MAIS UMA DERROTA
AGU cita que ação da Prefeitura de Cuiabá contra o BRT é “inadequada”
A Advocacia Geral da União (AGU) afirmou que o processo movido pela Prefeitura de Cuiabá contra o sistema de Bus Rapid Transit (BRT) é “inadequado” e tem como base “conjecturas”. O modal foi escolhido para ser implantado no lugar do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) entre a capital e a cidade de Várzea Grande.
Essa é mais uma derrota do poder municipal, que procurou em duas outras oportunidades derrubar essa opção de escolha. Na ação anterior enviada ao Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJ/MT), a gestão de Emanuel Pinheiro (MDB) alegava ser contrária à decisão que teria sido tomada de forma unilateral pelo Governo do Estado, sem compartilhar estudos e consultar os prefeitos.
Nesta ação atual, objetivo da Prefeitura de Cuiabá é impedir o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) de autorizar formalmente a troca do VLT pelo sistema de BRT, usando como base os relatórios do governo estadual que comprovam a inviabilidade de implantar o VLT.
No parecer da Advocacia Geral da União (AGU), o advogado da União, Marcelo Maciel Torres Filho cita que os apontamos são vagos e o autor (gestão de Emanuel Pinheiro) não explica de forma adequada o conteúdo do ato administrativo a ser editado pelo Ministro de Estado. A Advocacia também diz que a Prefeitura de Cuiabá não informou se tentou participar do processo administrativo que decidiu por não dar continuidade ao VLT.
“Além disso, especificamente no que concerne ao pedido de acesso a documentos produzidos no âmbito do Ministério do Desenvolvimento Regional, as solicitações podem ser formuladas administrativamente com fundamento nos procedimentos e requisitos versados na Lei nº 12.527/2011 – Lei de Acesso à Informação”, ressalta Marcelo Marcel Torres Filho.
Diante disso, teria ficado claro a falta de respaldo legal na ação, conforme apontado pelo ministro Humberto Martins no ato de negar o pedido.
“Ou seja: a impetração caracteriza como supostamente ilegal não um ato praticado ou a ser praticado pelo Ministro de Estado do Desenvolvimento do Regional, dirigindo sua queixa, em vez disso, para uma decisão tomada em âmbito estadual […] Em suma, pelos motivos acima delineados, inexiste qualquer ato ilegal ou abusivo do Ministro de Estado do Desenvolvimento Regional a ser sanado por meio da presente impetração, devendo a segurança ser denegada”, concluiu a AGU, no documento.
O governador do Partido Democrata (DEM), Mauro Mendes Ferreira, em dezembro de 2020, anunciou a troca do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) por um Bus Rapid Transit (BRT), sistema de corredores com maior velocidade e capacidade que corredores comuns, para a ligação entre os municípios de Cuiabá e Várzea Grande
O meio de transportes sobre trilhos deveria ter sido entregue antes da Copa do Mundo de Futebol de 2014, mas não era a modalidade original definida para o trajeto.
A proposta original era de um BRT, mas foi trocada pelo VLT o que, na ocasião, levantou suspeitas de direcionamento e corrupção pelo fato de a obra e o sistema do Veículo Leve sobre Trilhos serem mais caros com capacidade de passageiros semelhantes.
Segundo a administração estadual, a decisão em pedir a substituição levou em conta estudos técnicos elaborados pelo Governo de Mato Grosso e pelo Grupo Técnico criado na Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana. Os estudos concluíram que a continuidade das obras do VLT era “insustentável”, demoraria até seis anos para conclusão, custosa aos cofres públicos, com pouca vantagem à população e ainda contaria com uma tarifa muito alta.
Conforme o relatório, as irregularidades no contrato do VLT existem desde a fase de licitação e resultaram em várias ações judiciais em andamento. A situação piorou após a delação do ex-governador Silval Barbosa, que confessou vários crimes ligados a esta obra, envolvendo recebimento de propinas milionárias para a escolha do modal, além de pagamentos superfaturados. Com a rescisão do contrato, as empresas que integram o consórcio ainda foram declaradas “inidôneas para contratar com o Poder Público”.
Os investimentos para o VLT até dezembro de 2020 foram de mais de R$ 1 bilhão.
Mesmo assim, segundo o governo estadual, com base em estudo técnico com mais de 1,4 mil páginas, é mais vantajoso o engavetamento do VLT. O BRT terá um custo total de R$ 430 milhões para ser implantado e o VLT poderia chegar a R$ 763 milhões para a finalização.
Além disso, segundo o estudo apresentado pelo governo do estado, atualmente, o custo por passageiro do BRT seria de R$ 3,04, enquanto seriam necessários R$ 5,28 para o VLT fazer o mesmo transporte. Não seria a tarifa final, já que os valores só levam em conta a operação do BRT ou do VLT sem a integração com os ônibus comuns.
Ainda de acordo com o Governo do Estado, o tempo de implantação do BRT será de 24 meses e do VLT de 48 meses a partir de 2021. – (WILLIAN MOREIRA)
Política
Pesquisa MT Dados mostra Pivetta com 50,6% dos votos válidos na reta final da disputa em Mato Grosso
A quinta rodada da pesquisa MT Dados para o Governo de Mato Grosso aponta o governador e candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos), com 50,6% dos votos válidos, enquanto Wellington Fagundes (PL) aparece com 27,7% e Natasha Slhessarenko (PSD) registra 16,9%. O levantamento foi realizado na reta final da campanha e retrata o cenário eleitoral apurado pelo instituto entre 25 e 30 de setembro, a poucos dias da votação.
No recorte de votos válidos, o Republicanos, Otaviano Pivetta apresenta vantagem de 22,9 pontos percentuais sobre o liberal Wellington Fagundes. Dra. Natasha Slhessarenko aparece na terceira posição, com 16,9%, seguida por Sargento Laudicério (Agir), com 2,4%. Maurício Coelho (Mobiliza) e Rafael Milas (Missão) registram 1,2% cada. Nesse cálculo, são desconsiderados os votos brancos, nulos e os eleitores que ainda não definiram sua escolha.
Embora o percentual atribuído a Otaviano Pivetta ultrapasse a metade dos votos válidos, o resultado não permite afirmar antecipadamente que a disputa será necessariamente encerrada no primeiro turno. Considerando a margem de erro de três pontos percentuais, o levantamento é estatisticamente compatível tanto com uma eventual definição no primeiro turno quanto com a realização de uma segunda votação.
Na Pesquisa Estimulada, em que os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, Otaviano Pivetta também lidera, com 42% das intenções de voto. O resultado representa crescimento em relação à primeira rodada do levantamento, realizada em maio, quando o governador registrava 20%. Ao longo desse período, portanto, houve uma variação positiva de 22 pontos percentuais no percentual declarado pelos entrevistados.

Wellington Fagundes aparece com 23% na pesquisa estimulada e ocupa a segunda posição nesse recorte. Na comparação com a primeira rodada, quando alcançava 27%, o senador apresenta uma redução de quatro pontos percentuais. A diferença entre os dois primeiros colocados, nesse cenário, chega a 19 pontos percentuais.
Natasha Slhessarenko registra 14% das intenções de voto e permanece em terceiro lugar na Pesquisa Estimulada. Em relação ao levantamento inicial, a candidata apresenta crescimento de sete pontos percentuais. Sargento Laudicério aparece com 2%, enquanto Maurício Coelho e Rafael Milas registram 1% cada, percentuais que, segundo a comparação apresentada pelo levantamento, não sofreram alteração desde a primeira rodada.
A pesquisa também mostra que 11% dos entrevistados ainda não sabem em quem votar ou permanecem indecisos. Outros 6% afirmam que pretendem votar em branco ou anular o voto. Esses percentuais indicam a existência de eleitores que, no momento da entrevista, não haviam definido uma opção entre as candidaturas apresentadas.

O levantamento ouviu 3.080 eleitores em Mato Grosso entre os dias 25 e 30 de setembro. A pesquisa possui margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. O estudo foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número MT-07362/2026 e utiliza metodologia mista, conforme as informações públicas do registro.
A divulgação ocorre em um momento de intensificação das atividades eleitorais, quando as campanhas concentram agendas, atos públicos, comunicação com o eleitorado e estratégias destinadas a consolidar ou ampliar apoio. Como a pesquisa representa apenas o período em que as entrevistas foram realizadas, eventuais mudanças posteriores no comportamento do eleitor não estão refletidas nos números apresentados.
Com a votação se aproximando, os dados do MT Dados oferecem um retrato do cenário encontrado pelo instituto no fim de setembro, mas não substituem o resultado oficial das urnas. A definição do próximo Governador de Mato Grosso dependerá dos votos efetivamente registrados no dia da eleição e da apuração oficial da Justiça Eleitoral.
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