MONITORANDO REPASSES RECEBIDO
MPF fiscaliza R$ 200 milhões em “Emendas Pix” em mais de 50 cidades mato-grossenses
O Supremo Tribunal Federal (STF), em setembro deste ano, determinou que a Advocacia-Geral da União (AGU), e o Tribunal de Contas da União (TCU) apresentassem, no prazo de 15 dias, um cronograma detalhado de fiscalização das chamadas “Emendas Pix” executadas entre 2020 e 2024.
A decisão, assinada pelo ministro Flávio Dino, ocorreu em meio ao avanço de propostas legislativas que buscavam ampliar garantias aos parlamentares e intensifica o debate nacional sobre transparência, controle orçamentário e responsabilização no uso de recursos públicos.
As “Emendas Pix” permitem transferências diretas da União para Estados e Municípios sem a exigência prévia de convênios, projetos técnicos ou detalhamento da destinação dos valores. Criada em 2019, a modalidade ganhou escala rapidamente e passou a ser alvo de críticas por dificultar o acompanhamento da execução financeira e reduzir os mecanismos tradicionais de fiscalização previstos na Constituição.

Auditorias preliminares da Controladoria-Geral da União (CGU), indicaram fragilidades relevantes na aplicação desses recursos. Em levantamento recente, a CGU analisou os dez municípios que mais receberam verbas por meio dessa modalidade, totalizando mais de R$ 700 milhões, e apontou ausência de informações claras sobre a efetividade e o impacto dos gastos realizados.
Em Mato Grosso, o Ministério Público Federal (MPF), instaurou mais de 70 procedimentos para apurar a aplicação de “Emendas Pix” em cerca de 50 municípios, com valores que superam R$ 200 milhões. As investigações buscam verificar se houve desvio de finalidade, falhas na prestação de contas ou uso político dos recursos, especialmente em cidades de médio e grande porte.
O entendimento que sustenta as apurações é que o modelo atual pode enfraquecer o papel do Executivo na coordenação orçamentária e limitar a atuação dos órgãos de controle. Ao permitir transferências sem critérios públicos objetivos, as “Emendas Pix” passaram a ser vistas por especialistas como um instrumento que amplia a discricionariedade política e reduz a previsibilidade do gasto público.
Além da atuação do Ministério Público Federal (MPF), o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT), passou a monitorar os repasses federais recebidos pelos municípios como como Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Sinop, Cáceres, entraram na mira das investigações por determinação do ministro Flávio Dino, por meio dessa modalidade, ampliando a rede de fiscalização local. A iniciativa busca suprir lacunas de controle e oferecer maior segurança jurídica à execução orçamentária nos entes subnacionais.

O debate ocorre em um contexto no qual o Brasil executa anualmente centenas de bilhões de reais em transferências voluntárias e obrigatórias. Dados do Tesouro Nacional indicam que, apenas em 2023, as transferências da União para estados e municípios ultrapassaram R$ 400 bilhões, o que reforça a centralidade do tema e a pressão institucional por mecanismos mais rigorosos de transparência e controle.
Flávio Dino cita Mendes como “exemplo”
Crítico das “Emendas Parlamentares“, o governador Mauro Mendes (UB) foi citado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, como ‘exemplo’ nas reclamações que recebeu e que culminou nas séries de decisões que deu para bloquear e investigar pagamento de emendas parlamentares pelo Congresso Nacional em 2025.
Em uma palestra, Flavio Dino afirmou que Mauro Mendes ao representar o Fórum Nacional dos Governadores na audiência pública para tratar do assunto, classificou a situação das emendas nos estados e municípios como ‘muito grave’.
“Faz o que? Finjo que não ouvi por causa da temperatura política? É esse o Judiciário que querem?“, questionou Flavio Dino.
Na época da audiência, Mauro Mendes afirmou que as “Emendas Parlamentares” se tornaram “instrumento de interesses políticos” dos parlamentares para fins eleitorais.
“Essas emendas hoje servem muito mais como instrumento da gestão política dos seus atores, de interesses eleitorais, do que interesses maiores da sociedade brasileira“, disse na época.
ECONOMIA
Tribunal de Contas e ANM firmam parceria para impulsionar economia e reduzir desigualdades
O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT), conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida, liderou nesta segunda-feira (18) uma reunião estratégica com representantes da Agência Nacional de Mineração (ANM), incluindo o gerente regional Jocy Miranda. O encontro marcou o início de uma parceria institucional voltada para regulamentar e fomentar a atividade mineradora no estado.
A principal pauta da reunião foi a defesa da mineração como um dos pilares da economia mato-grossense. Sérgio Ricardo destacou que, além da produção agrícola e pecuária, a exploração mineral deve ser reconhecida como atividade histórica e estratégica, capaz de gerar emprego, renda e arrecadação para os municípios.
O encontro ocorreu na manhã de segunda-feira, dia 18, em Cuiabá. A data simboliza o início formal de uma cooperação que, segundo os envolvidos, terá desdobramentos práticos nos próximos meses, com a publicação de notas recomendatórias e a instauração de auditorias específicas.
A reunião foi realizada na sede do Tribunal de Contas de Mato Grosso, em Cuiabá. O local foi escolhido por representar a instituição responsável pela fiscalização e pelo acompanhamento das políticas públicas, reforçando o caráter oficial e técnico da iniciativa.
Segundo Sérgio Ricardo, a mineração pode ser um instrumento eficaz no combate às desigualdades regionais. A justificativa está na capacidade de arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), que destina 60% de sua receita diretamente aos municípios, fortalecendo os cofres públicos e ampliando investimentos locais.
O Tribunal de Contas prepara uma nota recomendatória aos municípios e instaurará auditorias para mapear a produção de ouro e outros minerais. O processo incluirá rastreabilidade, exigência de licenciamento ambiental e autorização da ANM, além de fiscalização rigorosa. A medida pretende separar práticas informais da exploração legal e transparente.
Embora ainda não haja números oficiais sobre a produção mineral em Mato Grosso, o conselheiro enfatizou a necessidade de mensurar a quantidade de ouro extraído e de outros minerais. A arrecadação via Exploração de Recursos Minerais (CFEM), que já representa uma fonte significativa de recursos, deverá ser ampliada com a regulamentação e fiscalização adequadas.
As declarações foram feitas pelo presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT), Sérgio Ricardo, que ressaltou a importância da mineração como divisor de águas na economia estadual. O gerente regional da ANM, Jocy Miranda, reforçou que a cooperação busca orientar os municípios sobre o uso correto dos recursos federais e estaduais provenientes da atividade.
A expectativa é que a parceria entre TCE e ANM fortaleça a economia mato-grossense, ampliando a arrecadação municipal e estadual, além de promover maior transparência na exploração mineral. A medida também deve contribuir para reduzir desigualdades regionais, ao garantir que os recursos sejam aplicados em políticas públicas essenciais.
Nos próximos meses, o Tribunal de Contas deverá publicar oficialmente a nota recomendatória e iniciar auditorias em municípios com atividade mineradora. A ANM, por sua vez, continuará a fornecer suporte técnico e orientação, consolidando a mineração como um setor complementar ao agronegócio e fundamental para o desenvolvimento sustentável de Mato Grosso.
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