Artigo
Hoje
Autor: Francisney Liberato* –
Devemos viver o hoje, pois a vida é feita de processos. É sempre importante dar um passo de cada vez!
Hoje é o presente. Deveríamos dar maior importância ao hoje. O passado já se foi, não há como retornar e modificar alguma ação ou omissão que já aconteceu. O presente é uma dádiva de Deus a cada um de nós para que tenhamos sabedoria e inteligência para viver de forma plena e feliz. O futuro é abstrato, é inexistente. Não temos nenhuma possibilidade de intervir no futuro exceto pelas nossas escolhas de hoje.
O hoje é a minha vida. Hoje é a bênção de Deus para nós.
As nossas afirmações e reafirmações devem ter como pressupostos o hoje, nem no passado e nem no futuro. Hoje posso ser melhor. Hoje posso concentrar os meus pensamentos naquilo que é bom. Hoje posso ser feliz. Hoje posso enfrentar e derrubar “os gigantes” de minha vida. Hoje posso gerenciar melhor as minhas emoções e preocupações. Hoje posso controlar os impulsos emocionais.
Quando estruturamos e direcionamos os nossos pensamentos para hoje, concentramos as nossas forças e energias para conseguir os melhores resultados, tanto do ponto de vista emocional quanto para outro aspecto de nossas vidas.
Alguns trechos da música “Só por hoje”, da banda Legião Urbana, mostram uma abordagem profunda de como devemos viver:
“Só por hoje eu não quero mais chorar. Só por hoje eu espero conseguir. Aceitar o que passou e o que virá. Só por hoje vou me lembrar que sou feliz. Aprendi a viver um dia de cada vez. Só por hoje eu não vou me machucar. Só por hoje eu não quero me esquecer”.
Os seus investimentos, as suas empresas e os seus negócios podem até ir à ruína, porém, o nosso “eu” jamais poderá fraquejar, falir e perder as esperanças de ter boas ações e boas atitudes ainda hoje.
E a música “Só por hoje”, de Rodrigo Wegner, corrobora com a pretensão de se cuidar, de se ajudar, para viver melhor:
“A vida muitas vezes nos surpreende. Com coisas que jamais imaginamos. Deixamos de viver pensando no amanhã. Esquecemos o presente que Deus nos dá. Só por hoje procure o amor. Só por hoje faça alguém feliz. Só por hoje dê o seu melhor. Só por hoje fale com Deus”.
Se há desequilíbrios emocionais na sua vida, não deixe para amanhã. Se o autocontrole se encontra descalibrado, busque os ajustes necessários para melhorá-lo hoje. O passado já se foi e o amanhã ainda não existe.
A Bíblia dá ênfase sobre o mal de viver pensando no amanhã e na nossa falta de confiança nele, conforme Mateus 6:34:
“Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal”.
É importante que você entenda que a nossa vida é no hoje. Desenvolver o autocontrole é imprescindível para ter uma vida sadia, com melhores resultados para todos nós.
Quando lemos a Bíblia, nós encontramos dezenas de convites feitos por Jesus Cristo para as pessoas que viveram na sua época. Quando Jesus lançava o convite para as pessoas, sempre era no presente, “vem e segue-me, hoje e agora”. Ele falava constantemente ao coração daquelas pessoas que, se desejassem mudar para melhor, deveriam fazer isso hoje.
Uma citação muito conhecida resume essa ideia, conforme registrado em Mateus 6:11:
“Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia”.
Que esse “Pão” possa saciar toda a nossa fome espiritual, emocional, física e mental no dia de hoje.
Que as nossas decisões possam ser proferidas hoje. Que a nossa forma de viver possa ganhar um novo sentido hoje. Que possamos não ser procrastinadores pensando apenas no amanhã. Que o nosso autocontrole possa ser ajustado e calibrado hoje. Que possamos viver um dia de cada vez.
*Francisney Liberato é Auditor do Tribunal de Contas de Mato Grosso. Escritor. Palestrante e Professor há mais de 25 anos. Coach e Mentor. Mestre em Educação. Doutor Honoris Causa. Graduado em Administração, Ciências Contábeis (CRC-MT), Direito (OAB-MT) e Economia. Membro da Academia Mundial de Letras.
Artigos
A menopausa pode influenciar os resultados das canetas para emagrecer?
Autora: Mariana Ramos* –
A menopausa representa uma fase de importantes transformações no organismo feminino. Além das alterações hormonais, muitas mulheres percebem maior dificuldade para controlar o peso, aumento da gordura abdominal e mudanças na composição corporal. Diante dessas mudanças, uma pergunta tem ganhado espaço: a menopausa pode influenciar a resposta aos medicamentos utilizados no tratamento da obesidade, especialmente as chamadas canetas para emagrecer?
Medicamentos como a semaglutida e a tirzepatida representam avanços importantes no tratamento da obesidade. Eles atuam em mecanismos relacionados à saciedade, ao apetite e ao controle metabólico. Entretanto, a resposta ao tratamento não é igual para todas as pessoas, e compreender os fatores que interferem nesses resultados é uma questão cada vez mais relevante para a medicina.
Entre esses fatores estão as mudanças hormonais características da menopausa. O estrogênio participa de diferentes processos metabólicos, incluindo a distribuição da gordura corporal e a regulação do gasto energético. Com sua diminuição, há uma tendência ao maior acúmulo de gordura na região abdominal e mudanças na composição corporal. A menopausa também ocorre em uma fase da vida em que a perda de massa muscular e as alterações metabólicas ganham importância, tornando a preservação da massa magra um dos objetivos do cuidado.
Mas isso não significa que mulheres na menopausa necessariamente respondam pior às canetas para emagrecer. Os estudos disponíveis ainda são limitados e não demonstram que a menopausa, isoladamente, reduza a eficácia desses medicamentos.
Estudos recentes têm investigado uma possível relação entre a terapia hormonal da menopausa e a resposta aos medicamentos para obesidade. Uma pesquisa publicada em 2024, envolvendo mulheres após a menopausa tratadas com semaglutida, observou uma perda média de peso de aproximadamente 16% entre aquelas que utilizavam terapia hormonal, contra 12% entre as que não faziam uso de hormônios, após um ano de acompanhamento.
O estudo chamou atenção para uma possível associação entre terapia hormonal e maior resposta à semaglutida, mas era retrospectivo e incluiu apenas 106 mulheres, sendo 16 em uso de terapia hormonal. Portanto, seus resultados não permitem afirmar que o hormônio tenha sido responsável pela diferença observada.
Outros dados reforçam que as canetas continuam sendo eficazes após a menopausa. Uma análise dos estudos com tirzepatida mostrou redução significativa do peso e da circunferência abdominal em mulheres pré, peri e pós-menopausa, sem evidência de perda de eficácia após a menopausa.
A hipótese de que os hormônios possam interferir na resposta ao tratamento é biologicamente interessante, mas ainda precisa ser melhor estudada. Até o momento, não há evidência suficiente para usar a terapia hormonal com o objetivo de potencializar o efeito das medicações para emagrecimento.
É fundamental esclarecer que a reposição hormonal não é um tratamento para emagrecer e não deve ser prescrita exclusivamente para aumentar o efeito das canetas. Sua indicação depende de avaliação individualizada, considerando sintomas da menopausa, histórico clínico, fatores de risco e possíveis contra indicações.
Outro aspecto importante é que o sucesso do tratamento da obesidade não deve ser medido apenas pelos quilos eliminados. Durante a menopausa, preservar a massa muscular, melhorar a saúde metabólica e reduzir a gordura abdominal são objetivos essenciais. Por isso, o acompanhamento médico precisa estar associado à alimentação adequada, à ingestão adequada de proteínas, à prática de exercícios físicos, especialmente os de fortalecimento muscular, e à avaliação contínua da composição corporal.
O avanço dessas pesquisas reforça uma perspectiva importante: o tratamento da obesidade feminina precisa considerar as diferentes fases da vida e suas particularidades hormonais. A menopausa muda o contexto metabólico da mulher, mas não significa que as canetas para emagrecer deixarão de funcionar ou funcionarão necessariamente menos. A resposta deve ser avaliada individualmente, levando em conta o tratamento utilizado, a dose, a adesão, a composição corporal, o estilo de vida e as características clínicas de cada paciente.
*Dra. Mariana Ramos é endocrinologista na Fetal Care, em Cuiabá-MT.
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