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IMPASSE TRIBUTÁRIO

Várzea Grande perde R$ 300 milhões anuais com atual divisão do ICMS

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A distribuição das receitas arrecadadas por meio do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) tornou-se o centro de um intenso debate fiscal no Estado de Mato Grosso, impactando diretamente o orçamento municipal de Várzea Grande. O atual modelo de partilha do tributo estadual tem provocado expressivas perdas financeiras à segunda maior cidade mato-grossense, limitando substancialmente a capacidade de investimento da administração pública local em áreas vitais para a população. Diante desse cenário adverso, a gestão municipal busca reverter o déficit estrutural por meio de negociações diretas com o Poder Executivo Estadual e com órgãos de fiscalização orçamentária.

A controvérsia tributária é liderada pela Prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), que encabeça as cobranças por uma revisão nos índices de redistribuição do imposto estadual. No âmbito da administração estadual, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), foi acionado para mediar a questão conjuntamente com equipes técnicas da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz/MT) e do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT). O conjunto de atores envolvidos abrange tanto os gestores públicos municipais quanto os cidadãos várzea-grandenses, que figuram como os principais impactados pela restrição nos serviços públicos essenciais.

O epicentro do conflito fiscal localiza-se no município de Várzea Grande, situado na Região Metropolitana de Cuiabá, estendendo seus desdobramentos institucionais ao Palácio Paiaguás e à sede do Tribunal de Contas, na capital do Estado.

A disparidade na arrecadação afeta diretamente os bairros periféricos e os grandes corredores urbanos do município, nos quais a escassez de recursos públicos compromete a manutenção da malha viária e a expansão das redes de atendimento social. O território municipal converteu-se em um símbolo da luta pela equidade na distribuição das cotas-partes tributárias entre as cidades mato-grossenses.

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A discussão sobre o reequilíbrio financeiro intensificou-se nas últimas semanas, com previsão de desdobramentos decisivos imediatamente após o encerramento do período eleitoral vigente. A meta estratégica estabelecida pela Prefeitura de Várzea Grande prevê a aprovação do novo modelo de cálculo ainda no decorrer do presente exercício financeiro, assegurando que os efeitos práticos da mudança passem a vigorar plenamente a partir do ano de 2027.

O cronograma estabelecido pelas autoridades visa garantir a adequação das diretrizes orçamentárias e o cumprimento dos prazos legais de transição tributária.

O fator gerador do impasse reside nos critérios defasados de cálculo aplicados na divisão da parcela do ICMS pertencente aos municípios, os quais penalizam desproporcionalmente o perfil socioeconômico de Várzea Grande. O tributo estadual, cujos recursos deveriam retornar às cidades para financiar serviços de Saúde, Educação, Transporte, Limpeza Pública e Obras de Infraestrutura, tem apresentado retornos insuficientes para suprir as crescentes demandas da densa população local. Essa assimetria orçamentária gera um gargalo financeiro contínuo, impedindo que o desenvolvimento econômico do Estado se reflita proporcionalmente na qualidade de vida municipal.

A estratégia adotada para resolver o impasse fundamenta-se na articulação política institucional e na elaboração de estudos fiscais por equipes especializadas do Governo Estadual. Por iniciativa do Poder Executivo Municipal, foi proposta a formulação de uma alternativa técnica capaz de elevar a compensação financeira destinada às cidades prejudicadas, sem comprometer os repasses já consolidados das demais localidades.

Além disso, a realização de uma mesa técnica tripartite reunindo o município, a Secretaria de Fazenda e o Tribunal de Contas garantirá o embasamento jurídico e a transparência do novo arranjo distributivo.

Sob a perspectiva estritamente financeira, a distorção nos critérios de repasse representa um prejuízo estimado em aproximadamente R$ 300 milhões anuais aos cofres públicos de Várzea Grande. A magnitude dessa frustração de receita impacta de maneira severa o planejamento orçamentário municipal, privando a cidade de montantes que poderiam transformar significativamente a Infraestrutura Urbana. A recuperação dessa quantia substancial permitiria a execução de um amplo pacote de investimentos estruturantes, garantindo a sustentabilidade fiscal da administração pública a longo prazo.

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Os desdobramentos diretos dessa restrição orçamentária manifestam-se na impossibilidade de edificar novas unidades escolares, pavimentar vias públicas de terra e ampliar a cobertura de saneamento básico nos bairros desprovidos de estrutura. Como ressaltado pela gestão municipal, a ausência do montante sonegado ao orçamento impede que centenas de famílias sejam beneficiadas por melhorias urbanísticas primordiais.

A defasagem no repasse do ICMS traduz-se, portanto, em um obstáculo concreto ao progresso social e ao bem-estar da coletividade várzea-grandense.

Para compreender a relevância da demanda, a prefeita Flávia Moretti enfatizou a diferença crucial que esses recursos trariam para a rotina da administração pública e para a vida dos moradores. Em tom de provocação reflexiva sobre o potencial transformador da verba, a gestora questionou publicamente a quantidade de escolas que deixaram de ser construídas e o volume de ruas que poderiam ter sido asfaltadas caso o município recebesse a sua cota-parte justa. Essa análise contextual expõe a urgência de uma solução definitiva para a defasagem arrecadatória.

Em suma, a mobilização liderada pelo Município de Várzea Grande busca restabelecer a justiça fiscal na repartição das receitas estaduais, assegurando a autonomia financeira necessária para o crescimento sustentável da cidade. A consolidação da mesa técnica e o compromisso do Governo do Estado em estudar soluções sem prejuízo aos demais municípios sinalizam um avanço diplomático promissor.

A expectativa das lideranças locais permanece concentrada na aprovação célere da reforma distributiva, garantindo que o retorno do tributo se converta efetivamente em desenvolvimento e dignidade para toda a população.

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ECONOMIA

Mato Grosso consolida a liderança e impulsiona as exportações de carne bovina no Brasil

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A pecuária do Estado de Mato Grosso alcançou o topo do ranking nacional de vendas ao exterior no segmento de proteína bovina nos primeiros oito meses de 2026. O desempenho histórico reafirma a posição do estado como o principal motor do agronegócio brasileiro voltado ao mercado internacional.

Entre os meses de janeiro e agosto deste ano, o volume embarcado a partir do território mato-grossense atingiu a expressiva marca de 564,1 mil toneladas de carne. A quantidade demonstra a elevada capacidade produtiva e a eficiência logística instalada nas propriedades rurais e indústrias da região.

A movimentação comercial gerou uma receita cambial astronômica de US$ 3,2 bilhões no período analisado. O expressivo faturamento injeta recursos vitais no ecossistema financeiro regional e fortalece a balança comercial de todo o território nacional perante os compradores estrangeiros.

O resultado expressivo de Mato Grosso representa fatia equivalente a 25,6% de todo o volume de carne bovina vendido pelo Brasil aos compradores globais. Em termos práticos, significa que aproximadamente uma em cada quatro toneladas da proteína embarcadas nos portos brasileiros teve origem direta no rebanho mato-grossense.

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A liderança isolada do estado se deve a uma combinação estratégica de vasta extensão territorial, investimentos contínuos em tecnologia sanitária, melhoramento genético e expansão do parque produtivo. Esses fatores asseguram padrão qualitativo constante e alto nível de competitividade para atender às exigências dos mercados mais rigorosos do mundo.

O mercado comprador internacional é composto por dezenas de nações parceiras que demandam suprimento regular e seguro de alimentos. Países da Ásia, Europa e Américas figuram entre os principais destinos da proteína mato-grossense, consolidando a presença das marcas brasileiras nas prateleiras e mesas de diversos continentes.

Na segunda posição do ranking brasileiro de exportadores aparece o Estado de São Paulo, com 409,5 mil toneladas comercializadas, seguido por Goiás, que registrou 266 mil toneladas. Juntas, as três unidades da Federação somam mais da metade de todo o volume de carne bovina brasileira negociado externamente no período.

A cadeia produtiva do setor pecuário abrange desde a criação do gado nas fazendas até o processamento nos frigoríficos, envolvendo também o transporte multimodal, o financiamento de insumos e a prestação de serviços especializados. Essa vasta rede socioeconômica gera milhares de empregos diretos e indiretos, impulsionando cidades inteiras no interior do país.

Segundo o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne, Bruno de Jesus Andrade, o desempenho verificado ultrapassa as fronteiras estaduais e beneficia a economia como um todo. O executivo destaca que a sólida estrutura setorial sustenta a relevância estratégica do Brasil no cenário de segurança alimentar e no comércio global de alimentos.

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No balanço consolidado de janeiro a agosto de 2026, o Brasil totalizou a exportação de 2,2 milhões de toneladas de carne bovina, gerando receita global de US$ 12,7 bilhões. O resultado global expressivo ratifica o papel do agronegócio nacional como um dos pilares mais estáveis e dinâmicos da economia contemporânea.

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