Política
Gilmar Fabris diz que permanece no PSD
O deputado estadual Gilmar Fabris (PSD), não deixara mais o seu partido para se filiar ao PMDB e continua ser o líder do partido na Assembleia Legislativa e do Bloco Social, Trabalhista e Democrático, que reúne os partidos do PSD, PDT, PMDB e SD.
Fabris tomou a decisão após encontro com o vice-governador e presidente regional do partido, Carlos Favaro. Para o deputado Gilmar a posição do vice-governador, assegurando liberdade e independência diante a regra de "janela", já que esta tramitando no Senado, um Projeto de Emendas Constitucional (PEC) que define por toda a questão para troca de partido e que se tornar realidade, o PSD deverá ganhar mais deputados ainda nesta legislatura.
Sendo assim a deputada Janaina Riva (PSD) será a única Parlamentar a sair da sigla, já que os deputados Pedro Satélite, Jose Domingos Fraga, anunciaram também que irão continuar no partido.
E segundo o próprio deputado Gilmar Fabris, no inicio ele tinha uma má impressão do atual presidente do partido Carlos Favaro e, que o mesmo pediu para que ajude o governador Pedro Taques (PSDB), na governabilidade do estado, "sempre ouvi pela imprensa falarem coisas negativas dele e tinha outro pensamento, mas agora vejo que ele é simples e humilde e quando a ajudar o governo, já estou fazendo isso há muito tempo. Taques não ira se decepcionar, fiz uma promessa ao meu partido e ajudarei a construir um novo Mato Grosso", discursou na tribuna da Assembleia Legislativa.
Gilmar Fabris que esta no seu quinto mandado no legislativo, disse que vai se reunir com o deputado federal Carlos Bezerra, presidente do Diretório Regional do PMDB em Mato Grosso, além dos demais parlamentares que o convidaram para se filiarem nos seus respectivos partidos, "quero pessoalmente agradecer e justificar a minha decisão em permanecer no PSD, partido em qual disputei as eleições de 2014 e que pretendo realizar um trabalho profícuo e volto a dizer, voltado para Mato Grosso e para a população", disse Gilmar.
Existe uma lei, sancionada que assegura para o mês anterior ao prazo de filiação partidária que é de seis meses antes de cada disputa eleitoral, uma janela de 30 dias para que os eleitos proporcionalmente (deputados federais, estaduais e vereadores) possam trocar de partido sem correrem o risco de perderem seus mandatos, só que, o direito de trocar de sigla, não retira o direito do partido, do suplente ou mesmo do Ministério Público Eleitoral (MPE) recorrerem contra a decisão. Gilmar Fabris sinaliza não ter disposição de ficar brigando na Justiça por um mandato que lhe foi conferido legalmente pela população de Mato Grosso.
Política
Teia de suspeitas do VLT e impasse do BRT tensionam relação entre “Governo” e “Oposição”
A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) converteu-se no cenário de um intenso embate político que paralisou o debate sobre a infraestrutura local. O episódio ocorreu durante uma Audiência Pública de prestação de contas que acabou por desviar o foco técnico para antigas disputas eleitorais. A sessão, que deveria esclarecer o andamento das obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), transformou-se em uma arena de acusações recíprocas entre a base governista e a oposição. O impasse reflete a profunda polarização que historicamente caracteriza a gestão das grandes obras de mobilidade urbana na capital mato-grossense.
O debate centralizador das discussões ocorreu no Palácio Dante de Oliveira, sede do Poder Legislativo do Estado de Mato Grosso, localizada no Centro Político Administrativo de Cuiabá. A escolha do local conferiu caráter oficial e solene ao encontro, que reuniu parlamentares, gestores públicos e representantes da sociedade civil organizada. A capital, que convive há mais de uma década com os transtornos decorrentes de projetos de transporte inacabados, serviu como pano de fundo geográfico e social para o confronto. O ambiente do plenário, marcado por discursos inflamados e questionamentos incisivos, evidenciou a urgência das respostas demandadas pela população cuiabana.
A reunião deliberativa aconteceu nesta terça-feira, momento em que o cronograma físico e financeiro do BRT voltou a ser oficialmente questionado pela Comissão Parlamentar competente. O agendamento da Audiência Pública atendeu a um requerimento de urgência apresentado pela oposição, motivado pelas sucessivas dilações nos prazos de entrega das vias exclusivas de transporte. A temporalidade do evento revelou-se estratégica, ocorrendo em um período de crescente cobrança social pela retomada e finalização dos corredores estruturais de trânsito na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.
O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística do Estado de Mato Grosso (SINFRA/MT), Marcelo de Oliveira, conhecido politicamente como Marcelo “Padeiro”, figurou como o principal convocado para prestar os esclarecimentos técnicos necessários. O gestor, contudo, optou por retirar-se do recinto parlamentar antes da formulação das perguntas cruciais pelos deputados da oposição, gerando forte descontentamento no plenário.
A conduta do secretário foi interpretada pela bancada oposicionista como uma deliberada esquiva diante das responsabilidades administrativas referentes aos contratos e aditivos vigentes.
A convocação oficial da autoridade governamental deu-se em razão da necessidade imperiosa de esclarecer os motivos das constantes paralisações e o encarecimento das obras do BRT. O projeto atual, que substituiu o antigo modelo de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), é alvo de investigações que apontam suposta falta de planejamento e excesso de contratações diretas sem licitação. Os deputados estaduais exigiam a apresentação detalhada de planilhas de custos e a justificativa para a escolha de consórcios específicos para a execução dos lotes remanescentes.
A controvérsia instalou-se em virtude do abandono da sessão pelo secretário e das posteriores declarações do governador Otaviano Pivetta, do partido Republicanos, que saiu em defesa de seu colaborador. O chefe do Executivo Estadual descaracterizou as cobranças técnicas da oposição ao sugerir que a campanha eleitoral de 2012 do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), fora financiada com desvios do extinto projeto do VLT.
Esse movimento retórico redirecionou a pauta de fiscalização orçamentária para o campo das suspeitas criminais pretéritas, inflamando o ambiente político estadual e deslocando o foco das atuais falhas de execução do BRT.
Os parlamentares estaduais utilizaram-se dos mecanismos constitucionais de fiscalização do Poder Executivo, amparados pelo regimento interno da Casa de Leis e pela prerrogativa de controle externo da administração pública. A inquirição dos secretários de Estado constitui um dever do parlamento e um direito do cidadão ao acesso à informação e à transparência pública. A utilização desse instrumento de controle democrático visa garantir que os recursos públicos sejam aplicados em conformidade com os princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa.
A complexidade operacional e financeira que envolve a transição do modelo de VLT para o BRT justifica a intensa preocupação dos órgãos de controle e dos representantes do Legislativo. Um dos pontos de maior atrito consiste no expressivo aumento do valor de um lote licitado, cujo custo inicial saltou de R$ 68 milhões para expressivos R$ 120 milhões em apenas dois meses.
A dispensa de licitação concedida sistematicamente a uma única empresa construtora agravou as suspeitas de favorecimento, motivando pedidos de auditoria detalhada junto ao Tribunal de Contas do Estado.
O impacto imediato desse novo embate político consiste no severo travamento da interlocução institucional entre o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. As declarações de Otaviano Pivetta geraram forte reação do deputado petista Lúdio Cabral, que refutou veementemente as acusações de corrupção eleitoral e prometeu acionar os meios jurídicos cabíveis para restabelecer sua honra. A judicialização da disputa política tende a prolongar o clima de instabilidade, prejudicando a aprovação de matérias de interesse público e a própria fiscalização das obras de mobilidade urbana.
A sociedade mato-grossense permanece como a principal prejudicada pelo prolongamento indefinido dos canteiros de obras que obstruem o tráfego e deterioram o comércio de Cuiabá. Enquanto as lideranças políticas priorizam a disputa de narrativas sobre eventos ocorridos há mais de uma década, o cronograma do BRT segue sem uma definição concreta de entrega.
A expectativa coletiva por um sistema de transporte coletivo moderno e eficiente continua frustrada pela crônica incapacidade de planejamento e pela constante partidarização das soluções de infraestrutura pública.
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