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Eumar Roberto Novacki: – Chegou a vez da fruticultura
Chegou a vez da fruticultura
Por: Eumar Roberto Novacki –
Para sairmos de quase 7% para 10% da participação brasileira no mercado internacional em 5 anos, temos que estimular o desenvolvimento de todos os setores do agro. A fruticultura, um dos seguimentos com grande potencial de exportação, tem se destacado nos últimos anos, seja na produção in natura ou na industrialização, com frutas e néctares.
O Brasil é o terceiro maior produtor do mundo, com uma produção anual de 44 milhões de toneladas e com um calendário de safra ao longo do ano todo. Mesmo só perdendo para a China e a Índia no ranking de produção de frutas, exportamos menos de 2,5% da nossa produção.
Falta-nos enfoque estratégico e maturidade na cultura exportadora para a conquista de novos mercados. Exportação significa mais renda, mais empregos, mais força na economia. Só para se ter uma ideia do atual cenário, o Peru tem um território de 1.285 milhão de km², 7 vezes menor que o Brasil, mas exporta atualmente quase 4 vezes mais, gerando U$ 2,4 bilhões em receita. Outro vizinho, o Chile, com um território um pouco maior que a Bahia exporta U$ 4 bilhões em frutas. No Brasil, as exportações de frutas geram apenas U$ 700 milhões.
Cabe ressaltar o apelo social, já que o setor é um grande gerador de empregos formais. Tomando como exemplo a produção de melões no Nordeste brasileiro, são gerados em média, um posto formal de emprego por hectare. Só uma área produtora em Mossoró, gera nove mil empregos diretos. Atualmente são mais de 5 milhões de empregos em áreas onde outras atividades de produção de alimentos não seriam viáveis economicamente, como na região do semi-árido. Percebemos nisso uma grande oportunidade de expansão.
Com base nesses dados, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento está trabalhando para consolidar o Plano Nacional de Desenvolvimento da Fruticultura (PNDF), cuja expectativa é que o Brasil possa dobrar sua produção de frutas em 5 anos e aumentar, em pelo menos 50%, o volume de exportações nos próximos 3 anos.
Vamos debater os pilares para o desenvolvimento econômico da fruticultura, passando pela edição de normativos técnicos simplificados, visando além da defesa vegetal, a desburocratização e consequente redução de custos, além de discutir pesquisa, desenvolvimento e inovação.
A adoção de alguns instrumentos de planejamento que compõe o plano tem a perspectiva de dar clareza aos caminhos a se percorrer em curto, médio e longo prazo, entre eles, um dos principais é a governança da cadeia produtiva.
Medidas que tornarão o setor mais forte, competitivo e capaz de atender os padrões mundiais de eficiência e sustentabilidade na produção de frutas
Apesar de extenso e complexo, o Plano voltado à fruticultura merece destaque na pauta do agronegócio brasileiro. Além de muito promissor para a economia, com geração de maior riqueza e ampla distribuição da renda, ele pretende estimular a mudança no hábito alimentar da população. Com isso, a tendência é termos maior qualidade de vida para as futuras gerações.
Aos governos não cabe a máxima: “se não atrapalhar já ajuda!” Além de não atrapalhar, temos a obrigação de estimular o desenvolvimento do setor. O Ministério da Agricultura vem trabalhando incansavelmente para que a locomotiva da economia brasileira, ganhe velocidade.
Eumar Roberto Novacki, Secretário Executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
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O que pode estar por trás dos bloqueios emocionais
Autora: Adriana Braz de Oliveira* –
Você já sentiu uma tristeza que não sabia explicar? Uma angústia que parecia não ter origem? Ou talvez um padrão que se repete na sua vida, nos relacionamentos, no trabalho, nas escolhas, e que, por mais que você tente mudar, insiste em aparecer? Pois bem, pode ser que essa história tenha começado muito antes de você.
Partimos de uma premissa simples, mas profunda: não somos ilhas. Somos o resultado de tudo aquilo que vivemos, sim, mas também do que as gerações antes de nós viveram e não conseguiram elaborar completamente. Lutos que não foram chorados, segredos que ficaram guardados, pessoas que foram excluídas da família, traumas que ficaram sem amparo. Tudo isso não desaparece com o tempo, mas circula, de forma silenciosa, dentro do sistema familiar — e pode aparecer na vida dos descendentes como ansiedade sem nome, bloqueios inexplicáveis ou relacionamentos que nunca fluem.
Não se trata de culpar os nossos ancestrais. Muito pelo contrário. Trata-se de compreender que o que sentimos nem sempre começou em nós. E que ao trazer luz para essas dinâmicas, deixamos de repetir automaticamente e passamos a ter escolha.
Podemos pensar, por exemplo, no impacto da ausência paterna na vida de uma pessoa. E aqui é importante entender que ausência não significa apenas não estar presente fisicamente. Um pai pode estar em casa todos os dias e, ainda assim, ser emocionalmente distante, indisponível, desconectado.
Quando a paternidade não vem acompanhada de vínculo real, isso deixa marcas. O filho pode crescer com dificuldade de se sentir pertencente ao mundo, de confiar em si mesmo, de se realizar profissionalmente ou de construir relacionamentos saudáveis. Muitas vezes, passa a vida tentando preencher esse vazio em outros lugares: em parceiros, em conquistas, na busca por aprovação.
No entanto, a ideia não é forçar uma reconciliação artificial com esse pai. Mas algo ainda mais transformador: dar um lugar interno a essa figura, com todas as suas limitações humanas, para que o filho possa, finalmente, seguir em frente sem carregar esse peso. E é justamente aqui que surge um dos maiores equívocos sobre o processo de transformação: a crença de que, para se libertar, é preciso cortar os vínculos com o passado. Que para ser livre, é necessário esquecer, romper, rejeitar.
Quando tentamos fugir da nossa história com raiva ou repúdio, continuamos presos a ela, só que de outro jeito. A rejeição também é uma forma de emaranhamento. E a repetição continua, muitas vezes com polaridade invertida. A verdadeira liberdade começa quando paramos de fugir e passamos a olhar. Quando nos permitimos ver nossa origem como ela realmente foi, sem idealizações e sem condenações. Quando conseguimos dizer internamente: “você é meu pai, você é minha mãe, e eu recebo a vida que vocês me deram.” Não porque o passado foi perfeito, mas porque ele foi real. E porque, ao aceitá-lo, abrimos espaço para que a vida possa, finalmente, fluir.
Diferenciar-se não é apagar de onde viemos. É honrar as raízes com consciência, deixar com cada um o peso que lhe pertence, e assumir com coragem e leveza o próprio lugar no mundo. Esse é o caminho proposto: não o de quem foge, mas o de quem integra, escolhe e segue.
*Adriana Braz de Oliveira é psicóloga, doutora em Psicologia da Saúde, especialista em Psicologia Transpessoal e autora do livro PsiConstelação.
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