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Fabio Garcia: A verdade sobre o aumento da conta de energia no Brasil

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                      A verdade sobre o aumento da conta de energia no Brasil

Fabio Garcia

Este ano, o brasileiro viu sua conta de luz aumentar significativamente. E mesmo sem entender o motivo de tamanho aumento, o brasileiro foi obrigado mais uma vez a pagar a conta.

Esse acréscimo – da forma que veio [de uma hora para outra]; e do tamanho que veio [em até 50%] – merece um esclarecimento verdadeiro ao cidadão, e, sobretudo, um combate incisivo por aqueles que representam o povo brasileiro.

fabioGarcia-artigoPara explicar a verdade sobre este aumento temos que voltar em 23 de janeiro de 2013. À época, a presidente Dilma Rousseff discursou em rede nacional: "A partir de agora, a conta de luz das famílias brasileiras vai ficar 18% mais barata. É a primeira vez que isso ocorre no Brasil".

O que poucos sabiam, naquele momento, era o tamanho da conta imposta aos brasileiros para que o anúncio fosse possível. O Governo realizou uma medida provisória (MP nº. 579) que mexeu de forma estruturante no setor elétrico.

Entre as alterações, o governo mexeu em um fundo chamado Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). Nele, a União concentrou uma série de despesas já existentes no setor e criou outras tantas, fruto da falta de planejamento e de equívocos na condução da política energética.

As mudanças promovidas pelo Governo Federal nesta conta foram tão profundas, que as despesas da CDE saltaram de R$ 3 bilhões para R$ 25 bilhões, entre 2012 e 2015, um aumento de impressionantes 760%. 

E para anunciar, em 2012, a redução no preço de energia no Brasil, o Governo Federal decidiu aportar, entre 2013 e 2014, mais de R$ 20 bilhões de recursos do Tesouro Nacional para pagar as despesas da conta da CDE, impedindo que os custos (antigos e novos) criados pelo governo chegassem à conta de luz do brasileiro.  O problema é que esta regra só valeu por dois anos e até o ano da eleição. Foi redução para inglês ver.

Passado o pleito, o Governo decidiu que não mais interessava reduzir o preço da energia e não aportou mais nenhum real sequer para pagar a CDE, repassando ao consumidor a conta bilionária criada por ele mesmo. Foi esse o principal motivo do aumento da energia no Brasil.

Uma mudança radical na decisão política do Governo Federal que nada tem a ver com a crise hídrica.

Mas o descuido da União com relação à CDE vai além. Para piorar a situação, o Governo distribuiu esta conta bilionária de forma injusta e desigual entre os contribuintes. Os brasileiros que vivem no Centro-Oeste, Sul, Sudeste e no Acre foram obrigados a pagar 4,5 vezes mais desta conta que os que moram nas outras regiões – independentemente de sua classe social, renda, escolaridade ou outro critério qualquer.

Distribuição injusta. Não igualitária. Que fez com que em fevereiro último a energia no Sudeste, Centro-Oeste, Sul e no Acre aumentasse em média 28%, enquanto que a conta nas outras regiões aumentou 5,5%.

A desigualdade é tão gritante que este modelo fez com que o cidadão de baixa renda do Sul, do Sudeste, do Centro-Oeste ou do Acre esteja subsidiando energia para o cidadão de classe alta de outras regiões. O que justifica tamanha desigualdade? Nada!

Como deputado federal, apresentei o projeto de lei nº. 832/2015 que visa diminuir as despesas da CDE para o consumidor e distribuir as mesmas com igualdade. Não abrirei mão de lutar pela redução do preço da energia no Brasil e tampouco de tratar os brasileiros de forma justa e igualitária.

Fabio Garcia é deputado federal pelo PSB-MT

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Qual o sentido da vida?

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Autora: Soraya Medeiros*

Assisti recentemente a uma palestra que trouxe uma pergunta antiga, aparentemente simples, mas capaz de atravessar gerações, religiões e filosofias: afinal, qual é o sentido da vida?

Saí de lá pensando sobre as diferentes respostas que damos a essa pergunta. Para alguns, viver é conquistar uma casa bonita, um carro novo, viajar, ganhar dinheiro e ter conforto. Para outros, é alcançar sucesso profissional, reconhecimento e prestígio. Há quem encontre sentido na família, no amor, na fé, nos amigos ou no cuidado com o próximo. E há também quem ainda esteja tentando descobrir por que está aqui.

Talvez esse seja um dos grandes dilemas do nosso tempo. Somos ensinados desde cedo a conquistar, produzir, acumular e vencer, mas pouco estimulados a perguntar por que queremos tudo isso.

Vivemos em uma sociedade que frequentemente mede felicidade pelo que pode ser mostrado. O sucesso ganhou endereço, marca, preço e até número de seguidores. Parece que precisamos provar o tempo inteiro que estamos felizes, realizados e vivendo uma vida extraordinária.

Nada há de errado em desejar conforto, crescer profissionalmente ou realizar sonhos. O problema surge quando acreditamos que essas conquistas serão suficientes para preencher todos os nossos vazios.

O psiquiatra austríaco Viktor Frankl, criador da Logoterapia e autor de Em Busca de Sentido, dedicou parte de sua obra à necessidade humana de encontrar significado para a existência. Para ele, esse sentido não é uma fórmula pronta. Pode ser encontrado no trabalho, no amor, nas relações e até na maneira como enfrentamos situações que não podemos mudar.

E foi justamente aí que a palestra me provocou uma pergunta diferente: passamos tanto tempo pensando “o que eu quero ter?”, mas quantas vezes paramos para perguntar “que vida eu quero viver?”

Porque ter não significa ser.

Podemos conquistar dinheiro e continuar pobres de afeto. Podemos estar cercados de pessoas e nos sentir sozinhos. Podemos receber aplausos e, quando o silêncio chega, não reconhecer quem somos. Podemos acumular bens e descobrir que algumas das coisas mais importantes da vida simplesmente não podem ser compradas.

Talvez estejamos procurando longe demais aquilo que sempre esteve perto.

O sentido pode estar em sentar-se à mesa com quem amamos, abraçar nossos pais enquanto podemos, rir com os amigos, cuidar de um animal, ajudar alguém sem esperar reconhecimento, contemplar um pôr do sol ou simplesmente agradecer por mais um dia.

O problema é que frequentemente adiamos a vida. Quando eu tiver dinheiro.” “Quando conseguir aquele emprego.” “Quando comprar minha casa.” “Quando encontrar alguém.” “Quando puder viajar.” “Quando as coisas melhorarem.

E, de tanto esperar pelo momento ideal, corremos o risco de transformar a existência em uma grande sala de espera.

Mas a vida não espera.

Também acredito que não exista um único sentido para toda a nossa trajetória. Aquilo que parecia essencial aos 20 anos talvez já não seja aos 40 ou aos 60. Nós mudamos. Perdemos pessoas, encontramos outras, acertamos, erramos, amadurecemos e recomeçamos. E cada experiência reorganiza nossas prioridades.

Por isso, talvez a pergunta mais importante não seja apenas “qual é o sentido da vida?“, mas “qual sentido estou dando à vida que tenho hoje?

A vida não começa quando conquistarmos tudo aquilo que desejamos. Ela já está acontecendo enquanto trabalhamos, fazemos planos, amamos, choramos, sorrimos, perdoamos, perdemos e encontramos forças para começar novamente.

Talvez não seja necessário descobrir um propósito grandioso para justificar nossa existência. Talvez o verdadeiro sentido esteja nas pequenas coisas que fazemos, nos afetos que construímos e nas marcas que deixamos nas pessoas que passam pelo nosso caminho.

E, no final das contas, talvez baste poder olhar para a própria história e sentir que, apesar de tudo, valeu a pena estar aqui.

*Soraya Medeiros é jornalista.

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