Artigo
A Odontologia entrou na nova fronteira do franchising brasileiro
Autor: Paulo Zahr* –
O franchising brasileiro está passando por uma mudança que vai além do crescimento do faturamento. Os segmentos que avançam revelam também uma transformação na maneira como o consumidor escolhe onde e como cuidar de si.
Os números mais recentes da Associação Brasileira de Franchising (ABF) ajudam a enxergar esse movimento. No primeiro trimestre de 2026, o segmento de Saúde, Beleza e Bem-Estar cresceu 18%, ficando atrás apenas de Alimentação – Comercialização e Distribuição, que avançou 22%. O franchising como um todo cresceu 10,1% no período, alcançando R$ 72,7 bilhões em faturamento.
No segundo trimestre, o movimento continuou. Saúde, Beleza e Bem-Estar registrou crescimento de 15,2%, novamente acima do desempenho geral do franchising, que avançou 9,3%. Dessa vez, a própria ABF apontou a expansão dos serviços odontológicos entre os fatores que impulsionaram o segmento, ao lado dos cuidados pessoais e das atividades físicas.
Para mim, o dado mais interessante está justamente aí.
Estamos falando de uma mudança de comportamento que transforma Saúde, Beleza e Bem-estar em uma parte cada vez mais presente da rotina das pessoas.
A odontologia ocupa uma posição particular nesse cenário porque reúne necessidades que durante muito tempo foram tratadas separadamente. Prevenção, tratamento, estética, autoestima e qualidade de vida passaram a fazer parte de uma mesma conversa.
Isso muda também a forma como o consumidor enxerga o atendimento odontológico.
A consulta ao dentista deixa de acontecer apenas quando existe uma dor ou um problema evidente. Existe uma busca maior por prevenção, acompanhamento, estética e manutenção da saúde bucal.
Os dados do próprio Ministério da Saúde mostram que ainda existe uma demanda relevante nessa área. O SB Brasil 2023, mais recente Pesquisa Nacional de Saúde Bucal, avaliou condições como cárie, doenças periodontais e traumatismos, além de necessidades de próteses e de tratamentos odontológicos. A pesquisa faz parte da série histórica utilizada pelo governo para orientar o planejamento das políticas de saúde bucal no país.
Existe, portanto, uma combinação importante entre demanda estrutural e mudança de comportamento.
De um lado, milhões de brasileiros ainda precisam de tratamento e acompanhamento odontológico. De outro, uma parcela crescente do consumidor passou a olhar para o sorriso também como parte da sua saúde, aparência e bem-estar.
É nesse ponto que o franchising ganha relevância.
Um dos grandes desafios da saúde é transformar qualidade em algo que possa ser oferecido de maneira consistente em diferentes localidades. Isso exige processos, treinamento, tecnologia, gestão e capacidade de replicação.
O franchising foi desenvolvido justamente para transformar um modelo de negócio em uma operação que possa ganhar escala sem depender exclusivamente da presença física do fundador.
Na odontologia, essa lógica tem uma característica adicional: escala precisa caminhar junto com responsabilidade.
Não basta abrir unidades. É preciso construir processos capazes de sustentar padrões de atendimento, gestão, treinamento e experiência do paciente em uma rede cada vez maior.
Durante muito tempo, falar em franquias significava pensar principalmente em alimentação, varejo e consumo. Esses mercados continuam extremamente relevantes, mas o modelo amadureceu e passou a ocupar espaços cada vez maiores em serviços especializados.
Saúde é um dos exemplos mais claros dessa transformação.
O consumidor quer conveniência, mas também quer confiança. Quer acesso, mas espera qualidade. Quer tecnologia, mas continua valorizando o atendimento humano.
Para as redes, isso aumenta o nível de exigência.
A próxima fase do franchising de saúde não será definida apenas pela quantidade de unidades. Será definida pela capacidade de criar modelos eficientes, desenvolver bons franqueados, utilizar tecnologia para melhorar a jornada do paciente e manter consistência à medida que a operação cresce.
É uma equação mais complexa do que simplesmente expandir.
E existe outro ponto importante: o consumidor brasileiro está cada vez mais disposto a investir em serviços que impactam diretamente sua qualidade de vida.
Isso ajuda a explicar por que Saúde, Beleza e Bem-Estar vem apresentando desempenho superior ao do franchising em diferentes períodos recentes. No primeiro trimestre, foram 18% de crescimento. No segundo, 15,2%.
A odontologia é apenas uma das expressões dessa transformação, mas talvez seja uma das mais interessantes porque combina uma necessidade permanente com novas possibilidades de consumo.
O sorriso passou a ocupar um espaço maior na conversa sobre saúde, estética e autoestima.
Para quem acompanha o franchising, esse movimento merece atenção.
Os números da ABF mostram o desempenho de um segmento. O que eles revelam, na minha avaliação, é algo maior: estamos diante de um consumidor que passou a colocar o cuidado pessoal de maneira mais permanente na sua agenda.
E quando uma mudança de comportamento encontra modelos de negócio capazes de ganhar escala, surgem novas fronteiras para o empreendedorismo brasileiro.
*Paulo Zahr – Empresário e fundador da OdontoCompany
Artigos
Todo mioma precisa ser operado?
Autor: Acir Novaczyk* –
Essa é uma das perguntas que mais ouvimos quando o assunto é mioma uterino. E a resposta é simples: não, nem todo mioma precisa ser operado.
Os miomas são tumores benignos do útero e podem se apresentar de maneiras muito diferentes. Há mulheres que convivem com eles sem sintomas importantes e podem apenas ser acompanhadas. Em outros casos, porém, o mioma pode provocar sangramento menstrual intenso, anemia, dor, sensação de peso na pelve ou outras repercussões que levam à necessidade de tratamento.
Mesmo assim, tratamento não é sinônimo de cirurgia. A decisão depende dos sintomas, do tamanho, número e localização dos miomas, da idade da paciente, do desejo de engravidar e de outros aspectos que precisam ser avaliados individualmente.
Quando existe indicação cirúrgica, surge então uma segunda pergunta: qual cirurgia?
Esse é um ponto fundamental. Não existe uma técnica única para todos os miomas. O planejamento cirúrgico começa pela compreensão detalhada de onde eles estão localizados, suas dimensões e sua relação com a cavidade uterina e outras estruturas.
Hoje, a cirurgia ginecológica minimamente invasiva permite tratar muitos casos por meio da histeroscopia, da laparoscopia ou da cirurgia robótica. Na histeroscopia, determinados miomas relacionados à cavidade uterina podem ser abordados pelo canal vaginal e colo do útero, sem incisões no abdômen.
Na laparoscopia, a cirurgia é realizada por pequenas incisões, com auxílio de uma câmera e instrumentos específicos.
Já na cirurgia robótica, também realizada por pequenas incisões, o cirurgião controla um sistema robótico que proporciona visão ampliada e movimentos precisos dos instrumentos, podendo ser uma opção especialmente útil em procedimentos ginecológicos de maior complexidade.
Em muitos casos, também é possível realizar a miomectomia, retirando os miomas e preservando o útero. Isso é especialmente relevante quando existe desejo reprodutivo, embora a decisão de preservar o útero envolva outros fatores além da intenção de engravidar.
Por isso, mais importante do que perguntar se existe uma técnica “melhor” para operar miomas é entender qual é a melhor técnica para aquela paciente.
A evolução da cirurgia ginecológica trouxe recursos que permitem procedimentos cada vez mais individualizados. Mas a tecnologia não substitui indicação e planejamento. Quando uma cirurgia é necessária, esses dois fatores são tão importantes quanto a própria execução do procedimento.
E quando ela não é necessária, saber que é possível acompanhar ou utilizar outras formas de tratamento também faz parte de uma boa medicina.
*Dr. Acir Novaczyk é cirurgião especialista em cirurgia ginecológica minimamente invasiva (endoscopia ginecológica) em Cuiabá-MT.
-
Política5 dias atrásCandidatura de Gisela projeta protagonismo feminino e consolida pautas sociais na disputa pelo Governo de Mato Grosso
-
Artigos6 dias atrásPONTO DE CHEGADA OU DE PARTIDA? UMA REFLEXÃO SOBRE A VIDA E A MORTE
-
ESPORTES4 dias atrásVitória do Cuiabá decreta rebaixamento inevitável da Ponte Preta
-
Artigos5 dias atrásQuem lidera a sala de aula?
-
Política7 dias atrásTensão marca debate com troca de acusações entre principais candidatos de MT
-
Artigos6 dias atrásOutubro Rosa: Cuidar de si também é uma responsabilidade
-
Política6 dias atrásVazamento expõe “sujeira” e estratégia do Agronegócio para equilibrar a disputa ao Senado em Mato Grosso
-
Política4 dias atrásAbilio condiciona envio da LDO a consenso na Câmara de Cuiabá

