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AÇÃO IMPROCEDENTE

Juiz eleitoral mantêm os mandatos de Flávia Moretti e Tião da Zaeli

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O Movimento Democrático Brasileiro (MDB), ingressou com uma ação na Procuradoria-Geral de Justiça do Estado de Mato Grosso alegando que a chapa eleita em 2024 cometeu crime eleitoral por meio do uso de “Caixa 2” e “Fake News” durante a campanha da Prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), o vice Tião da Zaeli (PL) eleitos.

A denúncia, assinada pelos Diretórios Municipais do MDB e do União Brasil (UB), apresentou trechos de reportagens, documentos e decisões da Justiça Eleitoral que reforçariam as acusações contra a dupla liberal. O principal argumento dos opositores é que Flavia Moretti, utilizou recursos não declarados na campanha, contratando influenciadores e estrategistas digitais sem prestar contas à Justiça Eleitoral. A denúncia menciona uma série de entrevistas concedidas pelo vice Tião da Zaeli (PL), nas quais ele expôs o racha político com a chefe do Executivo Municipal.

MPE manifesta pela improcedência da Ação

A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que investiga os liberais Flávia Petersen Moretti, e Sebastião dos Reis Gonçalves (Tião da Zaeli) e o repórter Edvaldo Barbosa de Carvalho por supostas práticas de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação durante a campanha eleitoral de 2024 em Várzea Grande, teve a manifestação pela improcedência do Ministério Público Eleitoral (MPE) da 20ª Zona Eleitoral de Mato Grosso.

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O Ministério Público Eleitoral (MPE), argumentou no parecer datado de 29 de outubro de 2025, que não houve comprovação suficiente dos ilícitos imputados nem da gravidade necessária para aplicação de sanções severas como a cassação do mandato. A ação foi proposta pelos diretórios municipais do MDB e do União Brasil de Várzea Grande.

Flavia e Tião fica no comando

O juiz José Mauro Nagib Jorge, da 20ª Zona Eleitoral de Várzea Grande, julgou nesta terça-feira (18), improcedente a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) movida pelo MDB e pelo União Brasil contra a prefeita várzea-grandense Flávia Moretti (PL), o vice Tião da Zaeli (PL) e o apoiador Edvaldo Barbosa de Carvalho.

Os partidos alegavam abuso de poder econômico, uso indevido dos meios de comunicação e impulsionamento irregular de conteúdos negativos durante a campanha municipal. O MDB e o União Brasil informaram que irão recorrer da decisão no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE/MT).

José Mauro Nagib, juiz eleitoral, ao analisar o mérito, concluiu que não houve provas robustas de que os investigados produziram ou manipularam conteúdos falsos, nem de que houve coordenação entre eles para disseminar informações inverídicas. O magistrado destacou que o vídeo relacionado ao inventário da família Baracat foi baseado em fatos existentes e teve circulação limitada, menos de 500 compartilhamentos, insuficiente para caracterizar abuso ou desequilíbrio no pleito.

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Sobre as lives supostamente adulteradas, o juiz lembrou que o caso já havia sido analisado e punido em representações específicas na 49ª Zona Eleitoral. Além disso, as transmissões tiveram alcance considerado “inexpressivo”, com média de 2,8 mil visualizações, sem impacto significativo sobre o eleitorado.

José Mauro Nagib também afastou a acusação de caixa dois e de contratações irregulares de profissionais de comunicação. Testemunhas apontadas como supostamente contratadas de forma informal negaram ter prestado serviços à campanha, e a Justiça Eleitoral já havia aprovado as prestações de contas sem irregularidades. Não foram apresentados contratos paralelos, pagamentos ocultos, notas fiscais suspeitas ou indícios de movimentações financeiras irregulares.

A diferença de votos na eleição, 7.755 votos de vantagem, equivalente a 5,7% dos válidos, foi considerada pelo juiz como mais um indicativo de que os fatos narrados pelos autores não tiveram potencial lesivo para afetar a legitimidade do resultado.

O magistrado ressaltou que a cassação de mandatos exige prova “robusta, inequívoca e conclusiva”, o que não ocorreu no caso concreto.

Com isso, o juiz José Mauro Nagib Jorge julgou improcedentes todos os pedidos da ação e manteve os mandatos de Flávia Moretti e Tião da Zaeli. O processo segue sob sigilo por conter documentos relacionados a operação policial em andamento.

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Política

Teia de suspeitas do VLT e impasse do BRT tensionam relação entre “Governo” e “Oposição”

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A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) converteu-se no cenário de um intenso embate político que paralisou o debate sobre a infraestrutura local. O episódio ocorreu durante uma Audiência Pública de prestação de contas que acabou por desviar o foco técnico para antigas disputas eleitorais. A sessão, que deveria esclarecer o andamento das obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), transformou-se em uma arena de acusações recíprocas entre a base governista e a oposição. O impasse reflete a profunda polarização que historicamente caracteriza a gestão das grandes obras de mobilidade urbana na capital mato-grossense.

O debate centralizador das discussões ocorreu no Palácio Dante de Oliveira, sede do Poder Legislativo do Estado de Mato Grosso, localizada no Centro Político Administrativo de Cuiabá. A escolha do local conferiu caráter oficial e solene ao encontro, que reuniu parlamentares, gestores públicos e representantes da sociedade civil organizada. A capital, que convive há mais de uma década com os transtornos decorrentes de projetos de transporte inacabados, serviu como pano de fundo geográfico e social para o confronto. O ambiente do plenário, marcado por discursos inflamados e questionamentos incisivos, evidenciou a urgência das respostas demandadas pela população cuiabana.

A reunião deliberativa aconteceu nesta terça-feira, momento em que o cronograma físico e financeiro do BRT voltou a ser oficialmente questionado pela Comissão Parlamentar competente. O agendamento da Audiência Pública atendeu a um requerimento de urgência apresentado pela oposição, motivado pelas sucessivas dilações nos prazos de entrega das vias exclusivas de transporte. A temporalidade do evento revelou-se estratégica, ocorrendo em um período de crescente cobrança social pela retomada e finalização dos corredores estruturais de trânsito na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.

O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística do Estado de Mato Grosso (SINFRA/MT), Marcelo de Oliveira, conhecido politicamente como Marcelo “Padeiro”, figurou como o principal convocado para prestar os esclarecimentos técnicos necessários. O gestor, contudo, optou por retirar-se do recinto parlamentar antes da formulação das perguntas cruciais pelos deputados da oposição, gerando forte descontentamento no plenário.

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A conduta do secretário foi interpretada pela bancada oposicionista como uma deliberada esquiva diante das responsabilidades administrativas referentes aos contratos e aditivos vigentes.

A convocação oficial da autoridade governamental deu-se em razão da necessidade imperiosa de esclarecer os motivos das constantes paralisações e o encarecimento das obras do BRT. O projeto atual, que substituiu o antigo modelo de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), é alvo de investigações que apontam suposta falta de planejamento e excesso de contratações diretas sem licitação. Os deputados estaduais exigiam a apresentação detalhada de planilhas de custos e a justificativa para a escolha de consórcios específicos para a execução dos lotes remanescentes.

A controvérsia instalou-se em virtude do abandono da sessão pelo secretário e das posteriores declarações do governador Otaviano Pivetta, do partido Republicanos, que saiu em defesa de seu colaborador. O chefe do Executivo Estadual descaracterizou as cobranças técnicas da oposição ao sugerir que a campanha eleitoral de 2012 do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), fora financiada com desvios do extinto projeto do VLT.

Esse movimento retórico redirecionou a pauta de fiscalização orçamentária para o campo das suspeitas criminais pretéritas, inflamando o ambiente político estadual e deslocando o foco das atuais falhas de execução do BRT.

Os parlamentares estaduais utilizaram-se dos mecanismos constitucionais de fiscalização do Poder Executivo, amparados pelo regimento interno da Casa de Leis e pela prerrogativa de controle externo da administração pública. A inquirição dos secretários de Estado constitui um dever do parlamento e um direito do cidadão ao acesso à informação e à transparência pública. A utilização desse instrumento de controle democrático visa garantir que os recursos públicos sejam aplicados em conformidade com os princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa.

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A complexidade operacional e financeira que envolve a transição do modelo de VLT para o BRT justifica a intensa preocupação dos órgãos de controle e dos representantes do Legislativo. Um dos pontos de maior atrito consiste no expressivo aumento do valor de um lote licitado, cujo custo inicial saltou de R$ 68 milhões para expressivos R$ 120 milhões em apenas dois meses.

A dispensa de licitação concedida sistematicamente a uma única empresa construtora agravou as suspeitas de favorecimento, motivando pedidos de auditoria detalhada junto ao Tribunal de Contas do Estado.

O impacto imediato desse novo embate político consiste no severo travamento da interlocução institucional entre o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. As declarações de Otaviano Pivetta geraram forte reação do deputado petista Lúdio Cabral, que refutou veementemente as acusações de corrupção eleitoral e prometeu acionar os meios jurídicos cabíveis para restabelecer sua honra. A judicialização da disputa política tende a prolongar o clima de instabilidade, prejudicando a aprovação de matérias de interesse público e a própria fiscalização das obras de mobilidade urbana.

A sociedade mato-grossense permanece como a principal prejudicada pelo prolongamento indefinido dos canteiros de obras que obstruem o tráfego e deterioram o comércio de Cuiabá. Enquanto as lideranças políticas priorizam a disputa de narrativas sobre eventos ocorridos há mais de uma década, o cronograma do BRT segue sem uma definição concreta de entrega.

A expectativa coletiva por um sistema de transporte coletivo moderno e eficiente continua frustrada pela crônica incapacidade de planejamento e pela constante partidarização das soluções de infraestrutura pública.

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