OPERAÇÃO SHAMAR
Polícia Civil deflagra operação de combate à violência doméstica em Cuiabá e Várzea Grande
O Agosto Lilás é uma campanha estabelecida pelo governo federal, transformando o mês de agosto em um período dedicado à conscientização e combate à violência contra a mulher. A escolha deste mês se deu pela sanção da Lei Maria da Penha (Lei Federal nº 11.340/ 2006), assinada no dia 7 de agosto, uma referência fundamental no enfrentamento da violência doméstica no Brasil. A campanha visa sensibilizar e informar a população sobre a identificação de situações de violência e os canais disponíveis para denúncias, promovendo uma rede de apoio e proteção para as vítimas.
A campanha do Agosto Lilás se destaca pela promoção de eventos e debates em todo o país, envolvendo agentes públicos e meios de comunicação para divulgar informações vitais sobre os tipos de violência física, sexual, psicológica, moral e patrimonial. Além disso, enfatiza a importância de medidas de prevenção e suporte, como o Ligue 180, aplicativo Direitos Humanos Brasil, e a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos. Essas iniciativas são essenciais para reduzir os índices de violência contra a mulher no Brasil.
É fundamental garantir que as mulheres em situação de vulnerabilidade e violência recebam o suporte necessário para romper com o ciclo de violência. A assistência social atua de forma integrada com as políticas de segurança pública e saúde, oferecendo apoio psicológico, jurídico e socioeconômico às vítimas. Além disso, promove a reintegração social e a autonomia das mulheres, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Operação Shamar
Foi deflagrada na manhã desta terça-feira (5), pela Polícia Civil do Estado de Mato Grosso, a “Operação Shamar“, para cumprimento de 24 mandados de prisão, busca e apreensão contra autores de crimes de violência doméstica e familiar. As ordens judiciais são cumpridas nas cidades de Cuiabá e Várzea Grande.
O trabalho faz parte da mobilização nacional realizada pelas forças de segurança pública durante o mês de agosto, em todas as unidades federativas do Brasil, sendo coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Nesta terça-feira (5), foram cumpridos 13 mandados de prisão preventiva e 11 mandados e busca e apreensões, com o foco no combate à violência cometida contra a mulher. As ordens foram expedidas pelo juízo das Varas Especializadas de Violência Doméstica das Comarcas de Cuiabá e Várzea.
Os alvos são indivíduos que tiveram as prisões e outras medidas cautelares deferidas pela Justiça, decorrentes das investigações conduzidas pelas unidades especializadas da Polícia Civil, com objetivo de promover um Estado mais seguro para as mulheres.
Participam equipes da Coordenadoria de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher e Vulneráveis, da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá e Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, Criança e Idoso de Várzea Grande.

Planejamento
Para a Operação Shamar foi elaborado o plano estratégico para a execução das ações em todos os municípios de Mato Grosso, entre os dias 01 de agosto a 4 de setembro, visando prevenir e coibir crimes de violência doméstica. Nesse período, serão intensificadas as diligências para cumprimento de mandados judiciais.
Mobilização Nacional
As atividades que integram a Operação Shamar, promovida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, fazem alusão a campanha “Agosto Lilás”, mês de reflexão e enfrentamento à violência contra a mulher.
Neste mês de agosto completa 19 anos da promulgação da Lei Maria da Penha (11.340/2006), um marco no combate à violência doméstica e familiar contra a mulher, estabelecendo medidas para proteger as vítimas e punir os agressores.
Nome da Operação
Shamar é uma palavra hebraica que significa cuidar, guardar, proteger, vigiar e zelar.
Destaques
Parque Nacional do Juruena registrou um aumento de 660% da área desmatada pelo garimpo ilegal
Localizado na região amazônica de Mato Grosso, o Parque Nacional do Juruena registrou um aumento de 660% da área desmatada pelo garimpo ilegal de ouro em oito meses. O dado consta em um estudo divulgado pela Amazon Conservation junto ao Instituto Centro de Vida (ICV) nesta quinta-feira (6).
Além do levantamento sobre a Unidade de Conservação (UC) nacional, na categoria de Parque Nacional, o estudo também analisou o desmatamento para exploração minerária no Parque Estadual Igarapés do Juruena, no qual constatou um crescimento de 408% da área afetada.
Ambos os parques da bacia do Rio Juruena compõem um mosaico essencial para a preservação da porção sul da Amazônia brasileira, principalmente quanto à preservação dos serviços ecossistêmicos e à proteção contra o avanço do desmatamento na região.
Contudo, o estudo mostra que a pressão exercida pela mineração tem colocado em xeque os benefícios socioambientais gerados pelos parques e o poder de controle do Estado sobre as UCs, o que mostra desafios para a efetividade dos mecanismos de proteção legal dessas áreas.
A análise considerou alertas de desmatamento por mineração disponibilizados pela iniciativa MAAP (Monitoring of the Andes Amazon Program), da Amazon Conservation, a partir da interpretação de imagens de altíssima resolução espacial. Além disso, o estudo cruzou as informações com plataformas de dados geoespaciais públicas, explica o coordenador do Núcleo de Inteligência Territorial do ICV, Vinícius Silgueiro.
“Os alertas de desmatamento para garimpo são validados com base em imagens de satélite com elevadíssimo nível de detalhe e as áreas impactadas são mapeadas e têm suas extensões calculadas. Posteriormente, essas áreas são cruzadas com dados de autos de infração e embargos, emitidos pelo IBAMA, ICMBio e pela SEMA/MT, que permitem a identificação da ocorrência de ações de fiscalização e combate sobre esse garimpos ilegais“, disse Silgueiro.
Desmatamento para garimpo em alta
Os dados mostram que, no caso do Parque Nacional do Juruena, a exploração minerária tem se concentrado majoritariamente na porção sudoeste. De agosto de 2025 a abril de 2026, a área desmatada na UC pelo garimpo saltou de 10,5 hectares para 79,5 hectares.
O crescimento de 660% em um período de oito meses evidencia uma ação intensa, rápida e com alto potencial de degradação do parque, sobretudo pelo uso de maquinários, abertura de acessos e formação de acampamentos.
O estudo apresentou um cenário semelhante para o Parque Estadual Igarapés do Juruena, onde a degradação se concentra na região centro-sul da UC. De junho de 2025 a março de 2026, foi registrado um aumento de 8,6 hectares para 43,7 hectares desmatados no parque pela atividade garimpeira.
Esse cenário impacta diretamente o meio ambiente, provocando desmatamento, assoreamento, aumento da carga de sedimentos e matéria orgânica nos cursos d’água e a potencial contaminação por mercúrio, o que compromete a biodiversidade e a segurança alimentar das comunidades locais.

Recorrência expõe fragilidades
O aumento da atividade ilegal de garimpo não ocorreu fora do radar do poder público. Dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) mostram que 15 operações de combate à mineração foram realizadas no Parque Nacional do Juruena desde 2010.
Já no Parque Estadual Igarapés do Juruena, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT) registrou ações de fiscalização relacionadas ao combate a ilícitos ambientais em 2020, 2025 e 2026.
“O monitoramento por satélite já é uma ferramenta essencial no combate ao garimpo ilegal. O próximo passo é conectar esses alertas a informações atualizadas sobre concessões minerárias e aos limites de áreas protegidas, fortalecendo a capacidade de resposta das autoridades e tornando as ações de fiscalização ainda mais eficientes“, afirma Matt Finer, diretor da iniciativa MAAP (Monitoring of the Andes Amazon Project) e pesquisador sênior da Amazon Conservation.
Leia o relatório*: https://www.maapprogram.org/pt-br/garimpo-ilegal-juruena-brasil/
(disponível em Português e Inglês)
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