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CPI da Copa do Mundo, quase vira um ringue entre deputado Taboreli e o ex-governador Silval Barbosa
Pela segunda vez o ex-governador Silval Barbosa (PMDB), que se encontra preso desde setembro do ano passado por envolvimento em esquemas de corrupção em sua gestão, deixou o sistema prisional para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Obras da Copa 2014. Em outubro de 2015, Silval foi ouvido na CPI da Renuncia e Sonegação Fiscal.
O ex-governador foi escoltado do Centro de Custódio da Capital (CCC) a Assembleia Legislativa de Mato Grosso para depor na CPI das Obras da Copa 2014, que foi autorizada pela juíza Selma Rosane Arruda, da Sétima Vara Criminal de Cuiabá.
O advogado Valber Melo, antes de começar a ser questionado sobre as Obras da Copa do Mundo, pediu questão de ordem, requerendo que o ex-governador Silval Barbosa fosse dispensado do compromisso de dizer a verdade, no qual foi acatada pelos parlamentares que compõem a CPI.
O ex-governador então começou a falar aos membros da Comissão, reclamando que os deputados estaduais o tratam como "investigado", da mesma forma que a Justiça, onde é réu sobre a mesma questão, "venho aqui na intenção de colaborar, quero responder todos os questionamentos. Me tratam nessa Casa como sendo investigado. Em 300 anos, nunca se fez tantas obras em Cuiabá". Disse.
Silval rebateu as críticas feitas a sua gestão no andamento das obras relacionadas a Copa, dizendo que o planejamento das obras, entre 2010 e 2014 foi um caos total, "quero refutar isso, foi sim o maior avanço em mobilidade urbana. Reconheço que coisas precisam serem corrigidas, mas foi o maior avanço. Dentro das condições que tivemos, fizemos com grandeza, até parece que entregamos um Estado que é uma terra arrasada. Não é verdade", enfatizou Silval.
Segundo o ex-governador o andamento das obras enfrentou diversos problemas, entre eles com as concessionarias do serviço público, exemplo a CAB e Cemat, que segundo Silval, demoravam em realizar os serviços, além das desapropriações na cidade, "é melhor criticar, bater, xingar, achar que é o dono do mundo é fácil. Quero ver colocar a mão na massa. Fazer as obras que fizemos não é coisa simples. Poucos terão oportunidade e poucos terão coragem de fazer as obras que fizemos. Tomara que Pedro ou outros façam porque poucos terão", alfinetou o ex-governador Silval Barbosa.
Silval X Taborelli
A Comissão Parlamentar de Inquérito das Obras da Copa do Mundo, quase se transforma em um ringue nesta quarta-feira, no depoimento do ex-governador Silval Barbosa. A causa por motivos que nada acrescentaria na comissão que realizou a sua última oitiva, já que agora entra em fase de redação final para ser entregue na primeira quinzena de junho a presidência da Casa.
Silval se irritou com as declarações do deputado estadual Cel. Peri Taborelli (PV), que não faz parte da CPI, que criticou o ex-governador por conta das obras do Veiculo leve sobre Trilhos (VLT) e da forma como deixou o Governo do Estado e também os processos que Silval responde na Justiça, afirmando que ele comandou "uma quadrilha de criminosos no Estado. Aí vem aqui e ficam pregando que tudo ocorreu as mil maravilhas", disse.
O ex-governador solicitou para o presidente da CPI, deputado Oscar Bezerra (PSB), que interviesse nas falas do deputado, que segundo Silval, estava ultrapassando os limites da comissão. Taborelli então disse, "cala a sua boca ladrão", neste momento houve uma tensão na reunião da CPI, já que tanto Taborelli e Silval se levantaram, mas os demais parlamentares conseguiram amenizar.
Neste embate Oscar Bezerra cancelou o direito de Taborelli participar da sessão. Irritado o deputado, acusou de Bezerra de estar "protegendo Silval". Taborelli se retirou o local aos gritos e ouviu muito bem o que seu colega e presidente da CPI lhe disse, "o senhor foi convidado para participar desta CPI, no entanto, não o fez, porque só servia a presidência. Aqui não existe proteção a ninguém e está cancelada a sua participação. Boa viagem", finalizou Oscar Bezerra durante a discussão.
Silval foi convocado para dar continuidade a sua oitiva nesta quinta-feira (12) pela CPI. De acordo com o advogado Valber Melo, a juíza Selma Rosane Arruda, da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, já autorizou a volta do ex-governador à Assembleia Legislativa.
Leia o bate boca
15h:44
Taboreli pede a palavra sobre os crimes que supostamente foram feitos por Silval, que liderou uma quadrilha. "Esses crimes têm efeitos colaterais".
15h:47
Silval ressalta que está na AL para responder a questionamentos sobre as obras e reclama de pré-julgamento. Em meio ao bate-boca diz: "Eu não sou obrigado não", gritou Silval, revoltado. Acontece que Taboreli estava afirmando que Silval liderou esquemas de desvio de recursos na Assembleia
15h:48
Em meio ao bate boca, Oscar cortou a fala do Cel. Peri Taborelli e exige respeito.
15h:48
Oscar bate boca com Taboreli que cortou a fala de Taboreli irritado, reclama do fato de ter tido a participação cancelada.
15h:49
Taborelli grita: "o senhor está protegendo um ladrão". E Oscar responde: "aqui não existe proteção a ninguém e está cancelada a sua participação. Boa viagem".
15h:50
O deputado estadual Cel. Peri Taborelli bastante exaltado continuava gritando, revoltado com o fato de ter tido a fala cortada pelo Oscar
15h: 55
Após saída de Peri Taborelli da sala da Comissão Parlamentar de Inquérito, Silval seguiu prestando esclarecimentos a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Obras da Copa 2014
Destaques
Ação de R$ 182 Milhões contra ex-governador completa 7 anos no Judiciário de Mato Grosso
Uma das principais denúncias de desvio de recursos públicos da história recente do Estado de Mato Grosso continua sem uma decisão de mérito definitiva. A Ação Civil Pública por improbidade administrativa, que tramita na Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá, busca a devida reparação aos cofres públicos diante de indícios robustos de fraudes no pagamento de precatórios.
O processo em questão aponta como réus o ex-governador Blairo Borges Maggi, o empresário Valdir Piran e outras oito pessoas físicas e jurídicas. Entre os demais acusados estão ex-secretários de Estado, procuradores estaduais e a Construtora Andrade Gutierrez, todos apontados como partícipes de um arranjo financeiro ilícito de caráter estruturado.
A controvérsia judicial, que se arrasta desde o ano de 2019, completou sete anos de tramitação sem que um desfecho definitivo tenha sido alcançado na Justiça de Mato Grosso. Os reiterados recursos processuais apresentados pelas defesas dos réus retardaram o andamento célere dos autos ao longo de quase uma década de controvérsias.
As supostas irregularidades processuais ocorreram no âmbito da administração pública direta do Estado de Mato Grosso, sediada na capital, Cuiabá. O epicentro das transações financeiras sob suspeita deu-se no âmbito da Secretaria de Estado de Fazenda (SEFAZ/MT) e envolveu créditos originados de autarquias estaduais já extintas.
De acordo com as investigações, o esquema criminoso operou-se mediante a triangulação fraudulenta de repasses financeiros bilionários à Empreiteira Andrade Gutierrez sob o pretexto de quitação de precatórios judiciais.
Posteriormente, parte expressiva desses recursos públicos federais e estaduais era direcionada ao empresário Valdir Piran para fins de compensação de créditos privados.
A motivação por trás da referida engenharia financeira ilícita residia na necessidade urgente de quitação de uma dívida de caráter estritamente político de R$ 40 milhões. O grupo governamental da época contraíra esse débito volumoso com a Factoring pertencente ao empresário Valdir Piran, conforme apontam as investigações ministeriais.
O objetivo principal da referida operação ilegal consistia na obtenção rápida de dinheiro em espécie para garantir e consolidar a sustentabilidade política do grupo governante no poder. O “retorno” financeiro ilegal extraído do pagamento dos precatórios judiciais viabilizava a manutenção de privilégios ilícitos e o suborno continuado de parlamentares estaduais da base governista.
O expressivo prejuízo financeiro causado ao erário público estadual totalizou o montante histórico de R$ 182,9 milhões. Além do desfalque material milionário, a lentidão no julgamento do processo penal e civil acarreta severo desgaste à imagem do Poder Judiciário e fomenta um nocivo sentimento de impunidade social.
A denúncia apresentada à Justiça baseia-se em auditorias técnicas minuciosas realizadas pela Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso e pelo Tribunal de Contas do Estado. As conclusões probatórias foram reforçadas de forma substancial pelos detalhados depoimentos prestados pelo ex-governador Silval Barbosa em seu acordo homologado de colaboração premiada.
Em manifestações recentes anexadas aos autos judiciais, a defesa do ex-governador Blairo Maggi alegou veementemente a inocência de seu cliente e a total regularidade técnica dos pagamentos efetuados. De igual modo, os representantes legais de Valdir Piran e das demais empresas envolvidas asseveram a plena licitude das negociações financeiras entabuladas à época.
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