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XXVI MARCHA A BRASÍLIA

“Destino das emendas e aumento das atribuições municipais pautaram debates com prefeitos”

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Com o tema “Autonomia Municipal: a força que transforma o Brasil”, a 26ª Marcha a Brasília, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília, levou, como temas principais, o debate sobre o destino das emendas parlamentares e o aumento das atribuições municipais, sem a devida compensação financeira pelos Governos Federal e Estaduais.

Mais de 1,7 mil municípios não receberam emendas parlamentares em 2024, e essa situação critica dos municípios, levou a Confederação Nacional de Municípios (CNM) realizar uma extensa pauta para ser discutida nos quatro dias de encontro, como o debate sobre o destino das emendas parlamentares e o aumento das atribuições municipais, sem a devida compensação financeira pelos governos federal e estaduais.

A Reforma Tributária para as prefeituras municipais, a situação da demarcação das terras indígenas, a distribuição de royalties, o Sistema Único de Saúde (SUS) e a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças do Clima (CP30), que será realizada em novembro, em Belém no Estado do Pará (PA), também foram temas de debates.

Gestores municipais buscam ajuda

Líder da bancada feminina do União Brasil (UB), na Câmara Federal, e presidente do Diretório Municipal da legenda, em Cuiabá, a deputada federal Gisela Simona, recebeu durante toda esta semana vários gestores de Mato Grosso que participaram da XXVI Marcha a Brasília, em Defesa dos Municípios.

O evento organizado pela Confederação Nacional dos Municípios foi marcado este ano por painéis que têm gerado debates por todo país, alguns até bem espinhosos. Com o tema ‘Autonomia Municipal: a força que transforma o Brasil’, o movimento trouxe dentre suas pautas a discussão sobre o destino das emendas parlamentares e o aumento das atribuições municipais, sem a devida compensação financeira pelos governos federal e estaduais.

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Dentre as inúmeras agendas de prefeitos, vices, vereadores e secretários que participaram desde o início da semana da XXVI Marcha a Brasília, até esta última quinta-feira (22), uma delas foi inédita, de acordo com a parlamentar, ao apontar a reunião realizada na Câmara com os gestores municipais com toda bancada de Mato Grosso, de forma coletiva.

A XXVI Marcha dos Prefeitos é um evento que sempre nos surpreende por sua capacidade de mobilização. Sob a liderança do presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios, Leonardo Bortolin, fizemos algo inédito: uma reunião coletiva de cada bancada com seus respectivos representantes. Quando os gestores apresentaram as suas preocupações, sobretudo, com o não pagamento das emendas parlamentares, nesse ano de 2025, por parte do governo federal. E todos sabemos que grande parte destes gestores utiliza desses valores na área da saúde e outras áreas essenciais do município“.

A parlamentar unista aproveitou as reuniões para apontar alguns Projetos de Lei que afetam diretamente cidades mato-grossenses, ao apontar a sua presença na Comissão Especial que trata da proposta de ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais. Proposta, contudo, que pode gerar uma perda de arrecadação para Estados e Municípios.

E ainda se colocar à disposição dos gestores, em especial, como membro da Comissão Especial da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 66/2023, que tem como objetivo principal abrir um novo prazo de parcelamento para débitos dos municípios, com seus regimes próprios de previdência social.

Estas reuniões foram importantíssimas. E nelas tive a oportunidade de falar que fui indicada pela liderança do União Brasil, como membro da Comissão Especial da PEC 66/2023, que além de abrir parcelamento para débitos dos municípios com suas previdências, também estabelece um limite para o pagamento de precatórios“.

E para ampliar a conversação sobre estas temáticas, a deputada federal Gisela Simona vai realizar, em Cuiabá, um seminário para poder ouvir prefeitos, vices e secretários municipais com relação aos maiores problemas que envolvem, comumente, estas questões.

Esta Marcha foi fundamental para conhecermos os novos gestores e legisladores. Mais do que isto, para entendermos as suas necessidades e, em contrapartida, para eles entenderem como está funcionando a máquina federal. Além de ampliar debates sobre temas que serão tratados ainda nesse semestre aqui na Câmara dos Deputados e que podem vir diretamente dos municípios. Assim, tive a oportunidade de dizer que todos nós, na verdade, lutamos com um único propósito: melhorar a qualidade de vida dos mato-grossenses. E que, independentemente, de partido ou de bandeira ideológica, é muito importante trabalharmos juntos em favor de Mato Grosso“.

A Marcha dos Prefeitos acontece em Brasília desde 1998 e, a cada ano, apresenta propostas tanto ao Poder Executivo quanto ao Legislativo para melhorar a situação financeira dos municípios.

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Política

Teia de suspeitas do VLT e impasse do BRT tensionam relação entre “Governo” e “Oposição”

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A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) converteu-se no cenário de um intenso embate político que paralisou o debate sobre a infraestrutura local. O episódio ocorreu durante uma Audiência Pública de prestação de contas que acabou por desviar o foco técnico para antigas disputas eleitorais. A sessão, que deveria esclarecer o andamento das obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), transformou-se em uma arena de acusações recíprocas entre a base governista e a oposição. O impasse reflete a profunda polarização que historicamente caracteriza a gestão das grandes obras de mobilidade urbana na capital mato-grossense.

O debate centralizador das discussões ocorreu no Palácio Dante de Oliveira, sede do Poder Legislativo do Estado de Mato Grosso, localizada no Centro Político Administrativo de Cuiabá. A escolha do local conferiu caráter oficial e solene ao encontro, que reuniu parlamentares, gestores públicos e representantes da sociedade civil organizada. A capital, que convive há mais de uma década com os transtornos decorrentes de projetos de transporte inacabados, serviu como pano de fundo geográfico e social para o confronto. O ambiente do plenário, marcado por discursos inflamados e questionamentos incisivos, evidenciou a urgência das respostas demandadas pela população cuiabana.

A reunião deliberativa aconteceu nesta terça-feira, momento em que o cronograma físico e financeiro do BRT voltou a ser oficialmente questionado pela Comissão Parlamentar competente. O agendamento da Audiência Pública atendeu a um requerimento de urgência apresentado pela oposição, motivado pelas sucessivas dilações nos prazos de entrega das vias exclusivas de transporte. A temporalidade do evento revelou-se estratégica, ocorrendo em um período de crescente cobrança social pela retomada e finalização dos corredores estruturais de trânsito na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.

O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística do Estado de Mato Grosso (SINFRA/MT), Marcelo de Oliveira, conhecido politicamente como Marcelo “Padeiro”, figurou como o principal convocado para prestar os esclarecimentos técnicos necessários. O gestor, contudo, optou por retirar-se do recinto parlamentar antes da formulação das perguntas cruciais pelos deputados da oposição, gerando forte descontentamento no plenário.

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A conduta do secretário foi interpretada pela bancada oposicionista como uma deliberada esquiva diante das responsabilidades administrativas referentes aos contratos e aditivos vigentes.

A convocação oficial da autoridade governamental deu-se em razão da necessidade imperiosa de esclarecer os motivos das constantes paralisações e o encarecimento das obras do BRT. O projeto atual, que substituiu o antigo modelo de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), é alvo de investigações que apontam suposta falta de planejamento e excesso de contratações diretas sem licitação. Os deputados estaduais exigiam a apresentação detalhada de planilhas de custos e a justificativa para a escolha de consórcios específicos para a execução dos lotes remanescentes.

A controvérsia instalou-se em virtude do abandono da sessão pelo secretário e das posteriores declarações do governador Otaviano Pivetta, do partido Republicanos, que saiu em defesa de seu colaborador. O chefe do Executivo Estadual descaracterizou as cobranças técnicas da oposição ao sugerir que a campanha eleitoral de 2012 do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), fora financiada com desvios do extinto projeto do VLT.

Esse movimento retórico redirecionou a pauta de fiscalização orçamentária para o campo das suspeitas criminais pretéritas, inflamando o ambiente político estadual e deslocando o foco das atuais falhas de execução do BRT.

Os parlamentares estaduais utilizaram-se dos mecanismos constitucionais de fiscalização do Poder Executivo, amparados pelo regimento interno da Casa de Leis e pela prerrogativa de controle externo da administração pública. A inquirição dos secretários de Estado constitui um dever do parlamento e um direito do cidadão ao acesso à informação e à transparência pública. A utilização desse instrumento de controle democrático visa garantir que os recursos públicos sejam aplicados em conformidade com os princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa.

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A complexidade operacional e financeira que envolve a transição do modelo de VLT para o BRT justifica a intensa preocupação dos órgãos de controle e dos representantes do Legislativo. Um dos pontos de maior atrito consiste no expressivo aumento do valor de um lote licitado, cujo custo inicial saltou de R$ 68 milhões para expressivos R$ 120 milhões em apenas dois meses.

A dispensa de licitação concedida sistematicamente a uma única empresa construtora agravou as suspeitas de favorecimento, motivando pedidos de auditoria detalhada junto ao Tribunal de Contas do Estado.

O impacto imediato desse novo embate político consiste no severo travamento da interlocução institucional entre o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. As declarações de Otaviano Pivetta geraram forte reação do deputado petista Lúdio Cabral, que refutou veementemente as acusações de corrupção eleitoral e prometeu acionar os meios jurídicos cabíveis para restabelecer sua honra. A judicialização da disputa política tende a prolongar o clima de instabilidade, prejudicando a aprovação de matérias de interesse público e a própria fiscalização das obras de mobilidade urbana.

A sociedade mato-grossense permanece como a principal prejudicada pelo prolongamento indefinido dos canteiros de obras que obstruem o tráfego e deterioram o comércio de Cuiabá. Enquanto as lideranças políticas priorizam a disputa de narrativas sobre eventos ocorridos há mais de uma década, o cronograma do BRT segue sem uma definição concreta de entrega.

A expectativa coletiva por um sistema de transporte coletivo moderno e eficiente continua frustrada pela crônica incapacidade de planejamento e pela constante partidarização das soluções de infraestrutura pública.

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