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Davi Saadia: – O ano da energia solar no Brasil
O ano da energia solar no Brasil
Autor: Davi Saadia –
Analistas de mercado afirmam que 2020 será definitivamente o ano da energia solar no Brasil. Projeções realizadas pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), principal entidade do setor, apontam que o segmento deve gerar mais de 120 mil novos empregos no Brasil, acumulando mais de 250 mil postos de trabalho até dezembro, concentrados entre cerca de 15 mil empresas da cadeia produtiva fotovoltaica.
Estão previstos mais de R$ 19,7 bilhões de investimentos privados neste ano, quando somamos os setores de geração distribuída (sistemas em telhados e fachadas de edifícios) e centralizada (grandes usinas solares).
Somente nestes últimos meses, a Golden Distribuidora, empresa com 30 anos no ramo de distribuição de tecnologia, tem aportado sozinha cerca de R$ 80 milhões na criação de uma unidade fabril de geradores e equipamentos fotovoltaicos no Brasil, sob a marca do Go Solar.
A inauguração da linha de montagem, instalada no estado de São Paulo, integra o plano de expansão da companhia para atender o segmento de energia solar na geração distribuída. O foco da atuação será na distribuição de geradores fotovoltaicos e acessórios para o mercado nacional, por meio dos canais de vendas da própria organização, pulverizados pelo País, bem como pela ampliação de portfolio de revendedores e integradores do mercado fotovoltaico nacional.
No caso específico da geração distribuída, os cidadãos e empresários têm apostado de forma significativa na tecnologia fotovoltaica, no sentido de ganhar competitividade e aliviar os orçamentos das famílias. Em número de sistemas fotovoltaicos instalados no Brasil, os consumidores residenciais estão no topo da lista, representando 72,60% do total. Em seguida, aparecem as empresas dos setores de comércio e serviços (17,99%), seguidos pelos consumidores rurais (6,25%), indústrias (2,68%), poder público (0,43%) e outros tipos, como serviços públicos (0,04%) e iluminação pública (0,01%).
Em termos de autoprodução, o Brasil poderá registrar um crescimento no setor de 170% frente ao total acumulado até 2019, passando de 2,0 gigawatts (GW) para 5,4 gigawatts (GW). Já no segmento de usinas solares de grande porte, contratadas em leilão pelo governo, o crescimento previsto será de 25%, saindo dos atuais 2,4 GW para 3,0 GW.
Ao analisar esses números, fica evidente que a energia solar é estratégica ao País, tanto em termos econômicos, quanto sociais e ambientais. Certamente, o papel relevante do setor fotovoltaico tem direcionado o debate em torno da revisão regulatória da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e do Projeto de Lei que está em vias de tramitar no Congresso Nacional.
A solar fotovoltaica é a fonte renovável mais competitiva e democrática do País, sendo uma forte locomotiva para o desenvolvimento sustentável, com geração de emprego e renda, atração de investimentos, diversificação da matriz elétrica e benefícios sistêmicos para todos os consumidores brasileiros.
O Brasil tem tudo a ganhar com esta fonte de energia e tem avançado bem para se tornar uma liderança mundial no setor, cada vez mais estratégico e essencial no mundo.
Porém, vale lembrar que o mercado nacional ainda está muito aquém de países desenvolvidos, como Austrália, China, Estados Unidos e Japão, que já ultrapassaram a marca de 2 milhões de sistemas solares fotovoltaicos na geração distribuída, bem como da Alemanha, Índia, Reino Unido e outros, que já superaram a marca de 1 milhão de conexões. Assim, fica evidente o grande potencial de crescimento no País.
Para cada R$ 1 investido em sistemas fotovoltaicos de pequeno e médio portes usados para abastecer residências, comércios, indústrias, propriedades rurais e prédios públicos, o setor devolve mais de R$ 3 em ganhos elétricos, econômicos, sociais e ambientais aos brasileiros.
O cálculo, elaborado pela ABSOLAR, foi feito a partir dos dados de investimentos realizados na área desde 2012, levando em consideração os incrementos de arrecadação dos governos federal, estaduais e municipais decorrentes desses aportes e a geração de novos empregos e renda no País com os negócios e projetos desenvolvidos no período, entre outros importantes indicadores.
Desta forma, apostamos na composição de uma sociedade com mais liberdade, economia, prosperidade e sustentabilidade para os consumidores e para os cidadãos brasileiros.
Davi Saadia é CEO da Go Solar, distribuidor de geradores e equipamentos fotovoltaicos, pertencente à Golden Distribuidora.
Artigos
O que pode estar por trás dos bloqueios emocionais
Autora: Adriana Braz de Oliveira* –
Você já sentiu uma tristeza que não sabia explicar? Uma angústia que parecia não ter origem? Ou talvez um padrão que se repete na sua vida, nos relacionamentos, no trabalho, nas escolhas, e que, por mais que você tente mudar, insiste em aparecer? Pois bem, pode ser que essa história tenha começado muito antes de você.
Partimos de uma premissa simples, mas profunda: não somos ilhas. Somos o resultado de tudo aquilo que vivemos, sim, mas também do que as gerações antes de nós viveram e não conseguiram elaborar completamente. Lutos que não foram chorados, segredos que ficaram guardados, pessoas que foram excluídas da família, traumas que ficaram sem amparo. Tudo isso não desaparece com o tempo, mas circula, de forma silenciosa, dentro do sistema familiar — e pode aparecer na vida dos descendentes como ansiedade sem nome, bloqueios inexplicáveis ou relacionamentos que nunca fluem.
Não se trata de culpar os nossos ancestrais. Muito pelo contrário. Trata-se de compreender que o que sentimos nem sempre começou em nós. E que ao trazer luz para essas dinâmicas, deixamos de repetir automaticamente e passamos a ter escolha.
Podemos pensar, por exemplo, no impacto da ausência paterna na vida de uma pessoa. E aqui é importante entender que ausência não significa apenas não estar presente fisicamente. Um pai pode estar em casa todos os dias e, ainda assim, ser emocionalmente distante, indisponível, desconectado.
Quando a paternidade não vem acompanhada de vínculo real, isso deixa marcas. O filho pode crescer com dificuldade de se sentir pertencente ao mundo, de confiar em si mesmo, de se realizar profissionalmente ou de construir relacionamentos saudáveis. Muitas vezes, passa a vida tentando preencher esse vazio em outros lugares: em parceiros, em conquistas, na busca por aprovação.
No entanto, a ideia não é forçar uma reconciliação artificial com esse pai. Mas algo ainda mais transformador: dar um lugar interno a essa figura, com todas as suas limitações humanas, para que o filho possa, finalmente, seguir em frente sem carregar esse peso. E é justamente aqui que surge um dos maiores equívocos sobre o processo de transformação: a crença de que, para se libertar, é preciso cortar os vínculos com o passado. Que para ser livre, é necessário esquecer, romper, rejeitar.
Quando tentamos fugir da nossa história com raiva ou repúdio, continuamos presos a ela, só que de outro jeito. A rejeição também é uma forma de emaranhamento. E a repetição continua, muitas vezes com polaridade invertida. A verdadeira liberdade começa quando paramos de fugir e passamos a olhar. Quando nos permitimos ver nossa origem como ela realmente foi, sem idealizações e sem condenações. Quando conseguimos dizer internamente: “você é meu pai, você é minha mãe, e eu recebo a vida que vocês me deram.” Não porque o passado foi perfeito, mas porque ele foi real. E porque, ao aceitá-lo, abrimos espaço para que a vida possa, finalmente, fluir.
Diferenciar-se não é apagar de onde viemos. É honrar as raízes com consciência, deixar com cada um o peso que lhe pertence, e assumir com coragem e leveza o próprio lugar no mundo. Esse é o caminho proposto: não o de quem foge, mas o de quem integra, escolhe e segue.
*Adriana Braz de Oliveira é psicóloga, doutora em Psicologia da Saúde, especialista em Psicologia Transpessoal e autora do livro PsiConstelação.
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