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POLÊMICA DO EMPRESTIMO DA PREFEITURA DE CUIABÁ

Emanuel critica manifestação de Abílio pela revogação do empréstimo

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Um Projeto de Lei que autoriza a Prefeitura Municipal de Cuiabá pedir empréstimo de R$ 139 milhões junto ao Banco do Brasil, foi aprovado pela Câmara Municipal de Cuiabá (MT) em regime de urgência depois de muitas polêmicas. O empréstimo será realizado no último ano do mandato de Emanuel Pinheiro (MDB).

No projeto apresentado pela Prefeitura de Cuiabá, prevê que R$ 75 milhões serão destinados para instalação de usinas fotovoltaicas; R$ 50 milhões vão para obras da Avenida Contorno Leste; R$ 9,5 milhões para recapeamento asfáltico; R$ 4,5 milhões para o Mercado do Porto.

Polêmica do empréstimo

Primeiro a se manifestar foi o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT), em um decisão assinada pelo Conselheiro José Carlos Novelli, determinando que a Prefeitura de Cuiabá suspendesse a contratação de um empréstimo de R$ 139 milhões para obras no município, e solicitou ao prefeito Emanuel Pinheiro esclarecimentos sobre a viabilidade da operação, mas as justificativas apresentadas foram consideradas insuficientes.

Neste segundo momento, o vereador do Partido Progressista (PP), Demilson Nogueira, no apagar das luzes do mês de outubro, apresentou um requerimento pedindo a revogação da Lei Complementar nº 546, que autoriza o Poder Executivo a contratar um empréstimo de R$ 139 milhões junto ao Banco do Brasil, alegando a necessidade de reavaliar a autorização para um empréstimo desse porte, especialmente considerando o término da atual gestão municipal, e será submetido à votação nas comissões competentes e, posteriormente, levado ao plenário para apreciação final.

O parlamentar do Partido Progressista (PP) afirma que o Projeto de Lei é considerado de interesse público relevante, pois envolve a transparência no uso de recursos financeiros municipais, em especial diante de um novo ciclo administrativo.

Aprovação do empréstimo

Com 16 votos favoráveis e 4 contra, o pedido de empréstimo foi aprovado no mês de julho pelos vereadores. A votação foi realizada em meio a protestos dos vereadores da oposição, que reclamaram da falta de debate sobre o assunto e de outros empréstimos autorizados, anteriormente.

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A oposição criticou também a decisão, alegando a falta de planejamento orçamentário, uma vez que o empréstimo será para finalizar obras iniciadas na gestão do prefeito Emanuel Pinheiro. Além disso, destacam a dívida de mais de R$ 1 bilhão identificada pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT).

Abílio pede para não autorizar empréstimo

O deputado federal eleito Prefeito de Cuiabá nesta eleição de 27 de outubro, Abilio Jaques Brunini (PL), defendeu que os vereadores municipais não atenda o pedido do atual prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) realize o empréstimo de R$ 139 milhões junto ao Banco do Brasil para realização de obras.

Ao invés de Cuiabá contrair empréstimo com juros altos e comprometer a saúde financeira por décadas, é melhor construir investimentos por meio de parcerias com o Estado, União e emendas parlamentares. Minha recomendação é que não seja aprovado“.

Emanuel criticou a manifestação Abílio pela revogação do empréstimo

O vereador Marcrean Santos (MDB), líder do prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) na Câmara Municipal de Cuiabá, defendeu o Projeto de Lei apresentado pela Prefeitura Municipal que fosse realizado o empréstimo junto ao Banco do Brasil, afirmando que os recursos vão ser destinados para obras de Infraestrutura. Marcrean Santos alegou que a usina fotovoltaica deve gerar uma economia de cerca de R$ 1 milhão no segundo mês ao município de Cuiabá.

Emanuel Pinheiro (MDB) afirmou que este dinheiro irá ajudar Abilio Brunini em sua gestão, principalmente na conclusão do Contorno Leste e na implantação de uma usina de energia solar, e criticou a manifestação do prefeito eleito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), pela revogação do empréstimo de R$ 139 milhões ao município, obtido junto ao Banco do Brasil e aprovado pela Câmara Municipal.

É um retrocesso, não existe outra palavra. Cuiabá tem uma capacidade de endividamento extraordinária, uma capacidade de pagamento fora de série. Empréstimos como esse não é para quem quer, é para quem pode e a Prefeitura de Cuiabá, durante a minha gestão, sempre teve instituições financeiras batendo na nossa porta oferecendo recursos, porque sabem da capacidade da boa gestão fiscal da Prefeitura de Cuiabá”.

O emedebista Emanuel Pinheiro esclareceu que parte do recurso será usado para a implantação de uma usina fotovoltaica, para fornecer energia elétrica aos prédios públicos, enquanto outra parte servirá para a conclusão do Contorno Leste.

Toda essa questão técnica foi discutida, foi debatida, foi apresentada e foi aprovada. A Câmara Municipal de Cuiabá aprovou, agora a troco de quê o prefeito eleito quer revogar esse empréstimo?”.

Emanuel Pinheiro ainda falou que recebeu conselhos para que revogasse a Lei e deixasse “Abilio se ferrar”. Porém, ele disse disse que não torce contra o sucesso de Abilio na Prefeitura de Cuiabá.

Eu quero que o Abilio tenha sucesso, eu quero que ele possa fazer até muito mais do que eu fiz, entreguei, porque ele indo bem, Cuiabá vai bem e aí eu também estou bem. Eu trabalhei muito por este financiamento, isso é bom para mim, eu gostaria muito de ter executado, não pude, se é bom para mim executar, é bom para o próximo prefeito executar. Em hipótese alguma eu vou atrapalhá-lo, vou revogar, eu vou é lutar, o que eu puder fazer por Cuiabá, eu vou lutar para não fazerem isso, eu acho um retrocesso muito grande, mas a palavra final vai ser dele a partir de 1º de janeiro”.

Emanuel Pinheiro disse ainda acreditar que o prefeito eleito Abílio Brunini irá mudar de ideia assim que começar a se atualizar sobre a situação do empréstimo.

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Política

Teia de suspeitas do VLT e impasse do BRT tensionam relação entre “Governo” e “Oposição”

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A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) converteu-se no cenário de um intenso embate político que paralisou o debate sobre a infraestrutura local. O episódio ocorreu durante uma Audiência Pública de prestação de contas que acabou por desviar o foco técnico para antigas disputas eleitorais. A sessão, que deveria esclarecer o andamento das obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), transformou-se em uma arena de acusações recíprocas entre a base governista e a oposição. O impasse reflete a profunda polarização que historicamente caracteriza a gestão das grandes obras de mobilidade urbana na capital mato-grossense.

O debate centralizador das discussões ocorreu no Palácio Dante de Oliveira, sede do Poder Legislativo do Estado de Mato Grosso, localizada no Centro Político Administrativo de Cuiabá. A escolha do local conferiu caráter oficial e solene ao encontro, que reuniu parlamentares, gestores públicos e representantes da sociedade civil organizada. A capital, que convive há mais de uma década com os transtornos decorrentes de projetos de transporte inacabados, serviu como pano de fundo geográfico e social para o confronto. O ambiente do plenário, marcado por discursos inflamados e questionamentos incisivos, evidenciou a urgência das respostas demandadas pela população cuiabana.

A reunião deliberativa aconteceu nesta terça-feira, momento em que o cronograma físico e financeiro do BRT voltou a ser oficialmente questionado pela Comissão Parlamentar competente. O agendamento da Audiência Pública atendeu a um requerimento de urgência apresentado pela oposição, motivado pelas sucessivas dilações nos prazos de entrega das vias exclusivas de transporte. A temporalidade do evento revelou-se estratégica, ocorrendo em um período de crescente cobrança social pela retomada e finalização dos corredores estruturais de trânsito na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.

O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística do Estado de Mato Grosso (SINFRA/MT), Marcelo de Oliveira, conhecido politicamente como Marcelo “Padeiro”, figurou como o principal convocado para prestar os esclarecimentos técnicos necessários. O gestor, contudo, optou por retirar-se do recinto parlamentar antes da formulação das perguntas cruciais pelos deputados da oposição, gerando forte descontentamento no plenário.

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A conduta do secretário foi interpretada pela bancada oposicionista como uma deliberada esquiva diante das responsabilidades administrativas referentes aos contratos e aditivos vigentes.

A convocação oficial da autoridade governamental deu-se em razão da necessidade imperiosa de esclarecer os motivos das constantes paralisações e o encarecimento das obras do BRT. O projeto atual, que substituiu o antigo modelo de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), é alvo de investigações que apontam suposta falta de planejamento e excesso de contratações diretas sem licitação. Os deputados estaduais exigiam a apresentação detalhada de planilhas de custos e a justificativa para a escolha de consórcios específicos para a execução dos lotes remanescentes.

A controvérsia instalou-se em virtude do abandono da sessão pelo secretário e das posteriores declarações do governador Otaviano Pivetta, do partido Republicanos, que saiu em defesa de seu colaborador. O chefe do Executivo Estadual descaracterizou as cobranças técnicas da oposição ao sugerir que a campanha eleitoral de 2012 do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), fora financiada com desvios do extinto projeto do VLT.

Esse movimento retórico redirecionou a pauta de fiscalização orçamentária para o campo das suspeitas criminais pretéritas, inflamando o ambiente político estadual e deslocando o foco das atuais falhas de execução do BRT.

Os parlamentares estaduais utilizaram-se dos mecanismos constitucionais de fiscalização do Poder Executivo, amparados pelo regimento interno da Casa de Leis e pela prerrogativa de controle externo da administração pública. A inquirição dos secretários de Estado constitui um dever do parlamento e um direito do cidadão ao acesso à informação e à transparência pública. A utilização desse instrumento de controle democrático visa garantir que os recursos públicos sejam aplicados em conformidade com os princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa.

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A complexidade operacional e financeira que envolve a transição do modelo de VLT para o BRT justifica a intensa preocupação dos órgãos de controle e dos representantes do Legislativo. Um dos pontos de maior atrito consiste no expressivo aumento do valor de um lote licitado, cujo custo inicial saltou de R$ 68 milhões para expressivos R$ 120 milhões em apenas dois meses.

A dispensa de licitação concedida sistematicamente a uma única empresa construtora agravou as suspeitas de favorecimento, motivando pedidos de auditoria detalhada junto ao Tribunal de Contas do Estado.

O impacto imediato desse novo embate político consiste no severo travamento da interlocução institucional entre o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. As declarações de Otaviano Pivetta geraram forte reação do deputado petista Lúdio Cabral, que refutou veementemente as acusações de corrupção eleitoral e prometeu acionar os meios jurídicos cabíveis para restabelecer sua honra. A judicialização da disputa política tende a prolongar o clima de instabilidade, prejudicando a aprovação de matérias de interesse público e a própria fiscalização das obras de mobilidade urbana.

A sociedade mato-grossense permanece como a principal prejudicada pelo prolongamento indefinido dos canteiros de obras que obstruem o tráfego e deterioram o comércio de Cuiabá. Enquanto as lideranças políticas priorizam a disputa de narrativas sobre eventos ocorridos há mais de uma década, o cronograma do BRT segue sem uma definição concreta de entrega.

A expectativa coletiva por um sistema de transporte coletivo moderno e eficiente continua frustrada pela crônica incapacidade de planejamento e pela constante partidarização das soluções de infraestrutura pública.

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