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Em conversa gravada, Ten. Cel e Cel dão risadas ao comemorarem apoio de procurador-geral de Justiça e de promotor

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O Procurador-geral de Justiça de Mato Grosso, Mauro Curvo, e do Promotor de Justiça Marcelo Ferra, ex-procurador-geral de Justiça do Estado, são citados em uma conversa gravada entre o tenente-coronel da Polícia Militar José Henrique da Costa Soares e o coronel Evandro Alexandre Lesco.

A gravação foi entregue à Justiça e é citada na decisão do desembargador Orlando de Almeida Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que mandou prender 8 suspeitos de participação em um plano que visava afastar o desembargador Orlando Perri, das investigações sobre as escutas clandestinas no governo do estado.

Na conversa, por telefone, sobre uma microcâmera que Soares usaria na farda para tentar gravar o desembargador, os dois se dizem mais seguros porque têm o apoio de membros do Ministério Público Estadual (MPE). O equipamento seria adaptado na farda de Soares pelo sargento da PM, João Ricardo Soler, que foi preso junto com Lesco na "Operação Esdras", da Polícia Civil

Soares era escrivão do Inquérito Policial Militar (IPM) sobre os grampos e, por isso, tinha contato direto com o desembargador Orlando Perri. Mas, além de gravar um áudio de Perri, Soares gravou as conversas que teve com Evandro Lesco e outros membros do grupo, depois que decidiu ajudar a Justiça a investigar esse plano contra o magistrado. 

Mauro Curvo, em nota, nega qualquer envolvimento no plano criminoso. "A tentativa de envolver o nome de membros do Ministério Público é uma 'canalhice' e de total despropósito com a finalidade de enfraquecer a instituição", diz.

Em relação a Marcelo Ferra, Curvo declara que ele atuou até agosto no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e que não está acompanhando o processo foi citado.

"Até o momento, a única participação de Marcelo Ferra em relação a esta matéria foi na sessão do Pleno que decidiu pelo recebimento da denúncia oferecida pelo Ministério Público contra os militares", pontuou, Mauro Curvo.

Já o promotor Marcelo Ferra de Carvalho nega que tenha favorecido o grupo investigado, e diz que está tranquilo, afirmando que não é o promotor responsável pelo caso, sendo que atuou apenas uma vez como substituto.

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É uma história meio esquisita né? O cara ouviu falar que procuraria um promotor, que gravaria o desembargador Orlando para depois pedir a suspeição dele. Eu ouvi essa história absurda, porque: se digo Marcelo, vou te dar uma fita para gravar você recebendo propina, e daí? Afinal, eu nunca vou receber. Então o que tem me gravar?”, questionou o promotor Marcelo Ferra.

Entenda o caso:

O nome do promotor Marcelo Ferra de Carvalho, surgiu em uma conversa entre, Evandro Lesco e o Soares "hein, Lesco, ainda bem que tem o Ministério Público do nosso lado porque (risada). Aí tava pior ainda, né?” diz Soares. “Marcelo Ferra enfrentou, só que um contra trinta é f…né? Ele (está) falando sozinho”, rebate Lesco.

Ferra, por sua vez, afirma ter duas hipóteses para o caso. A primeira é que eles estariam tentando “usar, indevidamente, um prestígio que não têm”. A outra, citada pelo promotor, é o fato dele ter proferido o parecer do MPE no julgamento do Pleno do Tribunal de Justiça que acolheu a denúncia contra cinco militares envolvidos nos grampos. 

Entretanto, para o desembargador Orlando Perri, essa gravação comprovou a suposta participação de um membro do MPE na organização.

De acordo com o magistrado, Soares deixou claro que não era qualquer promotor que estava ajudando o grupo, "mas um membro que representava um grupo do Ministério Público interessado no meu afastamento dos processos".

Confissão

Em depoimento feito ao coronel da PM Jorge Catarino e aos delegados Flávio Stringuetta e Ana Cristina Feldner, que são responsáveis pela investigação dos grampos nas esferas Militar e Civil, Soares confessou que foi chantageado e iludido com uma possível promoção. 

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Primeiro, os integrantes do grupo lhe propuseram que protegesse os policiais militares para que em troca a sua condição de dependente químico e a sociedade que mantinha em uma empresa privada ficariam em segredo.

Em outra ocasião, conforme declaração de Soares, os membros da organização o procuraram para que ajudasse o secretário de Segurança Pública Rogers Jarbas e lhe ofereceram promovê-lo ao cargo de coronel da Polícia Militar.

De acordo com ele, Lesco chegou a ameaçar de morte o filho dele, caso ele não devolvesse os aparelhos de celular dele e da mulher que o tenente havia pego na casa deles.

Leia a transcrição da conversa de Soares e Lesco, na qual citam o nome do procurador e do promotor:

Soares: Eu vou entrar com o equipamento

Lesco: Já testou?

Soares: Opa, perfeito. Rapaz, óh, esse menino aí, o…

Lesco: Soler

Soares: Soler, um mestre o cara, né?!

Lesco: Ele é

Soares: Rapaz…

Lesco: Ele é um supersargento

Soares: É que você não viu né? É que ele entregou para mim e daí você não viu. Lá naquele brevê de CAO (inaudível).. não tem? Pontinho assim, cara, imperceptível. Hein, Lesco, ainda bem que tem o Ministério Público do nosso lado porque… (risada) Aí tava pior ainda, né?!

Lesco: Marcelo Ferra enfrentou só que é um contra trinta, é foda, né?! Ele falando sozinho

Soares: É uma briga desleal né? É uma briga desleal

Lesco: E aí é bom que o Mauro Curvo já comprou a briga de novo né. Por que ele (Orlando Perri) falou que (o esquema de grampos) foi um descuido do MP.

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Polícia Militar define finalistas para o topo da carreira institucional

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A disputa por uma vaga de coronel é o ponto culminante da carreira dos oficiais militares e das forças de segurança públicas (como a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros). O posto de coronel representa o último degrau e o topo da hierarquia dessas instituições, o que torna essa concorrência extremamente acirrada e de importância estratégica.

O coronel deixa as funções operacionais de campo para assumir o planejamento estratégico, comandando batalhões inteiros, diretorias ou grandes comandos regionais. Os coronéis interagem diretamente com o alto escalão do governo estadual ou federal (como Secretários de Segurança e Governadores), participando da formulação de políticas públicas de segurança. É desse grupo restrito que sai o Comandante-Geral da instituição, o cargo máximo de liderança.

Diferente das promoções iniciais, que consideram bastante o tempo de serviço (antiguidade), a vaga para coronel costuma basear-se fortemente no critério de merecimento. Isso envolve avaliações de desempenho rigorosas, histórico limpo e cursos de aperfeiçoamento. O número de vagas para coronel é altamente limitado por Lei. Conforme a pirâmide militar se estreita, centenas de tenentes-coronéis competem por pouquíssimas cadeiras vazias.

Cinco vagas para o posto de coronel

A Comissão de Promoção de Oficiais (CPO) da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso (PMMT) definiu, no cenário institucional do estado, a lista dos quinze tenentes-coronéis que disputam as cinco vagas para o posto de coronel.

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O ato administrativo ocorreu no âmbito das avaliações internas da corporação e busca preencher as vagas do posto mais elevado da hierarquia policial militar mato-grossense.

A deliberação oficial abrange todo o Estado de Mato Grosso, reunindo oficiais com atuação estratégica tanto na capital, Cuiabá, quanto em importantes municípios do interior.

As promoções respondem à necessidade contínua de renovação do alto comando militar, garantindo a continuidade do planejamento e da execução das diretrizes de segurança pública.

O processo seletivo foi conduzido de forma criteriosa pela própria comissão especializada da corporação, mediante a análise minuciosa de méritos, histórico funcional e pontuações acumuladas.

A relação reúne oficiais que atuam em unidades da Capital e do interior do Estado. As notas atribuídas pela comissão variam de 5,34 a 4,87.

A maior nota da lista é do tenente-coronel Adão César Rodrigues Silva, comandante regional de Cáceres, com 5,34. Na sequência aparecem, tenente-coronel Paulo Jailson Secchi de Ávila, que atua em Nova Mutum aparece com nota 5,337; Murilo Franco de Miranda, de Tangará da Serra, com 5,327; Fábio Alves Ribeiro, comandante da Rotam, com 5,32; e Oswaldo Marins Rabelo, de Alta Floresta, com 5,29.

Completam a relação Cleiton de Moura Viana, Breno Chaves Nogueira, Nagila de Moura Brandão, Fábio Mota de Souza, Victor Lúcio do Prado, Adonival Coelho de Souza Junior, Bruno Marcel Souza Tocantins, Gyancarlos Paglyneari Cabelho, Jussara Cristina Novacki e Marcelo Moraes de Souza.

Entre os quinze selecionados, destacam-se duas oficiais mulheres: as tenentes-coronéis Nagila de Moura Brandão, do 9º Batalhão, e Jussara Cristina Novacki, integrante da Diretoria de Defesa da Mulher.

O governador Otaviano Pivetta confirmou expressamente que, entre as cinco vagas disponíveis para a promoção, ao menos uma será destinada ao preenchimento por uma mulher.

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A decisão final caberá ao chefe do Executivo Estadual, que receberá uma lista tríplice indicativa para cada vaga e anunciará os novos coronéis no prazo estimado de cinco dias.

Após a oficialização do ato administrativo, os cinco oficiais escolhidos tomarão posse na mais alta patente, assumindo responsabilidades estratégicas na condução da segurança do Estado de Mato Grosso.

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