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O profissional certo no lugar errado

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Autor: Danilo de Lima Neves*

Em período de desemprego em alta, é cada vez mais comum ouvirmos por aí a seguinte frase: “não existe mão de obra qualificada no mercado de trabalho“. Todo empresário, ao menos uma vez, já reproduziu esse conteúdo no seu negócio. Quem tem restaurante não acha um profissional para o cargo de atendente à altura. O proprietário da loja no ramo do varejo nunca acha um bom vendedor. Tem também aquele empresário de construtora que não encontra um carpinteiro adequado, mas será mesmo que falta mão de obra qualificada no mercado? A resposta a princípio pode parecer simples: não falta, porém é preciso tomar cuidado com essas generalizações, já que não é tão simples assim entender as dinâmicas que ocorrem no mercado de trabalho. Aliás, é preocupante a quantidade de empresários atualmente, com dificuldades para expandir os negócios, em razão de crise econômica, de não saber gerir, investir e também de não saber liderar equipes, o que consequentemente, leva a uma considerável redução nas contratações atuais e um péssimo ou mediano desempenho enquanto empresa.

O que muitas vezes acontece de fato, é a existência de um funcionário que tem mão de obra qualificada e que é apto para funções mais específicas, porém é encarregado de tarefas subalternas, que pouco acrescentam nos resultados finais da empresa, e ainda dificultam e muito o seu desempenho e crescimento pessoal, ou seja, o profissional certo atuando no cargo ou com responsabilidades erradas. Para resolver este problema, que aparentemente começa pequeno e pode por muitas vezes acarretar até no desligamento do profissional da empresa, é preciso realizar um trabalho real de gestão dos recursos humanos, no qual todas as partes sejam ouvidas, avaliadas, entendidas e informações de valor sejam colhidas.

Tem ainda empresários com a crença de que o desenvolvimento e qualificação depende unicamente dos colaboradores, e este pensamento é um tanto quanto equivocado e muitas vezes prejudicial ao seu negócio. Para começar a criar “mão de obra qualificada”, os gestores precisam repensar e tirar da cabeça a ideia de que desperdiçarão ou perderão verba investindo em um funcionário que a qualquer momento pode se desligar da empresa. Se inteirar sempre das dificuldades do profissional e direcionar a especialização apropriada é a medida mais indicada para impulsionar a produção e reduzir o retrabalho.

O que falta no mercado é o empresário entender que existe uma regra clara: contrate certo, treine bem e lidere melhor ainda. Todo empresário passa pela mesma dificuldade, mas pense bem, pois não é o mercado que está desqualificado e sim a sua forma de gerir o negócio que é amadora.

*Danilo de Lima Neves é Psicólogo Empresarial e Sócio Diretor na Grandy Psicologia Empresarial. Empresa Especialista em Gestão de Pessoas, Recrutamento e Seleção, assim como no Desenvolvimento de Líderes e Empresas com a missão de: Expandir a Consciência e Gerar Ações Transformadoras – para pessoas e empresas que desejam evoluir em seus projetos e objetivos. Email: [email protected]. Site: http://grandy.com.br/

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Artigos

Valores de casa: o verdadeiro endereço da vida

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Autora: Soraya Medeiros*

Há um endereço que permanece em nós muito depois da partida. Não é o CEP registrado em documentos, nem o bairro onde crescemos. É um endereço invisível — formado pelos valores que recebemos no lar. Quando sólidos, eles nos acompanham por toda a vida, orientando escolhas, moldando atitudes e sustentando quem nos tornamos.

Em tempos marcados pela pressa e pela busca de resultados imediatos, essa verdade parece esquecida: o verdadeiro endereço do ser humano não é geográfico, é ético. Mudamos de cidade, de país, de profissão e de relações. Vivemos o reconhecimento e também a rejeição. Ainda assim, nas diferentes fases da vida — nas conquistas ou nas dificuldades — são os valores aprendidos em casa que nos orientam. Honestidade, respeito, trabalho e empatia deixam de ser apenas palavras e se tornam referências internas.

Como destaca o psicólogo e educador Rossandro Klinjey, os valores não se herdam, mas se constroem pelo exemplo e pela convivência. O lar, portanto, é mais do que um espaço físico: é a primeira escola da alma. É ali que se formam as bases que, mais tarde, sustentarão decisões, relações e caminhos inteiros.

Por isso, os conselhos daqueles que vieram antes merecem atenção. Pais, avós, tios e mestres carregam experiências que ainda nem sabemos nomear. Suas trajetórias são tecidas de erros, acertos, quedas e recomeços. E, muitas vezes, na simplicidade de suas palavras, está a profundidade de quem já enfrentou a vida em sua forma mais real.

Ainda assim, vivemos uma época em que o conselho é frequentemente ignorado. O excesso de informações faz com que muitos confundam opinião com sabedoria. A pressa leva outros a tratar a experiência como algo ultrapassado. Esquecemos que a maturidade não surge por acaso — ela é construída ao longo do tempo, também por meio das dificuldades. Por isso, é essencial saber ouvir: não apenas quem nos agrada, mas principalmente quem nos orienta com verdade. É no silêncio dessa escuta que a nossa consistência se consolida.

E é nesse ponto que surge uma reflexão sobre a felicidade. Não a felicidade passageira das conquistas materiais ou do reconhecimento público, mas aquela que resiste ao tempo. A felicidade de quem, ao final do dia, consegue olhar para si e reconhecer alguém que permaneceu fiel aos próprios princípios.

Porque, no fim, o sucesso é instável. O fracasso é passageiro. Mas os valores que criam raízes na alma permanecem. São eles o único endereço que nunca deixamos.

*Soraya Medeiros é jornalista.

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