MÃO DE OBRA ESCRAVA
Mato Grosso terá posto de atendimento às vítimas do tráfico de pessoas e trabalho escravo
Poderíamos procurar respostas a essa pergunta aqui e ali, e encontraríamos definições belas e bem construídas. Mas sempre, de certa forma distantes e até impessoais. Poderíamos fazer outra pergunta. “Você sabe o que tem sido feito para que o Tráfico Humano seja combatido?”. Também procuraríamos aqui e ali resposta e talvez as encontrássemos.
A sociedade civil tem um papel importante na implementação e avaliação da política pública de enfrentamento ao tráfico de pessoas. As regiões fronteiriças apresentam problemas especiais. Juntamente com outros tipos de tráfico, especialmente armas e drogas, o tráfico de pessoas é um dos fenômenos que mais aparece. Essa realidade está muito presente na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, região banhada pelo rio Amazonas, que não separa, mas une seus povos.
Posto de atendimento
Mato Grosso terá um posto de atendimento às vítimas do tráfico de pessoas e trabalho escravo na região de fronteira. A execução está em fase de tratativas por meio de uma ação conjunta da Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal, Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit), Ministério Público Federal e a Prefeitura de Cáceres. Esse foi um dos resultados das oficinais promovidas pelo Comitê de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (Cetrap).

Conforme a representante da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) no Comitê do Tráfico de Pessoas, Márcia Ourives, a Sesp é a única no país que tem dentro da estrutura da pasta as ações de enfrentamento ao tráfico de pessoas e trabalho escravo, por intermédio do Cetrap e do Conselho Estadual de Trabalho Escravo (Coetrae). Além disso, tem o maior número de policiais capacitados em Diretos Humanos e Tráfico de Pessoas, sendo 5 mil policiais no período de 2010 a 2020.
“Os postos avançados estarão situados nos principais locais de entrada e saída do Brasil, para a recepção a pessoas deportadas e não-admitidas, desenvolvendo uma metodologia de atendimento humanizado a esses migrantes, identificando possíveis vítimas de tráfico de pessoas, oferecendo acolhimento através de uma rede local”, explicou Márcia Ourives.
Ela explica ainda que os Postos também vão desenvolver campanhas para informar aos passageiros, sobre como se prevenir do tráfico de pessoas e como obter suporte, através dos consulados brasileiros e de outras organizações no exterior, no caso de sofrerem alguma violência.
Corredor de bolivianos
A diretora nacional que trata sobre tráfico de pessoas no Governo da Bolívia, Carola Arraya, comentou que tanto Mato Grosso, quanto Mato Grosso do Sul têm sido corredores do tráfico de pessoas bolivianas para atuarem em quase regime de escravidão em fábricas de confecções em São Paulo. Ela comentou sobre o assunto durante o I Encontro de Segurança Fronteiriça Brasil/Bolívia, de 20 a 21 de outubro, em Rio Branco (AC).
“Precisamos de mecanismos para diminuir os casos de tráfico de cidadãos bolivianos para fins de exploração laboral e isso passa por Mato Grosso que faz fronteira com o Departamento de Santa Cruz e combinar ações mais efetivas para atender as vítimas de forma mais imediata e dar o tratamento adequado”, comentou Carola.
Ela diz que o Governo boliviano quer repatriar esses cidadãos que são explorados no Brasil, mas entende que é difícil atacar o problema. Muitos saem da Bolívia, inclusive menores de idade, de forma voluntária ou por meio de empresas.
Entrada fora dos postos de imigração
Para evitar os postos de imigração, essas pessoas entram no Brasil por estradas alternativas, aproveitando da extensão da fronteira e pontos sem fiscalização.
“Eles fazem em todo um circuito para entrar no país sem documentos. A fiscalização e o controle dos lugares precisam dos militares bolivianos assumindo os controles dos espaços de fronteira e do lado brasileiro, uma fiscalização mais efetiva”.
Já em relação a ida de brasileiros ilegalmente para a Bolívia, ocorre para exploração sexual. Quatro mulheres brasileiras foram repatriadas ao Brasil, por meio da fronteira com o Acre. Foram abertos processos e 12 pessoas cumprem prisão preventiva na Bolívia pelo crime.
Geral
Hospital Geral de Cuiabá faz apelo por doação de leite materno para UTI Neonatal
O Hospital Geral e Maternidade de Cuiabá (HG) fez um apelo urgente à população diante da queda significativa no estoque do banco de leite humano. A unidade precisa de doações para garantir a alimentação de recém-nascidos internados na UTI Neonatal, muitos deles prematuros e em estado delicado.
O alerta ocorre em maio, mês dedicado à conscientização sobre a importância do aleitamento materno, o que reforça a necessidade de mobilização da sociedade.
De acordo com o coordenador do Banco de Leite Humano do Hospital Geral e Maternidade de Cuiabá (HG), Marcus Vinicius de Carvalho, o leite humano é essencial para a recuperação e o desenvolvimento dos bebês internados, especialmente aqueles que ainda não conseguem se alimentar diretamente no peito.
“Pedimos que mulheres que estejam amamentando e tenham produção excedente procurem o banco de leite. Cada frasco doado pode alimentar vários bebês. Para esses recém-nascidos, o leite materno é como um ‘ouro líquido’: protege contra infecções, auxilia no desenvolvimento intestinal e pode reduzir o tempo de internação“, explica.
Como doar
Para se tornar doadora, é necessário estar em fase de amamentação, ter boa saúde e não fazer uso de medicamentos contraindicados. A coleta pode ser realizada em casa, com recipientes esterilizados fornecidos pelo hospital. A equipe também orienta as mães sobre a forma correta de ordenha e armazenamento.
O banco de leite do Banco de Leite Humano do Hospital Geral e Maternidade de Cuiabá (HG) funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 18h, na Rua 13 de Junho, 2101 – 2º andar, região central de Cuiabá.
Informações adicionais podem ser obtidas pelo telefone (65) 3363-7035 ou WhatsApp: (65) 99601-1802.
“Não é preciso doar grandes quantidades. Cerca de 300 mililitros por semana já fazem diferença. É um gesto simples, gratuito e que pode salvar vidas“, reforça o coordenador.
Maio: mês de incentivo ao aleitamento
A mobilização acontece em sintonia com as campanhas nacionais de incentivo ao aleitamento materno. De acordo com o Ministério da Saúde, o leite humano pode reduzir em até 13% a mortalidade infantil por causas evitáveis. Apesar do aumento na procura por bancos de leite em Mato Grosso, o volume de doações ainda não acompanha a demanda.
Referência no atendimento a gestantes e recém-nascidos de alto risco, o Hospital Geral atende pacientes de toda a região metropolitana de Cuiabá. Atualmente, os 16 leitos da UTI Neonatal estão ocupados, o que aumenta a preocupação da equipe.
Com o estoque em nível crítico, a direção da unidade não descarta a possibilidade de racionamento do leite humano nos próximos dias, caso não haja reforço nas doações.
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