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DUAS CADEIRAS E UM DESTINO

Corrida ao Senado centraliza a força política e ofusca disputa pelo Palácio Paiaguás

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A disputa pelas duas cadeiras no Senado Federal passou a mobilizar mais a cena política de Mato Grosso do que a própria corrida ao Governo do Estado. Em uma eleição com dinâmica atípica no cenário mato-grossense, os principais protagonistas e detentores de maior densidade eleitoral preferiram disputar o Congresso Nacional em vez de buscar o comando do Palácio Paiaguás.

As urnas em Mato Grosso receberão os votos para dez candidatos registrados que buscam as duas vagas ao Senado nas eleições de 2026. O processo faz parte da renovação de dois terços das 81 cadeiras do Senado, nas quais 54 vagas estão em disputa, sendo exatamente duas por unidade da Federação.

O eleitorado mato-grossense chega ao pleito com 2,64 milhões de eleitores aptos a votar. Essa soma representa 1,66% do total nacional e posiciona Mato Grosso como o 18º maior colégio eleitoral do país, configurando um eleitorado decisivo para os projetos políticos nacionais.

A disputa pelas duas vagas atrai nomes consolidados da política estadual, como o ex-governador Mauro Mendes (UB), a deputada estadual Janaina Riva (MDB), o senador Carlos Fávaro (PSD), o deputado federal José Medeiros (PL) e o ex-governador Pedro Taques (PSB).

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A movimentação nos quadros majoritários inclui o ex-governador Mauro Mendes, que se desincompatibilizou do Governo do Estado para concorrer ao Senado, enquanto Carlos Fávaro atua na campanha para renovar o mandato parlamentar obtido em 2020.

O capital político demonstrado na liderança das pesquisas por Mauro Mendes evidencia que seu alcance ultrapassa o de Otaviano Pivetta, governador que o sucedeu na gestão estadual e que agora disputa a reeleição.

A consolidação de lideranças também se reflete em Janaina Riva, que ganhou projeção no eleitorado superior à do próprio sogro, Wellington Fagundes, candidato ao Governo do Estado de Mato Grosso. Fenômeno semelhante ocorre com o ex-ministro e senador Carlos Fávaro, detentor de um grupo com expressividade superior à de Natasha Slhessarenko, postulante do seu grupo ao Executivo Estadual.

Os dados apurados pelas pesquisas de intenção de voto confirmam a força da base conservadora e de seus aliados no estado. O cenário mostra que, ao lado da influência governista, nomes como Otaviano Pivetta (Republicanos), Wellington Fagundes (PL) e Mauro Mendes demonstram expressiva capacidade de mobilização, fortalecendo o bloco de direita na fase que antecede o primeiro turno, em 4 de outubro de 2026.

A projeção de um inédito segundo turno na eleição para o Governo de Mato Grosso amplia a relevância estratégica dos quadros legislativos. Os senadores e deputados eleitos na primeira votação do pleito exercerão papel central na construção de alianças e na sustentação dos palanques dos candidatos a governador que avançarem à etapa final da disputa.

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Política

TRE/MT nega liminar a Janaina Riva e mantém divisão de tempo de TV com o PL

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A Justiça Eleitoral do Estado de Mato Grosso indeferiu o pedido liminar da candidata ao Senado Janaina Riva (MDB), mantendo a divisão do horário eleitoral gratuito da coligação “Coração da Gente” que garante ao candidato José Medeiros (PL) mais do que o dobro do tempo de transmissão no Rádio e na Televisão.

O litígio opõe lideranças expressivas do cenário político mato-grossense: de um lado, a deputada estadual Janaina Riva e a bancada do MDB; de outro, o deputado federal José Medeiros e a cúpula do Partido Liberal, sob a mediação da juíza auxiliar da propaganda eleitoral, Glenda Moreira Borges, do Tribunal Regional Eleitoral do Estado de Mato Grosso (TRE/MT).

A manifestação judicial ocorreu nesta quarta-feira (26), deflagrando um impasse decisivo logo na abertura da campanha eleitoral, instante em que as agremiações multipartidárias definem a distribuição técnica de inserções e finalizam o envio das mídias para os veículos de comunicação.

O conflito tramita na sede do Tribunal Regional Eleitoral, em Cuiabá, exercendo profundo impacto estratégico sobre os 141 municípios de Mato Grosso, nos quais a propaganda em rede estadual figura como a principal plataforma de alcance massivo do eleitorado.

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A controvérsia estruturou-se por meio de representação levada inicialmente à presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Estado de Mato Grosso (TRE/MT), desembargadora Serly Marcondes Alves, na qual a defesa de Janaina Riva contestou a atribuição de 1 minuto e 12 segundos a José Medeiros contra apenas 30 segundos à emedebista, caracterizando uma exposição 2,4 vezes maior ao liberal.

A candidata fundamentou a peça argumentando que a coexistência de candidaturas de gêneros distintos ao mesmo cargo majoritário imporia a divisão equitativa em 50%, sustentando que o Partido Liberal (PL) agiu de maneira unilateral para suprimir a representatividade feminina no interior do bloco coligado.

Sob o aspecto quantitativo, a divisão contestada concede 72 segundos a Medeiros frente a 30 segundos concedidos a Janaina no bloco, embora registros internos indiquem negociações provisórias para a atribuição de 49,78 segundos no programa principal e 116 inserções fracionadas ao longo da programação.

Ao julgar a tutela, a magistrada baseou sua fundamentação no artigo 77 da Resolução TSE nº 23.610/2019, assentando que a legislação não impõe a igualdade de tempo entre postulantes do mesmo cargo e reservando a autonomia da partilha às deliberações internas dos partidos e coligações.

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O indeferimento consubstancia uma derrota jurídica inicial para Janaina Riva ao preservar a grade proposta pelo Partido Liberal (PL) e indeferir a concessão imediata de acesso irrestrito aos dados de cadastro, submissão e controle dos conteúdos audiovisuais remetidos às emissoras.

A deliberação prosseguirá com a citação do Partido Liberal (PL) e dos envolvidos para apresentação de defesa em dois dias, seguida de parecer do Ministério Público Eleitoral em 24 horas, etapa prévia ao julgamento do mérito sobre a obrigatoriedade da paridade de gênero na majoritária.

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