Geral
Lei determina recolhimento de medicamentos vencidos
Usar medicamentos é uma prática comum para a cura de problemas de saúde, mas e quando eles vencem o que fazer com esses produtos? Para resolver a questão do descarte foi publicada a lei municipal nº 5.678/2013 que estabelece às farmácias, drogarias, revendedores de medicamentos e as manipuladoras que atuam em Cuiabá o dever de disponibilizar recipientes adequados e em local de fácil visualização para recolhimento de medicamentos domiciliares, vencidos ou não utilizados.
A legislação disciplina ainda que os locais onde são vendidos os medicamentos devem oferecer aos clientes postos coletores dos resíduos em medicamento sólido ou líquido e resíduos recicláveis. Caberá aos fabricantes a troca dos recipientes quando necessário.
Prática que é adotada em toda a rede Drogasil, segundo o farmacêutico da unidade do bairro Bosque da Saúde, Marcel Lopes Dantas. "Soubemos dessa regra por uma cliente e a partir daí passamos a integrar o programa Descarte Consciente. Desde o ano passado temos a unidade coletora de medicamentos para descarte nesta farmácia e o espaço tem agradado muito nossos clientes".
Na farmácia popular do bairro Cidade Alta, assim como na Drogasil, o recolhimento dos medicamentos é feito mensalmente por uma empresa terceirizada, mas caso o volume seja maior, o período de arrecadação é reduzido a 15 dias. Os resíduos acumulados tem como destino a incineração.
Em caso de descumprimento da lei, o infrator deverá sanar a irregularidade no prazo máximo de 30 dias, contados da notificação, sob pena de multa no valor de R$ 1 mil a R$ 100 mil. Nos casos de reincidência, a multa prevista será aplicada em dobro e, persistindo a irregularidade, mesmo após a imposição de multa em dobro, será aplicada multa pecuniária diária de R$ 300 a R$ 3 mil até o cumprimento integral da lei.
Apesar de a legislação existir há mais de três anos, o porteiro Osvaldo Lima Maciel, a desconhecia e jogava os remédios vencidos no lixo. "Sempre que os remédios lá de casa passam do prazo de validade eu jogo na lixeira, mesmo sabendo que não é o local correto porque afeta o meio ambiente. Fiquei muito feliz de saber que existe essa novidade, um ponto de coleta de medicamentos vencidos".
O servidor público estadual, João Bosco Corrêa da Costa, também se surpreendeu ao saber da existência de unidades coletoras de medicamentos vencidos ou em desuso na Capital. "É muito bom saber que há um lugar específico para eliminar a medicação fora de uso, até agora eu jogava no vaso sanitário e dava descarga. A partir de hoje trarei para a farmácia e vou destinar ao local certo".
A falta de conhecimento da população sobre a lei é o principal problema a ser sanado pelo Poder Público Municipal, de acordo com o assessor jurídico do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Estado de Mato Grosso (Sincofarma-MT), José Antonio Parolin. "Queríamos uma norma que incentivasse as pessoas a recolher esse tipo de materiais que podem provocar intoxicação e atingem o lençol freático caso sejam desprezados em locais inapropriados, contudo não há campanhas de divulgação para conhecimento da sociedade. O lado negativo são os custos que os empresários têm que arcar, já que o descarte é cobrado por quilo", explica.
Parolin destaca a importância das medidas preventivas de coleta dos fármacos. "É de extrema importância essa exigência, pois há princípios ativos medicamentosos que levam até 100 anos para se inativar em contato com o meio ambiente, um exemplo é o captopril", conclui.
Atualmente, há um projeto de lei em trâmite na Assembleia Legislativa de Mato Grosso sobre o mesmo tema que irá estender a obrigatoriedade aos estabelecimentos de comercialização de medicamentos de todo o Estado.
Geral
Eliminação do Brasil reforça importância da liderança e do coletivo
A eliminação da Seleção Brasileira reacendeu debates sobre escolhas táticas, desempenho dos jogadores e decisões da comissão técnica. No entanto, para a mentora e empresária Simone Bernardino, o resultado dentro de campo oferece uma oportunidade de reflexão que vai além do futebol e alcança temas como liderança, gestão, trabalho em equipe e desenvolvimento humano.
Especialista em mentoria sistêmica e idealizadora do Tour Semear, Simone avalia que toda derrota é consequência de um processo construído ao longo do tempo e não apenas dos acontecimentos registrados durante os 90 minutos de uma partida.
Segundo ela, a visão sistêmica propõe uma mudança na forma de interpretar os resultados, substituindo a busca por culpados pela compreensão dos fatores que influenciam o desempenho coletivo.
“Quando olhamos apenas para o placar, enxergamos apenas a consequência. O verdadeiro resultado começa a ser construído muito antes do jogo, na liderança, na comunicação, na confiança entre as pessoas e na forma como cada integrante ocupa seu papel dentro da equipe“, explica.
Para a mentora, o talento individual, por mais relevante que seja, dificilmente consegue sustentar grandes resultados quando o grupo perde o alinhamento e a capacidade de atuar de forma integrada.
“O Brasil sempre revelou atletas extraordinários. Mas nenhuma equipe vence apenas pelo brilho individual. Os grandes resultados nascem quando existe conexão, propósito comum e confiança entre todos os envolvidos“, afirma.
Embora utilize a eliminação da Seleção como ponto de partida, Simone destaca que o aprendizado pode ser aplicado em diferentes áreas da vida. Ela observa que empresas, famílias e organizações enfrentam desafios semelhantes quando deixam de olhar para o funcionamento do sistema como um todo.
“Nas empresas é comum encontrar profissionais altamente qualificados que não conseguem entregar resultados porque falta alinhamento. Nas famílias, muitos conflitos são apenas reflexos de questões mais profundas que nunca foram enfrentadas. O sistema sempre comunica aquilo que precisa ser transformado“, analisa.
Outro aspecto ressaltado por Simone é a importância das derrotas como instrumentos de aprendizado. Na visão da especialista, momentos difíceis costumam revelar fragilidades que permanecem escondidas durante os períodos de sucesso.
“Em vez de perguntar quem errou, talvez a pergunta mais importante seja: o que esse resultado está tentando nos mostrar? Quando mudamos essa perspectiva, deixamos de gastar energia procurando culpados e passamos a construir soluções“, observa.
A mentora também defende que a responsabilidade pelos resultados nunca deve recair exclusivamente sobre uma única liderança. Para ela, treinadores, gestores e líderes exercem papel fundamental ao definir estratégias e direcionar equipes, mas o desempenho final depende da interação entre pessoas, cultura organizacional, preparação e ambiente.
Conhecida pelo trabalho desenvolvido com empresários em diferentes estados e países, Simone Bernardino afirma que utiliza sua própria trajetória de superação como ferramenta para despertar novos olhares sobre liderança, desenvolvimento pessoal e gestão de equipes. Por meio do Tour Semear, ela promove encontros voltados ao fortalecimento da consciência empresarial e à construção de organizações mais saudáveis e conectadas.
Para a especialista, a eliminação da Seleção Brasileira deixa uma mensagem que ultrapassa o universo esportivo: resultados consistentes são fruto de processos sólidos. E toda transformação começa quando se aprende a enxergar além do óbvio.
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