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HOMENAGEADO PELA FAMÍLIA

Prédio onde advogado assassinado atuava passará a se chamar “Edifício Renato Gomes Nery”

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O assassinato de Renato Gomes Nery é um mistério. Ele foi emboscado perto de sua casa. O pistoleiro atirou pelo menos sete vezes no advogado. A Polícia rastreou ações patrocinadas pelo ex-presidente da OAB-MT para tentar chegar a eventuais executores e mandantes. E descobriu um caso que provocou atrito entre o advogado e Sebastião de Moraes.

A demanda envolve uma disputa de terras que teve início em 1982, sobre uma área de 12.713 hectares. O processo se arrastou por quase 35 anos. Nesse período, Renato Nery acabou se tornando parte da ação. Ele recebeu as terras como pagamento de honorários.

O homicídio

Renato Nery morreu aos 72 anos, atingido por disparos de arma de fogo no dia 5 de julho do ano passado, na frente de seu escritório, na Capital. O advogado foi socorrido e submetido a uma cirurgia em um hospital privado de Cuiabá, mas foi a óbito horas após o procedimento médico.

Desde a ocorrência do homicídio, a DHPP realizou inúmeras diligências investigativas, com levantamentos técnicos e periciais, a fim de esclarecer a execução do profissional. As investigações da DHPP apontam a disputa de terra como a motivação para o homicídio de Renato Nery.

Após um ano de investigações, quatro policiais militares se tornaram réus pelo envolvimento na morte do ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Mato Grosso. Renato Gomes Nery, de 72 anos, foi assassinado em julho de 2024, na frente do escritório onde trabalhava, em Cuiabá.

O autor dos disparos, Alex Roberto de Queiroz, está preso e, segundo a Polícia Civil, confessou o crime. De acordo com o inquérito, ele receberia R$ 160 mil pela execução e foi contratado por um policial militar, que teria atuado como intermediário entre os mandantes e o executor.

Após o assassinato, Alex Roberto entregou a arma usada no crime ao policial militar. Ainda segundo a investigação, o PM tentou atrapalhar as apurações ao inserir a arma em uma ocorrência que simulava um confronto entre sua equipe e supostos criminosos.

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Plano foi articulado no WhatsApp

A Polícia Civil e o Ministério Público apontam que o confronto foi forjado com o objetivo de justificar a presença da arma na cena e vinculá-la a uma troca de tiros. Durante esse episódio, uma pessoa morreu e três ficaram feridas.

O plano teria sido articulado por meio de um grupo de WhatsApp chamado “Gol Branco”. A investigação também identificou os supostos mandantes do homicídio. A motivação para o crime, de acordo com o Ministério Público, seria uma disputa por terras.

Família presta homenagens

Para marcar a data, uma estrela de granito foi instalada no exato local onde ele caiu baleado e o prédio onde ele atuava passará a se chamar oficialmente “Edifício Renato Gomes Nery”.

O dia 6 de julho marca um ano da morte do advogado e ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso (OAB/MT) Renato Gomes Nery. Ele foi baleado na manhã do dia anterior, na calçada do seu escritório, localizado na Avenida Fernando Côrrea, uma das mais movimentadas de Cuiabá.

Para marcar a data, a família de Renato Nery presta uma homenagem carregada de significado: uma estrela de granito foi instalada no exato local onde ele caiu baleado e o prédio onde ele atuava passará a se chamar oficialmente “Edifício Renato Gomes Nery”.

Nenhuma homenagem estará à altura do homem que meu pai foi. Queremos que ele seja lembrado para sempre como um homem íntegro, combativo e dedicado. Tentaram manchar sua imagem, mas não conseguiram porque seu valor é muito maior. Essa estrela no mesmo local onde atentaram contra sua vida e seu nome no alto do prédio vão sempre lembrar a todos disso”, afirma sua filha, Lívia Moreira Gomes Nery.

Ele sempre lutou e trabalhou por justiça e morreu injustamente. Mas sua morte não será em vão. Seguimos acompanhando as investigações e toda a família está empenhada em ver os culpados julgados e condenados para que possamos ter paz”, completa Renata Moreira Gomes Nery, outra filha do advogado.

INVESTIGAÇÕES

A execução do advogado ocorreu em meio a uma disputa judicial envolvendo terras no município de Novo São Joaquim, a 485 km da capital. Renato Nery havia obtido uma vitória significativa no processo, o que teria gerado prejuízos às partes adversárias. A Polícia Civil revelou uma trama complexa, com indícios de crime premeditado, supostamente orquestrada por um casal invasor das terras em questão e com envolvimento de policiais militares.

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O Ministério Público já denunciou quatro pessoas envolvidas diretamente no homicídio, incluindo empresários, policiais militares e o executor, que seria um caseiro contratado para a ação. Segundo o inquérito, o advogado foi vítima de uma organização criminosa que contratou policiais para planejarem e executarem o atentado, utilizando recursos financeiros de origem ainda investigada. O crime teria custado cerca de R$ 200 mil aos mandantes.

Até o momento, a investigação aponta a participação de policiais militares que já foram investigados em outros crimes, inclusive naOperação Simulacrum, que investigou um grupo de mais de 60 policiais militares suspeitos de 24 mortes em simulações de confrontos e foi denunciado pelo Ministério Público. Contudo, ao invés de serem afastados e até mesmo exonerados, esses agentes foram promovidos dentro da Corporação e ainda ganharam cargos de confiança dentro do Governo Estadual.

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Destaques

Ação de R$ 182 Milhões contra ex-governador completa 7 anos no Judiciário de Mato Grosso

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Uma das principais denúncias de desvio de recursos públicos da história recente do Estado de Mato Grosso continua sem uma decisão de mérito definitiva. A Ação Civil Pública por improbidade administrativa, que tramita na Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá, busca a devida reparação aos cofres públicos diante de indícios robustos de fraudes no pagamento de precatórios.

O processo em questão aponta como réus o ex-governador Blairo Borges Maggi, o empresário Valdir Piran e outras oito pessoas físicas e jurídicas. Entre os demais acusados estão ex-secretários de Estado, procuradores estaduais e a Construtora Andrade Gutierrez, todos apontados como partícipes de um arranjo financeiro ilícito de caráter estruturado.

A controvérsia judicial, que se arrasta desde o ano de 2019, completou sete anos de tramitação sem que um desfecho definitivo tenha sido alcançado na Justiça de Mato Grosso. Os reiterados recursos processuais apresentados pelas defesas dos réus retardaram o andamento célere dos autos ao longo de quase uma década de controvérsias.

As supostas irregularidades processuais ocorreram no âmbito da administração pública direta do Estado de Mato Grosso, sediada na capital, Cuiabá. O epicentro das transações financeiras sob suspeita deu-se no âmbito da Secretaria de Estado de Fazenda (SEFAZ/MT) e envolveu créditos originados de autarquias estaduais já extintas.

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De acordo com as investigações, o esquema criminoso operou-se mediante a triangulação fraudulenta de repasses financeiros bilionários à Empreiteira Andrade Gutierrez sob o pretexto de quitação de precatórios judiciais.

Posteriormente, parte expressiva desses recursos públicos federais e estaduais era direcionada ao empresário Valdir Piran para fins de compensação de créditos privados.

A motivação por trás da referida engenharia financeira ilícita residia na necessidade urgente de quitação de uma dívida de caráter estritamente político de R$ 40 milhões. O grupo governamental da época contraíra esse débito volumoso com a Factoring pertencente ao empresário Valdir Piran, conforme apontam as investigações ministeriais.

O objetivo principal da referida operação ilegal consistia na obtenção rápida de dinheiro em espécie para garantir e consolidar a sustentabilidade política do grupo governante no poder. O “retorno” financeiro ilegal extraído do pagamento dos precatórios judiciais viabilizava a manutenção de privilégios ilícitos e o suborno continuado de parlamentares estaduais da base governista.

O expressivo prejuízo financeiro causado ao erário público estadual totalizou o montante histórico de R$ 182,9 milhões. Além do desfalque material milionário, a lentidão no julgamento do processo penal e civil acarreta severo desgaste à imagem do Poder Judiciário e fomenta um nocivo sentimento de impunidade social.

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A denúncia apresentada à Justiça baseia-se em auditorias técnicas minuciosas realizadas pela Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso e pelo Tribunal de Contas do Estado. As conclusões probatórias foram reforçadas de forma substancial pelos detalhados depoimentos prestados pelo ex-governador Silval Barbosa em seu acordo homologado de colaboração premiada.

Em manifestações recentes anexadas aos autos judiciais, a defesa do ex-governador Blairo Maggi alegou veementemente a inocência de seu cliente e a total regularidade técnica dos pagamentos efetuados. De igual modo, os representantes legais de Valdir Piran e das demais empresas envolvidas asseveram a plena licitude das negociações financeiras entabuladas à época.

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