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ARTIGO

Vahid Sherafat: – Pandemia foi uma grande “prova-surpresa” para as escolas

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Pandemia foi uma grande “prova-surpresa” para as escolas

Artigo: Vahid Sherafat

A Pandemia de Covid-19 afetou praticamente todos os setores da sociedade, nesta que foi classificada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a maior crise sanitária mundial de nossa época. A Educação no Brasil não fugiu à regra e foi atingida em cheio, com as escolas sendo fechadas em todo o país a partir do dia 17 de março. Poucos meses atrás, quem de nós diria que o grande desafio deste setor para 2020 seria o fechamento das escolas por conta da pandemia. E que, em vez de estarmos discutindo tópicos mais propositivos como as habilidades do futuro ou modelos de avaliação, tivemos que debater esta não abertura das instituições e de toda a problemática que envolve este fato. E, mais ainda, como iríamos proceder para que o aprendizado não fosse (muito) impactado, conforme fosse transportado do ensino presencial para a educação à distância?

E, dentro deste cenário, a pandemia foi como uma prova-surpresa não somente para as escolas, como também para todos os agentes envolvidos no processo educacional: gestores escolares, educadores e pais de alunos. Observamos que as escolas que tiveram melhor resultado ao se depararem com a nova realidade de ensino remoto foram as cuja proposta guardasse maior flexibilidade em relação ao modelo de aprendizado tradicional, ou seja, que conseguissem se adaptar ao mundo digital com maior natividade e rapidez. No entanto, houve escolas que se viram completamente despreparadas para o novo panorama e precisaram correr atrás do tempo perdido.

Para estas, que precisaram agir de uma forma absolutamente emergencial, sentimos que o desempenho foi menos satisfatório. Estas instituições acabaram falhando na prova-surpresa, oferecendo um rascunho de educação à distância, sem os devidos cuidados, avaliações e aprendizados. Foi até pensando nisso que desenvolvemos um estudo inédito, o Diagnóstico Nacional da Educação, cujos resultados ajudarão diretores e mantenedores de escolas avaliarem, antecipadamente, se sairão, ao final desta crise, mais ou menos fortes do que entraram.

Para os gestores das instituições de ensino que ainda não se adaptaram ou que não tiveram feedback positivo do que foi executado, o momento é de calma. Nada está perdido. Sempre estimulamos as escolas a fugirem de fórmulas mágicas que prometam o céu e a terra e sim que busquem entender que suas próprias evoluções de metodologia de aprendizado, e perceber que elas perpassam toda a comunidade escolar. Isso é possível de alcançar com a ajuda de experimentos e, principalmente, feedbacks das famílias. Os aprendizados conjuntos, com empatia entre as partes, têm potencial de se transformarem em absolutos provedores do melhor ensino.

E os próximos anos serão decisivos no que diz respeito às escolas que vão performar melhor e àquelas que seguirão com resultados abaixo do esperado. É hora de investir em modelos híbridos de ensino, onde parte possa acontecer presencialmente e parte seja executada de forma remota, sob pena de novamente acabar surpreendido por uma mudança estrutural, mesmo que menos expressiva que uma epidemia global. Obviamente nos anos iniciais, esse uso não necessariamente vai envolver complexas tecnologias. Entretanto, há diversos exemplos de escolas que estão conseguindo trabalhar componentes de ensino à distância poderosos, sem que, necessariamente, precisem utilizar tecnologia de ponta.

Mais que tudo, o momento agora é de união. É hora de apoiar as instituições de ensino, professores, pais e alunos a se prepararem para um novo começo em breve, com a volta gradual das aulas presenciais. Mais do que pensar em um projeto a longo prazo de tecnologia, é preciso fazer isso de um jeito novo, com apoio, com compreensão e empatia.

Queremos que seja esta uma oportunidade para as escolas refletirem e se planejarem, convidando todos os agentes da comunidade acadêmica a colaborarem. É nosso dever e vontade apoiar os professores e encorajá-los. Eles são guerreiros que estão na linha de frente nesta crise, com muita garra e flexibilidade, dando continuidade a essa luta. Aos pais, fica nosso convite para que eles reflitam sobre o seu papel e entendam o potencial de sua contribuição na jornada coletiva, nessa nova escola, rumo ao novo futuro. Por fim, clamamos aos líderes e gestores de instituições de ensino, que entendam que essa nova fase tem que ser trilhada em conjunto e que se mantenham atentos à medidas de saúde, ensino híbrido e gestão, com coragem e criatividade.

Vahid Sherafat é CEO do Escolas Exponenciais, instituição independente que promove, 22 a 24 de julho de 2020, o Conecta EX Live (https://escolasexponenciais.com.br/evento/): maior evento online de educação da América Latina

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Artigos

Pedágio, investimentos e desenvolvimento: o que está por trás de uma concessão rodoviária

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Autor: Luiz Sette*

Transferência da gestão para a iniciativa privada não significa perda do patrimônio público, mas sim a garantia de investimentos contínuos

É preciso desmistificar algumas percepções já consolidadas quando o assunto são as concessões rodoviárias. Muitas pessoas acreditam que, ao conceder uma rodovia à iniciativa privada, o Estado está automaticamente “vendendo” aquele patrimônio público para uma empresa. Na prática, não é isso que acontece.

Quando uma rodovia é concedida, o poder público continua sendo o proprietário da infraestrutura. O que ocorre é a transferência da responsabilidade pela operação, manutenção e realização de investimentos para uma empresa privada durante um período determinado, seguindo regras, metas e obrigações previamente estabelecidas em contrato.

E é impossível falar sobre concessões sem abordar um tema que costuma gerar debates: o pedágio. É importante esclarecer que a tarifa não representa uma fonte automática de lucro para a concessionária. Os recursos arrecadados são destinados à manutenção permanente da rodovia, recuperação do pavimento, conservação da sinalização, atendimento aos usuários, operação de ambulâncias e guinchos, monitoramento do tráfego, ampliação da capacidade da via e ao cumprimento de uma série de exigências ambientais e operacionais previstas contratualmente.

A experiência da MT-130 ajuda a ilustrar essa realidade. Desde o início da concessão, em 2021, a Rota dos Grãos já investiu mais de R$ 234,4 milhões em manutenção, recuperação e ampliação da capacidade da rodovia, além da implantação de sistemas operacionais e de gestão ambiental. São investimentos que contribuem diretamente para a segurança dos usuários, a eficiência logística e o desenvolvimento regional.

Também é importante lembrar que uma rodovia não funciona apenas quando há obras em andamento. Ela exige atenção permanente, 24 horas por dia, sete dias por semana. Isso significa manter equipes de conservação em campo, equipamentos disponíveis para emergências, monitoramento constante, atendimento médico, guinchos e uma estrutura operacional preparada para responder rapidamente a qualquer ocorrência. Tudo isso demanda planejamento e investimentos contínuos.

No caso da MT-130, os resultados vão além da própria infraestrutura. Uma rodovia em melhores condições reduz custos de transporte, aumenta a segurança viária, melhora a mobilidade da população e fortalece a competitividade de setores fundamentais para a economia mato-grossense, como o agronegócio. Trata-se de um investimento que gera reflexos positivos para produtores, transportadores, empresas e comunidades inteiras.

Não poderia deixar de destacar ainda que a segurança viária é uma construção coletiva. A concessionária tem o papel de garantir uma infraestrutura adequada, sinalização eficiente, atendimento aos usuários e uma operação preparada para diferentes situações, mas cada pessoa que utiliza a rodovia também contribui diretamente para um trânsito mais seguro. Atitudes conscientes, respeito às normas de circulação e a adoção de práticas responsáveis são fundamentais para preservar vidas e garantir que os investimentos realizados na infraestrutura cumpram seu principal objetivo: tornar as viagens mais seguras para todos.

Por fim, o futuro da segurança viária também passa pela adoção de novas tecnologias que já estão transformando a mobilidade em diferentes regiões do Brasil e do mundo. Soluções baseadas em Inteligência Artificial, Internet das Coisas (IoT), telemetria e sistemas inteligentes de monitoramento têm ampliado a capacidade de prevenção de acidentes, permitindo identificar comportamentos de risco, acompanhar sinais de fadiga dos condutores, aprimorar a fiscalização e tornar a gestão do tráfego mais eficiente. Recursos como câmeras inteligentes, videotelemetria, sistemas de assistência ao motorista e tecnologias de pesagem em movimento representam uma nova geração de ferramentas que podem contribuir para rodovias mais seguras.

Esse debate precisa avançar também em Mato Grosso, um estado com dimensões continentais e uma das maiores movimentações logísticas do país, onde investimentos em inovação devem ser tratados como prioridade para preservar vidas e melhorar a eficiência do transporte.

O debate sobre concessões é legítimo, necessário e saudável. Mas ele precisa estar fundamentado em informações, dados e transparência. Quando a sociedade compreende como esse modelo funciona, torna-se mais fácil avaliar seus desafios, fiscalizar sua execução e reconhecer os benefícios que ele pode proporcionar para a infraestrutura e para o desenvolvimento das regiões atendidas.

Mais do que administrar uma rodovia, uma concessionária tem a responsabilidade de garantir que ela continue cumprindo sua função de conectar pessoas, impulsionar a economia e contribuir para o crescimento sustentável das cidades que dependem dela.

*Luiz Sette é diretor-presidente da Rota dos Grãos, empresa responsável pela concessão da MT-130, que liga Primavera do Leste à Paranatinga

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