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CONCESSÃO DE 30 ANOS

TJMT rejeita recurso da CS Mobi e mantém CPI sobre concessão bilionária em funcionamento

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O Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJMT) rejeitou os embargos de declaração apresentados pela CS Mobi Cuiabá e manteve em funcionamento a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal de Cuiabá, responsável por investigar o contrato de concessão firmado entre a empresa e a administração do ex-prefeito Emanuel Pinheiro (PSD). A decisão, proferida nesta quinta-feira (27), impede a paralisação integral dos trabalhos da comissão, embora preserve uma restrição específica determinada anteriormente pela Justiça.

A concessionária havia recorrido contra a decisão que permitiu a continuidade das atividades da CPI e buscava modificar pontos relacionados à tramitação do processo. Com a rejeição dos embargos, a comissão permanece autorizada a prosseguir com a investigação, mas continua impedida de realizar a oitiva da advogada da CS Mobi, conforme estabelecido na decisão judicial anterior. As demais atividades parlamentares, portanto, poderão ser mantidas enquanto o processo segue em tramitação.

A investigação foi instaurada para apurar possíveis irregularidades no Contrato de Concessão Administrativa nº 558/2022, celebrado durante a gestão municipal anterior. Conforme os levantamentos realizados pela CPI, o negócio poderá representar mais de R$ 700 milhões em possíveis prejuízos aos cofres públicos de Cuiabá. A comissão busca esclarecer as circunstâncias da contratação, a estrutura econômica do acordo e os impactos financeiros projetados para o Município ao longo de sua vigência.

O contrato reuniu, em uma única concessão, diferentes atividades comerciais e econômicas, incluindo a exploração do estacionamento rotativo, ações de marketing e todas as modalidades comerciais previstas para o novo Mercado Municipal. O empreendimento está localizado na região central da Capital e integra um modelo contratual de longo prazo, cujas obrigações financeiras poderão ser ampliadas conforme os aditivos e reajustes previstos durante a execução do acordo.

Considerados os mecanismos de atualização e as alterações contratuais admitidas ao longo do período de vigência, o valor total da concessão poderá alcançar R$ 1,226 bilhão em 30 anos. A dimensão financeira do contrato tornou-se um dos principais pontos de atenção da investigação parlamentar, que pretende examinar se as condições estabelecidas preservaram o interesse público e se houve eventual desequilíbrio capaz de produzir impactos negativos aos recursos municipais.

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Nos embargos de declaração, a CS Mobi alegou a existência de supostas omissões e obscuridades na decisão que permitiu a retomada dos trabalhos da CPI. Entre os questionamentos apresentados estavam a ausência de esclarecimentos sobre eventual risco de dano, a forma de contagem do prazo de funcionamento da comissão durante o recesso parlamentar e a validade da prorrogação de suas atividades. A empresa pretendia, assim, obter novo pronunciamento judicial sobre esses pontos.

O recurso foi analisado pelo juiz convocado Gilberto Lopes Bussiki, que concluiu não existir nenhuma das falhas apontadas pela concessionária. Segundo o magistrado, a decisão anterior examinou adequadamente as questões levantadas, mas reconheceu a inexistência de fundamento suficiente para manter a CPI completamente paralisada. A controvérsia sobre a validade da prorrogação da comissão, entretanto, permanece aberta e deverá ser submetida a uma análise mais aprofundada das normas previstas no Regimento Interno da Câmara de Cuiabá.

Bussiki também esclareceu que a referência ao período de recesso parlamentar não representou uma determinação para suspender automaticamente a contagem do prazo da CPI. De acordo com o magistrado, a questão foi mencionada apenas para registrar que será examinada oportunamente durante o julgamento do mérito do agravo. O juiz ainda avaliou a ata da reunião realizada em 8 de julho e entendeu que os documentos apresentados posteriormente demonstram apenas a continuidade da discussão, sem constituir uma decisão definitiva sobre o tema.

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Para o magistrado, os embargos de declaração foram utilizados pela CS Mobi como tentativa de reabrir a discussão sobre o mérito da tutela concedida anteriormente, finalidade que não corresponde à natureza desse recurso. Na decisão, Bussiki reafirmou que a medida judicial restabeleceu integralmente a primeira liminar proferida no processo, sem determinar a suspensão total das atividades da comissão. A única limitação específica mantida pela Justiça está relacionada ao depoimento da advogada da concessionária.

Ao rejeitar os embargos, o juiz afirmou que não havia omissão, contradição ou obscuridade na decisão questionada, mantendo-a integralmente. Com isso, a CPI da Câmara de Cuiabá seguirá em funcionamento e poderá dar continuidade à investigação sobre o contrato firmado com a CS Mobi, enquanto permanecem pendentes de julgamento a regularidade da prorrogação da comissão e a forma de contagem de seu prazo durante o recesso parlamentar.

O caso continuará sob análise judicial, tendo como pano de fundo uma concessão que poderá atingir R$ 1,226 bilhão ao longo das três décadas previstas para sua vigência.

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Destaques

Polícia Federal desarticula esquema multimilionário de ouro ilegal em Mato Grosso

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A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (28), a “Operação Arcanjo“, uma ação ostensiva voltada ao combate direto da extração e comercialização ilícita de minérios valiosos em Mato Grosso. A ofensiva policial cumpriu de forma simultânea 22 mandados de busca e apreensão e duas ordens de prisão preventiva, visando interromper o fluxo financeiro de uma estrutura criminosa altamente organizada.

O alvo central da corporação é uma organização sofisticada dedicada à compra, ao transporte e à comercialização de ouro extraído sem autorização dos órgãos reguladores. As apurações apontam que a rede estruturada contava com divisões bem delimitadas de tarefas, permitindo a circulação contínua do material precioso do garimpo até os receptadores finais.

O foco geográfico das buscas compreendeu sete cidades estratégicas em três estados distintos: Cuiabá, Várzea Grande, Poconé e Pontes e Lacerda, em Mato Grosso; Campo Grande, em Mato Grosso do Sul; e São José do Rio Preto, no interior paulista.

A abrangência territorial demonstra a grande capilaridade do grupo e a complexidade do arranjo logístico montado para atravessar divisas estaduais.

As investigações oficiais revelam que o mineral era extraído ilegalmente na região de Poconé, município mato-grossense a 100 quilômetros da capital Cuiabá e tradicionalmente marcado pela atividade garimpeira. A escolha da localidade facilitava a cooptação de exploradores não autorizados e o recolhimento primário do produto antes de sua inserção no circuito comercial.

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As condutas ilícitas vinham sendo executadas de forma sistemática por meio da divisão do grupo em núcleos especializados de fornecedores, operadores financeiros, intermediários, transportadores e compradores finais. O modo de atuação garantia a continuidade da cadeia clandestina, desde a lavra primária na jazida até a consolidação da venda no mercado final.

O motivo impulsionador da operação ostensiva baseia-se na identificação de negociações que movimentaram aproximadamente 17,3 quilos de ouro ilícito e transacionaram quantias superiores a R$ 5,2 milhões. As autoridades federais agiram preventivamente para cessar o dano ambiental e reprimir a usurpação do patrimônio mineral pertencente à União.

Para dissimular a origem do capital, os operadores financeiros utilizavam estratégias como o fracionamento de depósitos em contas bancárias de terceiros e a realização de saques vultosos em espécie. A pulverização do dinheiro visava criar barreiras ao rastreamento formal das transações pelos órgãos fiscalizadores e dificultar a vinculação dos recursos à atividade ilícita.

O transporte rodoviário levava o minério recolhido em Mato Grosso até um estabelecimento comercial em São José do Rio Preto, local utilizado estrategicamente como ponto de custódia e entreposto. A partir dessa base paulista, os intermediários operavam as negociações definitivas, concluindo o ciclo logístico de ocultação e distribuição.

Caso as acusações sejam confirmadas no transcorrer do devido processo legal, os investigados responderão pelos crimes formais de usurpação de bens da União, lavagem de dinheiro e associação criminosa. A responsabilização penal individual será devidamente aferida à medida que as provas materiais forem submetidas ao crivo do Poder Judiciário.

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A deflagração daOperação Arcanjo inaugura uma etapa crucial na consolidação das provas, prevendo-se o desdobramento do inquérito para a análise minuciosa do material apreendido e identificação de outros atores. A Polícia Federal mantém o sigilo sobre a identidade dos detidos, prosseguindo com as diligências para rastrear a totalidade dos ativos transacionados.

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