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ENTIDADES ALERTAM

Modal proposto pelo governo é “BRT com aspas”

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Em 2020, o governador do Estado de Mato Grosso, Mauro Mendes Ferreira (UB), anunciou que estaria substituindo o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) para a instalação do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT) movido a eletricidade. Serão 54 veículos em operação em Cuiabá e Várzea Grande, região metropolitana da capital.

Mauro Mendes encaminhou um ofício ao ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, pedindo autorização para a execução da obra. Também devem analisar a solicitação a Caixa Econômica Federal (CEF) e o Conselho Curador do FGTS, uma vez que há recursos desses órgãos vinculados ao VLT. Segundo Mauro Mendes, o sistema BRT é mais rápido para ser executado, mais barato e mais fácil de ser ampliado.

A decisão do governador em pedir a substituição levou em conta estudos técnicos elaborados pelo estado e pelo Grupo Técnico criado na Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana. Os estudos concluíram que a continuidade das obras do VLT era “insustentável”, demoraria mais seis anos para conclusão.

Análise técnica aponta que projeto vai estrangular trânsito de Cuiabá; estimativa é que investimento e tarifa ultrapassem VLT.

Em nova carta-manifesto, o Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre) e Instituto de Engenharia de São Paulo (IE) posicionam à imprensa e sociedade em geral série de questionamentos a licitação lançada pelo Poder Executivo de Mato Grosso (RDCi Presencial n. 047/2021).

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Confira as conclusões e apontamentos completos do estudo:

O “BRT” 

1. Não melhorará a mobilidade urbana de Cuiabá, Várzea Grande e sua integração, ao contrário;
2. Não é um BRT, mas “uma faixa exclusiva para o transporte público”;
3. Não dispunha de Projeto Básico e/ou Executivo quando da tomada de decisão pela troca de modal;
4. Não dispunha dos Projetos de Desapropriações;
5. Não tinha as necessárias Licenças Prévias, Outorgas e Autorizações Ambientais, antes do lançamento deste Edital;
6. Não precisaria ter lançado como RDCi, tivesse, ao menos, as Licenças Prévias e Projeto Básico;
7. Não requererá apenas R$ 430 milhões de investimentos, mas sim R$820 milhões, quase o dobro;
8. Não seria mais barato que a conclusão do VLT (pelos valores apresentados pelo Governo);
9. Não terá uma tarifa de R$ 3,04, mas sim em torno a R$ 5,70 e, portanto, superior à do VLT;
10. Não se enquadra como um BRT de fato, o que comprometerá sua financiabilidade;
11. Não dispunha de todos os elementos técnico-operacionais e valores para propor uma mudança de modal;
12. Não ficaria pronto em 24 meses, mas sim em 50 meses e, portanto, não estará disponível para uso da população antes de meados de 2025!

O VLT

1. Sim, é a melhor alternativa para a Mobilidade Urbana de Cuiabá, Várzea Grande e suas integrações;
2. Sim, possui todos os pré-requisitos de Licença Ambiental, Projetos Básico e Executivo e Projetos de Desapropriações;
3. Sim, é um modal mais seguro, eficiente, moderno e transformador urbanístico que o “BRT”;
4. Sim, é mais barato concluir o VLT que o substituir pelo “BRT”;
5. Sim, a tarifa do VLT será menor que a do “BRT”;
6. Sim, o Governo dispunha, em caixa e saldo de financiamento pré-aprovado, de totdo o valor necessário para concluir o VLT;
7. Sim, ficaria e ficará pronto antes do “BRT”.

Veja o estudo completo disponível à imprensa.

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https://onedrive.live.com/view.aspx?resid=C38D4EFDDAB338CE!64415&ithint=file%2cdocx&authkey=!AMYpZfN0KCRCJD0

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Ação de R$ 182 Milhões contra ex-governador completa 7 anos no Judiciário de Mato Grosso

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Uma das principais denúncias de desvio de recursos públicos da história recente do Estado de Mato Grosso continua sem uma decisão de mérito definitiva. A Ação Civil Pública por improbidade administrativa, que tramita na Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá, busca a devida reparação aos cofres públicos diante de indícios robustos de fraudes no pagamento de precatórios.

O processo em questão aponta como réus o ex-governador Blairo Borges Maggi, o empresário Valdir Piran e outras oito pessoas físicas e jurídicas. Entre os demais acusados estão ex-secretários de Estado, procuradores estaduais e a Construtora Andrade Gutierrez, todos apontados como partícipes de um arranjo financeiro ilícito de caráter estruturado.

A controvérsia judicial, que se arrasta desde o ano de 2019, completou sete anos de tramitação sem que um desfecho definitivo tenha sido alcançado na Justiça de Mato Grosso. Os reiterados recursos processuais apresentados pelas defesas dos réus retardaram o andamento célere dos autos ao longo de quase uma década de controvérsias.

As supostas irregularidades processuais ocorreram no âmbito da administração pública direta do Estado de Mato Grosso, sediada na capital, Cuiabá. O epicentro das transações financeiras sob suspeita deu-se no âmbito da Secretaria de Estado de Fazenda (SEFAZ/MT) e envolveu créditos originados de autarquias estaduais já extintas.

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De acordo com as investigações, o esquema criminoso operou-se mediante a triangulação fraudulenta de repasses financeiros bilionários à Empreiteira Andrade Gutierrez sob o pretexto de quitação de precatórios judiciais.

Posteriormente, parte expressiva desses recursos públicos federais e estaduais era direcionada ao empresário Valdir Piran para fins de compensação de créditos privados.

A motivação por trás da referida engenharia financeira ilícita residia na necessidade urgente de quitação de uma dívida de caráter estritamente político de R$ 40 milhões. O grupo governamental da época contraíra esse débito volumoso com a Factoring pertencente ao empresário Valdir Piran, conforme apontam as investigações ministeriais.

O objetivo principal da referida operação ilegal consistia na obtenção rápida de dinheiro em espécie para garantir e consolidar a sustentabilidade política do grupo governante no poder. O “retorno” financeiro ilegal extraído do pagamento dos precatórios judiciais viabilizava a manutenção de privilégios ilícitos e o suborno continuado de parlamentares estaduais da base governista.

O expressivo prejuízo financeiro causado ao erário público estadual totalizou o montante histórico de R$ 182,9 milhões. Além do desfalque material milionário, a lentidão no julgamento do processo penal e civil acarreta severo desgaste à imagem do Poder Judiciário e fomenta um nocivo sentimento de impunidade social.

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A denúncia apresentada à Justiça baseia-se em auditorias técnicas minuciosas realizadas pela Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso e pelo Tribunal de Contas do Estado. As conclusões probatórias foram reforçadas de forma substancial pelos detalhados depoimentos prestados pelo ex-governador Silval Barbosa em seu acordo homologado de colaboração premiada.

Em manifestações recentes anexadas aos autos judiciais, a defesa do ex-governador Blairo Maggi alegou veementemente a inocência de seu cliente e a total regularidade técnica dos pagamentos efetuados. De igual modo, os representantes legais de Valdir Piran e das demais empresas envolvidas asseveram a plena licitude das negociações financeiras entabuladas à época.

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