamento da Execução Orçamentária (CFAO) da Câmara de Vereadores de Cuiabá, vereador Demilson Nogueira (PP), relator do processo das contas do prefeito cuiabano, informou que a prestação de contas do exercício de 2022 do Prefeito de Cuiabá, começa a tramitar na Casa de Leis, mais especificamente nas Comissões.
Demilson Nogueira garantiu ainda que apresentará o seu relatório na Comissão de Fiscalização já nesta semana, e acredita que a análise terá um processo rápido na Casa de Leis. O vereador adiantou que o seu parecer será pela reprovação das contas, acompanhando a decisão do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT).
Corpo a corpo de Pinheiro
Tentando evitar que suas contas sejam reprovadas pelos vereadores de Cuiabá, relacionadas ao exercício 2022, conforme parecer do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT). Emanuel Pinheiro (MDB) decidiu partir para o “corpo a corpo” com os vereadores da base governista na Câmara Municipal.
E segundo informações, Emanuel Pinheiro já está em conversação com todos os vereadores aliados para expor seus argumentos técnicos, naquilo que tange as contas que foram rejeitadas pelo Tribunal de Contas, agora cabe um parlamentar dizer o seu voto para a população.
O motivo desse corpo a corpo, foi motivado depois de declarações de alguns dos parlamentares de oposição afirmando que estariam trabalhando para a reprovação de suas contas relacionadas ao exercício 2022.
Rogério Varanda (MDB), e Jeferson Siqueira (PSD), disseram que vão seguir o parecer do TCE pela reprovação das contas, outros dois sendo o vereador Rodrigo Arruda e Sá (Cidadania) e Lilo Pinheiro afirmaram que estão analisando o parecer o órgão de fiscalização para então emitir seu voto no “tempo oportuno”.
Política
Teia de suspeitas do VLT e impasse do BRT tensionam relação entre “Governo” e “Oposição”
A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) converteu-se no cenário de um intenso embate político que paralisou o debate sobre a infraestrutura local. O episódio ocorreu durante uma Audiência Pública de prestação de contas que acabou por desviar o foco técnico para antigas disputas eleitorais. A sessão, que deveria esclarecer o andamento das obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), transformou-se em uma arena de acusações recíprocas entre a base governista e a oposição. O impasse reflete a profunda polarização que historicamente caracteriza a gestão das grandes obras de mobilidade urbana na capital mato-grossense.
O debate centralizador das discussões ocorreu no Palácio Dante de Oliveira, sede do Poder Legislativo do Estado de Mato Grosso, localizada no Centro Político Administrativo de Cuiabá. A escolha do local conferiu caráter oficial e solene ao encontro, que reuniu parlamentares, gestores públicos e representantes da sociedade civil organizada. A capital, que convive há mais de uma década com os transtornos decorrentes de projetos de transporte inacabados, serviu como pano de fundo geográfico e social para o confronto. O ambiente do plenário, marcado por discursos inflamados e questionamentos incisivos, evidenciou a urgência das respostas demandadas pela população cuiabana.
A reunião deliberativa aconteceu nesta terça-feira, momento em que o cronograma físico e financeiro do BRT voltou a ser oficialmente questionado pela Comissão Parlamentar competente. O agendamento da Audiência Pública atendeu a um requerimento de urgência apresentado pela oposição, motivado pelas sucessivas dilações nos prazos de entrega das vias exclusivas de transporte. A temporalidade do evento revelou-se estratégica, ocorrendo em um período de crescente cobrança social pela retomada e finalização dos corredores estruturais de trânsito na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.
O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística do Estado de Mato Grosso (SINFRA/MT), Marcelo de Oliveira, conhecido politicamente como Marcelo “Padeiro”, figurou como o principal convocado para prestar os esclarecimentos técnicos necessários. O gestor, contudo, optou por retirar-se do recinto parlamentar antes da formulação das perguntas cruciais pelos deputados da oposição, gerando forte descontentamento no plenário.
A conduta do secretário foi interpretada pela bancada oposicionista como uma deliberada esquiva diante das responsabilidades administrativas referentes aos contratos e aditivos vigentes.
A convocação oficial da autoridade governamental deu-se em razão da necessidade imperiosa de esclarecer os motivos das constantes paralisações e o encarecimento das obras do BRT. O projeto atual, que substituiu o antigo modelo de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), é alvo de investigações que apontam suposta falta de planejamento e excesso de contratações diretas sem licitação. Os deputados estaduais exigiam a apresentação detalhada de planilhas de custos e a justificativa para a escolha de consórcios específicos para a execução dos lotes remanescentes.
A controvérsia instalou-se em virtude do abandono da sessão pelo secretário e das posteriores declarações do governador Otaviano Pivetta, do partido Republicanos, que saiu em defesa de seu colaborador. O chefe do Executivo Estadual descaracterizou as cobranças técnicas da oposição ao sugerir que a campanha eleitoral de 2012 do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), fora financiada com desvios do extinto projeto do VLT.
Esse movimento retórico redirecionou a pauta de fiscalização orçamentária para o campo das suspeitas criminais pretéritas, inflamando o ambiente político estadual e deslocando o foco das atuais falhas de execução do BRT.
Os parlamentares estaduais utilizaram-se dos mecanismos constitucionais de fiscalização do Poder Executivo, amparados pelo regimento interno da Casa de Leis e pela prerrogativa de controle externo da administração pública. A inquirição dos secretários de Estado constitui um dever do parlamento e um direito do cidadão ao acesso à informação e à transparência pública. A utilização desse instrumento de controle democrático visa garantir que os recursos públicos sejam aplicados em conformidade com os princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa.
A complexidade operacional e financeira que envolve a transição do modelo de VLT para o BRT justifica a intensa preocupação dos órgãos de controle e dos representantes do Legislativo. Um dos pontos de maior atrito consiste no expressivo aumento do valor de um lote licitado, cujo custo inicial saltou de R$ 68 milhões para expressivos R$ 120 milhões em apenas dois meses.
A dispensa de licitação concedida sistematicamente a uma única empresa construtora agravou as suspeitas de favorecimento, motivando pedidos de auditoria detalhada junto ao Tribunal de Contas do Estado.
O impacto imediato desse novo embate político consiste no severo travamento da interlocução institucional entre o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. As declarações de Otaviano Pivetta geraram forte reação do deputado petista Lúdio Cabral, que refutou veementemente as acusações de corrupção eleitoral e prometeu acionar os meios jurídicos cabíveis para restabelecer sua honra. A judicialização da disputa política tende a prolongar o clima de instabilidade, prejudicando a aprovação de matérias de interesse público e a própria fiscalização das obras de mobilidade urbana.
A sociedade mato-grossense permanece como a principal prejudicada pelo prolongamento indefinido dos canteiros de obras que obstruem o tráfego e deterioram o comércio de Cuiabá. Enquanto as lideranças políticas priorizam a disputa de narrativas sobre eventos ocorridos há mais de uma década, o cronograma do BRT segue sem uma definição concreta de entrega.
A expectativa coletiva por um sistema de transporte coletivo moderno e eficiente continua frustrada pela crônica incapacidade de planejamento e pela constante partidarização das soluções de infraestrutura pública.
-
Artigos5 dias atrásAo produtor rural, com respeito
-
Artigos4 dias atrásUm apelo ao STF
-
Política6 dias atrásCorte de Contas rejeita denúncia contra Prefeito de Cuiabá por suposto uso de servidores em redes sociais
-
Política6 dias atrásUnião Brasil projeta liberdade de apoio e afasta risco de ruptura interna
-
Política4 dias atrásCenário de “oposição” ganha força com disputa pela Mesa Diretora em Cuiabá
-
Artigos4 dias atrásNova droga aprovada pela Anvisa controla fogachos e outros sintomas associados à menopausa
-
Artigos6 dias atrásExiste, de fato, um livre-arbítrio?
-
ESPORTES6 dias atrásFortaleza transfere duelo contra o Palmeiras para a Arena Pantanal


