Política
Delegado que assumiu Secretaria de Segurança Púbica, também é suspeito de envolvimento no caso dos grampos
Por determinação do desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJ/MT), Orlando de Almeida Perri, o atual secretário de Segurança Pública, delegado Gustavo Garcia terá de depor como suspeito no caso dos grampos ilegais em Mato Grosso. O delegado Flavio Stringueta, que auxilia a delegada Ana Cristina Feldner nas investigações, explicou que o interrogatório deverá acontecer no fim da próxima semana.
Flavio Stringueta disse que “constou no depoimento da delegada Alana Cardozo que o ex-secretário Rogers Jarbas colheu o depoimento, mas ele não estava presente na maior parte disto. Foi o Gustavo o verdadeiro inquisidor. O Rogers voltou apenas no final para corrigir alguma coisa ou acrescentar”.
O atual comandante da Segurança Pública do Estado já foi notificado e deverá prestar depoimento na quinta-feira (19), na condição de suspeito. Porém, a data pode sofrer modificações.
No documento, a delegada Ana Cristina Feldner, que à época dos fatos respondia pela Diretoria de Inteligência da Polícia Civil, afirma que há diversas irregularidades além de “grave violação da legalidade” no ofício produzido por Rogers Jarbas, baseado no depoimento da delegada à Sesp.
No documento, a delegada disse ainda que não teve acesso ao documento produzido pela Sesp, salvo pelo que foi divulgado pela imprensa. “Houve violação grave a preceitos fundamentais como o devido processo legal, ampla defesa, presunção da inocência e principalmente à legalidade, já que a delegada foi ouvida sem qualquer procedimento formalmente instaurado perante superior hierárquico”.
Em depoimento, tomado no dia 26 de maio, Alana Cardoso revelou que quando respondia pela Diretoria de Inteligência da Polícia Civil, recorria à interceptação telefônica, em parceria com promotores de Justiça do Gaeco, de modo a monitorar membros de organizações criminosas identificados nos presídios e para preservar a integridade do governador Pedro Taques (PSDB), à pedido do ex-secretário Paulo Zamar Taques, da Casa Civil.
O esquema de “arapongagem” já havia vazado na imprensa local após o início da apuração do programa do Fantástico, da Rede Globo de Televisão, que foi ao ar no dia 14 de maio, que a Policia Militar de Mato Grosso, teria feito “grampos” telefônicos irregularmente e sem autorização da Justiça de MT de pessoas que não eram investigadas por crimes, e conforme as declarações do próprio desembargador Orlando de Almeida Peri do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, cerca de 70 mil telefones teriam sido interceptados pelo grupo que fazia as escutas telefônicas em 3 anos, e segundo o próprio desembargador, é um numero "estarrecedor".
Para fazer uma escuta telefônica de uma investigação criminal, poderá somente ser determinada por um Juiz, através de um “Oficio”, ou de um “Requerimento” de uma autoridade policial ou do Ministério Publico.
Os grampos foram conseguidos na modalidade “barriga de aluguel”, quando investigadores solicitam à Justiça acesso aos telefonemas de determinadas pessoas envolvidas em crimes e no meio dos nomes inserem contatos de não investigados.
Neste caso específico, as vítimas foram inseridas em uma apuração sobre tráfico de drogas.
Orlando Peri informou que as operadoras de telefonia da Claro informou que somente em 2014 ela teria recebido cerca de 1940 ordens de interceptações, já a operadora da TIM teria informado que recebeu ordens de interceptações de 1200, a outra operadora OI foi de 1304 ordens recebidas, ficando apenas no aguardo da operadora da VIVO que ate o momento não teria repassado informações de quantos números foram feitos o pedido de interceptações.
Política
Flávia Moretti desafia crise no PL, mantém filiação e consolida apoio a Pivetta
A Prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), afirmou nesta quinta-feira (24) que não pretende deixar voluntariamente o Partido Liberal (PL), apesar do conflito com a direção estadual da legenda provocado por seu apoio à candidatura do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) à reeleição em Mato Grosso. Durante um ato político da campanha do republicano, a Prefeita da Cidade Industrial declarou que permanecerá filiada ao PL e que somente deixará a sigla caso seja expulsa. A manifestação ocorreu em meio ao avanço de sua aproximação pública com Pivetta.
A posição de Flávia Moretti ocorre após ela contrariar a orientação política de seu próprio partido e declarar apoio a Pivetta na disputa pelo Governo de Mato Grosso. O PL lançou o Senador Wellington Fagundes como candidato ao Palácio Paiaguás, o que colocou a prefeita várzea-grandense em uma situação de divergência com a direção estadual da legenda. O episódio ampliou o debate sobre a permanência de lideranças municipais do partido que decidiram apoiar uma candidatura adversária.
Apesar do desgaste partidário, Flávia voltou a demonstrar publicamente sua proximidade com Pivetta durante o evento realizado em Cuiabá. A prefeita participou da mobilização eleitoral e foi registrada dançando ao som do jingle “Bora Pivetar”, gesto que reforçou visualmente seu alinhamento com a campanha do governador. A participação ocorreu mesmo com sua permanência formal no PL e com Wellington Fagundes concorrendo ao Governo pelo mesmo partido.
Questionado sobre a situação partidária da prefeita, Pivetta evitou tratar de um eventual convite para que ela se filie ao Republicanos. O governador destacou a relação administrativa entre o Estado e o Município de Várzea Grande e afirmou, segundo relatos publicados sobre o episódio, que Flávia não precisaria discutir uma eventual mudança partidária neste momento. A declaração deslocou o foco da disputa interna do PL para a parceria entre as duas administrações.
A aproximação entre Flávia e Pivetta também está relacionada a demandas consideradas prioritárias para Várzea Grande. Entre elas está o abastecimento de água, tema que passou a integrar uma atuação conjunta entre o Governo de Mato Grosso e a Prefeitura Municipal. A própria prefeita já havia associado seu apoio político ao governador ao auxílio recebido pelo município para enfrentar problemas estruturais, especialmente aqueles relacionados ao fornecimento de água.
A crise entre Flávia e o PL Estadual não começou com o ato desta quinta-feira. Nos dias anteriores, a prefeita havia admitido que recebeu convites de diferentes partidos, inclusive do Republicanos, mas também afirmou que sua eventual saída da legenda ainda estava em avaliação. A mudança de postura apresentada agora indica que, ao menos neste momento, sua intenção é permanecer formalmente no PL, mesmo mantendo o apoio eleitoral a Pivetta.
O conflito ganhou dimensão maior depois que a Direção Estadual do PL anunciou procedimentos internos para analisar a situação de prefeitos que declararam apoio a Pivetta. Flávia está entre os gestores que passaram a integrar o grupo de prefeitos ligados ao PL que apoiam o governador, ao lado de outros administradores municipais que também se afastaram da orientação eleitoral da legenda. A possibilidade de medidas disciplinares passou, desde então, a fazer parte da discussão política.

A situação também evidencia uma divergência entre a orientação partidária e as prioridades defendidas por algumas administrações municipais. Enquanto a direção do PL sustenta a candidatura de Wellington Fagundes ao Governo, prefeitos filiados à legenda têm manifestado apoio a Pivetta, justificando suas escolhas, em diferentes momentos, por questões relacionadas às necessidades de seus municípios. Wellington, por sua vez, afirmou anteriormente não defender a expulsão de prefeitos que optaram por apoiar o adversário.
No caso específico de Várzea Grande, a questão do abastecimento de água ganhou peso na aproximação entre a Prefeitura e o Governo do Estado. A cooperação administrativa passou a ser apresentada como um dos elementos que explicam a posição política de Flávia. Em paralelo, a disputa eleitoral transformou a relação institucional entre Estado e Município em um dos pontos de destaque do embate político que envolve Pivetta, Wellington e diferentes lideranças do PL em Mato Grosso.
Com a declaração desta quinta-feira, Flávia Moretti mantém, portanto, uma posição política definida em favor de Otaviano Pivetta, mas continua oficialmente filiada ao PL. A prefeita não anunciou desfiliação e afirmou que não pretende deixar a legenda por iniciativa própria. O cenário mantém aberta a possibilidade de novos desdobramentos entre a gestora, a direção estadual do partido e o grupo político do governador, enquanto a campanha eleitoral avança em Mato Grosso.
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