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Governo inicia pagamento de salários dos servidores na próxima sexta-feira (10)
Em janeiro de 2019, o Governo do Estado de Mato Grosso, através do governador do Partido Democrata (DEM), Mauro Mendes Ferreira, se manifestou, por meio de uma nota, a respeito do atraso do pagamento dos salários de dezembro e do décimo terceiro referente a 2018 e alegou que a situação financeira do Estado é de dívidas acumuladas.
Segundo o esclarecimento, o não repasse do FEX pelo Governo Federal juntamente com a não renovação do Fethab 2, dificultariam a normatização do caixa do Estado.
Governo do Estado chegou ate mesmo de impor datas para o pagamento do décimo terceiro dos servidores públicos de 2018, que totalizava na época cerca de R$ 127.206.023,59 e acabou sendo parcelado em quatro vezes.
Nesta sexta-feira (03), a Secretaria de Fazenda (Sefaz) que o pagamento dos salários de abril de todos os 115.752 mil servidores estaduais ativos, aposentados e pensionistas será feito mais uma vez de forma escalonada, os servidores vão receber os salários referentes ao mês de abril em três vezes, conforme procedimento que vem sendo adotado desde o mês de janeiro. A folha de pagamento do mês de abril totaliza R$ 497.512.680,12.
Na próxima sexta-feira, dia 10 de maio, o Governo do Estado depositará até R$ 5.500,00, o que representará o pagamento integral de 80,63% dos servidores. O total a ser desembolsado nesta primeira parcela é de R$ 401,167 milhões.
Para quem recebe acima de R$ 5.500,00, o pagamento complementar ocorrerá nos dias 14 e 22 de maio. Na terça-feira, dia 14, serão pagos mais R$ 2.000,00, num total de R$ 36,865 milhões. Com isso 88% da folha do funcionalismo público estará quitada.
A última parcela que completa o pagamento de toda a folha de abril, será paga no dia 22 de maio, uma quarta-feira. O valor total será de R$ 59.464 milhões para os servidores ativos, aposentados e pensionistas que recebem acima de R$ 7.200,00.
Nesta ultima quinta-feira (02), o governador Mauro Mendes esteve reunido com representantes do Fórum Sindical para que fossem feitos alguns esclarecimentos aos servidores justamente com relação aos pagamentos dos salários.
“Nós tivemos uma reunião bastante amigável, tranquila com os servidores, nós ouvimos todas as duvidas e um dos principais assuntos na reunião foi quanto ao salário dos servidores e a data de pagamento. Nós dissemos a eles que a ideia é voltar a pagar no dia 10 no menor espaço de tempo possível, mas que não dependia só de Mauro Mendes, mas da arrecadação do Governo do Estado”.
Na explicação de Mauro Mendes para o Fórum Sindical, ele disse que o Governo do Estado trabalha com duas projeções, sendo a mais otimista delas, encerrar o esquema de escalonamento adotado desde o início da gestão já a partir de julho.
“A estimativa, na melhor das hipóteses, é que isso ocorra em julho. Na pior das hipóteses, em dezembro. Entre julho e dezembro ou o quanto antes”.
O Fórum Sindical pediu o retorno para a forma de pagamento anterior, pois, segundo eles, muitos servidores adiantaram essa verba nos bancos em 2018 e agora estão tendo os salários resgatados pelos próprios bancos, agravando a situação de endividamento familiar.
O governador Democrata Mauro Mendes afirmou aos sindicalistas que o Estado ainda trabalha com o objetivo de pagar em parcela única dentro do dezembro. Entretanto, citou que se a realidade financeira do Estado melhorar vai poder parcelar em três vezes o benefício.
Destaques
Ação de R$ 182 Milhões contra ex-governador completa 7 anos no Judiciário de Mato Grosso
Uma das principais denúncias de desvio de recursos públicos da história recente do Estado de Mato Grosso continua sem uma decisão de mérito definitiva. A Ação Civil Pública por improbidade administrativa, que tramita na Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá, busca a devida reparação aos cofres públicos diante de indícios robustos de fraudes no pagamento de precatórios.
O processo em questão aponta como réus o ex-governador Blairo Borges Maggi, o empresário Valdir Piran e outras oito pessoas físicas e jurídicas. Entre os demais acusados estão ex-secretários de Estado, procuradores estaduais e a Construtora Andrade Gutierrez, todos apontados como partícipes de um arranjo financeiro ilícito de caráter estruturado.
A controvérsia judicial, que se arrasta desde o ano de 2019, completou sete anos de tramitação sem que um desfecho definitivo tenha sido alcançado na Justiça de Mato Grosso. Os reiterados recursos processuais apresentados pelas defesas dos réus retardaram o andamento célere dos autos ao longo de quase uma década de controvérsias.
As supostas irregularidades processuais ocorreram no âmbito da administração pública direta do Estado de Mato Grosso, sediada na capital, Cuiabá. O epicentro das transações financeiras sob suspeita deu-se no âmbito da Secretaria de Estado de Fazenda (SEFAZ/MT) e envolveu créditos originados de autarquias estaduais já extintas.
De acordo com as investigações, o esquema criminoso operou-se mediante a triangulação fraudulenta de repasses financeiros bilionários à Empreiteira Andrade Gutierrez sob o pretexto de quitação de precatórios judiciais.
Posteriormente, parte expressiva desses recursos públicos federais e estaduais era direcionada ao empresário Valdir Piran para fins de compensação de créditos privados.
A motivação por trás da referida engenharia financeira ilícita residia na necessidade urgente de quitação de uma dívida de caráter estritamente político de R$ 40 milhões. O grupo governamental da época contraíra esse débito volumoso com a Factoring pertencente ao empresário Valdir Piran, conforme apontam as investigações ministeriais.
O objetivo principal da referida operação ilegal consistia na obtenção rápida de dinheiro em espécie para garantir e consolidar a sustentabilidade política do grupo governante no poder. O “retorno” financeiro ilegal extraído do pagamento dos precatórios judiciais viabilizava a manutenção de privilégios ilícitos e o suborno continuado de parlamentares estaduais da base governista.
O expressivo prejuízo financeiro causado ao erário público estadual totalizou o montante histórico de R$ 182,9 milhões. Além do desfalque material milionário, a lentidão no julgamento do processo penal e civil acarreta severo desgaste à imagem do Poder Judiciário e fomenta um nocivo sentimento de impunidade social.
A denúncia apresentada à Justiça baseia-se em auditorias técnicas minuciosas realizadas pela Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso e pelo Tribunal de Contas do Estado. As conclusões probatórias foram reforçadas de forma substancial pelos detalhados depoimentos prestados pelo ex-governador Silval Barbosa em seu acordo homologado de colaboração premiada.
Em manifestações recentes anexadas aos autos judiciais, a defesa do ex-governador Blairo Maggi alegou veementemente a inocência de seu cliente e a total regularidade técnica dos pagamentos efetuados. De igual modo, os representantes legais de Valdir Piran e das demais empresas envolvidas asseveram a plena licitude das negociações financeiras entabuladas à época.
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