CAMINHADA CONTRA O FEMINICÍDIO
“Precisamos mostrar que nós mulheres, não estamos sozinhas”
Milhares de pessoas participaram da Caminhada “Cuiabá contra o Feminicídio”, na tarde desta sexta-feira (1), na Praça Alencastro, região central da capital, por meio do Núcleo à primeira-dama Marcia Pinheiro e Secretaria da Mulher, e teve a participação de homens, mulheres, crianças, autoridades, representantes da sociedade civil organizada e lideranças religiosas se reuniram em memória das vítimas de Feminicídio. Durante todo o trajeto foram exibidos cartazes, balões e faixas, pedindo a conscientização da população na luta.
Domingas, Josiane, Fernanda, Maria Ivanilda, Ana Paula, Emilly, Maria, Silvana, Inês, Joyce, Aline se fizeram presentes durante a Caminhada ‘Cuiabá contra o Feminicídio’. Balões com o nome de vítimas de Femicídios foram usados como uma homenagem a elas e gerou muita comoção durante a iniciativa realizada pela Prefeitura de Cuiabá, a preira-dama Marcia Pinheiro, que reuniu cerca de 700 pessoas.
“Esse movimento representa a conscientização da luta contra o feminicídio no Brasil e no mundo. O aumento no número de casos é assustador e a única forma de pararmos com isso é levando essa conscientização real para as pessoas“, afirmou a preira-dama Marcia Pinheiro.
FEMINICÍDIOS
O crime de Feminicídio foi tipificado em 2015, quando o Código Penal foi alterado para incluí-lo como um crime cometido pela condição de mulher, seja no contexto de violência doméstica e familiar ou por menosprezo ou discriminação à condição da mulher. As motivações são o ódio, o desprezo ou o sentimento de perda do controle e da ideia de que as mulheres são sua propriedade.
A chamada nominal foi uma forma de chamar a atenção de que as notícias são reais e a mudança é urgente.
Luani Eduarda sabe bem o que é sentir a dor de ter alguém que amava ser arrancado de sua vida. Há pouco mais de um ano, sua tia, a quem considerava como mãe, Aline, foi assassinada.
“Ainda não consigo falar sobre isso. Quando fecho os olhos e lembro da minha tia, ainda dói. Dói em saber que ele está livre e minha tia não se faz mais presente”, disse a jovem emocionada e revoltada.
Ela aproveitou o ato público e reforçou o chamado à população.
“Você que tem um parceiro tóxico, que tira a sua liberdade e vontade de qualquer coisa: denuncie, peça ajuda. Já vi, muitas mulheres morrendo. É algo que comove o meu coração, saber que muitas não conseguem falar. Vivem aprisionadas”, acrescentou.
Ao ver a movimentação na Praça Alencastro, Talita Carla da Silva Mastelari, 32 anos, se comoveu. Ela conta que se divorciou em janeiro desse ano e disse estar liberta de um marido narcisista. Ela conta que, foram dois anos de intensos dias de pesadelo.
“As agressões físicas não foram tantas. O abuso psicológico é horrível. Tive que parar de trabalhar, ele não me deixava sair de casa. Não podia usar as roupas que eu queria. Quando a gente namorava, ele era um príncipe. Era o melhor homem que podia existir. Mas o narcisista é isso. Só quem passou por isso entende a importância desse ato. A Prefeitura de Cuiabá está de parabéns. Isso é de extrema importância. Essa bandeira branca é sinônimo da minha liberdade”, contou emocionada.
Só no primeiro semestre de 2023, foram dezoito mulheres assassinadas. Dessas, quatro eram de Cuiabá.
“O crime de feminicídio não mata só a vítima, mas uma família inteira, e toda sociedade fica perplexa com tamanha crueldade. Batalhar com políticas públicas ao combate da violência deve ser uma luta de todos, para que de fato elas sejam eficazes. O poder público e a sociedade precisam se conscientizar de que precisamos nos manter vigilantes e combatentes. O Município, na gestão do nosso prefeito Emanuel Pinheiro, tem trabalhado incansavelmente na adoção de medidas de acolhimento e cuidados com essas mulheres e famílias atingidas. Precisamos mostrar que nós mulheres, não estamos sozinhas. Podemos e devemos pedir socorro”, declarou a primeira-dama, Márcia Pinheiro.
Para Rosana Leite Antunes de Barros, defensora pública e coordenadora do Núcleo de Defesa das Mulheres da Defensoria Pública, “a violência contra as mulheres não se limita ao âmbito doméstico, ela tem um impacto que se estende a todos os setores da sociedade. Infelizmente, o feminicídio é um crime que pode ser evitado, mas, lamentavelmente, não tem sido devidamente prevenido. Portanto, é crucial que tomemos medidas significativas para impedir que as mulheres se tornem vítimas fáceis dessas situações. Isso envolve a implementação de ações eficazes e políticas públicas afirmativas. Dessa forma, podemos oferecer às mulheres uma chance maior de liberdade e vida”.

No total, o percurso da caminhada foi de aproximadamente 1,3 quilômetro, com início na Praça Alencastro, seguindo pela Rua Treze de Junho, Praça Ipiranga, Praça Bispo, Getúlio Vargas e retornando para o ponto de partida, a Praça Alencastro.
Destaques
Fiscalização trabalhista em Mato Grosso inseriu três empregadores na “Lista Suja” do Governo Federal
A atualização do Cadastro de Empregadores do Ministério do Trabalho e Emprego incluiu três novos estabelecimentos de Mato Grosso na relação de praticantes de trabalho análogo à escravidão. A inclusão ocorreu após a conclusão definitiva de processos administrativos fiscalizatórios, com garantia do amplo direito de defesa aos autuados pela administração pública federal.
O resgate das vítimas deu-se no âmbito das operações do Ministério do Trabalho e Emprego, em ação integrada com o Ministério Público do Trabalho, a Defensoria Pública da União e a Polícia Federal. As equipes multidisciplinares efetuaram as incursões táticas diretamente nas propriedades rurais e nos canteiros de obras inspecionados no estado.
As intervenções governamentais abrangem ocorrências verificadas ao longo do período entre 2024 e 2026. A divulgação oficial promovida pelo Ministério do Trabalho e Emprego neste mês de outubro consolidou os dados apurados pelas equipes de fiscalização, atestando a continuidade das ações coercitivas em âmbito nacional.

As operações fiscais concentraram-se especificamente nos municípios de Nova Maringá, Sorriso e Alto Taquari. Em Nova Maringá, as fiscalizações ocorreram no setor extrativista de madeira; em Sorriso, no ramo da construção civil urbana; e em Alto Taquari, nas atividades de carvoaria e manejo florestal em área rural.
Um total de 42 trabalhadores resgatados encontrava-se em situação de extrema vulnerabilidade, exposto a condições degradantes e à supressão de direitos fundamentais. Dentre os cidadãos resgatados pelas equipes governamentais, foram identificados adolescentes e trabalhadores migrantes aliciados em outros estados brasileiros.
As ações foram motivadas pela verificação presencial de alojamentos precários, instalações sanitárias inexistentes ou inadequadas e ausência de água potável para consumo e higiene. Observaram-se também falhas graves no fornecimento de equipamentos de proteção, jornada excessiva, contratação informal e descumprimento do pagamento regular de salários.
Para cessar a violação continuada de direitos trabalhistas básicos e punir administrativamente os infratores, os auditores-fiscais do trabalho expediram os autos de infração e promoveram a imediata libertação dos trabalhadores. O procedimento culminou na inclusão formal dos infratores na Lista Suja, assegurando a transparência pública das sanções aplicadas.
Os empregadores mantinham as vítimas alojadas em estruturas improvisadas, tais como barracos cobertos por lonas, contêineres e até mesmo um ônibus adaptado sem condições mínimas de habitabilidade. O veículo utilizado como moradia apresentava infestações de insetos, ausência de pias ou sanitários e esgoto despejado diretamente em via pública.

A execução das inspeções e a manutenção permanente do combate à exploração contam com uma equipe especializada composta por oito auditores-fiscais do trabalho lotados na Auditoria Fiscal do Trabalho em Mato Grosso. Esse contingente realiza fiscalizações mensais regulares e atende denúncias encaminhadas pela sociedade civil.
A relevância da publicação oficial reside na conscientização pública e no fortalecimento das denúncias que viabilizam a interrupção da exploração laboral contemporânea. A manutenção das fiscalizações contínuas busca erradicar condutas degradantes e assegurar o cumprimento integral da legislação trabalhista em todo o território mato-grossense.
-
Artigos7 dias atrásPor que o plano de saúde pesa tanto no Brasil
-
Destaques6 dias atrásReeleito, Pivetta reforça agenda de “Autonomia Econômica” e defende mudanças no “Cenário Político Nacional”
-
Artigos7 dias atrásCâncer de mama: informação traz cura
-
Política6 dias atrásMDB e União Brasil admitem falhas estratégicas após eleições e defendem reestruturação para os próximos desafios políticos
-
Destaques5 dias atrásAcademia Mato-grossense de Letras realiza o “Casa Aberta”
-
Artigos5 dias atrásA Odontologia entrou na nova fronteira do franchising brasileiro
-
Política4 dias atrásO recado das urnas e o declínio de lideranças tradicionais em Mato Grosso
-
ESPORTES6 dias atrásCristiano Ronaldo se pronunciou em seu Instagram



