Artigo
DIA DE LUTA DOS POVOS INDÍGENAS E DA TERRA
Autores: JUACY DA SILVA* e PRISCILLA ALYNE SUMAIO** –
No dia 19 de abril, “celebramos” o Dia dos Povos Indígenas e, no dia 22 do mesmo mês, o Dia da Terra, datas que também coincidem com o chamado “Descobrimento do Brasil”. Na verdade dias de luta em defesa desses povos e também em defesa da ecologia integral em nosso país, sujeitos a inúmeras formas de agressões, violência e muitos crimes que continuam impunes.
O destino dos povos originários, indígenas e o futuro do planeta estão umbilicalmente interligados, razão pela qual não podemos separá-los sob pena de perdermos o rumo do futuro, isto é sustentado por evidências científicas, cada vez mais claras e, por práticas de sustentabilidade comprovadas, como verdadeiros guardiões das florestas, das águas, da biodiversidade, tornando a proteção dos seus direitos e territórios uma questão central para a sobrevivência global.
Povos indígenas e comunidades tradicionais, enfim, os povos originários são reconhecidos como os guardiões mais eficazes da natureza, responsáveis por proteger cerca de 80% da biodiversidade remanescente na Terra, apesar de representarem apenas 5% da população mundial.
Além dessas dimensões antropológicas, não podemos que os povos indígenas e originários são seres humanos, apenas vivendo em um tempo cultural e antropológico distinto, mas que, nem por isso, suas culturas, seus estilos de vida e seus territórios devem ser destruídos em nome de um falso progresso que não respeita esses povos, nem o meio ambiente e nem as diferenças sociais, políticas e econômicas.
Neste sentido, O Papa Leão XIV, em pronunciamento recente enfatizou que a evangelização não pode significar apagamento cultural. Em sua mensagem para o Jubileu dos Povos Originários, reconheceu-os como uma “voz insubstituível”, afirmou ainda que precisamos agir contra o abuso e a exploração na Amazônia, enviando mensagens aos bispos amazônicos sobre a proteção dos povos e do território.
Essas declarações refletem uma postura de valorização da identidade indígena, busca por justiça social e ambiental, marcada também por gestos de reparação histórica.
Esses marcos são profundamente significativos, pois evidenciam não apenas a história de luta dos povos indígenas, mas também a crescente ameaça ao planeta Terra, submetido a um processo contínuo de destruição, degradação ambiental e extinção de espécies.
Estima-se que mais de 95% das espécies que já habitaram o planeta ao longo da história tenham desaparecido, e essa tragédia continua em curso, colocando em risco todas as formas de vida, inclusive a humana, que, paradoxalmente, é ao mesmo tempo a mais vulnerável e a principal agente desse processo destrutivo.
Nesse contexto, há uma relação indissociável, quase umbilical, entre o planeta Terra e os povos indígenas. Como afirma Ailton Krenak, “a ideia de que somos os donos da Terra é uma ideia muito equivocada. Nós somos parte dela“. Essa compreensão rompe com a visão dominante de separação entre humanidade e natureza e nos convida a repensar profundamente nossos modos de vida.
Assim, a luta em defesa do planeta é também a luta pela sobrevivência, pela identidade e pelo respeito ao direito de existência dos povos indígenas em todos os continentes, inclusive no Brasil.
Nesse debate, é fundamental incluir também a dimensão linguística, frequentemente invisibilizada: as línguas indígenas de sinais. Em diferentes comunidades indígenas no Brasil, pessoas surdas desenvolvem sistemas próprios de comunicação visual- gestual, profundamente enraizados em suas culturas e territórios. Essas línguas não são meras adaptações da Libras, mas sistemas linguísticos autônomos, que expressam formas específicas de organização do espaço, da experiência e das relações sociais. Como aponta Sumaio, ao analisar a língua terena de sinais, essas línguas evidenciam que “a diversidade linguística indígena também se manifesta no campo visual-gestual, revelando sistemas complexos e culturalmente situados de significação“. Assim como as línguas orais indígenas, essas línguas de sinais também estão ameaçadas, seja pela perda de territórios, seja pela imposição de modelos educacionais e linguísticos externos. Sua preservação e reconhecimento são essenciais não apenas para as comunidades surdas indígenas, mas para a compreensão mais ampla da diversidade linguística e das múltiplas formas de existência humana.
A destruição ambiental afeta diretamente esses povos. O desmatamento, as queimadas, a degradação dos solos, garimpos ilegais e mineração, a contaminação das águas e a perda da biodiversidade comprometem suas formas de vida. Como destaca Davi Kopenawa, “os brancos pensam que a floresta é muda. Mas ela fala“
Essa afirmação expressa uma outra concepção de mundo, na qual a natureza não é um recurso, mas um sujeito de relações e significados.
Há, portanto, uma negação sistemática da existência desses povos, manifestada em diferentes formas de violência, especialmente na restrição de seus territórios — muitas vezes transformados em espaços reduzidos e insuficientes para a reprodução de seus modos de vida.
Por isso, os povos indígenas são frequentemente reconhecidos como os verdadeiros guardiões da Terra, das florestas, dos biomas e das águas. Em contraste, o modelo dominante de desenvolvimento tem promovido a exploração predatória da natureza, agravando a crise climática e seus impactos globais.
Diante desse cenário, é fundamental reconhecer que a crise ambiental não é apenas ecológica, mas também social, política, cultural e ética, enfim, uma crise existencial, diante da qual a humanidade não pode se esquivar. Como já alertava Darcy Ribeiro, “os índios não são o passado do Brasil. São parte do seu futuro“.
Assim, o Dia dos Povos Indígenas e o Dia da Terra não devem ser apenas datas comemorativas, celebrativas, mas, fundamentalmente, momentos de reflexão crítica, de mobilização e de luta por um futuro sustentável, de respeito `a vida e respeito `as diferenças. Mais do que isso, devem representar um chamado à ação: a transformação dos discursos em práticas concretas, capazes de redefinir nossos modelos de desenvolvimento e nossas relações sociais, econômicas, políticas e também nossas relações com o planeta.
É neste sentido que o Papa Francisco, na Encíclica Laudato Si, em defesa da Ecologia Integral, enfatiza que “o grito, o gemido da terra é também o gemido e grito dos pobres, excluidos e injustiçados“ e, na atualidade, os povos indígenas representam parte dos excluídos e injustiçados em nosso país.
Como nos lembra novamente Ailton Krenak, talvez seja preciso “adiar o fim do mundo” — e isso só será possível se formos capazes de aprender com aqueles que, há séculos, milênios, já sabem que viver é coexistir e lutar!
*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em sociologia, ambientalista, ativista social, articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste.
Email [email protected]
Instagram @profjuacy
WhatsApp 65 9 9272 0052
**Priscilla Alyne Sumaio é linguista, doutora em Linguística pela Universidade Estadual Paulista e professora da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás. É especialista em Libras e uma das primeiras pesquisadoras brasileiras a descrever linguisticamente uma língua indígena de sinais, com pesquisas voltadas à documentação, análise e ensino da Língua Brasileira de Sinais e das línguas indígenas de sinais no Brasil
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Abril Verde: uma caminhada pelo cuidado
Autor: Wigor Marques* –
O Abril Verde é uma campanha de conscientização que tem como principal objetivo promover a prevenção de acidentes e doenças ocupacionais, incentivando a construção de ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis para todos.
Sua importância está diretamente relacionada à valorização da vida, ao cuidado com a saúde do trabalhador e à necessidade de atenção aos riscos presentes no ambiente laboral, especialmente os riscos psicossociais, a saúde mental no trabalho e os impactos das mudanças climáticas, temas cada vez mais relevantes no cenário atual. Além disso, o incentivo ao autocuidado e à prática de atividades físicas vem se consolidando como uma estratégia essencial para a promoção da qualidade de vida.
Diante desse contexto, no dia 25 de abril o Hospital Santa Helena realizará uma caminhada em alusão ao Abril Verde. Neste ano, o tema está voltado à prevenção de acidentes e doenças ocupacionais, com ênfase nos riscos psicossociais, na saúde mental no trabalho e nos impactos das mudanças climáticas.
Para abrilhantar ainda mais o evento, a atividade contará com parceiros que abraçaram a causa e irão apoiar na realização de uma caminhada de sucesso, sempre priorizando a saúde. Este será o segundo ano consecutivo da ação, o que reforça o compromisso da instituição com o bem-estar dos colaboradores.
A caminhada será realizada no Parque das Águas, proporcionando um momento ao ar livre, favorecendo a interação e o fortalecimento do vínculo entre os colaboradores, além da conexão com o autocuidado. A caminhada terá a presença de um professor de Fit Dance, tornando o momento ainda mais dinâmico, além de um profissional de educação física que conduzirá alongamentos antes da dança e da caminhada.
A iniciativa surgiu durante a reunião da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e Assédio (CIPA), ao destrincharmos o plano de ação, de forma natural e com grande engajamento. A atual gestão da CIPA abraçou essa causa, consolidando a ação como um sucesso a cada ano.
Como analista de Recursos Humanos e presidente da CIPA e Saúde do Trabalhador, reconheço a importância de promover ações estratégicas voltadas à saúde dos colaboradores. Em um ambiente organizacional composto por uma equipe multiprofissional, seguimos analisando continuamente as condições de trabalho, com foco na melhoria contínua e na qualidade de vida.
Tenho orgulho de contribuir com esse propósito, pois quando cuidamos das pessoas, os resultados aparecem de forma consistente, gerando impactos positivos para todos.
*Wigor Marques – Analista de RH do Hospital Santa Helena
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