Artigo
Mais um adeus, Mato Grosso
Autora: Valéria del Cueto* –
Alguns textos são difíceis de escrever. São aqueles que concretizam ações que, até estarem no papel, eram apenas possibilidades distantes. Algumas boas, outras nem tanto.
Poucos anos após chegar em Mato Grosso, depois da campanha política de 1988, apareceu uma oportunidade de comprar uma terra na Chapada do Guimarães. Uma área rural, na beira da estrada da Água Fria, perto do Colégio Buriti.
Quem me botou na fita foi Luizinho Soares. Viramos vizinhos. Na hora da venda eu estava viajando. Na confiança foi feita uma procuração para um terceiro para que, mais tarde (e demorou por inconsequência de minha parte), a escritura fosse lavrada em meu nome.
Quando voltei e vi o meu latifúndio de cem hectares, me apaixonei perdidamente. O que era aquele horizonte? Meu lugar na terra!
Fiz muitos planos para a área que, para mim, era uma imensidão. Para começar, escolhi o lugar da casa. Na beira das únicas árvores altas existentes na extensão do terreno.
Logo comecei a ver as dificuldades da empreitada. Fazer a cerca, puxar a energia elétrica. Cavar poço para achar água ou trazer do Monjolinho, cuja nascente, formadora do Véu da Noiva, estava um pouco acima?
Me planejei para executar essas etapas com o que pretendia ganhar nas campanhas políticas seguintes.
Bastaram duas eleições para entender que aquele não era o desejo dos deuses. Cada vez que me preparava para um avanço, levava um cano! Foi assim com o projeto arquitetônico, com os fundos para construir a casa tão sonhada…
Como não brigo com o universo, acatei a mensagem e desisti da empreitada.
Durante um tempo uma família morou por lá. O marido era o caseiro, a mulher trabalhava no Buriti, onde as crianças estudavam. Fizeram um pequeno pomar e plantaram um pouco de abacaxi.
Até o dia em que o caseiro me disse que “não recebia ordens de uma mulher”. Detalhe: naquele momento estava solteira. Num arranjo providencial a família foi prestar serviço numa propriedade vizinha.
As terras ficaram abandonadas? Não. Era como se estivessem cobertas pelo manto da invisibilidade. Sempre tive a segurança de que o vizinho estava de olho no que acontecia por lá.
Quantas vezes, nos períodos em que estive fora de Mato Grosso, me perguntei por que não me desfazia da Estância Vista Alegre, tão longe, de mim distante?
Bastava voltar à Chapada, passar pela porteira da terra do Cabeção, que dava acesso às minhas posses, olhar para os pés de pequi e outras espécies nativas para ter essa resposta.
Ali estavam minhas raízes mato-grossenses. Daquela terra linda eu era a guardiã!
Decidi que aqueles hectares seriam Cerrado natural. Intocado e preservado. Onde a vegetação se expandisse. Um espaço à riqueza inexplorada que o bioma nos proporciona e que aproveitamos tão mal. E assim foi, sem alarde, por décadas.
Os orixás abençoaram minhas intenções e, juntos, protegemos a vegetação e os animais que por ali circularam livremente por 38 anos.
Uma única vez o fogo lambeu a Estância. Foi na década de 1990. Vi a terra se regenerar, renascer e voltar à sua forma exuberante.
Mas os tempos mudaram. A estrada para a Água Fria foi asfaltada. A cidade se expandiu naquela direção. O que era área rural está virando urbana.
Luizinho partiu e, com ele, o manto de proteção e a ligação que nos unia no lugar se romperam.
Um dia, no Rio, recebi uma mensagem espiritual. Dizia: “Cuida do que é seu“. Respondi que o faria assim que pudesse. A réplica foi: “Agora!“
Segui para o Chapada imediatamente. Foi no final do ano passado. Bem na hora. Havia várias sondagens para levantar em órgãos públicos a quem o terreno pertencia. Mau sinal…
Pedi ajuda a Exu, o que abre os caminhos, quando pisei no trecho que corta a terra e meu destino, para não sucumbir mais uma vez aos encantos mágicos da Estância Vista Alegre. Para, finalmente, transferir a outra dimensão este laço que, por quase quatro décadas, me uniu a Mato Grosso.
Agora, corro uma maratona para regularizar a documentação da terra. Georreferenciamento, escritura, Incra, Sema, Receita e o que mais vier. E olha que, na medida do possível, sempre procurei me manter em dia com minhas obrigações.
Oxóssi, o caçador, e Oxum, a mãe dos rios, que por esse tempo protegeram meu pedaço de chão, agora dividem a missão com Nossa Senhora de Santana, padroeira da Chapada dos Guimarães. Mais um elo da corrente de amor que me liga a essas paragens que tão bem me receberam se rompeu.
É tempo de mais um adeus, Mato Grosso…
*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica da série “Parador Cuyabano” do SEM FIM… delcueto.wordpress.com
Artigos
A chave para uma noite de sono perfeita pode estar no seu intestino
Autor: Max Lima* –
Milhões de pessoas sofrem com insônia e problemas de saúde sem saber que a raiz do problema pode ser algo que acontece bem longe da cabeça: no seu sistema digestório. Parece estranho, não é? Mas a ciência mais recente está desvendando uma conexão poderosa e surpreendente entre o seu intestino e o seu cérebro. Se você se sente cansado, estressado ou tem dificuldades para dormir, este texto é para você.
O Segredo Escondido no Seu Intestino: Disbiose e Seus Efeitos Devastadores
Imagine seu intestino como um segundo cérebro, repleto de trilhões de microrganismos que formam a sua microbiota. Quando esse equilíbrio é quebrado um estado que chamamos de disbiose intestinal as consequências podem ser muito mais amplas do que você imagina. Uma dieta desequilibrada, o uso de antibióticos, o estresse do dia a dia e até mesmo a interrupção do seu ritmo circadiano (seu relógio biológico) podem ser os vilões que desencadeiam essa desordem.
Mas o que isso tem a ver com o seu sono e bem-estar? A disbiose não afeta apenas a digestão. Ela pode comprometer a produção de neurotransmissores essenciais (como GABA e serotonina, que regulam o humor e o sono), a integridade da sua barreira intestinal (levando ao que conhecemos como ‘intestino permeável’ ou leaky gut), e até mesmo a forma como seu corpo lida com hormônios e metabólitos importantes. Tudo isso cria um ciclo vicioso que impacta diretamente suas vias neurais, imunológicas e endócrinas, culminando em problemas como a insônia e um cérebro que não funciona em sua capacidade máxima. É uma verdadeira orquestra desafinada que afeta todo o seu corpo, começando no intestino e ecoando na sua mente.
A Boa Notícia: Você Pode Reverter Esse Cenário e Reconquistar Seu Bem-Estar!
A boa notícia é que você não está condenado a viver com esses problemas. A ciência nos mostra que é possível quebrar esse ciclo vicioso e restaurar o equilíbrio do seu intestino, impactando positivamente sua saúde cerebral e seu sono. Intervenções simples e eficazes podem fazer uma diferença gigantesca
• Probióticos: A introdução de bactérias benéficas pode ajudar a repovoar e equilibrar sua microbiota intestinal.
• Fibras Alimentares: Uma dieta rica em fibras é o alimento preferido das suas bactérias boas, promovendo um ambiente saudável no intestino.
• Polifenóis do Chá: Compostos encontrados no chá possuem propriedades que podem modular positivamente a microbiota.
• Exercício Físico: A atividade física regular não beneficia apenas o corpo, mas também o intestino e o cérebro.
• Transplante de Microbiota Fecal (TMF): Em casos específicos e sob orientação médica, o TMF pode ser uma ferramenta poderosa para restaurar a saúde intestinal.
Essas estratégias, baseadas em pesquisas rigorosas e estudos clínicos, são a chave para você recuperar a qualidade do seu sono, reduzir o estresse e otimizar sua função cerebral. Imagine-se acordando renovado, com mais energia e clareza mental, pronto para enfrentar o dia!
Dê o Primeiro Passo Rumo a uma Vida Mais Saudável e Equilibrada!
Não deixe que a disbiose intestinal continue sabotando sua saúde e seu bem-estar. É hora de tomar as rédeas e investir na sua qualidade de vida. Como especialista na área, estou aqui para guiá-lo nessa jornada. Através de uma abordagem personalizada e baseada nas mais recentes evidências científicas, e possível identificar as causas do seu desequilíbrio e traçar um plano de tratamento eficaz.
*Dr. Max Wagner de Lima
Cardiologista | Luminae – Excelência em Saúde
Método ROTINA | Longevidade com estratégia
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