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EQUILÍBRIO AMBIENTAL AMEAÇADO

Deputado denuncia avanço da soja nas cabeceiras do Rio Cuiabá

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A conservação da Bacia do rio Paraguai e a sobrevivência do Pantanal estão ameaçadas, principalmente pela degradação de nascentes e barramento de rios que fluem de áreas de planalto (Cerrado) para a planície pantaneira.

As principais ameaças à Bacia dos Rios são o desmatamento e o manejo inadequado de terras para Agropecuária, causadores de erosões e sedimentação de rios, por exemplo. Barramentos hidrelétricos estão alterando o regime hídrico natural. O crescimento urbano e populacional é seguido por mais obras de infraestrutura, como rodovias, barragens, portos e hidrovias, colocando em risco o frágil equilíbrio ambiental.

O Rio Cuiabá contribui para as cheias do Pantanal Mato-grossense, de modo que a preservação de suas cabeceiras ajuda a preservar sistemas naturais muito mais amplos e delicados. As cabeceiras do Rio Cuiabá situam-se na porção centro-sul do Estado, região que combina parte da bacia do Teles Pires e do Juruena, ambas amazônicas, e a sub-bacia do Alto Cuiabá, que compõe a bacia do Prata.

Avanço da soja

O avanço da soja sobre as cabeceiras do Rio Cuiabazinho é latente e precisa ser barrado sob o risco de danos irrecuperáveis ao meio ambiente“.

Esta foi uma das constatações do deputado estadual Wilson Santos (PSD), durante visita as cabeceiras do Rio Cuiabá, na divisa entre os municípios de Nobres e Rosário Oeste, no último sábado (4).

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O parlamentar esteve na Serra Azul, onde o “avanço da sojicultura em direção às águas é assustador”, o que deixa claro o risco de poluição das águas.

Só no município de Rosário já foram plantados 100 mil hectares de soja e a previsão da prefeitura é que a cultura chegue a 300 mil hectares, próximo a cabeceira Cuiabá do Bonito, um dos formadores do rio Cuiabazinho. Se a agricultura avançar teremos danos irreversíveis“, explicou Wilson Santos.

Outra cabeceira encontrada na região é a Cuiabá da Larga, que também corre riscos. É a nascente mais alta do Rio Cuiabá e está a 734 metros de altitude, em Rosário Oeste.

Essas águas vão percorrer cerca de 120 km pelo Cuiabazinho até encontrar com o rio Manso e juntas formarem o rio Cuiabá, imenso com seus 980 km. Precisamos preservar as cabeceiras do nosso maior patrimônio natural e isso passa pela preservação das matas ciliares e da garantia de proteção contra a agricultura e a pecuária. O Cuiabá já tem muitos problemas a serem resolvidos e não queremos perder suas cabeceiras pela ação inescrupulosa de pessoas que só pensam no capital, disse o deputado.

O professor-doutor Francisco de Arruda Machado, conhecido como Chico Peixe por conta de seu trabalho em defesa dos peixes e do meio ambiente, acompanhou as visitas e chamou a atenção para a importância da recuperação da vegetação natural.

Minha visão remonta de uma importância primária e fundamental para a sobrevivência do Rio Cuiabá. É preciso promover a urgente recuperação da mata ciliar dos pequenos olhos de água; evitar que plantios de monocultura e pastos sejam efetivados nas proximidades dos dois mais importantes cursos de água que recebem as águas dessas nascentes, o Cuiabá da Larga e o Cuiabá do Bonito, explicou.

Essa região alta que abriga as nascentes não mais podem receber esses tipos de uso porque o rio Cuiabá não tem aquífero para sustentá-lo, dependendo de toda a água das cabeceiras que convergem para ele, principalmente a de origem da época das chuvas“, completou.

Precisamos cuidar dos nossos rios. Não temos na Baixada Cuiabana um grande aquífero de um mar de água doce subterrâneo. O que nos resta são as poucas águas de superfície. Precisamos proteger as nascentes e cuidar dos nossos rios. Temos poucas águas e precisamos delas. A consciência de cada um de nós é fundamental“, completou Wilson Santos.

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Política

Teia de suspeitas do VLT e impasse do BRT tensionam relação entre “Governo” e “Oposição”

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A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) converteu-se no cenário de um intenso embate político que paralisou o debate sobre a infraestrutura local. O episódio ocorreu durante uma Audiência Pública de prestação de contas que acabou por desviar o foco técnico para antigas disputas eleitorais. A sessão, que deveria esclarecer o andamento das obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), transformou-se em uma arena de acusações recíprocas entre a base governista e a oposição. O impasse reflete a profunda polarização que historicamente caracteriza a gestão das grandes obras de mobilidade urbana na capital mato-grossense.

O debate centralizador das discussões ocorreu no Palácio Dante de Oliveira, sede do Poder Legislativo do Estado de Mato Grosso, localizada no Centro Político Administrativo de Cuiabá. A escolha do local conferiu caráter oficial e solene ao encontro, que reuniu parlamentares, gestores públicos e representantes da sociedade civil organizada. A capital, que convive há mais de uma década com os transtornos decorrentes de projetos de transporte inacabados, serviu como pano de fundo geográfico e social para o confronto. O ambiente do plenário, marcado por discursos inflamados e questionamentos incisivos, evidenciou a urgência das respostas demandadas pela população cuiabana.

A reunião deliberativa aconteceu nesta terça-feira, momento em que o cronograma físico e financeiro do BRT voltou a ser oficialmente questionado pela Comissão Parlamentar competente. O agendamento da Audiência Pública atendeu a um requerimento de urgência apresentado pela oposição, motivado pelas sucessivas dilações nos prazos de entrega das vias exclusivas de transporte. A temporalidade do evento revelou-se estratégica, ocorrendo em um período de crescente cobrança social pela retomada e finalização dos corredores estruturais de trânsito na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.

O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística do Estado de Mato Grosso (SINFRA/MT), Marcelo de Oliveira, conhecido politicamente como Marcelo “Padeiro”, figurou como o principal convocado para prestar os esclarecimentos técnicos necessários. O gestor, contudo, optou por retirar-se do recinto parlamentar antes da formulação das perguntas cruciais pelos deputados da oposição, gerando forte descontentamento no plenário.

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A conduta do secretário foi interpretada pela bancada oposicionista como uma deliberada esquiva diante das responsabilidades administrativas referentes aos contratos e aditivos vigentes.

A convocação oficial da autoridade governamental deu-se em razão da necessidade imperiosa de esclarecer os motivos das constantes paralisações e o encarecimento das obras do BRT. O projeto atual, que substituiu o antigo modelo de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), é alvo de investigações que apontam suposta falta de planejamento e excesso de contratações diretas sem licitação. Os deputados estaduais exigiam a apresentação detalhada de planilhas de custos e a justificativa para a escolha de consórcios específicos para a execução dos lotes remanescentes.

A controvérsia instalou-se em virtude do abandono da sessão pelo secretário e das posteriores declarações do governador Otaviano Pivetta, do partido Republicanos, que saiu em defesa de seu colaborador. O chefe do Executivo Estadual descaracterizou as cobranças técnicas da oposição ao sugerir que a campanha eleitoral de 2012 do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), fora financiada com desvios do extinto projeto do VLT.

Esse movimento retórico redirecionou a pauta de fiscalização orçamentária para o campo das suspeitas criminais pretéritas, inflamando o ambiente político estadual e deslocando o foco das atuais falhas de execução do BRT.

Os parlamentares estaduais utilizaram-se dos mecanismos constitucionais de fiscalização do Poder Executivo, amparados pelo regimento interno da Casa de Leis e pela prerrogativa de controle externo da administração pública. A inquirição dos secretários de Estado constitui um dever do parlamento e um direito do cidadão ao acesso à informação e à transparência pública. A utilização desse instrumento de controle democrático visa garantir que os recursos públicos sejam aplicados em conformidade com os princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa.

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A complexidade operacional e financeira que envolve a transição do modelo de VLT para o BRT justifica a intensa preocupação dos órgãos de controle e dos representantes do Legislativo. Um dos pontos de maior atrito consiste no expressivo aumento do valor de um lote licitado, cujo custo inicial saltou de R$ 68 milhões para expressivos R$ 120 milhões em apenas dois meses.

A dispensa de licitação concedida sistematicamente a uma única empresa construtora agravou as suspeitas de favorecimento, motivando pedidos de auditoria detalhada junto ao Tribunal de Contas do Estado.

O impacto imediato desse novo embate político consiste no severo travamento da interlocução institucional entre o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. As declarações de Otaviano Pivetta geraram forte reação do deputado petista Lúdio Cabral, que refutou veementemente as acusações de corrupção eleitoral e prometeu acionar os meios jurídicos cabíveis para restabelecer sua honra. A judicialização da disputa política tende a prolongar o clima de instabilidade, prejudicando a aprovação de matérias de interesse público e a própria fiscalização das obras de mobilidade urbana.

A sociedade mato-grossense permanece como a principal prejudicada pelo prolongamento indefinido dos canteiros de obras que obstruem o tráfego e deterioram o comércio de Cuiabá. Enquanto as lideranças políticas priorizam a disputa de narrativas sobre eventos ocorridos há mais de uma década, o cronograma do BRT segue sem uma definição concreta de entrega.

A expectativa coletiva por um sistema de transporte coletivo moderno e eficiente continua frustrada pela crônica incapacidade de planejamento e pela constante partidarização das soluções de infraestrutura pública.

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