Artigo
O que o fogo revela
Autora: Soraya Medeiros* –
Por que os fins que mais tememos podem ser, na verdade, os únicos recomeços possíveis
Renascer não é bonito — apesar do que se costuma dizer. Existe uma narrativa confortável sobre “renascer das cinzas”, como se o processo fosse leve e inspirador. Não é. Renascer dói porque exige ruptura.
Atravessar o fim de um relacionamento, a perda de um projeto ou um abalo na própria saúde está longe de qualquer idealização. Há desordem, silêncio e um confronto inevitável com versões de si mesmo que já não se sustentam. Nesse contexto, a dor não é excesso. É processo.
Fomos condicionados a enxergar o fim como fracasso. Encerramentos parecem sentenças definitivas. Mas há outra leitura possível: alguns fins não são perdas, são depurações. O que se desfaz nem sempre era essencial — muitas vezes, era apenas o que permanecia por hábito, medo ou conveniência.
O psiquiatra suíço Carl Jung sintetizou essa travessia ao afirmar:
“Não há nascimento da consciência sem dor.“
A consciência não se expande no conforto. É na ruptura que surgem as perguntas que realmente importam — e, com elas, a possibilidade de transformação.
Mudanças profundas raramente acontecem quando tudo está estável. É preciso que algo se rompa para que o indivíduo reveja escolhas, reposicione limites e reavalie a própria identidade. Nesse sentido, o “fogo” não atua como destruição pura, mas como revelação. Ao eliminar excessos, expõe o que permanece.
Ainda assim, é comum o desejo de retorno. Depois do impacto, muitos querem “voltar a ser quem eram”. Trata-se de um impulso compreensível, mas equivocado. Retornar seria retomar padrões que, em algum nível, contribuíram para o colapso. Nem tudo que se perde deve ser recuperado.
A imagem da fênix ajuda a compreender esse movimento — desde que não seja romantizada. O renascimento não implica repetição. Trata-se de emergir com mais consciência, mais precisão e mais fidelidade a si mesmo.
Para quem atravessa esse processo, a tendência inicial é resistir. Tentar preservar o que ainda resta. Mas há momentos em que resistir apenas prolonga o sofrimento. Aceitar a travessia, por mais difícil que seja, pode ser o único caminho possível.
O que é essencial permanece. O que não é, se desfaz.
O fim, portanto, não precisa ser visto como uma sentença, mas como um ponto de inflexão. Um momento em que algo se encerra para que outra forma de existir possa surgir.
Carl Jung também descreve a “soleira” como esse espaço de passagem entre o que se foi e o que ainda não se tornou. Permanecer nela é uma estagnação. Atravessar exige coragem — mas é o que permite seguir.
Talvez o maior desafio não esteja no fim, mas na forma como o interpretamos. Quando o encerramento deixa de ser um fracasso e passa a ser transformação, algo muda.
As cinzas não são apenas restos. São vestígios de um processo que abriu caminho para o que vem depois.
*Soraya Medeiros é jornalista.
Artigos
PARABÉNS, VÁRZEA GRANDE 159 ANOS DE HISTÓRIA!!
Autor: Wilson Pires de Andrade* –
Da Várzea Grande fundada por Couto Magalhães em 15 de maio de 1867, pouca coisa existe como referência. Sempre fez parte da vida histórica da antiga “Várzea” as reclamações com as autoridades governamentais, com os descasos e como tratavam o pequeno lugarejo.
A várzea, no entanto, sempre mostrou sua vocação de cidade grande, de porte, parecia haver nos primeiros moradores uma autoconfiança em relação ao futuro da pequena vila, que viria a tornar-se à cidade industrial do Estado de Mato Grosso.
Não obstante, os horizontes do terceiro Distrito de Cuiabá na década de 40 só foram ampliados diante da emancipação do município, sancionada pelo então governador Arnaldo Estevão de Figueiredo em 1947. Os anos 50 esboçam a futura capital da indústria.
A arte de carnear, herança dos prisioneiros paraguaios, marcou o cotidiano dos negócios. Para curtir o couro dos animais abatidos, Várzea Grande ganharia sua primeira indústria do gênero. Do artesanato do início do século, a cerâmica virou atividade industrial forte e inúmeras empresas destinadas a este ramo estão instaladas em todo o município.
A vocação industrial ganha notável impulso com a chegada dos anos 70, tempo do Brasil gigante. Da Transamazônica e da rodovia Cuiabá – Santarém. Muitas doações de áreas, incentivos fiscais de toda a natureza e infraestrutura adequada, atraem grandes grupos econômicos.
Deu-se o início à industrialização, a Alameda Júlio Muller, antigo caminho de pescadores, ganha ares de Distrito Industrial. Instalou-se ali a empresa Sadia Oeste, que empregava na época quase dois mil funcionários e que exportava um milhão de toneladas de carne por ano, sendo grande fator de geração de divisas para o município.
Próximo a Sadia Oeste, crescia o grande Cristo Rei, o maior bairro residencial deste município e celeiro de mão-de-obra local. A exploração da industrialização, ocorrida em todos os cantos do município, estimulou o comércio que ferve em toda a extensão da Avenida Couto Magalhães. E se Várzea Grande sempre foi caminho, passagem, o destino mais uma vez lhe foi fiel.
Privilegiada pelo relevo e embalada pela vontade de decolar, a cidade ganhou em 1949 um moderno Aeroporto, localizado a 8 quilômetros do centro da Capital Cuiabá. Do Aeroporto Internacional Marechal Rondon, saem vôos para os mais diversos destinos que vão de fazendas e garimpos até grandes centros do país.
CIDADE INDUSTRIAL
É uma realidade, o que para muitos no passado era apenas um sonho. Fiel a sua vocação de cidade industrial, Várzea Grande é ponta de lança na construção do Mato Grosso industrializado do terceiro milênio, transformador de matéria prima e gerador de riquezas.
Todos os caminhos passam pela várzea predestinada a ser grande. Pelas avenidas da FEB, Couto Magalhães, Júlio Campos, rodovias dos Emigrantes e Mário Andreazza até o Trevo do Lagarto passam produtos e pessoas, levam e trazem riquezas. Sua gente acolhedora recebe com amor, todos aqueles que a escolhem para morar. Aberta a todas as culturas consegue se manter fiel às suas riquezas culturais.
PARQUE TECNOLÓGICO
Para muitos era um sonho, parecia impossível o referido Parque ser construído em Várzea Grande, devido à grande concorrência com muitas cidades de Mato Grosso. Mas no dia 07 de maio de 2018, o governador Pedro Taques em uma concorrida solenidade assinou a ordem de serviço para construção do Centro de Inovação do Parque Tecnológico de Mato Grosso, na região do Chapéu do Sol em Várzea Grande.
O Parque Tecnológico Mato Grosso é um ambiente voltado à criação, desenvolvimento, disponibilização de soluções tecnológicas e atração de empresas inovadoras ao mercado. Sua estruturação está sendo realizada pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação – SECITEC, órgão ao qual o Parque se encontra diretamente vinculado, além de outras instituições públicas e privadas parceiras do projeto.
O Parque está implantado na região denominada “Chapéu do Sol”, na cidade de Várzea Grande/MT, em uma área de 16 hectares, dos quais 8 ha estão reservados para a instalação de instituições públicas com os demais 8 ha destinados a abrigar empresas e instituições privadas.
Já estão concluídas, nas imediações do Parque, as instalações dos Campi de Várzea Grande da Universidade Federal de Mato Grosso/UFMT, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso/IFMT, Fórum da Comarca, Sede do Ministério Público, além da proposta de instalação da Universidade de Mato Grosso/UNEMAT na área do Parque.
O primeiro edifício construído é o Centro de Inovação, que abrigará um espaço de coworking, incubadora e aceleradora de startups, centro de pesquisas, área corporativa, estacionamento, restaurante e um anfiteatro para 700 pessoas.
O entorno da área de 16 ha do Parque Tecnológico conta com uma reserva de 64 hectares de propriedade privada, cuja destinação é voltada à instalação de empresas e organizações, privadas ou públicas, com atuação nas áreas estratégicas definidas pelo Parque Tecnológico de Mato Grosso.
E no tear do tempo Várzea Grande vai sendo gerada por seu povo, sua gente e a vida que leva. Acolhe nos braços migrantes de toda parte, oferece oportunidades, vira gente grande, desenvolvida e progressista, gera riquezas sem abandonar suas raízes. Várzea Grande cresceu para ser caminho. Passam vidas, cruzam histórias.
*Wilson Pires de Andrade é jornalista em Mato Grosso
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