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Ignorado, PSD ameaça deixar a base do governo, e Taques reforça convite ao PP
Logo após o PSD do vice-governador Carlos Favaro ter realizado em uma reunião entre os parlamentares da sigla onde eles demonstravam descontentamento com o governador Pedro Taques do PSDB.
Os seis deputados estaduais do Partido Social Democrático (PSD), Gilmar Fabris, Vágner Ramos, Ondanir Bortolini (Nininho), Dr. Leonardo Albuquerque, Pedro Satélite e Zé Domingos, realizaram um encontro para discutir a situação do PSD junto ao governdo Pedro Taques.
A sigla é considerada a maior bancada dentro da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, e segundo os deputados estaduais, eles querem deixar de apoiar o governo do estado em suas ações na Assembleia Legislativa e caminharem juntos com os partidos de oposição como o PDT, PMDB e o PT e reforçar o grupo de oposição dentro da Casa de Leis.
Nesta segunda-feira (16), ficou agendada uma reunião com o presidente do partido em Mato Grosso, o vice-governador Carlos Favaro juntamente com os descontentes parlamentares estaduais.
Favaro não esteve presente na reunião realizada pelos parlamentares estaduais, o motivo foi que ele estava de férias com a família, mas acabou sendo informado da reunião e da insatisfação dos parlamentares com o atual Governo do Estado com a não participação na administração Pedro Taques que conta com apenas a Secretaria de Meio Ambiente (Sema) ocupada hoje pelo vice-governador e presidente da sigla Carlos Favaro, e que segundo os parlamentares, é a cota pessoal do governador.
Pra aumentar ainda mais o descontentamento com o atual governo por parte do PSD, o próprio governador Pedro Taques esteve reunido com a cúpula do Partido Progressista (PP), o presidente da sigla no estado deputado federal Ezequiel Fonseca, e também com o o secretário de Políticas Agrícolas do Ministério da Agricultura, Neri Geller para convidar o partido para compor com o governo com cargos de primeiro e segundo escalão.
"Eu e o Secretario Neri Geller estivemos reunidos com o governador Pedro Taques, para discutirmos uma possível participação no governo do estado. O governador nos ofereceu um espaço dentro do seu governo, e vamos nos reunir com o Partido para analisar se vamos ou não aceitar o convite, mas quero aqui esclarecer também, que o nosso partido vai estar dando apoio ao governo do estado mesmo estando fora da administração de Pedro Taques, o que vamos fazer é discutir com todos da cúpula, se vamos ou não indicar algum nome para o governo”. Disse o presidente da sigla Ezequiel Fonseca.
Durante o encontro estadual do Partido Progressista no mês de novembro, o deputado federal e presidente da sigla Ezequiel Fonseca chegou a afirmar que o PP não participaria da administração de Taques.
O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, senador Blairo Maggi (PP), disse que o seu partido recusou o convite do governador Pedro Taques de participar junto com PSDB no Governo do Estado.
“O nosso partido no momento não tem nenhum interesse de participar da administração de Pedro Taques, já que no momento também não temos representante na Assembleia Legislativa de Mato grosso para ajudar o governador, e não temos nada em troca para oferecer a ele também”. Afirmou o senador e Ministro Blairo Maggi.
Já o governador Pedro Taques logo após a reunião, disse que fez o convite para o Partido Progressista, e caso aceitem, eles serão bem vindos no governo do estado, mas que vai estar na próxima semana, fazendo mais uma investida junto ao PP nesta semana em Brasília com a cúpula do partido no gabinete do Ministro Blairo Maggi para que venha participar do governo.
“Nos já estivemos juntos em 2014, temos amigos do PP que querem estar conosco, dando apoio no interior do estado ao nosso governo, e acredito que o PP sendo uma grande sigla partidária, iria ajudar ainda mais o governo estando participando dele”. Finalizou o governador Pedro Taques.
Destaques
“Operação Heritage” expõe teia de fundos em cascata, cessões de crédito interpostas e conexões de alto escalão entre o Executivo, o Judiciário e o setor privado
O QUE
A Polícia Federal deflagrou na manhã de hoje a Operação Heritage, ostensiva ação policial voltada a desarticular um sofisticado esquema institucional de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro no Estado de Mato Grosso. A investigação debruça-se sobre a homologação e o pagamento transacional de um controverso pacto financeiro, mediante o qual cofres estaduais repassaram R$ 308,1 milhões sob a justificativa de encerrar um litígio tributário histórico.
O caso revela indícios severos de concussão, peculato, uso indevido de informação privilegiada e infrações graves contra o Sistema Financeiro Nacional.
QUEM
A teia dos investigados abrange figuras proeminentes do cenário político e jurídico estadual, tendo como alvo central o ex-governador Mauro Mendes (UB), além do deputado federal Fábio Garcia (UB), atual pré-candidato a vice-governador na chapa de Otaviano Pivetta. A ostensiva operação policial atingiu também a procuradora Fabíola Paulino Garcia, irmã do parlamentar, o desembargador Ricardo Gomes de Almeida, nomeado para o Tribunal de Justiça em final de 2025 após atuar como advogado na causa, secretários estaduais de Estado e operadores financeiros encarregados da intermediação dos valores.
QUANDO
As ações de busca e apreensão ocorreram nesta quinta-feira, 6 de agosto de 2026, culminando uma apuração que reconstituiu minuciosamente atos administrativos ocorridos entre 2009 e 2024. O cronograma decisivo iniciou-se em outubro de 2023, quando a empresa Oi S.A. cedeu seus direitos creditícios por R$ 80 milhões; acelerou-se em abril de 2024, data na qual o Executivo estadual chancelou o acordo bilionário e efetuou o crédito suplementar; e desdobrou-se nas movimentações bancárias subsequentes monitoradas pelo Coaf e pela Polícia Federal.

ONDE
Os mandados judiciais foram cumpridos simultaneamente em endereços estratégicos da capital cuiabana, incluindo gabinetes oficiais e sedes corporativas de alto padrão. Agentes federais em viaturas ostensivas ocuparam a sede da Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso (PGE-MT), vistoriando a sala de Fabíola Garcia, além de realizarem apreensões de documentos e mídias digitais em dois escritórios do desembargador Ricardo Gomes de Almeida localizados no Centro Empresarial Maruanã, situado na Avenida do CPA, e em prédio comercial na Avenida São Sebastião.
COMO
A engenharia do suposto desvio operou-se por meio de uma complexa arquitetura financeira baseada em fundos de investimento em cascata e empresas de fachada interpostas. Após a assinatura do Termo de Autocomposição, o direito creditício milionário foi sucessivamente cedido a múltiplos veículos de investimento privados no mesmo mês de abril de 2024, estratégia desenhada para fracionar as parcelas, dissimular a real titularidade dos beneficiários finais e ocultar a liquidação do montante originado do erário estadual.
POR QUE
A motivação central das condutas sob investigação residia no direcionamento proposital de verbas públicas para o enriquecimento ilícito de agentes estatais e particulares aliados. A apuração demonstra que a administração pública converteu uma execução fiscal na qual o Estado era vencedor garantido com trânsito em julgado desde 2018 em uma transação administrativa onerosa, forjando um cenário de risco jurídico artificial tão somente para fundamentar o escoamento dos R$ 308,1 milhões aos cofres de terceiros.

QUANTO
As cifras investigadas refletem uma discrepância astronômica entre a avaliação originária do débito e os valores transacionados ao longo do tempo. A disputa envolvia inicialmente uma dívida tributária do ICMS estimada em R$ 690 milhões; contudo, em 2023, o direito ao crédito foi vendido pela concessionária de telefonia por R$ 80 milhões a um escritório privado.
Este, por sua vez, demandou R$ 583,4 milhões ao Estado e consolidou o acordo definitivo na quantia de R$ 308.123.595,50, pagos com urgência atípica sem a devida previsão orçamentária prévia.
QUAIS AS CONSEQUÊNCIAS
O desdobramento da Operação Heritage produz abalos sísmicos na estabilidade política de Mato Grosso e reconfigura o quadro eleitoral ao atingir frontalmente a chapa governista à reeleição. Além das previsíveis sanções penais e da indisponibilidade de bens dos implicados, a ação desmantela o fluxo financeiro ilícito, põe sob suspeita a idoneidade de decisões administrativas da PGE-MT e suscita a instauração de procedimentos disciplinares junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ao Ministério Público.
QUAIS AS FONTES
As evidências do inquérito fundam-se em relatórios da Polícia Federal, auditorias de inteligência financeira, dados da Ação Popular em curso e relatórios de auditoria orçamentária. Em contrapartida institucional, a defesa do ex-governador Mauro Mendes declarou oficialmente que o político confia plenamente no trabalho investigativo da Polícia Federal, coloca-se à inteira disposição das autoridades e aguarda com serenidade os esclarecimentos dos fatos, demonstrando convicção na comprovação da lisura de sua conduta.
O QUE ACONTECE AGORA
A partir de agora, o procedimento investigatório entra em fase de análise pericial de todo o material apreendido nos computadores, celulares e documentos recolhidos durante as buscas. Cabe à Justiça Federal avaliar a manutenção do sigilo dos autos, eventual oferecimento de denúncia formal pelo Ministério Público Federal e a aplicação de medidas cautelares adicionais, enquanto os implicados terão prazos regimentais para apresentar suas defesas prévias diante das instâncias judiciais competentes.
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