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PREJUÍZO AOS COFRES PÚBLICOS

Investigações da Deccor e Defaz evitam prejuízo de mais de R$ 500 milhões

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Investigações realizadas pela Polícia Civil nos últimos 12 meses para apurar a prática de crimes de corrupção e contra administração pública resultaram no bloqueio de R$ 30 milhões em bens e valores de empresas e pessoas investigadas e evitou ainda um prejuízo de quase R$ 500 milhões aos cofres públicos. As investigações apuraram irregularidades nas áreas de saúde, tributos e mobilidade urbana.

As operações deflagradas pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) e Delegacia Especializada de Crimes Fazendários (Defaz) desarticularam esquemas envolvendo fraudes em licitações, compras de medicamentos com sobrepreço, sonegação fiscal, irregularidades na prestação de serviços médicos de plantões em hospital público e fraude nos atendimentos prestados por um consórcio que administrou unidades do Ganha Tempo do Estado.

Na Operação Sinal Vermelho, a atuação investigativa da Polícia Civil resultou no bloqueio de R$ 15,4 milhões em bens e valores de indiciados pela fraude na licitação do sistema de semáforos inteligentes adquirido pela Prefeitura de Cuiabá. O valor bloqueado, com autorização da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, representa a totalidade do contrato celebrado pelo Município para a aquisição do sistema.

Em outra investigação realizada durante a Operação Espelho, a Polícia Civil apurou irregularidades na execução de contratos de serviços médicos plantonistas para o Hospital Metropolitano de Várzea Grande. A investigação resultou na suspensão de pagamentos de contratos com a empresa investigada e evitou um prejuízo em relação aos dois contratos investigados no valor de R$ 229.752,50.

A Operação Overpriced, desencadeada inicialmente em 2020 e que teve continuidade neste ano, apurou irregularidades na aquisição de medicamentos pela Secretaria de Saúde de Cuiabá. A investigação partiu de denúncia feita à Deccor e diligências com o apoio da Força-Tarefa (MPE/PJC/CGE), criada para acompanhar eventuais desvios ocorridos em licitações relacionadas à pandemia ocasionada pela Covid-19, identificou sobrepreço na aquisição do medicamento Ivermectina.

Após a deflagração da primeira fase, em outubro do ano passado, e com base nas novas provas coletadas e em auditorias do Ministério da Saúde, a Deccor identificou diversas irregularidades em procedimentos licitatórios envolvendo, ao menos, três empresas que forneceram medicamentos à Secretaria Municipal de Saúde por meio de dispensa de licitação, durante o período da Pandemia da Covid-19.

Foram detectadas irregularidades com direcionamento para favorecer as empresas contratadas. Além disso, verificou-se que houve uma coordenação de aquisições baseadas na superestimação de consumo de medicamentos, muito além da necessidade de consumo em 180 dias, com o possível vencimento dos medicamentos. Além de compras em excesso, os investigadores verificaram o sobrepreço de medicamentos e a compra de fármacos por meio de dispensa, sob a justificativa de enfrentamento à Covid-19, que, no entanto, não são utilizados para o tratamento relacionado ao coronavírus. Decisão da 7ª Vara Criminal da Capital determinou o bloqueio de valores no valor de R$ 2,175 milhões relativos aos investigados.

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Ganha Tempo

Na Operação Tempo é Dinheiro foram apuradas irregularidades cometidas pela empresa Rio Verde, que administrava unidades do Ganha Tempo em Mato Grosso. Conforme a apuração da Deccor, foram encontrados indícios de lançamento de atendimentos fictícios por parte da empresa, gerando uma contraprestação estatal indevida. Também foram apontadas condutas por parte da empresa no sentido de dificultar a fiscalização da regularidade dos atendimentos por parte dos órgãos de controle do Estado.

Como resultado da investigação realizada pela Deccor foi determinado judicialmente o bloqueio de R$ 13 milhões nas contas da empresa e de seu sócio administrador, valor correspondente ao prejuízo sofrido pelo Estado dentro do que foi apurado em relação a pagamentos de atendimentos com indícios de fraude. A CGE avaliou que no período de março de 2018 a fevereiro de 2019, os atendimentos irregulares geraram um aumento indevido de 39,4% no valor pago por atendimento efetivamente prestado. A correção das inconsistências detectadas na auditoria reduziu o custo do contrato, estimado em R$ 500.261.550,00 gerando uma economia de quase 50% do valor original ao cofre estadual.

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Crimes tributários

Em duas operações realizadas neste ano pela Delegacia de Crimes Fazendários, a Polícia Civil interrompeu esquemas de sonegação fiscal, perpetrados por empresas investigadas, que deixaram de recolher um valor estimado em R$ 73 milhões ao fisco estadual.

Em junho deste ano, a Defaz deflagrou a Operação L’aranceto que apurou os crimes de associação criminosa, falsidade ideológica e contra a ordem tributária cometido por empresas que emitiam notas fiscais de saídas interestaduais de grãos sem o recolhimento de ICMS e a aquisição de soja diretamente de produtores rurais, sem notas fiscais e com comercialização interna e sonegação do Fethab.

As “noteiras” constituídas chegaram a emitir notas fiscais que ultrapassaram o valor de R$ 227 milhões de reais em saídas interestaduais tributáveis de matéria-prima agrícola causando um prejuízo estimado em mais de R$ 23 milhões de reais ao Estado de Mato Grosso por ICMS não recolhido. O esquema criminoso contava ainda com o aliciamento de “laranjas” para realização de certificação digital utilizada na constituição das empresas fictícias em seus nomes, com o fim de sonegar tributos.

Já a investigação que resultou na Operação Mustela Putorius desarticulou uma organização criminosa responsável por um esquema de sonegação fiscal consolidado com o “furo” de posto, cujo fato gerou prejuízo aos cofres estaduais. A ação de batedores/atravessadores em um posto do fisco estadual no município de Barra do Garças auxiliou de 15 a 20 caminhões, diariamente, que deixaram de recolher aproximadamente R$ 50 milhões no último ano, a maior parte em ICMS.

Durante a investigação da Polícia Civil foram reunidos indícios robustos contra os grupos criminosos responsáveis por orientar condutores de caminhão a simular a parada no Posto Fiscal, além de transmitir aos motoristas os melhores horários e rotas alternativas para escaparem da atuação fiscalizatória. Além disso, os integrantes da organização criminosa ameaçaram colaboradores e servidores durante as atividades funcionais.

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Destaques

Ação de R$ 182 Milhões contra ex-governador completa 7 anos no Judiciário de Mato Grosso

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Uma das principais denúncias de desvio de recursos públicos da história recente do Estado de Mato Grosso continua sem uma decisão de mérito definitiva. A Ação Civil Pública por improbidade administrativa, que tramita na Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá, busca a devida reparação aos cofres públicos diante de indícios robustos de fraudes no pagamento de precatórios.

O processo em questão aponta como réus o ex-governador Blairo Borges Maggi, o empresário Valdir Piran e outras oito pessoas físicas e jurídicas. Entre os demais acusados estão ex-secretários de Estado, procuradores estaduais e a Construtora Andrade Gutierrez, todos apontados como partícipes de um arranjo financeiro ilícito de caráter estruturado.

A controvérsia judicial, que se arrasta desde o ano de 2019, completou sete anos de tramitação sem que um desfecho definitivo tenha sido alcançado na Justiça de Mato Grosso. Os reiterados recursos processuais apresentados pelas defesas dos réus retardaram o andamento célere dos autos ao longo de quase uma década de controvérsias.

As supostas irregularidades processuais ocorreram no âmbito da administração pública direta do Estado de Mato Grosso, sediada na capital, Cuiabá. O epicentro das transações financeiras sob suspeita deu-se no âmbito da Secretaria de Estado de Fazenda (SEFAZ/MT) e envolveu créditos originados de autarquias estaduais já extintas.

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De acordo com as investigações, o esquema criminoso operou-se mediante a triangulação fraudulenta de repasses financeiros bilionários à Empreiteira Andrade Gutierrez sob o pretexto de quitação de precatórios judiciais.

Posteriormente, parte expressiva desses recursos públicos federais e estaduais era direcionada ao empresário Valdir Piran para fins de compensação de créditos privados.

A motivação por trás da referida engenharia financeira ilícita residia na necessidade urgente de quitação de uma dívida de caráter estritamente político de R$ 40 milhões. O grupo governamental da época contraíra esse débito volumoso com a Factoring pertencente ao empresário Valdir Piran, conforme apontam as investigações ministeriais.

O objetivo principal da referida operação ilegal consistia na obtenção rápida de dinheiro em espécie para garantir e consolidar a sustentabilidade política do grupo governante no poder. O “retorno” financeiro ilegal extraído do pagamento dos precatórios judiciais viabilizava a manutenção de privilégios ilícitos e o suborno continuado de parlamentares estaduais da base governista.

O expressivo prejuízo financeiro causado ao erário público estadual totalizou o montante histórico de R$ 182,9 milhões. Além do desfalque material milionário, a lentidão no julgamento do processo penal e civil acarreta severo desgaste à imagem do Poder Judiciário e fomenta um nocivo sentimento de impunidade social.

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A denúncia apresentada à Justiça baseia-se em auditorias técnicas minuciosas realizadas pela Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso e pelo Tribunal de Contas do Estado. As conclusões probatórias foram reforçadas de forma substancial pelos detalhados depoimentos prestados pelo ex-governador Silval Barbosa em seu acordo homologado de colaboração premiada.

Em manifestações recentes anexadas aos autos judiciais, a defesa do ex-governador Blairo Maggi alegou veementemente a inocência de seu cliente e a total regularidade técnica dos pagamentos efetuados. De igual modo, os representantes legais de Valdir Piran e das demais empresas envolvidas asseveram a plena licitude das negociações financeiras entabuladas à época.

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