REPASSE INTEGRAL DO DUODÉCIMO
Por 10 votos a 1, STF determina repasse integral de duodécimos à Defensoria Pública de Mato Grosso
Por 10 votos a 1, em julgamento virtual, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o Governo de Mato Grosso faça o repasse de duodécimos, correspondentes aos recursos das dotações orçamentárias destinadas à Defensoria Pública de Mato Grosso até o dia 20 de cada mês.
O caso foi julgado após a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 504 feita pela Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos (ANADEP).
Segundo o defensor público-geral de Mato Grosso, Clodoaldo Queiroz, o Governo do Estado já quitou os débitos relativos ao repasse do duodécimo.
“Foi quitado tudo no final do ano passado. O Supremo decidiu mesmo assim julgar o processo para deixar claro que não poderia deixar de ser feito o repasse, para firmar o entendimento”, destacou.
Conforme apontado na ação, os atrasos nos repasses por parte do Governo prejudicaram o acesso à Justiça de milhares de mato-grossenses em situação de vulnerabilidade social.
“É uma decisão extremamente importante, não só para a DPMT e para a Associação Mato-grossense dos Defensores Públicos (Amdep), mas para todas as Defensorias Públicas de todo o Brasil, reafirmando a autonomia funcional e orçamentária do órgão, e garantindo o repasse do duodécimo”, reforçou o presidente da ANADEP, Pedro Paulo Coelho.
De acordo com a ministra relatora Rosa Weber, a restrição não pode ocorrer em quaisquer circunstâncias pelo Poder Executivo, sem a participação do Poder ou órgão autônomo afetado, que possui independência funcional e financeira.
“A autonomia financeira é voltada para a proteção da interferência indevida do Chefe do Poder Executivo em outros Poderes e órgãos (ou instituições) de Estado”, frisou a ministra.
A decisão reafirma um entendimento do STF de soberania orçamentária dos órgãos autônomos, a Defensoria Pública, o Ministério Público, o Tribunal de Contas, além dos Poderes Judiciário e Legislativo.
“Fundamenta ainda mais essa prerrogativa. As Defensorias todas do Brasil estão hoje celebrando essa decisão. O Poder Executivo, que repassa o recurso, não pode deixar de repassar até o dia 20 de cada mês. E quando não há o repasse, ou há atraso, ocorre o descumprimento de um preceito fundamental, o que estava sendo discutido nessa ação, e aí cabe a intervenção direta do Supremo Tribunal Federal”, salientou Queiroz.
O argumento de contingenciamento de gastos públicos, segundo a ministra relatora, “não pode ser usado como instrumento de barganha política contra poderes e instituições, sob pena de deturpação e captura do Estado de Direito”.
Decisão similar
Em agosto, o pleno do Supremo Tribunal Federal julgou procedente a ADPF 384, reconhecendo o direito da Defensoria Pública de Minas Geras ao recebimento integral de duodécimos. O relator do caso foi o ministro Edson Fachin.
“Mais uma vez, uma ampla maioria dos ministros entendeu a necessidade da nossa autonomia, que é extremamente importante para o cumprimento da Emenda Constitucional 80. É mais um reforço de uma tese há muito tempo defendida pela ANADEP”, reforçou Coelho.
Emenda Constitucional
A EC 80/2014 determina que exista pelo menos um defensor público em cada comarca do país até 2022, garantindo a assistência jurídica gratuita a todo cidadão de baixa renda.
Segundo o presidente da ANADEP, Pedro Paulo Coelho, houve avanços nos últimos anos.
“Passamos de 40% das comarcas preenchidas, mas ainda estamos longe de alcançar a EC 80. Com a pandemia, sabemos que a dificuldade será ainda maior, já que ela escancarou a desigualdade social no Brasil”, disse.
Estudos indicam que a população em situação de vulnerabilidade social tem aumentado muito durante a pandemia do novo Coronavírus.
“A título de exemplo, muitas pessoas que antes tinham plano de saúde passaram a depender do SUS. Toda essa problemática social vai sobrecarregar ainda mais as Defensorias Públicas”, ressaltou Coelho, defendendo o incremento orçamentário da instituição em todo o país.
ECONOMIA
Mato Grosso projeta orçamento de R$ 46,1 bilhões para 2027, com alta de 13,3% e expansão dos investimentos
O Governo do Estado de Mato Grosso prevê um orçamento de R$ 46,125 bilhões para 2027, montante 13,3% superior aos R$ 40,7 bilhões estimados para 2026. A proposta da Lei Orçamentária Anual (LOA) foi apresentada à Assembleia Legislativa na quarta-feira (7) e estabelece as diretrizes para a distribuição dos recursos públicos estaduais no próximo exercício financeiro. O planejamento define as prioridades administrativas, os gastos com pessoal, os investimentos em infraestrutura e os valores destinados aos principais setores da administração pública.
A proposta orçamentária foi elaborada pelo Poder Executivo estadual, responsável por planejar a arrecadação e estabelecer a previsão das despesas para o ano seguinte. O documento foi encaminhado ao Legislativo mato-grossense, onde os deputados estaduais deverão examinar os números, avaliar as prioridades apresentadas e discutir eventuais alterações. A tramitação constitui uma etapa fundamental para a definição dos limites financeiros que orientarão a atuação do governo em 2027.
Entre as principais despesas previstas, o pagamento de servidores públicos e os encargos sociais concentram a maior parcela dos recursos. O governo estima destinar R$ 25,34 bilhões a essa finalidade, valor equivalente a aproximadamente 55% do orçamento total. A quantia representa um crescimento de 9,5% em relação à previsão para 2026 e evidencia o peso das despesas com pessoal na estrutura financeira do Estado, reduzindo a parcela disponível para outras finalidades administrativas.

Os investimentos públicos também apresentam expansão significativa na proposta. A previsão é aplicar R$ 5,65 bilhões nessa área, o que corresponde a um aumento de 23,67% em comparação com o valor anteriormente estimado. Desse total, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística deverá contar com R$ 4,337 bilhões, incluindo R$ 1,31 bilhão destinado à pavimentação de 517 quilômetros de rodovias. A execução dessas ações dependerá da programação financeira, dos procedimentos administrativos e do andamento dos projetos previstos.
Na distribuição dos recursos por áreas estratégicas, a Educação deverá receber R$ 6,85 bilhões, enquanto a Segurança Pública contará com R$ 4,92 bilhões. A Previdência Social terá uma previsão de R$ 7,91 bilhões, valor que integra o conjunto de despesas relacionadas à proteção previdenciária. Os montantes demonstram a dimensão dos compromissos financeiros assumidos pelo Estado em setores que influenciam diretamente a prestação de serviços públicos, a proteção social e o funcionamento da administração estadual.
A habitação aparece entre as áreas com maior crescimento proporcional na proposta orçamentária. Os recursos previstos para o setor chegam a R$ 490 milhões, ante R$ 15,4 milhões no orçamento anterior. A diferença representa uma ampliação expressiva da dotação projetada, embora a efetiva transformação desses valores em moradias e programas habitacionais dependa da execução orçamentária, da estruturação dos projetos e dos critérios de atendimento definidos pelo poder público.

No campo fiscal, o projeto prevê uma redução de 8,69% nas despesas com juros e encargos da dívida pública. Em contrapartida, os recursos destinados à amortização deverão aumentar 72,42%, alcançando R$ 674,6 milhões. Segundo a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), as medidas integram a estratégia governamental de controle das contas públicas e redução do endividamento. A concretização desses objetivos dependerá, entre outros fatores, do comportamento das receitas, do cumprimento das metas fiscais e da evolução das obrigações financeiras estaduais.
A proposta também solicita autorização para que o Executivo abra créditos suplementares de até 20% das despesas previstas, percentual que corresponde a aproximadamente R$ 9,2 bilhões. O mecanismo permite reforçar dotações orçamentárias e ajustar a distribuição dos recursos durante o exercício, conforme as necessidades administrativas e os limites legais aplicáveis. A utilização dessa autorização, entretanto, deverá observar as regras orçamentárias e os procedimentos exigidos pela legislação vigente.
A partir da apresentação da LOA, o projeto passa à análise dos deputados estaduais, que poderão propor emendas antes da votação definitiva, prevista para ocorrer até o fim de 2026. Durante a tramitação, os parlamentares terão a oportunidade de examinar a distribuição dos recursos, discutir prioridades e avaliar a compatibilidade das despesas projetadas com as necessidades do Estado. A aprovação legislativa será necessária para concluir o processo de autorização orçamentária para o próximo exercício.
A expectativa é que o orçamento entre em vigor em 1º de janeiro de 2027, após a conclusão das etapas legais de apreciação e aprovação. Com a previsão de R$ 46,125 bilhões, o planejamento financeiro estabelecerá os parâmetros para o custeio da máquina pública, a manutenção dos serviços essenciais, o pagamento das obrigações estaduais e a realização de investimentos. O principal desafio será transformar as previsões financeiras em resultados concretos para a população, mantendo o equilíbrio das contas públicas e assegurando transparência na aplicação dos recursos arrecadados.
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